Thursday, August 30, 2012

MORRER DE NOVO


Embora não o queiramos admitir todos nós temos um prazo de validade tal qual um iogurte da mimosa. E daí sermos rotulados desde o inicio que somos parecidos com aquele, que soamos de forma idêntica a alguém. Somos mais parecidos do que julgamos, embora todos tenhamos ideia contrária. Não são só os gatos que têm sete vidas, nós temos mais ainda e morremos mais do que uma vez. Só quem não vive é que não morre nenhuma. Morrer faz bem, porque quando nascemos de novo vimos mais fortes e com mais vida ainda.

Ter um prazo de validade tal qual um iogurte da mimosa pode não significar que morramos aí, mas sim que a partir dessa data tenhamos mais cuidado, como se o depósito do carro tivesse entrado na reserva. Quem já não comeu um produto fora do prazo de validade que levante um braço, dois até. Já o fizemos todos e continuamos todos vivos. Com a vida também é assim, é necessário muitas das vezes não cumprirmos a validade que nos impõem sob pena de nos resignarmos a essa fatalidade. À quantidade de conversantes com os quais nos alimentamos durante estes anos, é natural que estes façam justamente a sua função: que nos conservem. E talvez por isso eu só use produtos com conservantes, a mim não me apanham, nada de coisas naturais, nada de cenas biológicas, se puder comer esparguete com conservantes, juro-vos que como. E só isso explica que a esperança média de vida tenha vindo a aumentar exponencialmente nos últimos anos. Estamos mais conservados do que nunca e, na qualidade de conserva, com o nível de vida que temos agora, não tenho dúvida de que seremos de lata.

O prazo de validade é um pouco como o destino, finta-se se tivermos vontade de nascermos de novo. E tem que ser uma finta à Messi, uma revienga à Pelé, daquelas que deixam o adversário de olhos tortos a pedir Xuxa à mãezinha. Já dez vezes nasci e morri outras tantas, hoje já morri e nasci uma vez e acho que vou agora morrer de novo. No sofá, pela fresquinha.

Fernando Alvim
Publicado originalmente no jornal i

Ler em voz alta | ciclo de conferências da revista LER

Em setembro, a revista LER regressa às bancas e não só. No ano em que se celebram os 25 anos da revista LER, iniciam-se as conferências LER em voz alta que trazem ao encontro dos leitores figuras de referência destacadas em várias áreas, para falarem sobre o lugar da leitura nos seus percursos. Eduardo Lourenço é o primeiro convidado e o encontro está marcado para dia 20. Estas conversas decorrerão no Centro Cultural de Belém – e, a última do ano, no Cinema São Jorge.


Wednesday, August 29, 2012

Regresso à escola

A revista Pais & Filhos fez-me regressar à escola. E lá fui eu.


Qual foi a escola que mais o marcou? 
A Escola Primária nº 27, da Lomba. No Porto.

Quais as principais razões para essa escolha? 
Pela carga emocional que é estudar numa escola onde a nossa mãe é também professora. Isto é, quem é filho de professores, sabe justamente que o que nos acontece é justamente o contrário do que julgam; traduzindo, em caso de asneira (algo muito frequente naquela idade) somos os primeiros a dar o exemplo. E naquele tempo não queiram saber como elas doíam. Fora isso, foi também lá que conheci a minha primeira namorada - Graça, aos 5 anos - e desde logo percebi que mulheres são sempre um cabo dos trabalhos.

Que anos de escolaridade aí completou e com que idade frequentou essa escola? 
Dos 6 aos 10, uma coisa assim. Não reprovei nunca nenhum ano, passei sempre com distinção. Era esperto q.b., enfim, dava passar, tipo Relvas.

Nessa escola, quais eram as suas disciplinas preferidas? E porquê? 
Como todos os miúdos gostava de desenho (pintar e coisa e tal) e sempre gostei de português onde era uma espécie de Camões da turma. Não era mas gosto de pensar que sim.

Lembra-se de algum professor que o marcou especialmente (pela positiva ou negativa)? Que recordações guarda dele? 
Pela positiva, Vítor Amado, professor entretanto já falecido, mas ao qual devo muito da minha personalidade e atitude. E não menos importante: o meu benfiquismo (coisa com a qual se sofre na cidade do Porto como calculam). O professor Vítor Amado era não só professor na escola, como também presidente da junta de freguesia do Bonfim. Lembro-me de uma vez fazermos uma visita de estudo a essa junta e lhe fazermos perguntas com ele na condição de presidente. Percebi que era de desafios como aquele que eu iria à procura. E fui mesmo. Lembro-me de para mim ser uma figura absolutamente inspiradora e rapidamente percebi que ele seria uma das minhas mais fortes influências. E foi.

Como se caracterizaria como aluno nessa altura? 
Um génio não compreendido. Um prodígio desperdiçado que chegava ao final dos anos com os livrinhos a cheirar a novo. Uma maravilha. Gostava era de jogar à bola e namorar com a Graça. Isso é que eu gostava.

Recorda-se de algum castigo que tenha recebido, individualmente ou enquanto turma? 
Como já disse, ao ser filho de uma professora da escola, era invariavelmente eu a dar o exemplo. Isto é, fazia-se uma asneira colectiva e o primeiro a levar umas pauladas era eu. Individualmente, apenas aproveitei uma vez para assaltar material escolar já num período em que só alguns privilegiados tinham acesso ao mesmo (isto já nas férias em que só os filhos dos professores andam pela escola), e quando fui descoberto a minha mãe disse-me: "Falei agora com o teu pai a revelar o que tinhas feito. Ele disse que vem mais cedo do trabalho e que quer falar contigo" - E eu que não sou parvo nenhum, percebi que aquilo não era coisa boa e fugi pela primeira vez de casa. Mais ao final da tarde fui apanhado na casa da minha tia e talvez por isso tenha sido amnistiado. Mas se não tenho fugido, não sei se estaria a responder a esta entrevista.

E de algum trabalho pelo qual tenha recebido uma nota especialmente boa? 
Sim, era bom aluno a português e curiosamente a matemática. Lembro-me de testes gloriosos em que tirei 20 (quando eu tirava, havia também muitos que tiravam), mas curiosamente, a partir do oitavo ano, comecei a ter muitas dificuldades a matemática mas a continuar com elevada performance a português. A turma pedia-me sempre para ser sempre eu a ler os textos dos Lusíadas e outros que tais.

O que mais gostava de fazer nos recreios? 
Jogar à bola, invariavelmente andar à porrada entre todos (uma espécie de intifada amigável) e correr atrás da Graça. Mais tarde, já na 4ª classe, fiquei de amores com Conceição e Ana cristina, um caso raro de poligamia que nunca viria a ser descoberto pelas visadas. Que obviamente espero que não estejam a ler esta minha intervenção.

Ainda tem amigos que estudaram consigo nessa escola? Costuma revê-los? 
Não porque, desafortunadamente, no final da 4º classe, quando a nossa turma ia na sua larga maioria para a escola Ramalho Ortigão, a minha progenitora achou por bem mudar de cidade onde leccionava e pronto, mudei de escola e perdi toda a gente. Graça, Conceição e Ana Cristina incluídas.

Depois de ter saído dessa escola, já lá voltou novamente? Se sim, o que sentiu? 
Já, por causa da minha mãe - ela sim, com muitas amigas ainda - e porque quando eu era mais novo, quando tinha uma crise existencial daquelas fortes, gostava de passar por lá para visitar o recreio e recordar toda a felicidade que jorrava por ali. Foi claramente a escola onde eu fui mais feliz e onde me recordo de ter passado mais tempo, desde o escolar ao extra-escolar. Nunca mais voltei a ter uma escola só para mim. Isto é, um recreio que normalmente tinha dezenas de crianças e de repetente éramos só 3 ou 4. Era uma sensação mágica. A foto da fachada que receberam fui eu que a tirei esta semana. Mais uma vez aproveitei para ver o recreio. Muitos golos marquei eu ali.


Não é todos os dias que se sai na capa do Jornal de Negócios.


A malta do Jornal de Negócios quis saber das minhas apps favoritas. Aqui ficam elas - e, já agora, digam-me as vossas.

songfy
É sem dúvida uma das minhas aplicações favoritas. De tal forma que dormir passou a ter duas funcionalidades, recuperar para o dia seguinte e recuperar do vício do songfy. Gosto de colocar uma frase quente e deixar que a aplicação a musique da forma melodramática que a caracteriza.

oldify
Eis uma aplicação muito útil para perceber justamente como irá ficar a nossa namorada daqui a uns anos. Há quem diga que se vê isso logo pela mãe, mas para o caso em que isso seja manifestamente inconveniente, isto é, em que se evite sequer esse contacto visual, temos esta aplicação que nos permite saber como iremos todos ficar daqui a muitos anos.

carfinder
Gostava de confidenciar algo, perdi mais de metade da minha vida à procura da chave da minha mota, do meu carro, mas sobretudo à procura de saber onde estacionei o maldito carro no dia anterior ou no centro comercial. Com esta engenhosa aplicação voltei a ser feliz, pois permite-me localizar de forma muito fácil o meu bólide e fazer com que assim me sobre tempo para comprar dezenas de barras de ouro naquela empresa que o António Sala promove.

unluck with wifi
Estava fartinho de não conseguir wifi em alguns locais - na sua grande maioria públicos - que não me disponibilizavam a password para eu ter acesso. É óbvio que eu tentava colocar as passsords mais óbvias: a básica "password" ou "gostosa69" ou "taradosexualchegou" mas nem sempre funcionava. Pois bem, essa preocupação acabou pois esta app existe justamente para desbloquear o terminal e assim não termos que colocar qualquer código. Não é bonito?

zello walkie talkie
É isso mesmo que deverão estar a pensar, já não é preciso continuarem a usar os dois copos de iogurte unidos por um fio, já não faz sentido usar aqueles aparelhos que prometem sempre uma distância muito inferior à que realmente se verifica. Esta app faz essas duas e é muito divertido enviarmos mensagens pouco ortodoxas aos nossos amigos com mensagens misteriosas, tipo "eu sei o que fizeste ontem, eu sei o que fizeste ontem!"

qb barcode scanner
Nos dias de hoje, já quase tudo tem código de barras. O problema é que ninguém sabe ler os códigos de barras com a língua, até porque eles não dizem só o preço mas têm a si associados uma outra série de informações que importa saber. Se em permitem o desabafo, dava tanto jeitinho que algumas mulheres tivessem um código destes. Mas enfim, esta app dá justamente essa possibilidade que estava até aqui vedada ao comum consumidor. Não está mais. Porquê? porque eu gosto de partilhar conhecimento.

Tuesday, August 28, 2012

:PAPERCUTZ

NOVO SINGLE RIVERS
EDIÇÃO THE BLUR BETWEEN US
RASTILHO RECORDS
24 SETEMBRO



Os :PAPERCUTZ lançam agora “Rivers”, o primeiro single de “The Blur Between Us”, o novo disco que irá ser editado pela Rastilho Records no próximo dia 24 de Setembro. É uma música que retrata o escape como uma forma de reencontro pessoal que acompanha o retorno a casa.

O novo álbum "The Blur Between Us" produzido por Chris Coady (Beach House, Yeah Yeah Yeahs, TV On The Radio) e por Bruno Miguel no mítico estúdio "The Carriage House" (onde os Pixies conceberam o agora clássico "Doolittle") apresenta o projecto numa nova fórmula que quebra o lado mais intimista do anterior "Lylac" através de temas mais fortes com uma sonoridade negra, indo de encontro ao universo lírico abordado.

Com a participação de José Luís Peixoto nas letras, é um trabalho conceptual que segue uma narrativa que se inicia começa com a morte de alguém importante para o sujeito em causa e que lhe desperta uma procura do entendimento do próximo e da importância de partilharmos a nossa vida com outros. 

:PAPERCUTZ é um projeto de música pop de sonoridades sombrias, recortadas e torcidas como as ruas do Porto, cidade onde nasceu em 2005.

Formado por Bruno Miguel e com a participação de músicos convidados, surgem na compilação Novos Talentos Fnac em 2008. Nesse ano, lançam o primeiro álbum “Lylac” pela editora canadiana Apegenine Recordings. É com “Secret Search”, tema retirado de “Lylac”, que ganham o segundo prémio do International Songwriting Competition, atribuído pelo júri composto por Tom Waits, Robert Smith, entre outros notáveis.

Em Abril de 2009, vencem na categoria “Off the beaten track” do The People’s Music Awards com a faixa “Ultravioleta”. Do júri faziam parte Annie Nightingale (BBC Radio 1), Emre Ramazanoglu (produtor associado a Lou Rhodes) e Eddy Temple-Morris (XFM). O ano de 2009 trouxe ainda o destaque da Myspace Internacional com a distinção Ones to Watch, sendo a primeira banda portuguesa a alcançar este reconhecimento.

A promoção do “Lylac” leva os :PAPERCUTZ a apresentar-se ao vivo em 2009 e 2010 na Europa e nos Estados Unidos, com passagem pelo afamado Festival South by Southwest, em Austin, Texas e no Exit Festival, em Novi Sad, Servia. O álbum de remisturas “Do Outro Lado Do Espelho (Lylac Ambient Reworks)” é lançado em 2010 com o selo da editora inglesa Audiobulb Records. A remistura do tema “Lylac”, realizada pelo músico de ambient Helios, e o vídeo do japonês Daihei Shibata formaram a combinação galardoada na edição de 2010 do Protoclip, Festival International du Clip Musical, em Paris.

Na antevisão do lançamento do novo álbum “The Blur Between Us” surgem os convites para remisturar temas para Sun Glitters, Heart Shaped Rock (projecto com a participação de Nite Jewel) e a propósito da compilação que celebra o primeiro aniversário da publicação inglesa de música electrónica Future Sequence, nasce a interpretação do tema “Disintegration”, do album seminal dos The Cure, com o mesmo nome. Sendo esta a primeira pista para a sonoridade que vai caracterizar o novo trabalho da banda.

Já este ano de 2012 a banda volta a participar no SXSW onde mostram pela primeira vez o single “Rivers”, integrante do novo álbum com lançamento a 10 Julho em Inglaterra e nos Estados Unidos, e em Setembro em Portugal.

Os :PAPERCUTZ foram ainda um dos 62 seleccionados entre mais de 4 mil candidaturas oriundas de 93 países para participar na Red Bull Music Academy este próximo Outono, um dos maiores palcos mundiais da indústria musical: Nova Iorque. Será o único participante português neste evento!

"The Blur Between Us" tem edição nacional a 24 Setembro pela editora Rastilho Records.


Novidades FITPATROL


SUNSET SESSIONS 
Setembro 
4ªfeiras às 19h15 
Jardim da Amália


Saibam tudo aqui:

Inquéritos de férias do Metro

A cantora Elisa Rodrigues é a senhora que se segue.



- Umas férias
adorava ir à Índia, para ver (quase) tudo e cheirar (quase) tudo, fazer yoga, ver templos, vacas nas praias, autocarros em hora de ponta, homens de turbante, mulheres com pintinhas na testa e tudo mais... mas acima de tudo queria ir lá porque o meu bichinho do consumo, com quem tenho longas conversas, sonha poder comprar quilos e quilos e quilos de pulseiras e colares e brincos e saris e todo o tipo de coisa brilhante e indiana que se possa vender... a melhor preço do que no Martim Moniz... eu sei que é fútil, mas honesto!

- Uma ideia 
o Alvim acha que havia de haver o dia do mosquito, ou melhor, o dia para matar mosquitos e fazer festa por isso... e que isso faria do mundo um sitio melhor!
eu acho que os mosquitos não são um caso muito importante e que devíamos dar prioridade às melgas. podia, e devia, haver um dia da melga, só para matar melgas... é que não há coisa pior que ter uns diazinhos de férias em Tróia, com muito sol, praia, lago, piscina (tudo o que podia prometer voltar com uma pele de fazer inveja) e vir cheia de babas gigantes que estão sempre a lembrar-nos da sua existência e duram muito mais que o bronzeado.

- Uma asneira
tenho muitas, mas acho que a melhor é ter ido à rua com a minha cadela e só ter levado a trela... o tempo que demorei a ter noção de que não estava acompanhada dá ainda mais encanto à situação.

- Uma paixão 
tive uma paixão de verão por um menino que tinha uma mota de água. passei o verão a gastar gasolina ao pobre rapaz.  nunca mais andei de mota d'água desde então, nem de rapaz com mota d'água... e tenho sérias saudades da mota.

- Uma curiosidade
aprendi uma coisa com a ex-namorada de um ex-namorado (claro está que não foi ela que me ensinou)... verdadeiramente incrível, pelo menos para mim, que tenho a bexiga mais chata do mundo e que já sofri horrores com infecções urinárias... se beberem água com argila verde em jejum de manhã durante cinco dias não há bactéria com nome esquisito que resista... resulta melhor do que que qualquer medicação.

- Uma pergunta
perguntar a um homem o que escolheria se tivesse que escolher entre uma sereia, peixe da cintura pra baixo e mulher da cintura pra cima, e uma mulher com cabeça de peixe e corpo de mulher... é lindo...

- Uma resposta
uma vez fui com a minha avó a uma mercearia em Alcantarilha no Algarve e a minha avó como alentejana (e velhota) que é, depois de analisar as melancias com muito cuidado, perguntou à senhora atrás do balcão se a melancia era doce... ao que a senhora respondeu, 'come-se bem!', acompanhado as duas palavras com um balanço de cabeça duplo, lindo e impossível de descrever aqui... não contente com a resposta vaga, a minha avó decidiu debruçar-se sobre as tangerinas e perguntou se a tangerina era boa, ao que a senhora respondeu 'come-se bem!' novamente com o balanço duplo (não esquecer de acrescentar a pronúncia algarvia no seu máximo esplendor)... não contente, a minha avó perguntou pelos pêssegos e pelas pêras e recebeu a mesma resposta com o mesmo gesto e a mesma pronúncia... até que decidiu fazer de propósito, enquanto eu e os meus primos morríamos a rir, ela fez a senhora repetir maquinalmente a bela da resposta para todo o tipo de fruta que a mercearia tinha... acabámos por comprar melancia, para não parecer mal, comeu-se bem... gozámos com a pobre senhora o verão todo.

 - Uma lição
acho que posso dizer que a grande lição dos últimos tempos foi aprender a não entrar em pânico longe de pessoas nem longe das coisas que estava habituada a ter, ou a poder comprar... é difícil ficar sem estímulos externos... sem companhia, sem relógio, sem música, sem internet, sem iogurtes magros, sem dinheiro para apanhar o metro ou para ir aos saldos... custa tanto no início e depois entende-se que está tudo bem, que continuamos a ser nós e que a vida não parou de nos segurar nem incluir... descobri que a incerteza e a fragilidade são emoções bonitas quando deixas de as combater, e que correr junto ao rio Tejo sabe mil vezes melhor do que pagar o ginásio para estar ligado à passadeira. é bom estar sozinha a ouvir-me inspirar e expirar.

- Uma aventura
nada que eu possa revelar, porque não fui apanhada e isso deu trabalho! não vou estragar tudo agora!

- Um segredo
o mau-olhado existe, mesmo! e dá dor de cabeça que só passa com mezinhas da minha avó alentejana... mas a minha mãe não gosta que eu conte isto às pessoas, com medo que pensem que somos bruxas, ou coisa que o valha...

- Uma invenção
acho que devia haver um botão de eject, como nas naves espaciais, a acompanhar cada assento do parlamento. às vezes faz falta!

- Um desabafo
não gosto nada que me tratem menos bem só porque falo de uma maneira simples, porque não tento parecer mais complicada ou extraordinária do que sou e porque sou insegura e não a rainha do marketing pessoal. ser cantor é igual a ter outra profissão qualquer, não sou mais especial por isso... irrita-me que esperem isso de mim.

- Um problema
vou ter que aprender a tocar piano.

- Qual foi o melhor despertar para um dia de férias?
certa manhã fiz tanta ronha pra me levantar e ir para a praia que o meu pai se deu ao trabalho de ir até à cozinha fazer bolinhas de massa de pão para me bombardear, acompanhado o momento com um belo tema da Celine Dion aos berros na rádio. foi bonito.




Os PONTOS NEGROS apresentam "SOBA LOBI"


13 de Outubro no RITZ CLUBE às 23h00

Sunday, August 26, 2012

Residência de Escritores na Galiza


Até 31 de Agosto, aceitam-se propostas para uma residência entre Outubro e Novembro.
Saibam tudo aqui.


Entrevista à QUIR



Trabalha em TV, rádio, é escritor, DJ... O mundo artístico é conotado como mais open-minded. Tem essa opinião? 
Sim, acho que a ideia que se tem é justamente essa e que a sociedade em redor pensa que andamos todos metidos com todos, o que seria uma maravilha e lamento imenso que assim não seja. Por outro lado, por sermos obrigados a falar mais e a partilhar com todos o que dizemos e escrevemos e falamos, talvez na maioria dos casos isso se verifique. Com excepção obviamente: do Medina Carreira e deixem cá ver um exemplo assim de forma absolutamente aleatória... Ah já sei, o José Hermano Saraiva.

Há quem diga que há muitos LGBT nas artes. Concorda? 
Concordo, mas acho que devia de haver mais. Acho que há poucos e os poucos que há não estão a saber fazer mais filiados, assim um bocadinho tipo Bloco de Esquerda. Devia haver promoções, cartões com desconto, anúncios na televisão, mas nada está a ser feito.

Na sua opinião, como encaram os profissionais da comunicação e os media esta realidade? 
De frente, por causa das coisas. E com verdade, dando-lhe até bastante atenção porque é uma coisa que é moderna e fica bem fazer-se. Às vezes só não sei é se acreditarão verdadeiramente naquilo que dizem e escrevem, mas isso daria um outro parágrafo. E não temos tempo, verdade?

Todos conhecem a veia humorística do Alvim. Acha ser mais fácil fazer comédia com temas pouco consensuais, como a homossexualidade? 
Não, é mais difícil e mais arriscado mas ao mesmo tempo é mais apetecível. O sexo e a sexualidade sempre foi um alvo preferencial do humor e neste domínio, como devem calcular, ainda mais. Agora, acho que existe uma preocupação excessiva em perceber se aquele fulano é ou não preconceituoso em relação a esta causa. Aliás, uma entrevista como esta tem antes de tudo uma pergunta implícita, "É este rapaz preconceituoso em relação a isto ou não?" É um pouco como aquelas pessoas que passam a vida preocupadas em perceber se as outras gostam ou não delas. Eu quero que isso se lixe, não perco um segundo com isso, quero que as pessoas gostem de mim como sou mas percebo perfeitamente que nem todos podem gostar. Se fosse gay, assumiria na hora e não compreendo muito bem aqueles que dão desculpas esfarrapadas como a mãe e etc. para não o revelarem. Esperem, não é que sejam obrigados a isso, de todo, a nossa sexualidade só a nós deve importar. Mas a desculpa da mãe enerva-me. Que diacho, a minha mãe se soubesse que eu era gay, não tenho dúvida que me amaria de igual modo. Mas isso sou eu que tenho uma mãe dos diabos.

Os LGBT têm sentido de humor? 
Têm, aliás se há coisa que os LGBT se podem orgulhar é justamente disso, do seu humor, da forma como se divertem e contagiam todos os outros. E os melhores são justamente os que brincam com o facto de serem gays e aproveitam isso como uma arma poderosa para fazerem humor. Querem um exemplo: outro dia fui ao programa do Goucha e logo no início da entrevista, de forma a provocá-lo, disse-lhe em tom jocoso: Goucha, peço-te desculpa por não ter trazido uma camisinha mais fluorescente, mas honestamente não consegui encontrar. Ao que o Goucha respondeu: "Mas caramba, como é possível, ainda esta manhã saíste do meu quarto". O Goucha esteve tão bem, mas tão bem, as pessoas riram-se a valer e arrumou comigo em 3 segundos. Nas entrevistas em que falo sobre esta temática o meu objectivo é justamente divertir e informar de forma descomplexada. Preconceito é não brincar com isto, é ter medo de fazer humor e nem sequer tocar no assunto para não ferir susceptibilidades. Se assim for, então é melhor não falarmos nem dizermos nada. Isso parece-me muito pouco corajoso e nada catalisador da mudança que todos defendemos. 

Alguma vez foi alvo de críticas por ter ferido susceptibilidades? 
Não me recordo de nenhuma grave mas é sempre um tema sensível. Na verdade não me recordo de ter participado numa entrevista, numa conferência, em qualquer cenário onde esta temática fosse central, que não tivesse sido muito, mas muito divertida.

Porque é que em Portugal são muito poucas as figuras públicas que assumem a sua homossexualidade? 
Porque são maricas.

Considera que o deviam fazer? Porquê? 
Porque as pessoas com visibilidade podem, com a sua exposição, mais facilmente contribuir para que o mais depressa possível não exista qualquer preconceito ou discriminação a este nível. Não que os outros - os menos visíveis - também não o consigam, mas facilmente compreenderão que desta forma é mais célere.

Enquanto figura pública, se fosse homossexual assumia? 
Já disse que sim e volto a dizê-lo. Mas, desafortunadamente, sou completamente heterossexual. E assim, nunca terei nada com o Ricky Martin.

Conheces algum caso ‘dentro do armário’? 
Sim, mas está lá dentro e não sou eu que lhe vou abrir a porta. E não, isto não é nenhuma piada política.

Qual a tua opinião sobre a ‘comunidade’ LGBT (Lésbicas, gays, bissexuais, transgéneros)? Conhece bem esta realidade? 
Conheço e, como qualquer heterossexual, tenho um fetiche por lésbicas. Vejo duas mulheres lésbicas e começo logo a fazer filmes e a pensar que de algum modo eu vou juntar-me a elas e brilhar a um nível estratosférico. Sei hoje que isso é bastante improvável. E olhem que tentei mais do que uma vez. Sem qualquer sucesso.

Alguma vez frequentou espaços dirigidos aos LGBT? Quais? 
Sim, o Café Lusitano no Porto de que gosto bastante. E já que falo no Porto, o melhor nome de bar gay que conheço, imbatível até, foi justamente nesta cidade, justamente no espaço onde é agora o Boys'r'us. Chamava-se Leite Condensado. Não é lindo? Não é imbatível? Chiça.

Já teve experiências com alguém do mesmo sexo? 
Sim, em puto: fui para a cama com o Ken pensando que era com a Barbie.


Thursday, August 23, 2012

Nem mais um segundo


Do mesmo modo que existem one hit bands e one night stands – e julgo que nunca terei escrito tantos estrangeirismos numa só frase – a verdade é que vivemos num período em que surgem a um ritmo frenético as one hit persons (mais um que inventei agora mesmo). Talvez seja uma derivação dos aclamados 5 minutos de fama de Warhol, mas a verdade é que são cada vez mais as pessoas que à custa de um único êxito na vida, seja ele em formato canção mas sobretudo em formato acção, ficam uma vida inteira a viverem de um único feito em toda a sua vida. O que até poderia ser bom, se o feito fosse bom. Mas pergunto: E se a canção é má? E se o feito não é dos honrosos? E se em vez de Bowie é Scorpions e se em vez de Buckley é Demis Roussos? De uma forma ou de outra e fazendo contas à vida que é, como se sabe, feita de muitos dias, esta nunca poderá ser um disco com apenas um sucesso que passa na rádio. Soem os violinos por favor, façam de conta que é o Padre Vítor Melícias agora a escrever: “Uma vida é um disco todo, são muitos temas, mas convencionou-se que é mais fácil ouvir apenas o sucesso e deu no que deu”, ora obrigadinho senhor padre. E o que deu foi uma playlist não só na rádio, não só na televisão, não só nos jornais, mas – e isto é que é o mais admirável – na rua, em casa, em todo o lado, ora bolas. Há uma playlist sim e estamos todos a cumpri-la. Ninguém arrisca nada porque assim se perde audiência ou amigos ou popularidade ou crédito ou os bons dias do vizinho da frente. Ninguém arrisca nada. Todos nos tornamos numa canção que já todos conhecem mas que continua a passar na rádio em detrimento de uma nova e fresca que é mais arriscada. E mesmo essa nova, quando conseguir entrar na playlist vai tornar-se uma canção que, de tanto se repetir, cansará os que ouvem e ficará caduca. O segredo é sermos uma música nova sim, mas fugirmos à playlist. O segredo é sermos uma música de sucesso mas não deixar que nos repitam. O segredo é – e reparem como estou empolgado com as veias do pescoço salientes –, o segredo, dizia eu, é não perder um único segundo a vangloriar-se do que já foi feito para que esse tempo, mesmo esse segundo, seja já usado no que faremos a seguir.

Fernando Alvim
Publicado originalmente no jornal i

Wednesday, August 22, 2012

Inquéritos de Férias do jornal Metro

E o senhor que se segue é o gestor Paulo Morgado. Aqui ficam as perguntas e as respostas.


- Umas férias
Férias a sério eram as que eu fazia na minha infância, sem o mínimo de preocupações com o trabalho que ficou por fazer ou com as vendas que ainda têm de vir para fechar o ano. Nas fotos apensas apareço eu com uma das famosas bolas da Nivea, na altura, provavelmente, na Praia da Vieira (a terra do Marco Horácio!) e, já mais velhinho, a fumar. Dessas minhas férias de infância consigo lembrar-me… dos cheiros, desde os pneus das bicicletas até aos bifes fritos que a minha mãe fazia e se misturavam com o cheiro a maresia e o pôr do sol ou ao peixe a sair nas redes de pesca puxada por vacas; das brincadeiras na areia com carrinhos, cowboys e índios de miniatura, o jogo do prego, das caricas; dos gelados da Olá em forma de nave espacial ou dos paus que davam prémios; do cinema e das primeiras saídas à noite (e de dia!) com as raparigas; dos gira-discos e das festas de garagem da Rosete Lar (que era o que virava a minha casa quando os meus pais saiam) com luzes psicadélicas; duma máquina de flipers onde passava a vida a meter moedas de 25 tostões; das voltas no carro do meu pai e, mais tarde, numa Honda Mini Trail emprestada… Isso eram férias!

- Uma ideia
Pedir aos portugueses para saírem todos ao mesmo tempo do país, esperarem 10 segundos e voltarem a entrar, para ver se se consegue fazer o reset a Portugal!

- Uma asneira
Julgar que Portugal não tem de levar uma grande volta!

- Uma paixão 
As cartas de “amor”.

- Uma curiosidade
No pain, no gain!

- Uma pergunta
A pergunta que faria um português que viajasse numa máquina do tempo até aos dias em que vivemos: “Mas vocês estão bons da cabeça?”

- Uma resposta
“Badamerda para o fascista” – do falecido almirante Pinheiro de Azevedo, em 1975, quando a hipocrisia e o conformismo ainda não tinham tomado conta da classe política portuguesa.

- Uma lição
A maior lição que aprendi até hoje é que há “amigos” que deixam de o ser quando perdemos o dinheiro ou o poder. “Parafraseando” Pinheiro de Azevedo, bardamerda para essa escumalha!

- Uma aventura
Quando, em miúdo, conduzia uma mota de três rodas de distribuição de gás e verifiquei que a mesma não tinha travões a apenas cinco metros de um portão de ferro fechado que ficava no fim de uma íngreme descida! Tínhamo-nos lançado nessa aventura para pôr a mota a trabalhar de “empurrão” e irmos dar uma volta…

- Um segredo
Estou a responder a esta entrevista dentro de casa com um sol radioso lá fora e não, não estou alcoolizado ou sob o efeito de drogas…

- Uma invenção
Uma máquina de responder a inquéritos de verão.

- Um desabafo
Estou farto de tanta incompetência em lugares críticos da sociedade portuguesa!

- Um problema
Um jovem português conseguir arranjar um emprego no seu país, com tanta gente preguiçosa que há alapada aos seus empregos – gente protegida por uma legislação laboral caduca!



Stand-up comedy com Marcelo Adnet!

Hoje, quarta-feira, o bar do Cinema City de Alvalade recebe Marcelo Adnet, um comediante de grande sucesso no Brasil e figura da MTV! Não perca a oportunidade de ver este incrível comediante ao vivo!


Entrada gratuita
Um evento Bang Produções

Corações de Atum - Soirée Romance Hardcore - entre em delírio e saia de gatas!


7 de SETEMBRO 
RITZ CLUBE


Mete-Discos Alvim na Pocariça !































DJ RIDE lança "LIFE IN LOOPS"


Passatempo PATRULHA DE BAIRRO

Querem ir à antestreia deste filme?


Para se habilitarem a entradas duplas e t-shirts, digam-nos, num parágrafo, e até ao dia 10 de Setembro, porque é que a vossa rua ou o vosso bairro é o melhor do mundo. Podem mentir, dourar a pílula, que a gente gosta. O mail de serviço é: alvim.passatempos@gmail.com 

As cinco melhores participações terão direito, cada uma, a uma entrada dupla e a uma t-shirt; as cinco seguintes, a uma entrada dupla cada. 

As sessões serão no dia 12 de Setembro, às 21h30 nos Cinemas ZON Lusomundo Alvaláxia Lisboa e nos cinemas ZON Lusomundo Parque Nascente Gondomar (na vossa participação, indiquem a que sessão se querem habilitar).