Friday, January 31, 2014

Quem quer vir comigo à Transilvânia procurar dráculas? e beber sangue? e perseguir bruxas?

Então isto interessa-vos. Oral leiam:

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Balanço Vital no jornal Metro

O jornalista e letrista Nuno Miguel Guedes foi o convidado desta semana. Aqui enumerou cinco realizações e outras tantas coisas a realizar no futuro, enquanto a procissão dá a volta à paróquia. Cá vai:


Venham mais cinco
De certeza que não sou o primeiro nem serei o último a queixar-se da ingratidão que é fazer uma hierarquia dos dias. Ainda para mais evitando momentos irrepetíveis, como são o nascimento de filhos. Como fui abençoado com três, ficava já meio texto arrumado. Mas enfim, compreendo e aceito ir a jogo.
Sem qualquer grau de importância, nem sequer cronológica consigo lembrar-me de alguns. Todos bons, que estou farto de lamentos. 
Lembro-me, por exemplo, do 25 de Abril. Lembro-me porque fiquei furioso: nesse dia regressava à escola, depois de ausência por doença, a minha secreta apaixonada – a Ana Maria. Os meus nove anos estavam profundamente abalados por aqueles cabelos loiros e olhos azuis (aos nove anos um tipo é dado a clichés: foi assim que me apaixonei pela Marianne dos Pequenos Vagabundos). A Ana Maria, como iria ser recorrente na minha história afectiva, não me ligava nenhuma. E era uma sacaninha manipuladora. Mesmo assim zanguei-me com os meus pais, que não me deixaram ir à escola e em vez disso passearam-me felizes por Lisboa, onde só vi soldados de barba com cravos na boca. Como isto era superior à visão da Ana Maria era para mim incompreensível. Hoje não sei da Ana, mas estou muitíssimo grato aos barbudos abichanados.

Outro momento: o primeiro jogo que vi da Académica de Coimbra, minha paixão clubística. Final da Taça de Portugal de 1969, muita GNR. O meu Pai era (e é) da Briosa; eu ia ver o Eusébio. Acabei por ficar com o melhor dos dois mundos.

Terceiro momento: os afectos e as dúvidas fazem o meu rumo. A amizade é para mim sagrada. Nesse sentido tenho a sorte de ter amigos a valer, com quem me diverti. Não tenho culpa que sejam conhecidos. Assim foi com o Zé Diogo Quintela, amigo fortíssimo com quem um dia decidi fazer uma dupla de DJ’s: os 2 DJ’s do Cara****!. O que era uma brincadeira acabou no Sudoeste, a dar Abba a mil e tal pessoas que voltavam do concerto «anti-imperialista» de Manu Chao.

Quatro: o conhecer quem admiramos. Cresci a ler e a sonhar escrever como o Miguel Esteves Cardoso. Convenci uma professora de jornalismo que era de esquerda radical a deixar-me entrevistá-lo para o jornal do liceu. Foi a pior entrevista que fiz na vida, porque as perguntas ficavam entaladas na saliva da admiração. No final o Miguel assinou-me o Escrítica Pop, bíblia de todos os que gostavam de música “esclarecida” nos anos 80. Anos mais tarde, o sonho: ser convidado para O Independente e depois fazer de raiz uma revista e ser editor: a Kapa. A partir daí viciei-me em trabalhar com amigos.

Quinto: o ter a sorte de ter palavras cantadas por uma artista como a Ana Moura. A vergonha e a incredulidade de ouvir elogios a mim e aos meus versos perante um Coliseu lotado.

O que está por fazer? 
Tudo, e não há desculpas. Quero entrevistar os Monty Python. Queria ter conhecido o meu mestre Sinatra (restam-me os discos). Quero escrever e publicar a meretriz do livro que não tenho coragem de mostrar. Quero que a minha Académica vença o campeonato, com pinta. Quero que os portugueses percebam que é urgente fazer Portugal. Agora mesmo.




A FIL entregue à bicharada

Maior salão nacional de animais de estimação regressa à FIL de 31 de Janeiro e 2 de Fevereiro


A 3ª edição do PET Festival, organizado pela Fundação AIP, através da AIP Feiras Congressos e Eventos, já tem data marcada. Entre os dias 31 de Janeiro a 2 de Fevereiro a FIL, no Parque das Nações, volta a receber o maior salão nacional dedicado aos animais de estimação.

Este ano sob o tema “Relação das Crianças com os Animais de Estimação” o PET Festival volta à Feira Internacional de Lisboa a estar ‘entregue à bicharada’ e seus amigos, enquanto um espaço dedicado exclusivamente a todo o tipo de animais de companhia.

Palco da maior concentração de mascotes realizada em Portugal o evento contará com uma área de exposição, onde os visitantes poderão conhecer as mais recentes novidades de produtos e serviços na área da alimentação, cosmética, higiene, saúde, acessórios e lazer para os mais variados animais de estimação, para além de terem a possibilidade de interagir e contactar com vários géneros de animais de companhia.

No âmbito do salão durante os 3 dias a organização e empresas e associações parceiras realizarão uma série de iniciativas como exposições temáticas de cães, gatos, roedores, aves e répteis, demonstrações de agilidade e obediência, workshops variados, provas equestres e até um espaço dedicado à doação e adoção de animais.

Com 3.000m2 o maior picadeiro do Pet Festival será um dos espaços em destaque no salão. Concurso Nacional de Saltos de Obstáculos, 1ª Jornada do Campeonato de Portugal de Horseball, 1ª Jornada do Troféu Dressage Póneis, 1ª Taça Ibérica Indoor de Atrelagem, Concurso Nacional de Dressage, 1ª Taça Nacional de Equipas de Equitação de Trabalho, estão entre as competições que os visitantes poderão acompanhar.

Em 2013 o PET Festival levou a exposição mais de 2.000 animais de companhia, entre cães, gatos, roedores, cavalos, répteis, aves, peixes, e outros espécimes. Mais de 22 mil pessoas, na sua maioria em família e acompanhados pelos seus animais de estimação, visitaram o salão.

Mais um concerto na Zé dos Bois

SEXTA, 31 DE JANEIRO ÀS 23H
Waterfalls #1


Amanhã há Blues na Culturgest - e segunda, quarta e quinta-feira também

sáb 1 de fevereiro Big James & the Chicago Playboys
seg 3 de fevereiro Budda Power Blues
qua 5, qui 6 de fevereiro Eden Brent Band
Saibam tudo aqui


Thursday, January 30, 2014

O Teatro Aveirense não pára

Destaques para os próximos dias:
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www.teatroaveirense.pt

Logo à noite ZORRA andará pelo Trem Azul

Quinta-feira , dia 30 de Janeiro às 21: 00
Trem Azul
(Rua do Alecrim 21 A. 1200-014
Lisboa
21 34231 40)


Hoje é dia de concerto na Zé dos Bois

QUINTA, 30 DE JANEIRO ÀS 22H
Filho da Mãe
Entrada: 8€


Wednesday, January 29, 2014

Atenção, está aqui o curso do mês

Oficinas de Fado com Aldina Duarte
Fado Para Todos 
Começa em Março, mas as inscrições já estão abertas
Inscrições: aqui | 218 823 470 | info@museudofado.pt 


Julião Sarmento na Appleton Square - exposição inaugura amanhã

O OLHO DO TIGRE
Obras da Colecção Sarmento
Curadoria: Ana Anacleto
Inauguração | 30 Janeiro | 22h00
Appleton Square
Rua Acácio Paiva, 27, R/c, 1700-004 Lisboa


Amanhã é dia de debate na Casa Fernando Pessoa

OS ESPAÇOS EM VOLTA da Confissão 
30 de Janeiro | 21h30


Tuesday, January 28, 2014

30ºCurso de Iniciação à Stand up Comedy

É só em Março, mas as inscrições já estão abertas - e olhem que costumam esgotar. Para saber mais, contactem os culpados de um crime chamado Bang Produções:
Tel: 918923077 | formacao@bangproducoes.com 


Monday, January 27, 2014

CIÊNCIA PARA SEMPRE


Tenho uma grande esperança na ciência. Não há ninguém no mundo que tenha mais esperança do que eu. A minha esperança é de tal modo grande, que acredito que antes que eu morra, se descubra a fórmula da juventude e imortalidade e que em virtude disso eu não morra e fique vivo para sempre e rapidamente transformado numa espécie de Buddha ocidental, dando sábios conselhos e ensinamentos proféticos. Contudo, recusar-me-ei a ser imortal se ao mesmo tempo não for jovem e não for capaz de correr a maratona de São Silvestre ao primeiro dia do ano. A ciência é uma coisa muito bonita – é, de facto - mas por mais que a ciência nos avise da descoberta de novos planetas e importantes revelações do solo terrestre, o que na verdade queremos saber é se há alguma forma de evitarmos a morte ou as doenças que nos levarão invariavelmente a ela. Gostava de ter sido um cientista para resolver isto. Na verdade, gostava de ter sido um cientista dos bons e descobrir a cura para o cancro, para a sida e para a programação televisiva actual e, em sequência disso, ser aplaudido de pé por todos, mesmo que estivesse na secção de charcutaria do Jumbo. Não fui, não sou. Mas a ciência conquista-me a cada dia que passa, porque está sempre a usar a palavra “descoberta”. Gosto de quem descobre, tanto ou mais de quem é descoberto. E os cientistas fazem-no a todo o instante. O cientista vive de tal modo para descobrir que aqui vos digo: se um dia viverem com um, nunca deixem o facebook aberto. Só a ciência nos pode salvar e em particular os cientistas que descobriram a nova fórmula do detergente skip. Se eles descobriram uma fórmula que lava mais branco, podem muito bem descobrir uma solução para branquear todos os males. Tenho uma esperança na ciência, sim, e espero nunca morrer para vir a comprová-la. 

Fernando Alvim
Publicado originalmente no jornal i

Sunday, January 26, 2014

Saturday, January 25, 2014

Não é um, são dois: é logo à noite, em Monção

A bela Monção será, daqui a algumas horas, palco de mais uma edição do NÃO É UM, SÃO DOIS, um espectáculo que junta no mesmo palco dois artistas de artes diferentes. Desta vez, teremos o músico Samuel Úria e o humorista Hugo Sousa a fazer a noite de quem aparecer no Cine Teatro João Verde. Ah, e lá estarei eu também no papel de Mestre de Cerimónias. Começa às 21h30 e os bilhetes custam – estou a falar a sério – 3 euros. Gastam mais em electricidade se ficarem em casa a ver televisão, vai uma aposta?



GISELA JOÃO - é hoje no CCB

Há Fado no Cais | 25 Janeiro > Grande Auditório
Mas está esgotado. Paciência.


Friday, January 24, 2014

Inquérito do Jornal Metro

Eis mais um dos nossos famosos inquéritos de férias. Desta vez perguntámos coisas à publicitária e blogger Cátia Domingues.


Umas férias
Auschwitz. Fui com duas amigas minhas de fim-de-semana à Polónia, mais propriamente a Varsóvia, e, sem termos planeado nada, fomos até ao campo.  Aliás, como qualquer pessoa que lá tenha ido parar.

Um ideia
Tenho uma ideia que salvaria Portugal deste estado de sítio. Mudar o nome ao país, de forma a deixarmos de ser portugueses. Sim. É que a meu ver, um dos grandes problemas é esse mesmo, o facto de ‘portugueses’ ter começado a ser visto como um adjectivo chocho. Swaggers!  Ora aqui está um nome colectivo como deve de ser, cheio de auto-estima.

Uma asneira
Assim que fiz 18, votei Cavaco.

Uma paixão
Cavalos, desde pequena. Ir ao Picadeiro sempre que posso e montar até eu, ou o cavalo, não podermos mais. Se no dia seguinte me custar a sentar, sei que foi um bom treino. (Caramba, tenho mesmo de arranjar um hobbie com um léxico decente)

Uma curiosidade
Tenho um sopro no coração. Quando a tua vida se resume a uma música dos clã, sabes que ela não espera muito de ti.

Uma pergunta
“Deste menu, o que é que não tem leite, queijo, manteiga ou natas?”

Uma resposta
Algo que convém dizer mais: “Não.”

Uma lição
“Nunca digas que não consegues”, pelo meu pai. ( Lembro-me perfeitamente que estava a tentar fazer um estacionamento paralelo numa subida.)

Uma Aventura
Rumar a Espanha, sozinha, de mochila às costas, para bater à porta de agências de publicidade porque queria experimentar ser redactora, sendo disléxica e sem saber escrever ou falar espanhol. Saí de lá com um prémio. 

Um segredo
Sou viciada no Celeiro. Acredito piamente que dentro daqueles metros quadrados de puro xamanismo se encontra a cura de todas as doenças do mundo, incluindo o cancro.

Uma invenção
A Power Balance. Depois de duas guerras mundiais, é o terceiro maior exemplo da grandeza da estupidez humana. 

Um desabafo
Chateiam-me os sacanas que se vão safando. Chateia-me o politicamente correcto. Chateia-me o estado de marasmo. Chateia-me a falta de respeito pelo mercado da criação. Chateiam-me criadores que não se dão ao respeito. Chateia-me a falsa modéstia. Chateia-me o acordo ortográfico. Chateiam-me os orçamentos de estado. Chateia-me o César das Neves. Chateia-me o Sporting não estar em primeiro. 

Um problema
O conceito de meia-dose nos restaurantes. Porque é que a unidade de medida não começa na dose inteira? Quem pede meias-doses não pode ter boas histórias para contar, viveu tudo pela metade, ou por medo da azia ou da paragem de digestão.

Se tivesses 3 desejos?
- Que todos os homens nasçam, realmente, livres e iguais em dignidade e direitos.
- Nunca ficar cheia em buffets. 
- Que voltassem os jogos sem fronteiras.



O Samuel, o Hugo e eu, com Monção ao fundo

A bela Monção será palco de mais uma edição do NÃO É UM, SÃO DOIS, um espectáculo que junta no mesmo palco dois artistas de artes diferentes. Desta vez, teremos o músico Samuel Úria e o humorista Hugo Sousa a fazer a noite de quem aparecer no Cine Teatro João Verde. Ah, e lá estarei eu também no papel de Mestre de Cerimónias. Começa às 21h30 e os bilhetes custam – estou a falar a sério – 3 euros. Gastam mais em electricidade se ficarem em casa a ver televisão, vai uma aposta?




Thursday, January 23, 2014

É preciso ter lata, parte II

E pronto, sou padrinho pelo, segundo ano consecutivo, do É PRECISO TER LATA, que este ano ganha também uma madrinha bonitona que a é a minha amiga Ana Galvão. Eis como tudo se irá processar. Aqui.

E espreitem também um resumo em vídeo da edição de 2013:

www.eprecisoterlata.org

Teatro na Politécnica

UM PRECIPÍCIO NO MAR de Simon Stephens 
Uma encenação de Jorge Silva Melo 

Teatro da Politécnica 
de 23 de Janeiro a 21 de Fevereiro
5ª e 6ª às 19h00
Reservas | 961960281

Lá porque não sabemos, não quer dizer que não venhamos a saber. Nós só não sabemos por agora. Mas acho que um dia saberemos. Acho que sim.

Simon Stephens, Um Precipício no Mar

Monólogo perfeito de quarenta e poucos minutos, parece a história trivial de um jovem amor, da paternidade e da família, mas com a ratoeira de uma tragédia sem sentido. Pode ser Deus responsável pela beleza da vida e também pela crueldade inexplicável?



E vem aí a primeira Quinta de Leitura do ano

23 de janeiro | 22h00
“NAVEGAÇÃO DE ACASO”
com Nuno Júdice

O ciclo “Quintas de Leitura” inicia a ação poética de 2014 com uma sessão construída em torno de “Navegação de Acaso”, o mais recente livro de poemas de Nuno Júdice. Lembremos que Nuno Júdice recebeu em Novembro de 2013 o Prémio Rainha Sofia Sofia de Poesia Ibero-Americana. O poeta convidado conversará com o jornalista Nicolau Santos, ficando as leituras a cargo dos atores Teresa Coutinho e João Paulo Costa e do próprio poeta. Entre leituras, o som do saxofone de Mário Dinis Marques. A imagem da sessão é assinada pelo fotógrafo Nelson D’Aires, sendo ainda de destacar a presença da dupla de performers Lander Patrick e Jonas Lopes. A voz encantatória de Elisa Rodrigues fecha a sessão, acompanhada pelos músicos Pedro Vidal (guitarra) e Cícero Lee (contrabaixo).

(c) Nelson D'Aires

Wednesday, January 22, 2014

Oficinas de Cante Alentejano

A Melopeia produções apresenta Oficinas de Cante Alentejano com Celina da Piedade. Saibam tudo aqui.



Tuesday, January 21, 2014

O meu amigo Monstro das Ressacas

E pronto, é certo que o Ronaldo foi condecorado, que o presidente francês provou que os homens também podem ser infiéis, mas para mim, pelos motivos que facilmente compreenderão, a semana fica marcada pela entrada em cena deste belíssimo monstro na minha vida. Para além dele, a marca que lhe está associada - a estupenda Guronsan® - irá patrocinar todos os eventos deste ano da minha produtora Cego Surdo e Mudo. A saber: Festival Termómetro, Prémios Novos, Torneio de Golfe para Nabos, Festival Alternativo da Canção, Prémios Monstros do Ano e Grande Regata de Barquinhos a Remos. O Monstro das Ressacas - é assim que se chama - será, pois, a partir de agora, uma figura constante em cada uma das nossas acções. E se virem bem, parece-me um casamento perfeito: dois monstros, uma marca iconográfica, um idílico amanhã com um belíssimo Guronsan®. Eis as fotos que documentam a nossa incrível amizade. Reparem no divertimento que transparece na última foto.



E pronto, tenho a dizer que confirmo tudo

Que subscrevo tudo. Que etc. e tal.  

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Não é um, são dois: sábado, em Monção

É o grande acontecimento desta semana e algo me diz que vai ser fortíssimo. É uma das iniciativas que mais gosto me dá organizar e que planeio levar a outras cidades com outros e variados artistas. A ideia é termos sempre dois convidados de domínios diferentes – pode ser música + cinema, teatro + stand up, dança + poesia – e juntá-los no mesmo palco, na mesma noite e a um preço imbatível: 3 euros.

Este mês o "Não é um, são dois" chegou a Monção. É este sábado, às 21.30, com o Samuel Úria, com o Hugo Sousa e comigo na pele de mestre de cerimónias. Como sempre, irei jantar o prato tradicional de Monção que, por decoro, não posso aqui reproduzir o nome. Monção aqui vou eu.





Teatro na Politécnica

PUNK ROCK de Simon Stephens
Com Ana Luísa Amaral, António Simão, Íris Macedo, Isac Graça, João Pedro Mamede, Marc Xavier, Pedro Carraca, Pedro Gabriel Marques e Rita Cabaço.

No Teatro da Politécnica de 22 de Janeiro a 22 de Fevereiro
3ª e 4ª às 19h00 | 5ª e 6ª às 21h00 | Sáb. às 16h00 e às 21h00
Reservas | 961960281

BENNET Ficas com um ar estúpido comá merda com esse casaco.
CHADWICK Iá.
BENNET Será que acabaste de concordar comigo?

Simon Stephens, Punk Rock

A biblioteca de liceu. Sete alunos aguardam o exame para completar o ano antes da Universidade. Uma peça de hoje em dia escrita por Simon Stephens que revelámos com Um Precipício no Mar.

O texto está editado nos Livrinhos de Teatro nº 45




Monday, January 20, 2014

TANTO PORTUGAL


A verdade é esta, 500 anos depois dos Descobrimentos, Portugal voltou a descobrir. Mas não descobriu do mesmo modo, não lhe interessou explorar novos caminhos marítimos, não quis descobrir novas culturas, ouvir novos idiomas, traficar especiarias; Portugal não quis nada disso e, 500 anos depois, descobriu o país que lhe faltava ter conquistado e explorado até então: o nosso. Portugal assemelha-se a um casal que viveu com intensidade o nascimento de cada um dos seus filhos, o seu crescimento, a sua entrada na vida adulta, uma correria em casa que deus nos acuda e à inevitável saída de cada um deles. E depois disso, o casal, o país, os dois, vendo-se sem eles, vendo a casa mais sossegada e vazia e sem as costumeiras tropelias de perguntas, viu nisso uma segunda oportunidade para o relacionamento, como se fosse um segundo amor. Há quem diga que nada se compara ao primeiro e eu não os censuro, mas quase sempre o segundo amor é mais consistente, é menos frívolo, é mais certo. Daí conhecermos tantos casos de pessoas que namoraram uma vida inteira – 10, 15 anos que sejam – e depois disso acabam repentinamente o seu relacionamento e, um ano depois, casam-se com outro. Ou com outra. Portugal está a dar a si próprio uma segunda oportunidade, uma segunda chance, e a descobrir-se a cada dia, 500 anos depois. Não temos Vasco da Gama mas temos Cristiano Ronaldo, não temos Pedro Álvares Cabral mas temos Paula Rego, não temos Diogo Cão mas temos Lobo Antunes, não temos Gil Eanes mas temos António Damásio, não temos Fernão de Magalhães mas temos Joana de Vasconcelos, não temos Tomás Taveira mas temos Erica Fontes. Portugal só agora verdadeiramente está a gostar de si, só agora se olha ao espelho para se pôr bonito e sair à noite. Portugal é um país mais pobre, sim, mas nunca como agora teve tanto cuidado a cuidar de si, a arranjar o cabelo, e tanta vaidade e orgulho no pouco que tem. Portugal não é pouco, é muito. Portugal já não é só um país, são vários. Portugal é tanto. 

Fernando Alvim
Publicado originalmente no jornal i
[Fotografia: João César Monteiro por Patrick Messina]

Hoje há cavaquinhos no CCB - e amanhã na Prova Oral

Lançamento do cd/livro:
de Júlio Pereira
Segunda-feira, dia 20 | 18h30
Apresentação de Rui Vieira Nery
Júlio Pereira será o convidado da Prova Oral de terça-feira, 21


Saturday, January 18, 2014

Balanço Vital do jornal Metro

Eis mais uma das nossas propostas de Balanço Vital, desta vez ao jovem escritor Sandro William Junqueira, que nos revela 5 acontecimentos que o marcaram - e outros tantos que prevê que o irão marcar também. Ora leiam:


5 ACONTECIMENTOS:
-Em janeiro de 1998, na casa da minha avó, em Barcelos, comi 17 carcaças morninhas com manteiga, ao lanche.
-Durante o cumprimento do serviço militar, em outubro de 1993, como faxina à cozinha na capitania do porto de Faro, descasquei, e fiz em palitos 2 baldes de batatas (cerca de vinte quilos) em 41 minutos. O meu recorde pessoal.
-Corria o ano de 2004 quando li “O Idiota” de Fiódor Dostoiévski.
- 11 de agosto de 2005, verti lágrimas sinceras, ao receber a notícia de que o Pedro Barbosa abandonara a carreira como jogador profissional de futebol.
- Março de 2013: visionei pela vigésima primeira vez o filme de animação “A Viagem de Chihiro” do meste Hayao Miyazaki.

5 PROPOSTAS PARA O FUTURO:
-Fazer o trilho dos Apalaches.
-Conseguir a reposição, num teatro perto de mim, das peças “Platónov” de Anton Tchékhov, encenação de Nuno Cardoso, e a “Tristeza e Alegria na Vida das Girafas” do Tiago Rodrigues.
-Propor o Sir Ken Robinson para ministro da educação durante duas legislaturas.
-Ser convidado para integrar a equipa técnica do Sporting Clube de Portugal.
-Decorar a poesia completa do Manuel de Barros.

Hoje, perto do fim da tarde, há mais leituras de Mark Twain no Gato Vadio

O terceiro ciclo de leituras do Gato Vadio (Rua do Rosário, 281, Porto) prossegue no próximo sábado, 18 de Janeiro, pelas 17h00, com uma sessão dedicada a "Os Diários de Adão e Eva", de Mark Twain. A convidada é Renata Portas.

Cartaz de Luís Nobre

Teatro em Cascais

UM PRECIPÍCIO NO MAR de Simon Stephens 
Uma encenação de Jorge Silva Melo M12

Teatro Mirita Casimiro
18 de Janeiro | 21h30 
19 de Janeiro | 16h00
Reservas | 214 670 320

Lá porque não sabemos, não quer dizer que não venhamos a saber. Nós só não sabemos por agora. Mas acho que um dia saberemos. Acho que sim.

Simon Stephens, Um Precipício no Mar

Monólogo perfeito de quarenta e poucos minutos, parece a história trivial de um jovem amor, da paternidade e da família, mas com a ratoeira de uma tragédia sem sentido. Pode ser Deus responsável pela beleza da vida e também pela crueldade inexplicável?


Jazz no Museu da Música

18 de JANEIRO, 18H30 
PIANO SOLO (JAZZ)
BENNY LACKER 
interpreta composições da sua autoria e canções do Great American Songbook 
Bilhete: €5


Friday, January 17, 2014

Thursday, January 16, 2014

ULISSES na Regaleira

Depois do sucesso alcançado com “O Principezinho na Quinta da Regaleira”, o espectáculo de teatro de rua para a infância e juventude mais visto de sempre naquele monumento histórico de Sintra – cerca de 17 mil espectadores -, a Musgo – Produção Cultural, em co-produção com a Fundação Cultursintra, apresentam, agora, mais um clássico da literatura universal, “Ulisses – a partir da Odisseia, de Homero”.

Em formato de sala, mais intimista, “Ulisses” aposta na cuidada adequação da linguagem e conteúdos da poesia de Homero à faixa etária a que se destina, tem banda sonora original e, depois das sessões, os pequenos espectadores podem experimentar pequenos ateliês de expressão plástica subordinados a temas da Grécia Antiga.

O espectáculo selecciona algumas das mais empolgantes aventuras de Ulisses no seu regresso a Ítaca, como é o caso do episódio do encantamento das sereias ou o do ciclope Polifemo, que o herói, num golpe de astúcia, consegue ludibriar.

Uma oportunidade imperdível para, de um modo divertido e pedagógico, introduzir os mais novos numa obra seminal da literatura ocidental de todos os tempos.

Em palco até 15 de Junho de 2014
Sábados às 16 horas e domingos às 11h
Oficina das Artes
Espectáculo para maiores de 6 anos

Saibam mais aqui:

HUMOR DE PESSOA com Maria Rueff - hoje ao fim da tarde

16 de janeiro | 18h30


Wednesday, January 15, 2014

Uivo - Documentário sobre António Sérgio

Há uma campana de crowdfunding a decorrer para a realização deste documentário:

A realizar entre Março e Junho de 2014, "Uivo" é um documentário sobre o radialista António Sérgio. Figura de proa da música alternativa em Portugal, António Sérgio nasceu em Benguela no ano de 1950 e desde cedo seguiu as pisadas do pai no universo radiofónico. Cruzou a Rádio Renascença, Comercial, XFM e Radar, apresentando programas obrigatórios para as gerações atentas como "Som da Frente" (1982-1993), "Lança-Chamas" (1983-1990) ou "A Hora do Lobo" (1997-2007), onde brindava os ouvintes com as novidades sonoras, desde o pop ao punk, passando pela world music e folk. Muitos dos seus seguidores preferiam que a sua última compra fosse estreada nos programas de António Sérgio, e não na aparelhagem da própria casa. Mas nem só de rádio circundava a vida de António Sérgio. Redigia para a "Música & Som", "Rock em Portugal", "Blitz", etc. e trabalhou no mundo da edição, destacando-se o polémico disco pirata "Punk Rock '77", o primeiro single dos Xutos & Pontapés, pela sua editora Rotação. António Sérgio faleceu imprevisivelmente no último dia de Outubro de 2009. Em "Uivo", Eduardo Morais (Meio Metro de Pedra / Música em Pó) fará um retrato deste divulgador prestando lhe a mais que merecida homenagem. Com edição física a ser lançada no final Outubro, este documentário necessita de um apoio para cobrir todas despesas de produção e pós-produção entre os meses de Março e Junho. Dezenas de músicos, radialistas, jornalistas, editores e amigos do António Sérgio serão entrevistados para este trabalho, sendo esta a maior fatia nas despesas de produção, juntamente com os honorários de pós-produção e auxilio nas várias animações de ilustradores nacional que este filme terá.


Saibam mais aqui:

Música na ZDB

QUARTA, 15 DE JANEIRO ÀS 22H
Samara Lubelski
Manuel Mota


Samara Lubelski
Artista omnipresente nas mais variadas movimentações que têm vindo a acontecer em solo nova-iorquino, Samara Lubelski é de certa forma “a música dos músicos” pelo modo como parece habitar o imaginário colectivo dessa cidade. Figura aglutinadora das mutações estéticas operadas no seio da música de pensamento livre, esteve na génese dos Hall of Fame e colaborou frequentemente com a entidade Tower Recordings, para além de passagens por projectos como Sonora Pine ou Jackie-O Motherfucker, contribuindo decisivamente para uma vasta cartografia impossível destas músicas sem lugar.

Paralelamente, esteve também no lado técnico da barricada, através da gravação de discos importantíssimos para bandas como os Magik Markers (I Trust My Guitar, Etc), Sightings (Arrived in Gold) ou Double Leopards (Halve Maen). Ultimamente, tem estado em constante actividade nos Chelsea Morning Light, banda de Thurston Moore que editou este ano o homónimo álbum de estreia na Matador, e com os quais tem estado em longa digressão por todo o mundo. Foi aliás a acompanhar o mítico músico que Samara visitou a ZDB pela última vez, com o seu violino a assumir um papel fulcral nos dois concertos em nome próprio que o ex-Sonic Youth deu na capital.

A solo, tem vindo a alternar entre um registo mais cancioneiro de risco sagaz e imaginário etéreo patente em discos como ‘Spectacular of Passages’ e na transcendência drone para violino captada para a posteridade no maravilhoso ‘In the Valley’. É sob os desígnios desta sua música mais expansiva e desafiante que Samara regressa à ZDB – com novo álbum nestes moldes na calha através da Ultra Eczema – com o instrumento a assumir-se como um portal para transfigurações anímicas do som, em constante mutação das suas particularidades, elevando a uma linguagem própria as “escolas” de gente ilustre como Tony Conrad ou Takehisa Kosugi. BS

Manuel Mota
Mais do que um explorador da guitarra no seu sentido mais formal e asséptico, Manuel Mota é um apaixonado pelo instrumento cujo estudo minucioso em torno das suas características se revela sempre pleno de lirismo. Com a tradição mais romântica e poeirenta dos blues a assombrar o seu trabalho de forma expressiva mesmo que aparentemente intangível, Mota é uma das figuras de proa do improviso em solo europeu, e um dos guitarristas mais vitais das últimas duas décadas em qualquer lado.

Esquivo a qualquer catalogação vaga ou ao ruminar preguiçoso da sua própria linguagem, Mota desafia-se continuamente no seu próprio centro gravitacional encontrando sempre espaços por explorar numa música profundamente sua. Das últimas vezes que o vimos a solo, tanto a apanhámos embrenhado em electricidade a evocar os últimos acordes do guitar hero, como em suspensão terna de notas languidas. Sempre imprevisível e sempre obrigatório. BS

Entrada: 8€ | Entrada livre a sócios | reservas@zedosbois.org ou 213 430 205

iFundNews recebe trabalhos de finalistas em Jornalismo

A iFundNews – plataforma independente de jornalismo em crowdfunding – passou a disponibilizar um novo perfil de utilizador, o de «aluno-finalista», que permite aos estudantes dos últimos anos dos cursos de Comunicação Social e Jornalismo submeterem propostas de artigos jornalísticos na plataforma, para financiamento e posterior publicação.

Assim, estes alunos poderão começar a dar os primeiros passos na carreira jornalística e ver os seus trabalhos publicados.

Neste âmbito, a equipa iFundNews vai dinamizar apresentação da plataforma na Escola Superior de Educação de Portalegre (Politécnico) e explorar todas as potencialidades desta ferramenta com os alunos finalistas do curso de Comunicação Social dessa Escola. Seguir-se-ão, neste primeiro trimestre de 2014, outras apresentações nas diversas instituições de ensino com estas valências.

Tuesday, January 14, 2014

Eu na Patada

E pronto, está concretizado o sonho de uma  vida. Finalmente,  uma entrevista para a revista Patada.


Fernando Alvim, antes de mais, considera-se um fã Disney? 
Sim e uma vez apertei a mão do Mickey e do Pateta na Póvoa de Varzim. Curiosamente numa festa de carnaval onde nunca esperei vê-los. 

Lia muita bd Disney em criança? Ainda lê? 
Sim, lia muito mas desde que comecei a namorar com uma garota da vizinhança perdi o tempo todo. As mulheres são as maiores inimigas da Disney. Excepto a Minie, a autêntica, das orelhas, não a cerveja minorca.

Lembra-se com que idade teve conhecimento do universo Disney pela primeira vez e como? 
Devia ter uns 6 anos. Lembro-me de ficar horas e horas a ler Patinhas e ter que vir a minha mãe dizer-me que tinha que apagar a luz e dormir. Cheguei a ler Patinhas às escondidas por causa disto. Cá está - era sempre a minha mãe - a fazer-me isto. De novo ganha força a tese que as raparigas são inimigas da literatura.

Qual era o seu personagem Disney favorito? E as suas histórias preferidas? 
O Pateta. E o Mancha Negra. É deles a minha história favorita: uma vez o Pateta apanhou o Mancha Negra em flagrante delito, roubando um cofre cheio de moedas de ouro. Pateta pegou no seu revolver e, apontando-o a Mancha Negra, com o dedo no gatilho, disse-lhe num irrepreensível português do Brasil: oi cara, tou com coceira no dedão.

Se lia bd Disney, tem alguma história em especial que se lembre destes personagens e que o tenha marcado? 
Era esta que acabei de contar. Achava os sobrinhos do Patinhas um pouco betinhos da linha. Mas pronto.

Conhece ou tem algum autor favorito Disney? 
Confesso que não. Ligava às personagens não aos seus autores.

Era fã do Clube Amigos Disney? Via desenhos animados Disney em criança? Tinha algum desenho animado preferido? 
Sim, era, e conservo o meu cartão. Lembro-me bem do Júlio Isidro. Mais tarde, apaixonei-me por uma das suas apresentadores que, para minha grande felicidade, veio a ser minha namorada.  

As bd's Disney regressaram bem recentemente às bancas. Ainda acompanha ou isso já é parte do passado? 
Confesso que já não leio bd há algum tempo. Continuo a gostar, mas entretanto entreguei-me a uma outra literatura. Não sei se fiz bem, mas confesso que um destes dias releio toda a minha biblioteca do Escuteiro Mirim que conservo em casa dos meus pais.

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Monday, January 13, 2014

Um país sem vergonha

Não há país no mundo que tenha uma vergonha igual à nossa. Os outros países podem ter vergonha mas, igual à nossa, não têm não senhor. A vergonha portuguesa é única em todo mundo e por onde se passe são muitas as pessoas que a consideram uma referência maior. E, na verdade, é de facto. Para que me entendam, a vergonha portuguesa está para o mundo como o grau celsius está para a temperatura, isto é, vê-se um acto vergonhoso em qualquer parte do planeta e, quando este é analisado por alguém, será sempre à luz da nossa vergonha. Ainda outro dia estava uma senhora na CNN a comentar um arrufo qualquer que teria ocorrido naquele mesma tarde numa rua esconsa da cidade de Chicago. E o que dizia ela? Dizia isto: que tinha sido terrível e embaraçosa toda aquela situação, de tal forma – dizia a senhora – que sentiu – e aqui colocou as mãos à cabeça – a vergonha portuguesa. Ao que o repórter retorquiu: portuguese shame? Oh my god! E aí o jornalista começou a correr e, depois disso, só se vê um plano da rua com este a repetir até à exaustão – “portuguese shame, oh my god!” – enquanto corria histericamente por entre o trânsito. Por isso, quando se vai lá fora e se fala em Portugal, há três coisas que imediatamente qualquer cidadão de outra nacionalidade diz sobre a nossa: Cristiano Ronaldo, José Mourinho and “oh my god, the portuguese shame!”. Daí que a vergonha seja uma espécie de desporto nacional e não exista para qualquer português nada mais indigno do que não a ter. Daí serem tantos, tanta gente que diz “isto é uma vergonha” e não raros os que apontam a falta dela, quando desabafam: “Deviam ter vergonha!” Portugal tem muita vergonha tem, a tal ponto que dá a impressão de estar nu, ruborizado, tapando com as duas mãos o baixo-ventre. Portugal tem vergonha de tudo, de todos, muitas vezes dele próprio, e por isso mesmo, por ter tanta vergonha, deixa que esta o tolha e estanque e anule. A vergonha deve ser encarada com uma erva aromática, cuja dosagem deve ser moderada – a certa – para não inquinar todo o sabor. Portugal sabe muitas vezes a vergonha, porque se deixa apoderar por ela e faz com que esta o intimide. Portugal seria um país melhor se tivesse menos vergonha, se tivesse menos pessoas cuja única coisa que sabem dizer é que isto é uma vergonha, que tudo é uma vergonha, sem que nada façam para deixarem de a ter e resolvê-la. Portugal não precisa de ter tanta vergonha, pode muito bem exportá-la e dar a alguns países a quem lhes fazia tanta falta. Portugal devia ter vergonha – isso sim – de ter tanta vergonha.

Fernando Alvim
Publicado originalmente no jornal i
[Fotografia de Matt Eich]