Wednesday, March 31, 2010

Querem ir ao Inferno?

Estamos já em contagem decrescente para a abertura oficial do meu novo bar no Porto: o Inferno.

É amanhã, dia 1 de abril pelas 23h58. Haverá certamente muitos convidados e alguns DJ's que vão surpreender. Mas estamos também a contar com a vosso presença para a festa ser ainda maior.

Venham daí, o céu pode ser só para alguns mas o Inferno é para todos!







Entrada livre.
1 de Abril. 23h58.
Antigo cinema Lumiére, na Rua José Falcão.
Porto.



Uma cidade é dos melhores!




Nem todas as pessoas fazem falta a uma cidade ou a um país. A ideia de que só porque é da terra faz falta, é muito romântica e bonita, mas não corresponde à verdade. A verdade é que há pessoas que não fazem falta coissima nenhuma e outras a quem a cidade deveria blindar o passe com uma cláusula de rescisão de muitos milhões de euros.



Há pessoas que valem muitos milhões e deveriam ter cidades cheias para as verem e aplaudirem e agradecerem o terem ficado e não terem partido e não as terem deixado e não terem querido ser maiores quando o deveriam ter feito. E deviam. Há cidades que não merecem essas pessoas, por não as terem abraçado o suficiente e olhado para elas e terem dito “ gosto de ti! Preciso de ti!” e realmente gostarem delas e realmente precisarem delas e reconhecer a falta que estas lhes farão se um dia pensarem em ir-se embora. E dizerem “ Não vás embora!” e fazer tudo para que não fossem, que ficassem um pouco mais na cama que lá fora está frio, que nem pensar em deixar-nos, que nem pensar em ir para outro sítio, que nem sequer é bom falar sobre isso e abraçá-las muito e muito.



Só que muitas cidades não o fazem e abandonam-se deixando que outros partam sem que a isso resistam. E tem que resistir como fazem as mulheres dos pescadores quando estes lhes dizem que vão para o mar em dias de tempo revoltoso. Uma cidade depende dos seus maiores valores e por inerência da sua melhor massa crítica. E uma cidade sem talentos e sem massa critica é uma cidade morta. Há cidades, mesmo com imensa gente, cujo pulso não mexe. As melhores cidades são as que mais resistem à saída de novos talentos e mais promovem a entrada e criação de novos. As melhores cidades são as que têm uma massa crítica activa e de primeira linha e não se deixam representar por uma segunda escolha ou pelos que ainda sobram.

As melhor cidades não se deixam representar por imbecis só porque é o que têm. Uma cidade, uma grande cidade, nunca é abandonada pelos melhores.

Tuesday, March 30, 2010

Todos ao Inferno

É então já na próxima quinta-feira, dia 1 de Abril pelas 23h58 a abertura oficial do meu bar, o Inferno. É no Porto e é para ninguém faltar.

Venham daí, o céu pode ser só para alguns mas o Inferno é para todos!





Entrada livre.
DJ's surpreendentes.
1 de Abril.
Antigo cinema Lumiére, na Rua José Falcão.
Porto.


Quero que vá tudo pr'ó Inferno

Esta é a música que vai passar a ser cantarolada nas noites do Porto a partir de quinta-feira, dia 1 de Abril:


Saturday, March 27, 2010

O amor nunca abrirá o Telejornal



As pessoas dizem que o amor é muito diferente do ódio e eu com franqueza, não concordo nada. Acho que são gémeos falsos, é mais isso, nasceram no mesmo dia, são filhos da mesma mãe, e por uma sorte que nunca saberemos explicar, não foram igualzinhos e usaram a mesma roupa. Foi sorte. O que tiveram foi vidas diferentes. O amor é claramente a rapariga que encontra o homem dos seus sonhos, um ricaço que lhe faz filhos lindos, com sorrisos incríveis e largos, que cheiram a classe, a sabão, que frequentam colégios caros e cujo pai, o tal ricaço, tem obviamente uma amante com a qual passa fins-de-semana de negócios inadiáveis. O ódio nem tempo para isso tem. E digo isto com profunda tristeza, porque estou convencido que o ódio podia ter sido um gajo porreiro e o amor uma besta inqualificável. Mas não foi. E assim, o ódio é a besta e o amor o filho querido.


Mas nem tudo são desvantagens no ódio. O ódio pode ser um amor e tem coisas maravilhosas. Uma delas, é nunca esquecer. E disso não tenham dúvidas, o ódio se for bom, bem alimentado portanto, nunca se esquece. Já o amor, mesmo que seja bom, nada nos garante. Há amores muito lindos que se pensava serem para uma vida e vai-se a ver, não duram mais de dois meses. Enquanto isso, não conheço um único caso de ódio que tinha tido uma relação pouca duradoura, o que prova que mais depressa o ódio é para toda a vida do que o amor. E porquê? Porque no ódio, as coisas são feitas com uma outra decência, com uma respeitável seriedade que quase já não existe no Amor. O ódio é um homem sério, de firmes convicções, o amor é um cheque em branco, que com a crise que se vê, quase sempre não tem cobertura.


Daí que o ódio seja mais falado e tenha mais noticias na televisão. Nenhum telejornal que se queira sério, liga muito ao amor. O amor é para as revistas cor-de-rosa, para gente que aprecia futilidades ou para ser usado como fait divers no final do serviço noticioso.E a verdade é esta, no mundo em que vivemos, só o ódio pode abrir um telejornal e quanto muito, só como manobra de diversão, o amor fechá-lo.