Friday, February 22, 2008

Pergunta proíbida para curiosos


Quero falar contigo? – diz-me. E eu, do outro lado, pergunto-lhe: Ai sim, sobre o quê? Ao que ela me responde “ É uma coisa importante, mas agora não posso falar. Ligo-te amanhã”. E pronto, bastou isto para me deixar inquieto e com vontade de lhe meter as mãos ao pescoço enquanto lhe digo “ ai agora vais dizer, ai agora vais dizer!” e ela roxa “ ai agora vais dizer” e a língua já de fora “ ai agora vais dizer” e as pernas dela a contorcerem-se como se fossem lenços brancos em sinal de rendição “ ai vais falar, vais” e a vizinhança a vir à janela “ Deixe a miúda senhor! Largue a rapariga que é muito nova”. E eu que sou bom rapaz e nestas coisas um coração mole, lá a largo ao seu destino na promessa de que me ligue o quanto antes para me dizer o que queria. Aliás, mandasse eu nisto – e já estive mais longe – e todas e quaisquer pessoas que despertassem a curiosidade de alguém desta forma, seriam detidas para interrogações e obrigadas a dizerem tudo aquilo que iam dizer mas que por um qualquer motivo não o fizeram.


Para mim, se começam têm que acabar. E não me venham cá com histórias de que “ me arrependi do que ia a dizer” que eu não me conformo. Está dito, está dito, depois de começar não há forma de voltar atrás. Por isso, o único modo que eu tolero para voltar atrás é precisamente nem sequer começar. Por isso não comecem, se não querem acabar. Seria a mesma coisa que eu dizer que vos iria aqui revelar um grande segredo e a meio do texto, só porque me apetece, anunciar que afinal me tinha arrependido e já nada iria dizer. Ora essa, aposto que não seriam poucos aqueles que me quereriam deitar ao mão ao pescoço. E eu não gosto disso, excepto em raríssimas situações de que me escuso agora a falar.


Adiante. Todos nós, quer queiramos ou não, somos muito curiosos e isto vem desde o ancestral olhar pelo buraco da fechadura. E não me venham agora dizer que nunca o fizeram porque eu sei que sim. Senão vejamos, quem nunca olhou pelo buraco da fechadura da porta de casa, para ver quem acaba de entrar na casa do vizinho da frente? Quem nunca, de forma sorrateira, tirou as medidas à prima, acabadinha de sair do duche? Quem nunca espreitou pelos buracos das persianas para perceber o que se estava a passar na rua aquelas horas?

Eu sei que custa a aceitar – custa pois - mas entre todas as perguntas que não se podem fazer a alguém curioso como eu – e eu sou mesmo muito curioso - há uma que me merece particular destaque. É a chamada pergunta proibida para curiosos. Mas é a pergunta. A pergunta, ouviram bem? A questão que todos parariam tudo o que estavam a fazer, para ouvirem a resposta. Ai que agora não, que estou muito ocupado e tal, mas que ao ouvirem-na – a pergunta pois - perceberiam que nada seria mais importante do que ouvir a resposta. E eu poderia dá-la já aqui. Dizer qual era a pergunta. E aposto, aposto com todos, que de um lado ao outro do país diriam que eu teria razão. Que esta é sem dúvida a pergunta a que ninguém fica indiferente. Que é muito bem visto, sim senhor. E que mesmo aqueles que anunciam sem qualquer pudor, que não se deixam mover pela curiosidade, cederiam à quase humilhação, de rogarem que eu aqui a revelasse. Mas porque eu acho que a redacção do metro, precisa de um dia animado e diferente de todos os outros, proponho que escrevam para editorial@metroportugal.com e lhes peçam a resposta. Nesta caso, a pergunta. A esta altura, já todos a saberão. Excepto, vocês. Não acham isto curioso?

13 comments:

  1. FENOMENALLLLLLLLLL ALVIMMMMMMMM LOL

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  2. Acho isto excelente de ler assim como o fiz: de seguida, como se tivesse muita pressa, como se quisesse REALMENTE SABER!

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  3. Mas Afinal qual é a pergunta??? (se é que não é esta a pergunta...)

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  4. Eu diria que é caso para a partir de agora olhares por cima dos ombros e saberes muito bem qual é a tua sombra...porque se alguém te apanha...vais ficar roxo...ai vais vais!!!!

    LOL

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  5. Ora essa, aposto que não seriam poucos aqueles que me quereriam deitar ao mão ao pescoço. E eu não gosto disso, excepto em raríssimas situações de que me escuso agora a falar.
    ---------------------------

    AGORA CONTA....SENÃO NÃO TINHAS COMEÇADO!

    LOL

    bRUTAL!

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  6. Oh ALvim, sinceramente, lá porque alguém te deixou pendurado, e não te disse logo uma coisa, deixando-te curioso...não quer dizer que agora tenhas de te vingar nos leitores do teu blog!!!!!!
    És indecente!
    haha

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  7. Vai colher morangos que eu apalho-te distraído!!! LOL

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  8. pronto, estás satisfeito?
    conseguist fazer com que todos os leitores ficassem como tu na altura...curiosos!
    bah!

    enfim...és tu!
    e o texto está fanástico! como sempre :)

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  9. Alvim, não se escreve "proíbido" mas sim "proibido".

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  10. É muito curioso é... eu é que esotu curiosa desde o metro da semana passada. Não mandei mail porque não quis ceder, mas podias... Alvim, vá lá... conta lá...

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  11. Eu acho...e corrijam-me se estiver errado! que a questão é mesmo essa...a questão de saber qual é a questão!

    Quando se inicia uma qualquer pergunta e depois não e continua ... fica no ar aduvida de quê?
    - De qual a questão que iria ser levantada!

    Nete caso o Alvim e bem despoltou a nossa curiosidade acerca do teor da questão!
    Essa na minha opinião é a mãe de todas as perguntas !

    A Pergunta de saber qual é a pergunta!

    =)

    Uma vez mais acho que estes desvaneios clássicos do Alvim têm algum fundamento, embora algo "Psicoticos" !
    lol
    Com os melhores cumprimentos

    Ze Pequeno

    http://caetanense.blogspot.com

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  12. Onde é que eu já fiz isto??? :p

    Desculpa lá... PAra a próxima conto tudo de uma vez :)

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