Wednesday, June 16, 2010

Amor de língua


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Sou a favor dos beijos com língua. Sou contra os xoxos. Pronto, podem-me prender. Onde é que a esquadra mais próxima? Estão aqui as minhas duas mãos, ficarei na cela que me propuserem. Mas antes disso, deixem que me explique, fazendo de todos os que agora estão a ler isto – e gosto de pensar que são muitos - uma espécie de jurados à americana, como nas séries, como na televisão. De modo que é isto, não gosto de xoxos. Para começar, porque nunca sei como é que se escreve. Depois, porque só a palavra em si, é com boa verdade, chochinha. Quando os chochos chegam a uma relação, algo vai mal. E tenho reparado que são muitos os casais a despedirem-se com um, quando se separam para o emprego. É o clássico, o carro pára, um deles deixa o outro no local do emprego, diz-se até logo e cá está, como diria Gabriel Alves “ ohhhhhh, um xooooxinhhho caro telespectador, aí está uma perfeita leitura de jogo, e aqui o temos, um chocho de grande amplitude técnica! Uma maravilha, um hino aos que beijam por esse Portugal fora!”. Mentira, Gabriel Alves nunca diria uma coisa destas, pois tal como eu, sabe que um chocho nunca pode ter qualquer espécie de amplitude técnica. Quando muito, o chocho é o primeiro passo para o beijo na testa. E isso dava eu à minha avó, que Deus a tenha.

Por isso sou tão contra e só admito o chocho em situações de iminente exposição pública. O caso do carro, não é suficiente exposição. Um homem ao despedir-se da sua mulher, deve no mínimo, dar um pouco da sua língua. E ela também. O amor não pode ser celebrado com um chocho. O amor tem que ter língua. E esta deve ser usada, que é para isso que ela serve.

O problema do amor, é ter deixado a língua cá dentro. De a ter retraído com o passar do tempo. De a ter cativa na sua boca. O amor, esse que nos encosta à parede e nos apressa os compassos cardiovasculares e nos tira a roupa e nos desmancha a cama e nos faz não atender o telefone – porque é que nos ligam sempre a estas horas? – esse amor de que agora falo, que nos faz sentir vontade de chegarmos a casa mais cedo e mandarmos uma sms a dizer que estamos inquietos no trabalho só de pensar que daqui a pouco estaremos juntos – E vamos estar juntos - e telefonar só para ouvir a voz do outro, e mandar uma tosta mista para o emprego dela com um papel a dizer “ Toma, é para ti!” , esse amor ouçam : esse amor, precisa de língua. E por isso mesmo, nunca se poderá celebrar com um chochinho!

18 comments:

  1. Confesso que, pela minha experiencia... sempre achei que eras mais a favor do chocho (ou xoxo)...

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  2. São posts como este que me fazem vir espreitar o teu blog!!!!

    Concordo! Nunca é demais mostrar o que vai dentro da alma. O que interessa é mesmo viver o amor! Aliás, viver a vida na sua intensidade...porque...sem esperarmos...foi-se tudo...e, perde-se muito mais que um beijo com ou sem língua...

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  3. amor ou paixão? what the hell, nada é eterno! Vivam os beijos com língua!

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  4. :) lindo, lindo e mais lindo.
    that's my boy!

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  5. pois é...tambem noto isso na minha relaçao, so quando ha paixao\tesao é que a lingua sai ca para fora. Tá mal! eu bem me queixo :P

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  6. Alvim, um eterno romantico :)
    es o maior

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  7. lindo!!!!!
    e se assim amas, sempre, passaste a ser o meu herói!!!!

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  8. vou só fazer um copy paste para o meu estaminé, que é como fazer um like nos blogs!:)fica descansado q vai assinado por ti!:)

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  9. Queria saber escrever assim de amor. E línguas.

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  10. E quem fala, escreve e beija assim não é gago! Bem hajam os que amam arrebatadamente

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  11. post absolutamente adorável!!

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  12. também me irrita o facto de não saber como se escreve «xoxo», por isso dou logo um beijo com lingua porque já sei como se escreve «linguado». Sempre grande Alvim!

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  13. o problema não será tanto o xoxo ou o beijo - própriamente dito. É que hoje em dia ja muito pouca gente ama assim.

    Grande Alvim! abraço

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