Thursday, July 31, 2008

O Amuanço Português



Se há coisa que Portugal tem e os outros países dificilmente terão, essa coisa é o amuanço. Os outros países que fiquem lá com as modernidades deles, as expansões económicas, o melhoramento das vias de transporte, os gigantescos triunfos na ciência, a educação para todos e até a saúde gratuita, pois quando chega a vez do amuanço, só haverá um com o braço no ar. Que somos nós.


O amuanço é português e quando se vê um outro pais a tentar imitar-nos é uma vergonha tão grande que apetece chegar lá ao pé e dizer precisamente isso: “Tenha vergonha e vá para casa senhor!”

O amuanço começa desde tenra idade com o chamado “beicinho” que normalmente surge quando não cumprimos uma promessa que havíamos feito à nossa namorada. Algo como: “Amanhã quando acordarmos vamos à praia e à tarde vamos aos saldos no Colombo? E no outro dia, quando ao percebermos que o tempo está mau e afinal já não vamos, ela faz beicinho até que lhe demos o cartão de crédito.


Amuanço e beicinho andam próximos de serem a mesma coisa, mas são no entanto diferentes, porque o beicinho passa mais depressa que um amuanço. Um amuanço pode durar meses, ouviram bem? Enquanto um beicinho muito raramente dura mais que dois 2 minutos. Reparem, pode até haver choradeira num beicinho mas com uns beijos e a promessa de que em breve terá o que pretende, a coisa vai ao sítio. O problema é quando não vai. E quando não vai, surge o amuanço. E chegados aqui, estamos bem tramados. O amuanço é terrível porque implica coerência e até algum orgulho por parte do amuado, que por norma, não desiste facilmente. O amuado quer que todos percebem que ele está a fazer amuanço, tal qual uma criança de 5 anos de idade que gosta de ter todas as atenções centradas em si. Mas enquanto uma criança diz logo “ olhem para mim, que bem eu danço!” já em relação ao amuado, ele gosta que as pessoas percebam isso sem que ele tenha que dizer nada. E por isso, quem faz amuanço deixa quase de falar e aparece sempre tristonho a dizer “ que está tudo bem” como quando os casais se chateiam e um deles pergunta “ Está tudo bem? E o outro responde. “Está ( pausa longa de 10 segundos). Está tudo bem.” E é claro que não está tudo bem e suspeitando nós o porquê de não estar tudo bem , vamos dizendo que assim também não queremos, que também para nós não está tudo bem. E que também sabemos amuar. E pronto, fica-se ali a bater o pé até um dos dois, possivelmente menos orgulhoso, decida ceder. E quando cede, é quase certo que passe para a posição de amuado como quem diz “ lá por seres português, não penses que vais assim para o Real Madrid”, “ Tu podes até ir jogar para o Inter, mas neste casa, irás ser sempre vaiado” , “ sim senhor, vais então para o Everton, mas não nos vês mais os dentes, ouviste bem?

Tuesday, July 29, 2008

Leonor Seixas. Maxmen Julho.








Sabe tocar piano e falar francês. Não bebe, não fuma e o único vício que diz ter, é o uso do baton do cieiro que usa em permanência. Gosta muito dos homens mas confessa que não tem portas fechadas para nada. Já viveu em Paris, no Rio, em Nova Iorque e ultimamente vive nesta página. Eis Leonor Seixas, uma mulher que revela não se importar de tratar das lides domésticas desde que a façamos feliz. É por existirem mulheres assim que temos esperança nos avanços da Clonagem.


No filme Pedro e Inês foste Dona Constança. Não achas que aqueles vestidinhos eram pouco práticos para fugir da janela?

Acho que a época em si era muito mais atrevida e quando tu queres alguma coisa não é um vestidinho comprido nem apertado que te impede de fazer o que queres.

E quando usas uma saia curta sentes-te observada pelos homens ?

Não sei se é uma saia curta ou um decote que faz com que as pessoas olhem para ti, às vezes é o teu estado de espírito, a forma como pareces bem aos olhos dos outros. Pode-te parecer filosófico mas é a verdade. E além disso seria redutor pensar que os homens só ligariam a isso.

O que gostam as mulheres nos homens?

Não posso falar por todas nem quero. Em termos gerais, é o conjunto, eu acho que é muito importante quando o homem é proporcional, quando as coisas se conjugam bem num todo. Eu adoro o corpo masculino.

Curioso, normalmente as mulheres costumam dizer que gostam muito das mãos e coisas assim. Não tens nenhum fetiche a este nível? Por exemplo, não gostas de morder pés?

Não, eu gosto de ter outras coisas na boca ( risos)

Desculpa?

Outras coisas quero eu dizer, cabides, canetas, era isto que eu queria dizer( risos). Falando nisso especificamente, eu acho que num relacionamento é importante tu gostares de ter tudo na boca, não é só uma coisa. Depende sempre muito, varia muito, de homem para homem.

Já realizaste algum fetiche a um homem porque este te pediu?

Sim, mas não te vou dizer qual. Uns foram mais básicos do que outros, mas não digo. E nós mulheres também temos. Mas são diferentes . Muitas vezes, passam pela forma como nos vestimos, desde o cliché da secretária ao da professora que quer dar uma lição ao menino. Mas isto depende muito de cada mulher. O que é interessante é as pessoas serem surpreendidas por fantasias ou não. Lugares proibidos. Coisas proibidas.

Espera lá, já te sentiste atraída por uma mulher?

Acho que não. Já fiquei fascinada por algumas, se calhar um bocadinho demais, mas eu sou demasiado apaixonada pelo sexo masculino, acho-o demasiado fascinante, maravilhoso, de tal forma, que sinto que os homens arrasam com o meu mundo. Mas sim, acho que há mulheres lindíssimas, muito interessantes e porque não fazer qualquer coisa com certas mulheres. Não tenho portas fechadas para nada na minha vida.( risos)

Ias para a cama com a Angelina Jolie?

Não. Ia com a Sharon Stone. Acho a Angelina linda de morrer, quase perfeita, mas é magra demais para o meu gosto e não é sexualmente uma mulher que me fascine.

Mudemos de assunto. És filha de uma pianista. Quer isto dizer que também tocas piano e sabes falar francês?

Por acaso até sei um pouco e já vivi em Paris durante 3 anos.

Nesse caso, como é que se diz em francês “ este rapaz que me está a entrevistar é muito giro e interessante”?

Ce me mec qui m'intervue est très joli et très intéressant.

Ainda assim, é público que continuas a não adaptar-te muito a Portugal. Precisas de quando em vez de ir lá para fora?

Sim e agora estou a preparar-me para ir embora outra vez. Porque preciso de facto, por gostar de viajar, de estar fora, de sentir saudades de Portugal. Não que tenha razões de queixa, mas a verdade é que é um meio pequenino e mesmo sabendo que Portugal é muito bom, não me posso esquecer que o mundo é melhor ainda. E se agora for para algum lado, vou para Los Angeles, tentar fazer cinema.

E numa cena mais ousada num filme, é possível sentires alguma excitação?

Dificilmente. Nessas cenas que te referes, não há nada de romântico que possa mexer contigo. Porque mesmo que tu estejas a beijar a mulher mais bonita do mundo, tu tens que beijar de uma certa maneira para a câmara te ver, de diversos planos, a situação é tão técnica que não dá para isso.

Quem é que finge mais: as mulheres com os orgasmos ou os homens quando dizem 'que parvoíce, não estava nada a olhar para os seios da tua irmã!'?

Eu acho que nós fingimos imensas vezes orgasmos e com muita facilidade. Porquê? Eu sei que é uma estupidez, porque se finges é sinal de que não consegues chegar a essa parte. Mas por vezes, apetece-te acabar aquilo, porque não estás interessado em continuar.

E porque é que não nos dizem?
Boa pergunta, talvez para não desagradar a pessoa. Pensa lá: estás a dar uma queca com alguém e de repente ela diz-te “ olha, já não me apetece continuar mais, podemos parar?”. E lixado, não é? Assim, pelo menos ela finge que se vem para tu te vires a seguir, rápido e pronto. Mas tudo isto depende, se é uma coisa de uma noite, se é um caso, se é o amor da tua vida.

Já tiveste um amante?

Não sei se te vou dizer isso, mas já respondi, não já?

Se, quando são as mulheres a fazê-lo, a louça fica muito melhor lavada, por que raio se insiste na divisão dessas tarefas? Não achas que se devem optimizar recursos e competências? As mulheres lavarem a louça, os homens fazerem os pontos de embraiagem… não é?

Olha, eu não sou nada feminista e por isso se eu faço um homem feliz ao lavar a loiça, eu lavo a loiça desde que ele me satisfaça noutras coisas. Basta que me faça feliz, que me faça rir, que saiba cozinhar por exemplo e lavo a casa toda, passa a ferro, estendo a roupa.

Levantar a perna quando a mulher, ao aspirar a sala, passa perto do sofá, não pode ser já considerado ajudar na lida da casa?

Não me importa nada, acho que ás vezes as mulheres se ofendem por pouco. Eu não.

Qual é o grande defeito das mulheres?

A insegurança. O excesso de curiosidade. E digo isto, porque quando queres saber demais tens outras respostas que não procuravas e às vezes é óptimo quando não sabes de certas coisas, porque não tens que saber tudo, sem que para isso tenhas que ser totó ou parvinha.

Na realidade, para os homens, o interior também conta mais que o exterior. O interior do soutien, por exemplo. Se, ao fim e ao cabo, estamos todos para o mesmo, porque é que é tão difícil entendermo-nos?

Porque não é só isso que conta. Porque depois começam a entrar os sentimentos e somos de facto diferentes. Fisica e psicologicamente.

O cão é o melhor amigo do homem. E da mulher? É o homem.

Porquê fada madrinha?
Porque eu sou a fada da minha vida e quero concretizar os meus sonhos”

Thursday, July 24, 2008

A saga continua - Parte 2

Espere lá, eu isso não lhe admito!




De entre todos os insultos que vamos aprendendo percebemos que alguns deles revelam-se funcionais e outros absolutamente ultrapassados. Se querem saber, eu acho que o insulto não deveria ser uma coisa que se fizesse de forma tão gratuita como a que vemos. Um insulto deve ser preparado com parcimónia e dirigido ao peito do adversário. E mais. Não deve ter palavrões. Porque se for um bom insulto – e é isso que se pretende – não será necessário.

O insulto tem que doer na alma, tal qual um cotonete que quase nos fura o tímpano. O insulto faz exactamente isto, esmiúça, esgadanha, como se tivesse à procura de uma terrina cheio de moedas de ouro. Há insultos que já fizeram cair governos e outros que lhes deram maioria absoluta. Há insultos que fizeram história e outros que foram alvo da chacota de todos. Há insultos que ficaram à porta e outros que entraram. E isto faz toda a diferença.

Daí que o insulto não possa ser feito por qualquer um, sob pena de se virar contra si. E quando feito, tem que se escolher aquela palavra, aquela parte do passado onde é suposto ninguém remexer, aquela pessoa que desde sempre lhe provocou urticária. Tem que ser certeiro, tão forte, tão perto, que faça que o seu receptor diga “Espere lá, eu isso não lhe admito!”. Isto é, esta afirmação prova de que nem todos os insultos são passíveis de uma reacção mas que, por norma, existe um, um apenas, que desencadeia uma resposta furiosa. Atente-se neste exemplo. Alguém diz: O senhor é um ladrão, toda a gente sabe que rouba os seus vizinhos da frente, que rouba os seus clientes, que rouba os seus amigos e que rouba até a sua própria mãe!. E é aqui que o insultado riposta “Espere lá, eu isso não lhe admito. Eu nunca roubei a minha própria mãe! O senhor tenha tento na língua!”. Cá está, nenhuma das outras acusações o fez levantar do sofá, mas bastou falarem no nome da mãezinha e era vê-lo de pé e ajeitar o cabelo. E quem diz a mãezinha, diz aquilo que ele disse mas que ele diz que não disse, que fez e diz que não fez, que viu e diz que não viu, não senhor.


E isto é para todos, excepto, para a intelectualidade portuguesa. Pois chegados aqui, todo e qualquer insulto, passa por se chamarem “Fascista” uns aos outros . Só isto. Nomes à mãe? Tudo bem, sem problema. Insinuações de que se terá aproveitado de um subsidio indevidamente? Nada de grave. Agora experimentem lá dizer “O senhor é um fascista!” e vão ver o que acontece. Na resposta, podem ter a certeza que dirão: Espere lá, eu isso não lhe admito!”

Tuesday, July 22, 2008







Uma relação sem compromisso é como um estágio de 3 meses numa empresa. Podemos dar o máximo, mas o mais provável, é não conseguirmos o emprego.

Thursday, July 17, 2008

Barbas e Máximo no Boa noite alvim. Parte 2

Barbas e Máximo no Boa Noite Alvim. Parte 1

Um Ego do Tamanho do Mundo



A culpa é do Ego – digo-vos eu. Não houvesse Ego no mundo e metade dos problemas estariam já resolvidos. Mas o Ego existe e alguns há que não são nada fáceis de alimentar. Ou porque necessitam de muito alimento. Ou porque são esquisitos com o que lhe dão. Ou porque a sopa está fria, ou porque tem pouco sal, ou porque hoje não me apetece peixe, ou porque hoje é outra vez peixe, porque só gosto de carne, porque só gosto de peixe, porque só gosto de ti, porque só gosto de mim, porque não consigo gostar de ninguém, porque não consigo que ninguém goste de mim. Porque é muito. Porque é pouco. Porque ninguém olha para mim. Porque não sou a mais bonita, isto é, porque sou a mais bonita mas ainda não sou a mais bonita da escola. Porque sou a mais inteligente. E embora digam que há alguém mais inteligente eu sei que não há ninguém mais inteligente.



O problema é do Ego – digo-vos eu. Não percam mais tempo. O ego é o espelho que trazemos cá dentro. E há pessoas que tratam do Ego como quem penteia o cabelo antes de sair, como quem cuida das unhas antes de um acontecimento importante. O problema é que há pessoas que passam muito tempo a olhar para o seu ego como se tivessem a olhar para um espelho e demoram imenso a descer as escadas quando sabem que as esperamos. O ego não faz caso disso, ouve a buzina lá em baixo e vai dizendo "Já vai, já vai!" com quem diz "Ele que espere!". O Ego é esse carro de mercadorias que de repetente pára numa rua com muito movimento, à hora de ponta e, não fazendo caso, vai descarregando 150 caixas de fruta (maçã Golden que veio lá de cima) fazendo com que todos desejem que a polícia apareça nessa altura e não aparece "porque isto não vêem eles!", "porque isto é uma vergonha, é o que é!".


Mas calma lá, o Ego não tem que ser uma coisa má. Não tem. Todos nós temos que ter um Ego do mesmo modo que temos que ter duas orelhas. Só que, quando temos Ego a mais, isso pode ser prejudicial. Porque não raras vezes, ficamos a ouvir mal como se não tivéssemos as tais orelhas. E logo as duas. Como se só ouvíssemos uma voz, a nossa, o nosso eu, como só se nos interessasse o nosso mundo e assim, sem darmos conta, só falamos em nós como se só o que nós façamos interesse a quem nos ouve, como se só o que Nós dizemos é que é interessante, como se só o que nós construímos é que é bom, como se só que nós defendemos é que está do lado certo. E assim, este nós assemelha-se àquelas mães que só falam nos filhos e que pensam erradamente que tudo o que eles fazem, ao olhar dos outros, também tem graça. E não tem. Do mesmo modo que há pessoas que só sabem falar sobre delas e daí se dizer que "aquela pessoa tem um ego do tamanho do mundo". Às vezes tanto, tão grande, que o próprio mundo, não as suporta.

Wednesday, July 16, 2008



A bonita e jovem modista disse ao pai que só lhe faltavam fazer duas casas para depois ir dormir. E o pai, amando a sua filha como nenhum outro, comprou-lhe duas casas para os lados da Ericeira.

Tuesday, July 15, 2008




Estava a falar com uma amiga minha sobre o quanto gosto do tema " Construção" do Chico Buarque e começamos a fazer investigações no youtube como quem joga à sueca, a noite toda. Arrastado o dinheiro da mesa, fumando o último cigarro antes de ir para casa, descobrimos este vídeo que junta Caetano Veloso e Chico Buarque, como nunca antes havia visto. A qualidade da imagem não é muita, o som também não, mas caramba, é o caetano e o chico a cantarem juntos e isso basta. Aposto que hoje, vou acordar a cantar isto.

Monday, July 14, 2008

Era um homem tão machista, tão machista, que sempre que ia ao banho na praia, gritava à mulher para ela lhe ir lavar as costas!

Saturday, July 12, 2008

Gabrielle Andersen-Scheiss






Chama-se Gabrielle Andersen e é possivelmente a protagonista das imagens mais emocionantes que alguma vez vi num evento desportivo. Lembro-me de ter chorado como um menino – e era mesmo porque tinha 10 anos – quando a atleta surgiu nas televisões do mundo a entrar no Los Angeles Memorial Coliseum. Gabrielle estava a concluir a Maratona feminina dos Jogos Olímpicos de 1984 e tinha entrado neste estádio 25 minutos depois da vencedora, Joan Benoit.

Contudo, a falência física em que se encontrava era de tal forma que muitos eram aqueles que a aconselhavam a desistir e a parar por ali. Ao saber que se fosse ajudada seria desclassificada, a atleta recusou todas as ajudas e fez questão de cortar a meta.

Muitos anos depois, de cada vez que penso em desistir de alguma coisa – e não estou a pensar em desistir de nada – penso nestas imagens e neste estádio inteiro a aplaudi-la de pé.

Friday, July 11, 2008

Gravidade Zero






Desde muito cedo que nos tentam vender a ideia que a vida é uma coisa divertida e, às vezes, pode não ser tanto assim. A vida pode muito bem ser isto, apenas e só. Daí que muitas pessoas, quando questionadas sobre o que é a vida, respondam encolhendo os ombros em tom resignado “A vida é isto!”. Não mais do que isto- digo-vos eu. Daí que se tente disfarçar que a vida é um outra coisa que não esta, como quem está a vender umas férias em Time Sharing no Algarve: “Que é uma vivenda gigantesca, com vista para o mar, piscina exterior, 3 quartos e jacuzi” e chegados lá, vai-se a ver e é um T1 daqueles ranhosos com pouco mais de 20 metros quadrados e vista para o prédio em frente, onde curiosamente, estão outras pessoas a olharem para nós, como se ao fazê-lo, avistassem o mar prometido”. A vida é pois um timesharing daqueles que se vendem ao meio da tarde na Rua Augusta. E quem disser o contrário, não sabe o que é a vida.

E o que eu sei, é que no início de tudo, quando somos bebés/crianças, se há coisa que detestamos fazer é: Comer e Tomar banho. Talvez não se lembrem, talvez agora digam que no vosso caso não era bem assim, mas vos garanto que não terão sido um caso de excepção, porque invariavelmente isto acontece com todos. E quando isto acontece, mentem-nos, dizendo que é muito divertido: “Não gosto de sopa!” e já vão dizendo entre sorrisos “olha o aviãozinho!, “ Não quero peixe!” e “ aqui está para a princezinha, o peixinho todo feito em papa que assim é que é bom”, “ Não quero tomar banho” e mil barquinhos navegam agora em águas mornas, bem como toda a espécie de material flutuante. E quando mais tarde, já com a formação dentária quase completa, chegamos à idade do “quero isto e quero aquilo”, alguém nos avisa franzindo o olho: “tu não tens quereres, rapazinho!”. Essa agora, eu não tenho quereres? Isto é, até à data, bastava espumar da boca para me moerem a sopa que eu não gosto de couves e feijão-frade, e agora, agora que sei falar, agora que sei o que quero e não dou azo a más interpretações dizem-me que não tenho quereres. Pois “Tenho sim senhor!” e saibam que não são poucos. Sendo que um deles, é precisamente divertir-me quando eu quero e não quando todos querem que eu me divirta. Ora bem, eu não faço birrinha, nem bato o pé, mas basta-me ver as pessoas a contarem em sentido descendente e só de pensar que terei que saltar muito e fingir-me muito contente e feliz quando disserem “Bom Ano!” é mais do que suficiente para me sentir desmotivado. Não é que não o faça – uma garrafa de Moet chandon nestas coisas ajuda muito – mas custa-me, sabem? Custa-me o 5, o 4, o 3, o 2, o 1, custa-me chegar a esta gravidade Zero.

Monday, July 07, 2008

Festival Termómetro em www.myspace.com/festivaltermometro

Enquanto está a ser produzida a nova imagem do site do Termómetro (www.termometro-online.com) já está concluído o endereço do myspace. É esta pequena maravilha que está neste endereço:


Há duas críticas comuns que são faladas por quem sai à noite. A primeira e mais usual é referente ao facto de nos parecerem sempre as mesmas pessoas. A segunda - e isto para uma certa geração à qual eu pertenço - de que existe um excesso de miúdos a frequentá-la. Vamos por partes:

Em relação à primeira, a verdade é que são sempre as mesmas pessoas, porque eu já inclusivamente mudei de cidade, do Porto para Lisboa, e vos garanto que são as mesmas. Ainda outro dia por exemplo, estava no Bairro Alto e vi um amigo meu de longa data com a ex-mulher de um futebolista qualquer. Movido por uma inquietante curiosidade liguei-lhe para casa dele precisamente a informar a mulher disto mesmo e sabem o que esta me disse? Disse-me ela que não, que não podia ser, que ainda há 5 minutos atrás ele lhe tinha ligado de uma esplanada em Matosinhos a dizer que aquilo estava animado e que se calhar não ia dormir a casa. E através disto, percebendo eu que era mesmo o meu amigo que ali estava, à minha frente, no Bairro Alto, pode-se por aqui comprovar que um ser humano pode estar em duas cidades como Lisboa e no Porto, à mesmíssima hora.

E mais. Há medida que a noite avança é cada vez mais frequente que as pessoas desabafem a dada altura que tudo lhes parece igual e que lhes apetecia uma garrafa de água das pedras que não se estão a sentir muito bem. É sobretudo na noite que os homens e as mulheres são mais iguais, como se tivessem com uma daquelas batas aos quadradinhos que davam nos colégios dos meninos ricos, de forma a que, precisamente, se pudessem corrigir as desigualdades sociais que muitas das vezes se verificavam na roupa que usavam. À noite, ricos e pobres têm sempre dinheiro para beber uma cerveja e só se percebe a tal diferença social quando um deles pede um whisky velho e o outro começa a dizer que se esqueceu do dinheiro em casa mas que para a semana paga.


Quanto aos miúdos, nada a fazer. A noite será sempre dominada por eles no geral e por elas, em particular. O problema da noite com os miúdos é só um: Não têm dinheiro. E o problema dos adultos com os miúdos é terem dinheiro mas não serem já miúdos. Para um miúdo é muito raro sair à noite e não se divertir muito com poucas cervejas, mas para um adulto, são poucos os sítios onde se divertem e muitos os whiskies necessários para o conseguirem. Daí que os adultos falem tanto dos miúdos como se nunca tivessem saído à noite com a idade deles, do mesmo modo, que às vezes parece que os nossos pais nunca foram filhos, pois caso contrário, ao saber o que é estar deste lado, perceberiam que é mais o que natural não ir dormir a casa sem avisar ou chegar a casa com uma honrosa embriaguez.


Daí que seja verdade que à noite são sempre as mesmas pessoas (não esqueçam o caso do meu amigo de longa data) mas totalmente falso que exista um excesso de miúdos a frequentá-la. Os miúdos são sempre em igual número e vão-se revezando. Nós é que crescemos, deixando de ser miúdos para agora os ter, não na noite, mas se tudo correr como o previsto, na cama do hospital.

Thursday, July 03, 2008

É hoje, É hoje no Maxime em Lisboa. Sem Playback.


Tirem do armário as sabrinas, os macacões azul-piscina, o casaco brilhante... Não, não é uma cena dos anos 80...não vamos para o arraial mas sim para a discoteca. O som “cool” made in Portugal para mostrar que a canção portuguesa não é só festival.


No início da década de 80 as ondas hertzianas traziam até nós os primeiros acordes da Pop que se fazia “no estrangeiro”, ao mesmo tempo nascia o rock português e o festival RTP da canção era instituição nacional acima de qualquer suspeita. Por essa altura, um dos mais prolíferos compositores e letristas portugueses escrevia algumas das canções que viriam a definir o imaginário da canção ligeira portuguesa dos anos 80.


Tendo concluído a licenciatura em Medicina, na Universidade de Coimbra, Carlos Paião cedo abandonou a carreira por amor à música, nas palavras do cantor “prefiro ser um bom músico, ao invés de ser um mau médico”. Dono de um humor inteligente, ainda hoje actual, tornou-se o cérebro e a mão por detrás do repertório de figuras eminentes do entretenimento nacional, chegando a escrever por exemplo para Amália Rodrigues, conhecida apreciadora das suas letras.Sem promover um saudosismo bucólico ou nostálgico da memória de Carlos Paião, Sem Playback quer relembrar e dar a conhecer às gerações mais novas um pouco da obra deste artista que, durante a sua curta carreira compôs mais de 500 canções.


Sem playback é um concurso / espectáculo musical em que 8 concorrentes / cantores interpretarão outras tantas canções de Paião. A originalidade e criatividade serão os critérios preponderantes para a avaliação das interpretações. Uma banda suporte assegurará ao vivo a base instrumental, trabalhando novos arranjos, trazendo para a actualidade a riqueza e diversidade do repertório do autor.


A música salta depois para a pista de dança, onde um colectivo de Djs vai redescobrir e desenterrar outros tesouros da canção ligeira portuguesa das últimas décadas.O espectáculo realizar-se-á no dia 3 de Julho de 2008 no Cabaret Maxime em Lisboa.
A entrada custa 5 euros. Isto é organizado pelos alunos da Restart. O apresentador escolhido foi aqui o rapaz. Venham daí!

Toda a gente viu!




Existe um hábito em Portugal - e presumo que em todo o mundo também - de dizer que toda a gente viu, como se esta expressão, pudesse por si só, ser suficiente para justificar uma qualquer acção ou acontecimento. E quando me dizem “Toda a gente viu” é certinho que eu pergunte: Quem é toda a gente?

E aí, quem quer que seja, reage normalmente com espanto e uma espécie de indignação falsa para ganhar tempo para a resposta. Quem é toda a gente? – pergunta, como se tivesse ouvido mal. Quem é toda gente? Repete de novo, enquanto processa uma resposta válida. E quando o tempo se esgotou e se ouve o silvo metálico da verdade, afinal é só um ou dois. Ou só um. Ou não é nenhum mas é como se fosse toda a gente.


E aí, deito as mãos ao cachimbo, faço arder bem as folhas de tabaco e pergunto no meio do nevoeiro: “Mas espere lá, toda a gente viu? Ou “ Toda a gente sabe?”. É que embora as duas afirmações comecem de forma idêntica usam verbos diferentes. E isso muda tudo. Porque ninguém me garante que algo que "toda a gente sabe, toda a gente viu".Se é que me faço entender. Isto é, há muita coisa que se sabe a partir de informações de gente que não viu, que só sabe. E isto é um problema.

Mas esperem. Mesmo que toda a gente tenha visto, isso não quer dizer que seja verdade o que viram ou que não sejam necessárias provas daquilo que afirmam. Reparem no exemplo: O Mantorras vai isolado na grande área, ao perceber que o guarda redes sai aos seus pés, Mantorras agita a bola para a direita fugindo ao embate com aquele bruta-montes e depois desfere um poderoso remate,que escandalosamente bate na trave ( meninas, não é no poste, é na trave), na parte interior da trave, nos gémeos da trave e embate caprichosamente na linha do golo. Evidentemente, que toda a gente no estádio grita "Golo!" e "Viva o Benfica" e "O mantorras é o maior" e, quando o árbitro diz que afinal a bola não entrou, dizem logo que a sua mãe trabalha numa actividade ao ar livre e isenta de impostos. Que foi golo e que toda a gente viu! Que é uma vergonha e que toda a gente viu, que toda a gente fala e toda a gente sabe que foi golo sim senhor! Que a bola bateu para lá da linha.Que é golo e que é do Benfica!

E chegados a casa, ao ver o Domingo Desportivo – que embora não exista há mais de 10 anos eu gosto de continuar a chamar Domingo Desportivo - percebemos que o árbitro estava cobertinho de razão quando vemos a repetição mais do que uma vez, ainda tentando negar aquilo que vemos mas percebendo que a bola não entrou não senhor e que afinal o que toda a gente viu não era verdade.

Tuesday, July 01, 2008

14ª Festival Termómetro. De 25 a 18 de Outubro. Inscrições Abertas.




14ª Festival Termómetro. De 25 de Setembro a 18 de Outubro. Inscrições Abertas.

Estão abertas as inscrições para a 14ªedição do Festival Termómetro que este ano se realiza entre os dias 25 de Setembro e 18 de Outubro. Todas as bandas ou artistas, nacionais ou estrangeiros, com ou sem discos editados, poderão participar, devendo para isso fazer chegar o quanto antes uma maquete com 3 temas originais para:

Festival Termómetro
Apartado 15154
1074-004 Lisboa


Para acelerar o processo, basta que a banda ou artista nos indique o seu endereço no myspace e uma declaração que afirme a sua vontade de participar. De uma forma ou de outra ( maquete ou via myspace) é obrigatório que anexem uma foto e biografia actualizada da formação. Os resultados serão divulgados a 15 de Setembro em ww.termometro-online.com, o site oficial.



Eis as bandas que venceram cada uma das edições do Festival Termómetro, com excepção do ano 2001, onde tirámos uma licença sabática. Desde 1994


1994 BLIND ZERO (Site Oficial / Wikipedia) 1995 BAD LEGACY 1996 SILENCE FOUR (Wikipedia)1997 FEED (Site Oficial) 1998 BIG FAT MAMMA (Wikipedia)1999 SLAMO (MySpace) 2000 RITA CARDOSO2002 STOWAWAYS (MySpace) 2003 ALLA POLACCA (Site Oficial / MySpace) 2004 SINAPSE2005 MAZGANI (Site Oficial / MySpace) 2006 YESTERDAY2007 FÁBRICA DE SONHOS


Até 2005 o Festival denominou-se “Termómetro Unplugged” mas, com a abolição da clausula que obrigava a utilização de instrumentos acústicos, passou a chamar-se “Termómetro” . Uma nova denominação que significa que todos, sem excepção, poderão participar com os seus projectos, não havendo assim nenhuma restrição ou condionamento.Eis também, algumas das bandas mais significativas que por aqui passaram:Ornatos Violeta (Wikipedia / Site Oficial / MySpace)Alucina Eugénio Terrakota (MySpace / Site Oficial / Wikipedia) Sloppy Joe (Site Oficial / MySpace) Astonishing Urbana Fall e Olive Tree (MySpace)


Assim, pede-se a todos que nos ajudem na divulgação do presente bem como no reencaminhamento desta notícia a todos os que achem que podem estar interessados.


Para outras informações, contactar o 91 440 41 58 ou em http://www.termometro-online.com/.