Wednesday, July 30, 2014

O Balanço Vital desta semana é com a Catarina Tomaz



O Balanço Vital desta semana é com a Catarina Tomaz - pessoa ligada ao marketing e agora também à joalharia (Bergue & Co Atelier Boutique)



1. O DIA EM QUE NASCIPorque sem esse dia não estaria aqui a fazer este balanço vital. Porque, não o dia, mas o local, terá marcado parte de mim e explica muita coisa. Nasci no Zimbabué, num hospital inglês, em novembro, num dia de verão...

2. O DIA EM QUE CRESCIAté aí tinha sido apenas uma gaiata descontraída. No final do 8oano chumbei, por uma unha negra, teriam bastado mais 5% numa nota final de história e tudo teria sido diferente... para pior! A mediocridade deu lugar à exigência e à vontade de ser e de fazer acontecer. Uns anos mais tarde, um professor definia-me como “ perseverante, constante e tenaz”. Não esqueci estas palavras, que foram uma espécie de reconhecimento do meu novo eu.

3. O DIA EM QUE COMECEIA minha vida adulta começou no meu primeiro dia de trabalho, com um contrato e remuneração mensal. Aos 23 anos iniciava a minha carreira profissional numa multinacional. O meu sucesso dependeria acima de tudo de mim. Sentia-me plena e confiante. 1 ano depois saí de casa dos meus pais, 1 ano depois casei-me, 1 ano depois fui mãe...

4. O DIA EM QUE EMIGREICheguei ao aeroporto sem poder tirar os óculos escuros... Para trás, a minha casa, a minha família, os meus amigos... Pela frente, tudo! Mas só com o tempo perceberia. Paris foi o destino e ao fim de 4 anos vivi tudo ao contrário, regressava à pátria com saudades da minha casa, dos meus amigos e de tudo o que tinha vivido. 

5. O DIA DE HOJE

5 PROJETOS- Exercer o Livre-arbítrioAs escolhas que vamos fazendo condicionam as outras. Cada ciclo deve ter um foco. Quando acabar este quero romper, experimentar novos caminhos. Servir outras causas.- Dar a volta ao mundo em 10 anos- Ser vendedora de ideias- Escrever um livro- ter uma exposição de fotografia

Monday, July 28, 2014

A confissão que já se impunha



Na agenda cultural da 1ª temporada do El Corte Inglés Portugal, a confissão que já se impunha: 

O que eu me lembro é isto. Uma tarde em que chovia muito. Eu tinha 10 anos. Minto. Eu tinha 9 anos. Minto. Eu tinha, 8 anos. Nessa altura, lembro-me bem que se falava muito ainda na guerra fria e no terceiro segredo de Fátima que todos vaticinavam ser a terceira grande guerra. Já então não queria morrer nem que o mundo o fizesse.

Eu tinha 8 anos recordo-vos e no Natal e também no verão, a minha família toda, a família Alvim reunia-se em Melgaço. Acho que nunca fui tão feliz como nesses dias. Não sei, talvez tenha sido. O que eu sei, é que num desses dias, havia um ritual que sempre fazíamos: Íamos a Vigo. Íamos a Vigo fazer compras ao El Corte Inglés e pelo meio, obrigava o ritual, havíamos de parar para fazer um piquenique em local próprio. Nada de beiras de estrada, nada de exibicionismos tacanhos, mas sim um daqueles locais com mesinhas de pedra e arvoredo em volta.

O que agora me recordo é que eram 3 carrinhas de 7 lugares que levavam toda aquela gente e que ao passar da fronteira, pelos guardas fronteiriços, havia um silêncio respeitoso, pior, havia um medo, como se tivéssemos a contrabandear tabaco ilegal e na iminência de ali ficarmos retidos, para todo o sempre. Esqueçam este desabafo, voltemos ao piquenique e à tarde em que chovia muito. Estávamos todos esganados de fome, no carro todos os alvims juniores perguntavam “ ainda falta muito? Ainda falta muito? E quando finalmente as 3 viaturas pararam e assim mais nada faltou, quando foi o chegado o momento de alguém pegar na gigante lancheira onde toda a espécie de iguarias de encontrava - desde panadinhos de peru a presuntinho pata negra – tudo isto ouçam, tudo isto voou pelo ar como num filme do Tim Burton. Como assim? Pois bem, bastou a minha tia Fernanda tropeçar em algo que ainda hoje várias perícias policiais não conseguem explicar e tudo aquilo, os panadinhos, o presuntinho, os pãezinhos, a mortadela, o queijinho, as azeitoninhas, ouçam-me bem, olhem bem nos meus olhos: tudo aquilo voou pelo ar, e o pior, é que perante a fatídica lei da gravidade começou a descer, caindo e rebolando pelo chão alagado e cheio de gravilha e caruma. Os alvins olharam-se todos uns aos outros e riram-se muito. A tal ponto que estou a escrever isto e estou a rir-me também. A verdade é esta: 3 segundos depois, já pouca comida sobrava no chão. E não há memória de a ver na mesa.

Hoje quando vou ao corte inglês – e atenção que tenho cartão e tudo, sou um senhor distinto bem se vê – é disto que me lembro, do piquenique em que tudo caiu pelo chão, dos produtos em casa que diziam “ cêrbessa, quésso, crema de ducha”, dos meus tios de Melgaço, da minha família toda junta e da extraordinária possibilidade de viver tudo isto de novo. Vem aí a primavera e há toda uma agenda para cumprir no el corte inglês.

Sou aluno do Cervantes – estou no segundo ano, muito respeito por favor que sei dizer coisas como “ ?que hora es” ou “ no se preocupe.tome asiento” – e fico sempre curioso para perceber o que vai acontecer nesta agenda. Vou tomar asiento e ver então as novas.

Fernando Alvim

Sunday, July 27, 2014

Discurso das comemorações dos 15 anos de aniversário do Pavilhão do Conhecimento


Foi ontem à tarde, no Pavilhão do Conhecimento, no discurso das comemorações dos 15 anos de aniversário do pavilhão do conhecimento. Eis o texto que fez levantar a plateia, embora confesse, que tenha sido a meu pedido. Parabéns Pavilhão do Conhecimento! Viva Viva Viva!

Aqui vai a prosa:

Antes de tudo deixem-me dizer que nunca imaginei que um dia pudesse abrir um encontro em que se festejassem os 15 anos do que quer que seja. Neste em particular, em que se celebram os 15 anos de existência do Pavilhão do Conhecimento, sinto que devo falar daquilo que para mim significa a ciência. E a ciência significa para mim o futuro. E porquê, porque a ciência está sempre a falar do futuro. E a prova disso é que a palavra descobrir é uma figura sempre presente. Ciência é descobrir. Não quer dizer que a ciência não ligue ao passado – liga pois – mas está sempre a piscar o olho ao futuro. Eu não sou uma pessoa saudosista – não sou - olho e orgulho-me do meu passado e dos outros, mas estou sempre em bicos de pés para ver o que aí vem. Sou um futurista e a ciência parece-me que é um domínio onde está sempre tudo em aberto, inclusivamente o passado. Só a ciência, pode interferir no passado e fazer dele futuro também. 

No meu tempo, lembro-me que quando havia qualquer inquérito com crianças em que se perguntava a cada uma delas e que cada uma queria ser, muitas havia que diziam que queriam ser astronautas. Eu fui uma criança que também quis ser astronauta até ao dia em que percebi que viver na lua devia ser uma chatice. Aliás, quando ainda hoje ouço falar sobre as expedições a Marte e possibilidade de ali levarem pessoas que se disponibilizam a ficar uma vida inteira naquele planeta, pergunto-me: a fazer o quê? O que é que se pode fazer em Marte, o que haverá para descobrir? Marte não será como aquelas terras que visitamos e que nos parecem muito sossegadas e por isso muito românticas e boas para viver, mas que depois do terceiro dia, são absolutamente entediantes. 

Se querem a resposta - por mais que choque à comunidade que aqui está presente - eu acho que deve ser um tédio. E por isso, quando perguntamos agora às crianças o que querem ser quando forem grandes, são já poucas as que dizem que querem ser astronautas, quando muito, neste domínio, as crianças querem ser cientistas sim, mas para salvar vidas terrenas, para descobrirem curas para doenças, para salvarem o tio, o avô, para resolverem problemas mundanos que interferem com a vida de todos. Há de resto, um teste conhecido a nível internacional, que nos diz que a melhor prova de confiança que poderá existir, é comprar um carro em segunda mão a alguém. Se fizermos um exercício, são poucas as actividades profissionais – e nem sequer vou meter aqui a política e os políticos em que as pessoas, sem pestanejar, lhes comprariam um carro em segunda mão. E aqui, se me permitem, não tenho dúvidas que a grande maioria da sociedade actual, compraria um carro em segunda mão a um cientista. Um carro de um cientista, deve ter seguramente a revisão em dia, o papel do seguro devidamente actualizado, o carro limpinho e com sorte, se for um cientista dos bons, é bem possível que tenha um dispositivo qualquer que permita que o bólide voe ou melhor ainda, que consiga tirar cafés.

Ser cientista é hoje ainda e espero que venha ser durante muitos anos – uma actividade de grande mérito e indisfarçável idoneidade. Reparem só: quando há um anúncio de um desodorizante em que uma mulher de belas curvas, abandona um homem de insuspeitável figura para correr para os braços de um astronauta em plena praia, eu compreendo o que vai naquela garota. Aquela miúda, quer como todas as outras mulheres, que aquele homem a leve à lua, sem que contudo, deixe a terra. 

A ciência está por isso de parabéns, o pavilhão do conhecimento ainda mais, porque nesta zona da expo que chegou a ser referida como o novo Mónaco, as novas ilhas Fiji, o pavilhão do conhecimento significa ainda hoje o condado dos monarcas Alberto e carolina. E se dúvidas tivessem, olhem ao vosso redor e percebam como continua – 15 anos depois – impecavelmente limpo e com cheiro a novo. Se isto é um pavilhão que é frequentado por milhares de pessoas ligadas à ciência e está assim, imaginem como será o carro de cada um deles. Eu se me pedissem para comprar o pavilhão do conhecimento em segunda mão, juro aqui, perante todos, que o compraria convencido que estava a fazer um bom negócio. Reparem no chão que pisam, está ou não impecavelmente limpo? Reparem nas cadeiras onde estão sentados, tem ou não um cheque por debaixo do acento? Bem, por acaso não tem, mas podia ter. E seria um cheque para compra de produtos de limpeza para isto continuar assim.

Não sou cientista, não sou filósofo, não sou economista, não sou geógrafo, sou um simples cidadão comum que gosta de ciência e que tem por este pavilhão do conhecimento uma afeição fora do comum. Primeiro, porque as pessoas que aqui trabalham são fixes. Depois, porque estas mesmas pessoas desde cedo perceberam que a melhor forma de levar a ciência a todos, é adoptarem uma linguagem de proximidade em vez do distanciamento do costume e que tantas vezes verificamos em meios similares. Só assim se percebe que uma das suas áreas mais aplaudidas seja justamente baptizada de “ doing”. E que possivelmente a exposição com maior numero de visitantes se tivesse denominado “ knojo”, onde se falava de vómitos, de ranho e de puns.

O Pavilhão do Conhecimento faz 15 anos, há 15 anos eu chegava a Lisboa vindo do Porto e lembro-me bem que na última noite da expo onde todos decidiram também vir, eu perdi a minha namorada no meio da multidão por mais de 3 horas. Hoje, com os amigos que tenho no Pavilhão do Conhecimento, jamais teria cometido a insensatez de ter combinado com ela encontrar-me nas imediações da estátua do Gil, mas obviamente, à porta deste pavilhão. O que importa recordar agora, é que 15 anos depois, a minha namorada já não é essa – na verdade actualmente nem sequer tenho – mas, 15 anos depois, o pavilhão do conhecimento contínua igual, aqui e tão novo, tão fresco e tão limpo, como o conheci no primeiro dia.

Fernando Alvim

Friday, July 25, 2014

Inquérito do Jornal Metro com o autor e humorista João Pinto Costa





Umas férias: Em Nova York porque foi lá que me apercebi, pela primeira vez, que o centro do mundo não era afinal na Avenida dos Aliados. 

Uma ideia: Oferecer uma viagem de sonho a quem responde a inquéritos de férias. Uma ideia com aplicação imediata.

Uma paixão: Porto. Porto cidade. Porto clube. Porto dos barcos e das pontes. Porto das gentes que só há no Porto. Porto de abrigo. Porto de tudo. Tudo pelo Porto. Porto melhor destino Europeu em 2014.
A minha paixão pelo Porto é tal que só este ano já viajei para duas dezenas de países e tudo para que, no regresso, quando me perguntam qual o meu destino, eu possa dizer na cara nas pessoas:
- O meu destino? É o melhor destino Europeu deste ano.
Sim, é verdade...não costumo fazer muitos amigos nas férias.

Uma curiosidade: A avaliar pelo nome que deram às filhas, já repararam que se o casal Djaló e a Luciana Abreu fossem o casal Piqué e a Shakira, o nome da criança seria Pisha? 

Uma pergunta: Como é a vida sexual do pirilampo cuja fêmea só gosta de fazer amor com as luzes apagadas? É uma vida sexual fundida? 

Uma resposta: Não. Não sou da família do Pinto da Costa.

Um apelo: Aos senhores da Nestlé: Voltem a comercializar os Galak Buttons. Depois do FIZZ Limão é o regresso que se impõe.

Um segredo: Tenho um grande defeito que é a arrogância. Sou tão arrogante, tão arrogante, mas tão arrogante, que um dia o Mourinho passou por mim e abaixou a cabeça. 

Um desabafo: Enquanto o espaço nas livrarias dedicado à gastronomia for 5 vezes superior ao espaço dedicado ao humor existirão em Portugal 5 vezes mais pessoas obesas do que bem-dispostas. 

Um problema: A maioria das mulheres procura um homem bonito, sensível, carinhoso, meigo...o problema é que esse homem também procura homens com as mesmas características. 

Uma asneira: O ensino do Português que caminha para o habismo e são poucos os que dão por isso. 

Orgulho: Tinha 11 anos e lembro-me perfeitamente da primeira vez que senti um grande orgulho em ser Português. Foi quando a Rosa Mota ganhou o ouro em Seul.

Vergonha: É curioso porque também tinha 11 anos quando senti pela primeira vez vergonha em ser Português. Foi quando a Rosa Mota ganhou a medalha de ouro em Seul e festejando decidiu levantar os braços. 

Uma novidade: A que chegará no inicio de Novembro. Vou ter de aprender a dizer a palavra filha.



Wednesday, July 23, 2014





Fala-se de tanta coisa no mundo, tantos assuntos, tanta conversa, tantas palavras a circularem de um lado para o outro, tantas letras a unirem-se de forma sôfrega , tantas virgulas, tantos pontos de interrogação e tão poucos pontos finais, que nos vimos obrigados também a intervir depois de muito pesquisarmos e percebermos que havia tão pouco – quase nada – acerca de Madrastas, Padrastos, e enteados.


E da ideia ao acto, foi um instante. Vamos erguer o primeiro congresso sobre esta temática, o primeiro grande congresso sobre Madrastas, Padrastos e Enteados. Será nos dias 11 e 12 de Outubro e nele se falará sobre tudo isto. Dos variadíssimos estigmas ligados a cada um deles, do que se pode fazer, do que se já faz, do que sente e quer dizer alguém que assume este papel. Será possível criar novas denominações para as mesmas funções? O que dizem o que com eles vivem? O que está a ser feito noutros países? Que diferenças têm em relação ao nosso? Que dizem as estatísticas? O que pode um congresso como este avançar?

É isto que propomos perguntar e dar respostas e fazer. Será em Outubro, dias 11 e 12. Se tiverem ideias para este congresso, se quiserem participar, não hesitem em fazer chegar as vossas sugestões por aqui ou em: madrastaspadrastosenteados@gmail.com. Mais informações em breve.