14 a 17 AGOSTO | BONS SONS'14 | CEM SOLDOS - TOMAR
Monday, August 11, 2014
Friday, August 08, 2014
Quanto tempo mais vais ficar do lado da plateia?
Inscreve-te no Curso Profissional de Actores da ACT e salta para o palco!
3ª fase de inscrições - até dia 15 de Setembro
Informa-te em: http://www.act-escoladeactores.com/curso-profissional
ACT SCHOOL
Complexo LxFactory
Rua Rodrigues Faria, 103
Edificio I - 0.2
1300-501 Lisboa
Tel: 21 301 01 68 Telm: 93 785 25 55
Monday, August 04, 2014
Em Agosto há Fusing Culture Experience
Figueira da Foz
14, 15 e 16 de Agosto
Paus, YCWCB, Dead Combo, Capicua
First Breath After Coma e For Pete Sake
Wednesday, July 30, 2014
O Balanço Vital desta semana é com a Catarina Tomaz
O Balanço Vital desta semana é com a Catarina Tomaz - pessoa ligada ao marketing e agora também à joalharia (Bergue & Co Atelier Boutique)
1. O DIA EM QUE NASCIPorque sem esse dia não estaria aqui a fazer este balanço vital. Porque, não o dia, mas o local, terá marcado parte de mim e explica muita coisa. Nasci no Zimbabué, num hospital inglês, em novembro, num dia de verão...
2. O DIA EM QUE CRESCIAté aí tinha sido apenas uma gaiata descontraída. No final do 8oano chumbei, por uma unha negra, teriam bastado mais 5% numa nota final de história e tudo teria sido diferente... para pior! A mediocridade deu lugar à exigência e à vontade de ser e de fazer acontecer. Uns anos mais tarde, um professor definia-me como “ perseverante, constante e tenaz”. Não esqueci estas palavras, que foram uma espécie de reconhecimento do meu novo eu.
3. O DIA EM QUE COMECEIA minha vida adulta começou no meu primeiro dia de trabalho, com um contrato e remuneração mensal. Aos 23 anos iniciava a minha carreira profissional numa multinacional. O meu sucesso dependeria acima de tudo de mim. Sentia-me plena e confiante. 1 ano depois saí de casa dos meus pais, 1 ano depois casei-me, 1 ano depois fui mãe...
4. O DIA EM QUE EMIGREICheguei ao aeroporto sem poder tirar os óculos escuros... Para trás, a minha casa, a minha família, os meus amigos... Pela frente, tudo! Mas só com o tempo perceberia. Paris foi o destino e ao fim de 4 anos vivi tudo ao contrário, regressava à pátria com saudades da minha casa, dos meus amigos e de tudo o que tinha vivido.
5. O DIA DE HOJE
5 PROJETOS- Exercer o Livre-arbítrioAs escolhas que vamos fazendo condicionam as outras. Cada ciclo deve ter um foco. Quando acabar este quero romper, experimentar novos caminhos. Servir outras causas.- Dar a volta ao mundo em 10 anos- Ser vendedora de ideias- Escrever um livro- ter uma exposição de fotografia
Monday, July 28, 2014
A confissão que já se impunha
Na agenda cultural da 1ª temporada do El Corte Inglés Portugal, a confissão que já se impunha:
O que eu me lembro é isto. Uma tarde em que chovia muito. Eu tinha 10 anos. Minto. Eu tinha 9 anos. Minto. Eu tinha, 8 anos. Nessa altura, lembro-me bem que se falava muito ainda na guerra fria e no terceiro segredo de Fátima que todos vaticinavam ser a terceira grande guerra. Já então não queria morrer nem que o mundo o fizesse.
Eu tinha 8 anos recordo-vos e no Natal e também no verão, a minha família toda, a família Alvim reunia-se em Melgaço. Acho que nunca fui tão feliz como nesses dias. Não sei, talvez tenha sido. O que eu sei, é que num desses dias, havia um ritual que sempre fazíamos: Íamos a Vigo. Íamos a Vigo fazer compras ao El Corte Inglés e pelo meio, obrigava o ritual, havíamos de parar para fazer um piquenique em local próprio. Nada de beiras de estrada, nada de exibicionismos tacanhos, mas sim um daqueles locais com mesinhas de pedra e arvoredo em volta.
O que agora me recordo é que eram 3 carrinhas de 7 lugares que levavam toda aquela gente e que ao passar da fronteira, pelos guardas fronteiriços, havia um silêncio respeitoso, pior, havia um medo, como se tivéssemos a contrabandear tabaco ilegal e na iminência de ali ficarmos retidos, para todo o sempre. Esqueçam este desabafo, voltemos ao piquenique e à tarde em que chovia muito. Estávamos todos esganados de fome, no carro todos os alvims juniores perguntavam “ ainda falta muito? Ainda falta muito? E quando finalmente as 3 viaturas pararam e assim mais nada faltou, quando foi o chegado o momento de alguém pegar na gigante lancheira onde toda a espécie de iguarias de encontrava - desde panadinhos de peru a presuntinho pata negra – tudo isto ouçam, tudo isto voou pelo ar como num filme do Tim Burton. Como assim? Pois bem, bastou a minha tia Fernanda tropeçar em algo que ainda hoje várias perícias policiais não conseguem explicar e tudo aquilo, os panadinhos, o presuntinho, os pãezinhos, a mortadela, o queijinho, as azeitoninhas, ouçam-me bem, olhem bem nos meus olhos: tudo aquilo voou pelo ar, e o pior, é que perante a fatídica lei da gravidade começou a descer, caindo e rebolando pelo chão alagado e cheio de gravilha e caruma. Os alvins olharam-se todos uns aos outros e riram-se muito. A tal ponto que estou a escrever isto e estou a rir-me também. A verdade é esta: 3 segundos depois, já pouca comida sobrava no chão. E não há memória de a ver na mesa.
Hoje quando vou ao corte inglês – e atenção que tenho cartão e tudo, sou um senhor distinto bem se vê – é disto que me lembro, do piquenique em que tudo caiu pelo chão, dos produtos em casa que diziam “ cêrbessa, quésso, crema de ducha”, dos meus tios de Melgaço, da minha família toda junta e da extraordinária possibilidade de viver tudo isto de novo. Vem aí a primavera e há toda uma agenda para cumprir no el corte inglês.
Sou aluno do Cervantes – estou no segundo ano, muito respeito por favor que sei dizer coisas como “ ?que hora es” ou “ no se preocupe.tome asiento” – e fico sempre curioso para perceber o que vai acontecer nesta agenda. Vou tomar asiento e ver então as novas.
Fernando Alvim
O que eu me lembro é isto. Uma tarde em que chovia muito. Eu tinha 10 anos. Minto. Eu tinha 9 anos. Minto. Eu tinha, 8 anos. Nessa altura, lembro-me bem que se falava muito ainda na guerra fria e no terceiro segredo de Fátima que todos vaticinavam ser a terceira grande guerra. Já então não queria morrer nem que o mundo o fizesse.
Eu tinha 8 anos recordo-vos e no Natal e também no verão, a minha família toda, a família Alvim reunia-se em Melgaço. Acho que nunca fui tão feliz como nesses dias. Não sei, talvez tenha sido. O que eu sei, é que num desses dias, havia um ritual que sempre fazíamos: Íamos a Vigo. Íamos a Vigo fazer compras ao El Corte Inglés e pelo meio, obrigava o ritual, havíamos de parar para fazer um piquenique em local próprio. Nada de beiras de estrada, nada de exibicionismos tacanhos, mas sim um daqueles locais com mesinhas de pedra e arvoredo em volta.
O que agora me recordo é que eram 3 carrinhas de 7 lugares que levavam toda aquela gente e que ao passar da fronteira, pelos guardas fronteiriços, havia um silêncio respeitoso, pior, havia um medo, como se tivéssemos a contrabandear tabaco ilegal e na iminência de ali ficarmos retidos, para todo o sempre. Esqueçam este desabafo, voltemos ao piquenique e à tarde em que chovia muito. Estávamos todos esganados de fome, no carro todos os alvims juniores perguntavam “ ainda falta muito? Ainda falta muito? E quando finalmente as 3 viaturas pararam e assim mais nada faltou, quando foi o chegado o momento de alguém pegar na gigante lancheira onde toda a espécie de iguarias de encontrava - desde panadinhos de peru a presuntinho pata negra – tudo isto ouçam, tudo isto voou pelo ar como num filme do Tim Burton. Como assim? Pois bem, bastou a minha tia Fernanda tropeçar em algo que ainda hoje várias perícias policiais não conseguem explicar e tudo aquilo, os panadinhos, o presuntinho, os pãezinhos, a mortadela, o queijinho, as azeitoninhas, ouçam-me bem, olhem bem nos meus olhos: tudo aquilo voou pelo ar, e o pior, é que perante a fatídica lei da gravidade começou a descer, caindo e rebolando pelo chão alagado e cheio de gravilha e caruma. Os alvins olharam-se todos uns aos outros e riram-se muito. A tal ponto que estou a escrever isto e estou a rir-me também. A verdade é esta: 3 segundos depois, já pouca comida sobrava no chão. E não há memória de a ver na mesa.
Hoje quando vou ao corte inglês – e atenção que tenho cartão e tudo, sou um senhor distinto bem se vê – é disto que me lembro, do piquenique em que tudo caiu pelo chão, dos produtos em casa que diziam “ cêrbessa, quésso, crema de ducha”, dos meus tios de Melgaço, da minha família toda junta e da extraordinária possibilidade de viver tudo isto de novo. Vem aí a primavera e há toda uma agenda para cumprir no el corte inglês.
Sou aluno do Cervantes – estou no segundo ano, muito respeito por favor que sei dizer coisas como “ ?que hora es” ou “ no se preocupe.tome asiento” – e fico sempre curioso para perceber o que vai acontecer nesta agenda. Vou tomar asiento e ver então as novas.
Fernando Alvim
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