Wednesday, November 10, 2010

Crónica para a Revista SmartLife: Centros Comerciais



Ao contrário do que possam pensar, eu gosto muito de centros comerciais. E quando me pediram para escrever sobre este, eu disse logo que sim, abanando muito a cabeça. Disse porque o conheço e porque tem uma característica, que desde logo me agrada muito: cheira a novo, é isto mesmo, como se tivesse acabado de tomar banhinho e se fosse enrolar connosco no sofá, a ver televisão, de cabelo molhado, muito abraçadinho a nós, enquanto comemos uma coisa quentinha.

Por mim, vivia sem problemas num centro comercial. De manhã acordava e ia para a praça alimentar. E depois daí organizava a minha vida, buscando com um simples subir ou descer de andar, tudo o que ela me pedisse. A norte então, sinto que as pessoas vivem mais esta coisa de estarem juntas. A sul, perdeu-se mais isso. Já ninguém vai a casa de ninguém, sem avisar antes, como se pudesse ser incómodo aparecer sem contar, como se pudéssemos estar a interromper algo, como se isso não fosse, como deveria ser sempre, uma grande alegria. Eu sou desse tempo, que nos visitávamos uns aos outros, como se isso fosse um jogo, em que muitos não tocavam sequer à porta de casa, dizendo apenas enquanto a abriam "posso?". E logo se ouvia "Entra, entra!" E é claro que entravam, as vezes que fossem, às horas que calhassem. Lembram-se? Perdoem-me o romantismo, mas um centro comercial, por vezes assemelha-se ainda a isto, porque são várias casas de porta aberta, cheias de vontade que as visitemos, que entremos nelas com se fossem nossas, que nos sintamos à vontade para ali permanecermos e se não quisermos não comprarmos nada. Por vezes, gosto que funcionárias mais atenciosas me perguntem. "Em que posso ajudar?". E quando me o dizem, respondo sempre de formas diferentes: "Pode pois, venha tomar o pequeno-almoço comigo!"; " pode pois, ajude-me a levar este micro-ondas à garagem!", " pode pois, fujamos os dois para o jardim mais próximo".

Por mim, vivia sempre num centro comercial, neste texto, nesta página, com lojas decoradas de natal, com pessoas felizes por terem comprado o que queriam, com escadas rolantes, com preços nunca antes vistos, com funcionárias a dizerem "Em que posso ajudar?", com Jingle Bells pois, sem Jingle Bells, com a funcionária Maria Cristina a ser chamada à recepção com urgência, com os namorados ocasionais que trocam batatas fritas de uma conhecida marca alimentar como se estivessem a prometer algo, com as crianças a pedirem tudo, com as lojas aperaltadas como se fossem sair à noite. Por mim, vivia bem neste centro comercial e se querem saber, dormia já cá hoje.


O Natal Ainda Não Chegou Mas as Bolas Já e São Esta Categoria:







Tuesday, November 09, 2010

Respostas ao Inquietante Inquérito da Revista Pública

Com agradecimentos ao Restaurante Buhle.

Hoje na Fnac do Colombo Apresentação do Novo Livro de José Nunes

Hoje, terça-feira, na Fnac do Colombo, pelas 18 horas, aqui o rapaz será o irresponsável pelo início da apresentação do novo livro de José Nunes, Linha Avançada – Nos Bastidores do Futebol. Será uma apresentação no mínimo arriscada, com uma novidade: não estarei lá. Como vai ser? Não posso revelar, é demasiado futurista. Mas é hoje ao fim da tarde e devia ir toda a gente. Pelo José Nunes, pelo livro, pelo Rui Pego e pelo Carlos Manuel que também lá estarão, e pela mensagem futurista que ali passará. Até logo.



Sinopse

Da rádio para o livro, A Linha Avançada de José Nunes aventura-se nos bastidores do futebol, mostra como tudo se processa, faz o ponto de situação e desvenda os mistérios e histórias para lá das quatro linhas. Toni, Manuel José, Octávio Machado, Carlos Manuel ou Jorge Coroado são apenas alguns dos nomes que contam, na primeira pessoa, tudo aquilo que não sabemos sobre o futebol.

Monday, November 08, 2010

1º Curso de Escrita de Letras para Canções no Porto com o Mestre Gimba



A Cego, Surdo e Mudo apresenta o 1º Curso de Escrita de Letras para Canções realizado no Porto com o mestre Gimba a 20 e 21 de Novembro. Este é também o primeiro curso feito em Portugal que se dedica à escrita de canções, sendo a vertente prática de um estudo que Gimba tem vindo a elaborar sobre o português cantado (a primeira obra escrita sobre este assunto em língua portuguesa), resumindo a sua experiência profissional de 30 anos e as suas visões pessoais sobre escrita de letras em português.

DATA
Dias 20 e 21 de Novembro

HORÁRIO
Sábado e Domingo: 10h às 13h e das 14h às 19h

TOTAL DE HORAS
16 horas

VAGAS
20

OBJECTIVOS DO CURSO
Promoção da escrita – neste caso, de canções – visando contribuir para um enriquecimento da cultura portuguesa ajudando amadores e profissionais a apaixonar-se (ou a re-apaixonar-se) pela nossa língua.
Munir os participantes com uma nova consciência em relação à escrita, à análise e à fruição de letras em português:
. Porque escrever letras não é apenas escrever “letras”!
• Aproveitar a musicalidade da língua – prosódia
• Saber que palavras usar – fonética
• Como e quando as usar – retórica + semântica + métrica
• Tomar consciência das potencialidades e limitações do "português continental"
• Adquirir noções claras sobre o equilíbrio estético, dinâmico e estrutural na escrita de letras para música

A QUEM SE DESTINA
Esta formação serve músicos e não-músicos. Jovens e adultos com vontade de aprender a escrever letras de canções usando os truques dos autores de referência e as técnicas usadas na maioria das canções “clássicas”; a todas as pessoas (maiores de 16 anos) profissionais, amadores, ou simples curiosos, que tenham interEsse em escrever letras/poemas ou saber um pouco mais sobre os mistérios e segredos desta arte milenar; também – obviamente – poetas, autores, cantautores, produtores musicais, responsáveis de artistas e reportório em editoras discográficas, professores e alunos de música, animadores culturais, monitores de ATL’s, redactores de publicidade, tradutores, supervisores de reportório infantil (TV), etc...

FORMADOR
Sou o Gimba, de meu nome Eugénio Lopes, tenho 50 anos e nasci em Lisboa. Sou músico/autor/produtor e tenho um percurso musical preenchido e variado: Fundei “Os Afonsinhos do Condado” (meados de 80), integrei “Os Irmãos Catita” (de Manuel João Vieira), e “Os Cavacos” (com músicos dos Xutos & Pontapés e Rádio Macau) e gravei discos em nome próprio. Como produtor, trabalhei com artistas tão variados como Deolinda, Boss AC, Tim ou José Cid. Dei a cara e fiz música para programas de televisão (“Pop Off”; “O Cabaret da Coxa”). Também assinei bandas sonoras de programas de humor (“O Programa da Maria”; “Paraíso Filmes”, “Boa Noite, Alvim”), cinema (“O Crime do Padre Amaro”), rádio, teatro e publicidade.

LOCAL
CCDTCMP - Centro Cultural e Desportivo dos Trabalhadores da Câmara Municipal do Porto

PREÇO
130 Euros

ORGANIZAÇÃO
Cego Surdo e Mudo – Produções Multimédia, Lda.

Mais informações / Inscrições:
96 600 81 85
cegosurdoemudo.pm@gmail.com