Umas férias
Aquelas que um dia irei fazer à Áustralia com o prémio da raspadinha. Um dia, quem sabe.
Uma ideia
Mais miúdas em calções de ganga. Os meus olhos agradecem
Uma asneira
Pessoas que te adicionam no facebook e não te dizem olá na vida real. Um dos grandes dramas da sociedade moderna
Uma paixão
As férias de verão enquanto adolescente. 3 meses a jogar futebol, andar de bicicleta e a ir para praia até desejar que as aulas começassem novamente.
Uma curiosidade
Aprendi o meu primeiro doce em 2015. Pudim de pão.
Uma pergunta
Gostas de arroz de cabidela?
Uma resposta
Estudasses.
Uma lição
O molho de francesinha fica melhor sem sopa de rabo de boi ou knorr.
Uma aventura
Masturbação com a mão esquerda.
Um segredo
Tomar banho antes de ir para a cama.
Uma invenção
Cerveja que não engorde.
Um desabafo
Adoro mulheres.
Um problema
Não ter tempo para fazer tudo o que gostaria.
Um lema
Party Hard
Monday, June 15, 2015
Monday, March 30, 2015
João Gesta, programador cultural, responde ao Inquérito do Fernando Alvim
Umas férias
Primeira viagem a Marrocos. 19 anos. Pensão “A ideal de Tetuán”. Um terraço e um saco-cama. Muito calor. Caldos de galinha e bolinhos de haxixe. Vísceras pró mar.
Uma ideia
“Reconquistar Portugal aos touros.” (Daniel Maia-Pinto Rodrigues)
Uma asneira
Uma vez, nas Antas, o Gomes fintou três ou quatro e meteu um golo magistral. O meu compincha de bancada, virado para mim, comentou embevecido: - O estupor do caralho é de uma raça fodida!!!
Uma paixão
Cozido à portuguesa, regado com coca-cola. Já agora, se não for pedir muito, servido pela Madonna. Vestida.
Uma curiosidade
Karl Marx detestava papas de sarrabulho e a família sabia.
Uma pergunta
Portugal tem cotas leiteiras. E tu?
Uma resposta
Uma vez, fim de noite de copos, perguntei a uma amiga:
- Queres dormir comigo?
Ela respondeu-me, sem tergiversar:
- Para dormir já me basta o meu marido.
Uma lição
Aprendi com Mário Cesariny:
- “O amor é uma rua muito sossegada onde só se passou uma vez.”
Uma aventura
Tentar não engravidar ninguém, à hora de ponta, no autocarro para a Maia. O 600, isso mesmo.
Um segredo
O rabo é o ópio do povo. Mas, por favor, não digam nada ao SIS.
Um desabafo
Agora que a Angela (sim, sim, essa toda, essa tola) fez a depilação pode ser que o juro da dívida a dois séculos baixe.
Um problema
Pagar a segurança social atempadamente. Um exercício que se revela difícil mesmo para os mais abonados. (este Gesta é mesmo um diplomata, um cavalheiro…)
Gostas de mim?
Pouco. Gosto mais do torneiro-mecânico do quarto-esquerdo. É, (como explicar-te?), mais agressivo com a ferramenta.
Sunday, March 22, 2015
Sofia Marques Ferreira, artista de videoarte, responde ao Inquérito do Fernando Alvim
UMAS FÉRIAS
Escolher um único destino é difícil, porque viajar é um vício. A escolher, é Goa, onde foram as tais férias. O lugar que não pertence a lado nenhum e ao mesmo tempo a todos. Goa é como chegar à “praia secreta”. Estás cansada com vários kilos às costas, envolta em sujidade típica dos comboios indianos, esfomeada por um bife, e assim, sem pedires e esperares, Goa oferece-te o impossível de fabricar. No primeiro dia, quando pensas “Uau, isto é incrível!”, ainda nem começou e é completamente imprevísivel. É como Goa escolhesse as pessoas. Cada uma com que te cruzas, há uma grande história, uma lição.
UMA IDEIA
Dar um sonho aos políticos.
UMA ASNEIRA
Achar que o meu corpo ainda tem 18 anos quando danço.
UMA PAIXÃO
Criar, preparar, soltar, desidratar, vibrar, atingir, concretizar “a imagem” com vídeo ou fotografia. Aquela imagem que precipita tudo, aquela que é o trigger que antecipa a narrativa.
UMA CURIOSIDADE
Quando o meu primeiro irmão nasceu e tive-o nos meus braços, senti algo único, inexplicável, algo que não vem nos livros, só se sente, uma ligação para a vida. Agora, tem 18 anos, está na universidade, com uma namorada giríssima, fala com bom senso, inteligência e unicidade, e eu estou ali. A vida têm destas coisas boas.
UMA PERGUNTA
Qual é o sentido da vida?
UMA RESPOSTA
É o teu sentido, de preferência à Monty Python.
UMA LIÇÃO
Não esperes demasiado. Não corras demasiado. Just do it. On time.
UMA AVENTURA
Em pleno Rio de Janeiro, a grande cidade, quente, brisa tropical, que cola na pele. Entre amigos, decidimos apanhar o bus para chegar rapidamente à praia. Um mergulho era essencial! O bus começa a subir, a subir, e daí, alerta! Alguém me disse, lembro-me, nunca subir às colinas do Rio. Sim, acabámos na maior favela, a Rocinha. Sobrevivemos com uma história e muitos personagens para contar.
UM SEGREDO
O grande Alvim gosta de hghjdsfbjshl779dkds! Pois. É verdade.
UMA INVENÇÃO
As vespas vermelhas! O vento na cara sabe sempre melhor numa vespa PK50 clássica, vermelha. É um facto.
UM DESABAFO
Vamos lá produzir coisas novas nos palcos/telas portuguesas. É urgente respirar e não repetir vezes sem conta. Onde estão os apoios aos emergentes, onde está a cultura neste país? É urgente apostar, é urgente dar espaço à diversidade. Também isto é a nossa identidade, não somos só as contas. Eu, definitivamente, não sou só a minha conta da eletricidade. Vamos lá também pensar nisto, a que chamamos “cultura”. Há o risco de qualquer dia já não respirarmos, nem nos lembramos quem fomos, somos. (Ufa! Ainda respiro.)
UM PROBLEMA
Lixo. Há qualquer coisa de errado com a quantidade de lixo que nasce e perdura em cada canto de Lisboa.
UM DESEJO
Sejam crianças! We are together. We are ONE.
UM PROVÉRBIO
“Never forget your dream”. Já não recordo quem me disse esta frase. Mas sim, o sonho comanda a vida.
Thursday, March 19, 2015
O poeta António Pedro Ribeiro faz o Balanço Vital do Fernando Alvim
5 FACTOS QUE ME ACONTECERAM
1) Braga, Setembro de 1990. Eu cantava na banda Ébrios e escrevia para um jornal de Braga. O director do jornal propôs-me escrever um artigo contra o hipermercado "Feira Nova" que tinha um conflito com o jornal. Em vez disso, dirijo-me de manhã cedo ao jornal e sugiro que se distribuam panfletos anti-consumistas e contra as grandes superfícies no hipermercado. Assim se fez. Os jornais de Braga publicam a minha foto e colocam o título "Che Guevara manda fechar o hipermercado". Vou a passar na rua e há pessoas a fugir de mim, os operários largam as obras, na Avenida Central os velhotes fazem-me continência. Parecia uma revolução.
2) Póvoa de Varzim, 2003. A Câmara da Póvoa de Varzim edifica uma estátua do major Mota, presidente da Câmara no tempo da ditadura e Comandante da Legião Portuguesa. Eu, sozinho, em nome duma Frente Guevarista Libertária, distribuo panfletos à população contra a estátua e em defesa do 25 de Abril. Passados 3 meses a estátua cai. A Câmara acusa-me de ser autor do acto. Sou chamado à Polícia Judiciária. Não há provas. Os inspectores passam duas horas a falar comigo do Fidel Castro e do Che Guevara.
3) Póvoa de Varzim, 2011. Sou acusado de ser co-autor do blogue "Povoaonline" que acusa o ex-presidente da Câmara da Póvoa, Macedo Vieira, de corrupção. Sou levado a tribunal. Saio ilibado. Não chego a ir a julgamento.
4) Festival de Paredes de Coura, 2006. Digo poesia ao lado de Adolfo Luxúria Canibal e de Isaque Ferreira. O Centro Cultural de Paredes de Coura a abarrotar. Digo "When The Music's Over" de Jim Morrison, "Borboletas" e "Declaração de Amor ao Primeiro-Ministro", o meu grande êxito, editado pelo Valter Hugo Mãe. Falo de Deus, da infância, da minha mãe, dos vícios que ganhei e que, aos 18, não tinha. O público ri, grita, intervém, ovaciona. Foi a melhor actuação da minha vida.
5) Braga, 1984. Um amigo meu, o Jorge Pereira, empresta-me o disco "Strange Days" dos Doors. Eu já conhecia os Pink Floyd e as letras contestatárias do Roger Waters mas quando ouvi aquele álbum, especialmente a longa canção "When The Music's Over" e quando o Jim Morrison gritava "We want the world and we want it...NOW!", bem, todas as missas acabavam ali, todas as infâncias acabavam ali, um novo mundo se inaugurava, um mundo de liberdade e descoberta, um mundo de revolta contra o instituído, um mundo de portas abertas.
5 EVENTOS QUE ME PROPONHO REALIZAR
1) Gostava de criar um jornal panfletário, revolucionário e cultural.
2) Gostava de voltar a actuar no Festival de Paredes de Coura ou noutro.
3) Gostava de um mundo livre, sem repressão, sem castração, sem controle, onde os homens e as mulheres se tratassem como iguais, onde acabasse o primado do dinheiro e da economia.
4) Gostava de ser mais reconhecido.
5) Gostava de ser um filósofo.
Sunday, March 08, 2015
Filipa Leal, poeta, jornalista e guionista, responde ao Inquérito do Fernando Alvim
- Umas férias
Três semanas que passei, de mochila às costas, na Tailândia. Atravessei rios de elefante, fiz rafting em jangadas de bamboo, dormi numa tribo. Era, como a Floribella, “rica em sonhos e pobre em ouro”, por isso fiquei em verdadeiras espeluncas. Claro que apanhei sarna. Mas não me arrependo. Apanhar sarna na Tailândia é chique.
- Uma ideia
O Jorge de Sousa Braga tinha um plano nacional: “que fôssemos todos a Ceuta à procura do olho que Camões lá deixou”. Eu proponho que, doravante, se retire a última palavra d’Os Lusíadas. Ouvi dizer que é “inveja”.
- Uma asneira
Não sei se isto se pode dizer neste inquérito, mas como já vi a frase integrada em obra de arte, aqui vai: “Eu sei lá se é o Chinês ou se é o caralho; eu sei lá, menina!”. (A frase é de uma senhora da minha terra. O que mais adoro é o “menina” que se segue ao palavrão, com a mesma naturalidade.)
- Uma paixão
O cheiro da esteva na Zambujeira do Mar, com uma garrafa de vinho branco e bons amigos.
- Uma curiosidade
Durante muitos anos, pensei que a família do Snoopy se chamasse “Piánútz”. Fiquei muito espantada quando descobri que a palavra era a mesma dos amendoins e se lia assim: peanuts. Ainda hoje, não percebo.
- Uma pergunta
“O que acham que o poeta quer transmitir com estas frases?” (Elia Kazan, “Esplendor na Relva”)
- Uma resposta
“Ainda assim, prefiro ganhar.” (Tó Carlos, “Axiomática Futebolística”. Ed. Tea for one)
- Uma lição
O melhor sítio do mundo para ver estrelas cadentes é o Vale Formoso.
- Uma aventura
Atravessar Lisboa à chuva para conhecer a Adília Lopes e ela não estar lá.
- Um segredo
- Há um quarto de hotel no Porto que tem versos meus no tecto. Juro. É a Suite Avenue FL, na Casa do Conto (Rua da Boavista).
- Uma invenção
Uma máquina bondosa que permitisse que as pessoas da mesma família morressem todas com 150 anos, e ao mesmo tempo.
- Um desabafo
Portugal, o teu produto interno é bruto.
- Um problema
A Maitê Proença publicou um livro que se chama “É duro ser cabra na Etiópia”. Foi em 2013. Eu não li, mas deve ser interessante, sobretudo a avaliar pela capa. Aquilo não é uma cabra. A mim, parece-me uma avestruz. Acho que isto é um problema para Portugal e para os Portugueses.
- Finalmente um item ou dois que o convidado deste inquérito deve acrescentar: como se tivesse a perguntar a si próprio algo e a dar a resposta logo a seguir, como se achasse que nestes inquéritos este item por vocês criado devesse começar a ser incluído). Podem também fazer uma pergunta a vocês próprios e isso conta como item.
Quem é Deus? É um amigo da minha Mãe.
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