Wednesday, March 20, 2013

Não é um, são dois - 5 de Abril no Teatro Aveirense


Não é um são dois, é uma ideia original de Fernando Alvim que, não tendo uma autocaravana por não ter tamanha fortuna para isso, decidiu, ainda assim, pegar nesse conceito itinerante que tanto aprecia e levá-lo a outras cidades.

E o que apresenta, podendo parecer, não é pouco: são dois convidados numa só noite, com uma regra diferenciadora: um deles será sempre uma aposta pessoal, sangue novo, algo fresco e vibrante que possivelmente muito do público nunca terá ouvido falar. A outra escolha, já o público saberá, já o público ouviu, já cantou na banheira, já viu na televisão, já leu nos jornais, mas nunca deixará de ter essa frescura que tanto iremos perseguir e que queremos que seja dominante.

A juntar a isto, 3 euros como preço único de entrada. Para que não existam desculpas, para que todos possam ir e dizer que lá estiveram porque de facto assim foi.

O primeiro “Não é um, são dois” será no Teatro Aveirense, no dia 5 de Abril, às 21.30, com Minta e Samuel Úria. Minta não é de todo uma aposta pessoal, porque são já muitos os que a conhecem, mas tratando-se do primeiro concerto deste conceito que agora vos revelamos, achamos que deveríamos juntar dois nomes que gozassem de uma maior notoriedade para marcar o seu início. E não temos dúvidas que o iremos conseguir. Em breve daremos novas datas e locais. Para já o início:

Dia 5 de Abril, Sábado, pelas 21.30, no Teatro Aveirense, Minta + Samuel Úria, no primeiro “Não é um, são dois”.


Um mentalista e um fadista no É A VIDA ALVIM de hoje

João Blümel é mentalista. Numa entrevista sua à nstyle.pt, resume assim o seu percurso: «Tudo começou quando recebi uma caixa de magia, aos 9 anos. Comecei a praticar truques com cartas, moedas e pequenos objetos – aquilo a que se chama magia close-up. Depois conheci outros mágicos, amadores e profissionais, comecei a ir a uma ou outra reunião de associações de ilusionismo em Portugal e a comprar material didático. No início, o meu interesse era na área da magia close-up e foi só por volta dos 16 anos que decidi dedicar-me, sobretudo, ao mentalismo. Foi a altura em que conheci uma área fascinante, a programação neurolinguística (PNL), criada nos anos 70 por um sociólogo e um informático, que ousaram perguntar quais os processos comunicacionais que ocorriam nas pessoas de grande sucesso. Então, estabeleceram padrões de linguagem e ensinaram-nos a outras pessoas, na esperança de obter os mesmos resultados e o resultado foi positivo. Hoje em dia, tudo o que tenha a ver com técnicas de linguagem, sugestão, influência, análise do comportamento humano, modificação e manipulação – no bom sentido – acaba por estar relacionado com a PNL. Achei aquilo fascinante porque até então, o mentalismo era todo baseado em truques físicos, com cartas e moedas, mas era apresentado como uma capacidade paranormal. Eu achava que as pessoas não eram burras, que percebiam o que estava a acontecer e que se conseguisse juntar a PNL ao ilusionismo, poderia fazer um espetáculo em que utilizasse mesmo técnicas de psicologia.»

Helder Moutinho é fadista e tem álbum novo. Chama-se «1987»: «Fiel ao seu espaço temporal de criação de um álbum por quadriénio, o fadista, compositor e letrista Helder Moutinho regressa este ano às edições fonográficas com um álbum conceptual. Chama-se “1987” e na sua base estão poemas originais, criados de raiz por João Monge, Pedro Campos, José Fialho e o próprio Helder Moutinho.»

É A VIDA ALVIM: de segunda a sexta, no canal +TVI entre as 22 e as 23. Repetição na TVI entre as 04.50 e as 06.00. Também disponível no serviço Iris Zon e na Restart TV da Meo. Emissões disponíveis online aqui.

O dia 21 é para desconstruir

Quinzenalmente em Serralves


Pensar Portugal, a sua economia e o seu futuro próximo 

Balanço Vital no Metro


Cá vai mais um Balanço Vital. Desta vez, estivemos à conversa com o jornalista Carlos Narciso.

Cinco coisas que já fiz.

1
Em 1997 atravessei o Oceano Atlântico num barco à vela. Largámos de Lagos em meados de Novembro… chegámos à baía de le Marin, na Martinica, 26 dias depois. Dessa viagem fiz um documentário.  Dei-lhe o título “Navegar”… tinha 40 minutos, em duas partes. Era lindo de se ver. Por várias razões, foi uma história contada com amor. Mas o Rangel considerou que “não fazia o género da SIC” e meteu-o numa gaveta. Em 2001 ou 2002, a Cândida Pinto (quando foi directora da SIC-Notícias) quis exibi-lo na programação de Verão… mas o arquivo não foi capaz de encontrar a 2ªparte… perderam a cassete… acreditam nisto?

2
Já conheci pessoas extraordinárias.Todos os dias, Claudino atravessava a aldeia para chegar à última casa. Era uma habitação redonda, de pau a pique e telhado de palha. Uma casa muito pobre, a precisar de reforma. Vivia ali uma família. Duas irmãs e o filho de uma delas. As velhotas eram mesmo muito velhas, centenárias, o próprio filho já não era um jovem. Era a família mais pobre da comunidade. O homem tinha ficado aleijado há anos e era incapaz de fazer o que quer que fosse para procurar sustento para si e para as duas mulheres. Elas, eram uma imagem terrível. Cegas, muito magras, mal se mexiam. Claudino atravessava a aldeia, todos os dias, para passar umas horas com as velhotas. Pelo caminho, roubava sempre qualquer coisa. Um cacho de bananas, um ananás, uma raiz de mandioca, qualquer coisa que lhes pudesse servir de alimento. Arrastava as velhas para fora da palhota, para que elas pudessem respirar ar fresco e apanhar um pouco de sol e vento. E ficava ali a conversar com elas. Falavam kizande, nunca percebi uma palavra do que diziam. Mas acho que lhes contava histórias alegres, porque elas riam. Era em Bambilo, algures na floresta do Norte do Congo. 

3
Pisei uma mina, em Angola. O chão era de areia, ensopada pela chuva. O mato era denso, arbustos altos, poucas árvores. Não havia trilho. A recomendação era para pisar nas pegadas do homem da frente. Não tirava os olhos do chão, não fosse falhar a marca da pegada. Mas a voz do homem que seguia à frente, estava sempre nos meus ouvidos. “Ali tem mina”, “ali tem mina” dizia ele com frequência, desviando-se meio metro para a direita ou para a esquerda, para fintar a “semente do diabo". Chegámos ao destino, o local onde estava mais um dos tanques russos que a UNITA tinha utilizado na última grande ofensiva sobre a cidade do Cuito. Estávamos em Janeiro de 1999 e a cidade acabava de se livrar de um cerco de 43 dias. O último, da longa guerra de quase 30 anos. Estávamos, portanto, ali, a admirar o tanque de lagartas quebradas… para tirar uma foto melhor, escolhi um ponto ligeiramente mais alto, uma pequenina elevação de terreno, encimada por um arbusto seco… estava lá em cima, quando a voz se fez ouvir de novo: “aí tem mina”… olhei para o tipo e percebi que aquilo era comigo. Olhei para o chão e senti que estava onde não devia… antes de ter tempo de começar a tremer, a voz acrescentou “tem mina anti-carro”… os meus 85 kg não eram suficientes para a detonar…

4
Assisti a um milagre… nas Montanhas Nuba, no Sudão, fui testemunha do milagre da multiplicação… das galinhas. Num dos locais onde parámos para retemperar forças havia uma espécie de hospedaria. Era uma palhota de pau a pique, sem paredes. Tinha uns muros baixinhos que dividiam a casa nas várias salas. E tinha uma zona onde se cozinhava, numa fogueira de lenha. Ficámos ali quase 24 horas. As bolhas nos pés estavam a matar-nos… De modo que vi aquela senhora cozinhar para muitas pessoas.. Ela tinha uma galinha, pronta a ser cozinhada. Vi essa galinha ser fervida umas 15 vezes, ao longo desse dia. A mulher, por cada fervura, juntava na panela umas verduras e sementes de sésamo. Servia o caldo, mas guardava a carne que, depois, voltava a ferver para os clientes seguintes. Por cada fervura, a galinha ia soltando alguma carne, até que desapareceu por completo. Mas, deste modo, uma galinha ajudou a alimentar dezenas de pessoas.

5
Já fiz confusões inacreditáveis… O Hollyday Inn de Sarajevo, naquelas anos de brasa, era o melhor hotel do Mundo. Quanto mais não fosse, porque não havia outro… Por mais avisados que estivéssemos, o que encontrámos… O hotel não tinha elevadores nem água corrente.  A janela do quarto tinha sido “alargada” pela entrada de um obus, de modo que os serviços de manutenção do hotel tinham reconstruído a parede, com tijolo e cimento, e tinham feito um caixilho de madeira para a janela onde pregaram um enorme plástico grosso. Ao menos, o vento não entrava.  A falta de água era o problema…  não havia modo de tomarmos banho. A casa de banho não podia ser usada… não havia autoclismo… E assim foi… quando a necessidade apertava, bastava descer a pé doze andares para ir à casa-de-banho do hall… que tinha trampa até ao tecto! O banho era de copo ou o chamado “banho checo”, no bidé… mas, quando em Itália fui às compras e comprei água mineral, inadvertidamente só comprei água gaseificada. Ah!, aquela sensação de lavar o rabo com água gaseificada…

5 ainda por fazer

1 Ver crescer os meus filhos e contribuir para que sejam felizes.
2 Ter tempo para envelhecer ao lado da minha mulher.
3 Ter um encontro imediato debaixo de água com um dugongo.
4 Mandar o patrão dar uma curva.
5 Soltar amarras e dar dez voltas ao Mundo no meu barco à vela.