
Existe uma palavra que mais nenhum país tem e essa palavra não é saudade. A ideia romântica que só existe saudade em Portugal não passa disso mesmo. Em todo o mundo existe saudade, só que a exemplo do que acontece com os filmes coreanos aquela rapaziada tem a mania de dizer por muitas palavras o que podiam dizer só com uma. Em Portugal não há tempo para isso e por uma questão de economia verbal instituísse desde cedo dizer tudo só com uma. E bem. Os coreanos dizem "sabes chego a casa e sinto um vazio enorme, existe demasiado espaço na cama, no sofá, no corredor, na sala em frente ao televisor, existe demasiado espaço quanto tu não estás" quando em português a coisa se simplifica com um objectivo "sinto saudades tuas, sua palerma". A língua inglesa está mais perto quando nos copia e diz " I miss you" o que vai dar ao mesmo e não anda ali a brincar na areia. Agora, experimentem lá encontrar uma expressão em inglês similar a " obrigadinho". Ah? Pois pois, não existe. E o que mais perto disto poderão encontrar será " Thank You very much!" que, com verdade, não é mesma coisa. Isto é, dava jeito haver um "inho" para as outras línguas mas o "inho" – e agora imaginem-me a falar de peito aberto no miradouro de Monsanto – O "inho" é nosso e deveria ser criada com urgência uma qualquer associação de defesa do "Inho" Português.
Sem precisar de uma enciclopédia de língua portuguesa ou outro qualquer compêndio que me explique, é fácil perceber que o "inho" provêm da palavra " Carinho"e não há nada que os portugueses sintam mais carinho do que com os filhos, com os amigos e com a comida. A Tv Cabo, por exemplo, percebeu isso antes de todos e há relativamente pouco tempo, lançou uma campanha onde celebrizou a "Teresinha" da Tv cabo. Há coisas fantásticas, não há? Pois há. E vos garanto, que a campanha não teria o mesmo efeito se em vez da "Teresinha" nos apresentassem simplesmente a "Teresa" da Tv cabo. Diferente, não é? Do mesmo modo que quando me convidam a beber uma cerveja em pleno final de tarde na Zambujeira não raras vezes torço o nariz, mudando tudo, quando simplesmente me dizem "E que tal se fossemos beber uma cervejinha?". São duas se faz favor e um pratinho de tremoços se não se importa. Daí que os melhores cafés e restaurantes são aqueles que tratam os seus clientes com carinho e que em resultado disso nos fazem perguntas como se nos tivessem a fazer cafuné na cabeça: "O senhor doutor, quer um cafezinho? Vai querer sopinha? Vai uma aguardentezinha? Quer experimentar o cabritinho com batatinhas que está uma delícia? Quer que lhe traga a continha? E, se por algum motivo, omitem a terminologia "inho" num qualquer substantivo como "docinho de mel" é certinho que compensam a sua falta com igual termo ainda na mesma frase. Tal como: O senhor doutor quer que mande vir um doce de mel – cá está, é agora é agora – para o seu filhinho? Não, deixe estar que lhe faz mal aos dentinhos.
Se bem que – e agora que penso nisto raios – o " inho" pode ser letal quando usado sem carícia. E este diminutivo que quando associado ao carinho nos engrandece basta estar torcido, para – como é da sua genética – diminuir. São os casos de "Esse senhor é um escritorzinho! Essa rapariga é uma enfermeirazinha!
Saramago em visita recente lembrou-nos isto mesmo. Que este obrigadinho é nosso e que os espanhóis nunca o compreenderão porque não o têm do mesmo modo que muita gente não compreende que uma pessoa que com um modesto salário possa ter aquela casa e dois veículos com matrícula alemã à porta. E porquê? Porque não os têm. E posto isto, se não se importam, obrigadinho.
Então adeusinho...
ReplyDeletealvimzinho, muito obrigadinha por mais um postzinho muito engraçadinho e cheinho de verdadinha, muito animadinho que só tuzinho sabes escrever e que euzinha adoro ler quase todos os diazinhos. é pena que não escrevas mesmo todos os diazinhos, senão não saía daqui deste cantinho!
ReplyDeletebjinhos ;)
ah e obrigadinha!!! :)