Monday, July 06, 2009


Finalmente disponível, o blog oficial da miramaxmen. É este o endereço:http:// miramaxmen.blogspot.com. Juntem as vossas sugestões pelo email: mira.maxmen@gmail.com

Sunday, July 05, 2009

Hoje, no Expresso. O que se deve e não deve levar para um piquenique.


O que deve levar para um piquenique:


Deve levar tudo o que se lembre e essa ideia de que só se deve levar o absolutamente indispensável é absolutamente desajustada. Sendo assim, eis as coisas a levar para viver a sério um piquenique:

1 – A televisão. Nada melhor do que em plena natureza, desfrutar de um belíssimo filme com Richard Dean Anderson ou David Hasselhoff. São sempre muito apetecíveis. E é bom ver estas aventuras ao som do relinchar dos grilos. E não me venham agora dizer que os grilos não relincham.

2 – O Blackberry. Para estar atento ao índice Nasdaq. Conheço muito boa gente que se mete em piqueniques destes armado aos cucos e depois perde oportunidades incríveis de negócio por não estar devidamente actualizado. E depois queixam-se que é a crise.

3 – A bandeira de Portugal. As pessoas parece-me que agora só usam as bandeiras nas varandas ou quando a selecção joga. E não devia ser assim. A bandeira de Portugal devia ser usada para marcar território como fez - e muito bem - o Neil Armstrong quando chegou à lua. Deve pois chegar-se ao local escolhido para o piquenique e erguer a bandeira do nosso país para toda a gente perceber onde está. E antes de atacar o presunto, sugiro que se cante o hino.

4 – Panados. Os panados são essenciais a qualquer piquenique. Aliás, acho que a sua comercialização só devia ser feita para este fim. Exactamente como acontece por exemplo com as farturas, que só são vendidas em roulottes de entusiásticas celebrações populares. Ninguém no seu perfeito juízo vai a uma pastelaria e pede uma fartura, do mesmo modo que ninguém faz panados para comer ao jantar. Panados é para um piquenique.

5 – Esparguete. O esparguete é possivelmente o nutriente mais útil para este tipo de actividade lúdica. E porquê? Porque não só dá para uma rápida e muito práctica refeição, como serve igualmente para jogar Mikado, que é um jogo muitíssimo bonito. Atenção que podem jogar mikado e depois comer o esparguete, mas o contrário é manifestamente impossível.

6 – Berma da Estrada. O melhor sitio onde se deve fazer um piquenique é a berma da estrada de uma boa estrada nacional. É certo que as bermas da estrada e também as esquinas de rua gozam de má fama, mas está na altura de alguém lhes devolver a dignidade que outrora tiveram. Estar num piquenique e ir cumprimentando os carros que passam, é dos exercícios cívicos mais salutares que poderão experimentar. É nestas ocasiões que se pode encontrar o primo que há tanto não se via ou o vizinho da frente que julgávamos ter falecido. A desvantagem é que atendendo à velocidade com que passam é impossível manter qualquer tipo de diálogo. E é uma pena.

7 – A mesa da sala de jantar. É isto que estão a ler e a verdade tem que ser dita. As mesas dos piqueniques são demasiado frágeis e basta vir uma rabanada de vento e caiem os panados ao chão. Não é que não saibam bem, também bem assim, mas a terra às vezes pode não estar bem tratada e acabamos a comer pesticidas variados e seguramente nocivos.

8 – O sofá lá de casa. Não me venham com essas cadeirinhas que se compram à beira da praia, que eu não compro. Nestas coisas, quando fazemos um piquenique, devemos sentirmo-nos em casa. E nada melhor, do que levar uma parte dela connosco. O sofá é essencial e se for um de 6 lugares tanto melhor. Nada melhor do que ter uma família numerosa, sentado num sofá, vendo televisão de pés estendidos na relva e com a selva amazónica a abraçá-los de fundo.

9 – Um chapéu de uma conhecida marca de tintas. Perdeu-se o hábito de se usar chapéu em Portugal, será possivelmente uma tendência universal – maldita globalização – mas a verdade é que nestas ocasiões as mulheres devem usar um daqueles chapéus de palha que estão sempre a voar com o vento. E o homem deve fazer uso de um bom chapéu amarelo metido entre as orelhas e com a marca de tintas na pala. Isto faz-me sempre lembrar alguns filmes franceses pouquíssimo ortodoxos.

10 – Rádio para ouvir o relato. É certo que há televisor, mas não contem com tvcabo no meio da floresta porque não vai haver. E o Benfica pode muito bem estar a jogar contra o Alverca e nós a perdermos lances importantes para a nossa edificação enquanto pessoas e seres humanos extraordinários. Os da renascença são muito bons porque têm o Ribeiro Cristóvão. E é delicioso ouvir a harmoniosa junção do som da televisão, do relato e do barulho das crianças, com o som límpido da natureza




O que não se deve levar:

- Comida de casa. Não deve levar em caso algum. Isso é como levar areia para o deserto. Então vai para a natureza onde há tantos elementos naturais comestíveis e não se aproveita isso. Não tem qualquer sentido. Deve levar-se a nossa cana de pesca e pescar um bom robalo para servir com espigas de milho, por exemplo.

- Fósforos. Não não e não. Então as campanhas servem para quê? Nada de fósforos para a floresta porque é perigoso, podemos provocar um incêndio e em sequência disso, podem vir os bombeiros que obviamente se vão alambuzar à comida que temos na mesa. Verdade. Os bombeiros estão sempre a pedir comida nestas ocasiões e por isso não é boa ideia provocar um incêndio.

- O carro. Nem pensar em levá-lo. Embora possa ser penosa a distância entre a cidade e o campo, a verdade é que deverá entender um piquenique como uma peregrinação a Fátima. É cansativo, mas depois é muito compensador. A grande diferença, é que não há milagres.

- Guarda Chuva. Isso é contra natura. Se chover deve assumir-se isso e aproveitar essas lágrimas do céu ( bela expressão esta) para sorvê-las com gosto ou então reunir toda a família e fazer um bonito remake do célebre clássico “Serenata à chuva”. Quem anda à chuva, molha-se. Para quê contrair isto?

- Não leve armas. Vai para um piquenique, não vai para o vietnam e os piqueniques costumam ser muito pacíficos, uma escaramuça de vez em quando por causa dos panados, uma galheta ou outra por causa dos míudos, mas é muito raro haver tiroteio. Aliás, não me lembro que alguma vez tenha havido. Mas quase que aposto que nos Estados Unidos um maluco qualquer já deve ter feito asneira no meio de um piquenique. Mas pode ser que não.

- Não levar pessoas que não gostam de piqueniques. Não se devem levar pessoas que não gostam de piqueniques, mesmo aquelas que dizem que não gostam e não experimentaram. Essas pessoas nunca vão gostar e mais do que não gostar, vão prejudicar as que verdadeiramente gostam de piqueniques. E eu gosto, embora nunca tenha feito nenhum.

- Escrever bem a palavra piquenique. É imperioso dizer bem a palavra piquenique e sobretudo escrevê-la bem. Não é pic à pic, nem picanic, é, e passo a escrever para ficar registado em acta: piquenique. Estamos conversados?
- Não usar camas de rede. De maneira alguma. As razões são muitas. A primeira, é que há sempre muita gente a dar-nos um abanão mais forte do que necessário e já não é a primeira vez que alguém que estava numa cama de rede vai parar ao rio Trancão. Depois, porque são poucas as pessoas que conseguem manter uma estética muito distante de um vulgar chouriço.

- Não levar livros de instruções de nada. Isso tira a graça de tudo. E a natureza é descobrir e por vezes quando não seguimos as instruções descobrimos coisas novas. Ainda outra dia, uma amiga minha foi ao IKEA comprar uma cama e depois de montada, percebeu que tinha acabado de construir uma estante para livros. E que muito jeito lhe dá. Dorme é no chão da sala. Isso é que é mais aborrecido.

- Não ler coisas como esta que está a ler agora. Porque devia estar a fazer coisas mais úteis do que ler disparates uns a seguir aos outros de um tipo que tem a mania que tem graça. E que não se lembra de fazer um piquenique. Mas que – como a foto documenta – tem uma camisa igualzinha a toalha de mesa tradicional de um.

Saturday, July 04, 2009

Jornal de Notícias sobre a speaky

Oito mil viram Alvim em directo da cama

2009-07-02

A conferência de imprensa que assinalou o início das emissões do canal de televisão na internet de Fernando Alvim, Speaky TV, foi vista em directo por oito mil pessoas, revelou o humorista e apresentador no seu blogue "Espero bem que não". Veja o vídeo.

Tal como tinha divulgado, Alvim assinalou no dia 25 de Junho o arranque das emissões, deitado na cama, na sua casa na Costa de Caparica, ao lado de uma amiga, evocando John Lennon e Yoko Ono. A sessão terminou com uma actuação de Manuel João Vieira e B Fachada, colaboradores do projecto. No You Tube, o final da conferência e o concerto também foram vistos mais de mil vezes. O site de partilha de vídeos acolhe ainda a apresentação do projecto, e dos restantes colaboradores, que regista mais de 1400 exibições. Nuno Markl, Solange F e Rui Pedro Tendinha são algumas das figuras, entre as mais conhecidas que se associaram à iniciativa.

Dos conteúdos do canal fazem parte a entrega dos prémios Monstros do ano e o Festival Alternativo da Canção que também foram emitidos em directo. O Speaky TV recupera o programa da SIC Radical "Boa noite Alvim", cuja primeira edição teve como convidado Emídio Rangel.

A parte formativa não foi esquecida: na área intitulada "Tele-escola", encontra-se já uma aula de danças sevilhanas.

Correio da Manhã sobre a Speaky

27 Junho 2009 - 00h30

Speaky. TV: Emídio Rangel critica

“O Nuno Santos é insignificante”

Emídio Rangel deu uma entrevista à televisão de Fernando Alvim, Speaky.TV, onde fez duras críticas ao director de Programas da SIC. "O Nuno Santos é insignificante", disse, acrescentando: "Já não o conheço."

Nuno Santos e Emídio Rangel trabalharam juntos na SIC entre 1992 e 2001. Nessa época, Rangel era director da estação de Carnaxide e incompatibilizou-se com o então director da SIC Notícias. Em causa estava a fusão das duas redacções. A partir daí não voltaram a relacionar-se. Agora, Rangel acusa: 'Na altura fui traído pelo Nuno. E eu nunca estou disponível para ouvir os traidores.'

Rangel, que assume ser uma pessoa 'polémica', nega as críticas de 'ser gastador'. 'Nunca fiz nada na SIC que não fosse enquadrado no orçamento, que era visto pelo Balsemão, que é um unhas de fome.' Sobre o estado actual da SIC, Rangel defende: 'O Balsemão só ganhou dinheiro quando lá estive, depois tem vindo a descer. A SIC agora está de rastos.'

Na mesma entrevista ao programa ‘Boa Noite Alvim’, gravada há cerca de 15 dias na casa do apresentador e disponível no site www.Speaky.tv, Rangel defende ainda que Manuela Moura Guedes 'não pode apresentar' o ‘Jornal Nacional de 6ª’ 'por razões estéticas'. O ex-director da SIC, que esteve envolvido no projecto da Telecinco para o quinto canal de TV, acusa: 'A Manuela é uma pessoa preguiçosa. As perguntas que faz aos seus convidados, nota-se que não são trabalhadas. É uma coisa feita às três pancadas.' Além disso, Rangel garante que na troca de acusações de Moura Guedes e António Marinho Pinto, esteve 'do lado do bastonário'.

No fim da entrevista Emídio Rangel assume mesmo que 'José Eduardo Moniz só deixa Moura Guedes aparecer no ecrã porque é mulher dele'.

Joel Neto sobre a Speaky no Diário de Notícias

crónica de TV

Um endereço: www.speaky.tv

por Joel Neto30 Junho 2009Comentar

Entre a morte de Michael Jackson e o debate em torno da PT, quase passava despercebido um importante advento: o lançamento da Speaky.TV, de Fernando Alvim. É um pequeno canal de televisão, sim. Só emite via Internet. E nem sequer é a primeira estação online (longe disso) lançada em Portugal. Mas reúne, como nunca antes se reuniu, uma série de condições fundamentais à criação de um culto: um "patrão ao mesmo tempo marginal e mediático, colaboradores sonantes (Nuno Markl, Manuel João Vieira, Inês Meneses…), uma clara noção de soudbyte (como o demonstra a escolha dos primeiros entrevistados) e uma capacidade de mobilização que pode muito bem pôr de pé um projecto mais do que experimental.

Se poucos o sabiam até aqui, a partir de agora ninguém o ignora: qualquer um pode ter uma estação de TV - e para isso não precisa de mais do que uma câmara (que qualquer computador tem), um microfone (idem) e uma boa ligação web. Ou muito me engano ou as "televisões pessoais" nascerão como cogumelos. Para já, Alvim vai à frente: por causa da forma como marcou a actualidade com a entrevista a Emídio Rangel, por causa do humor (atenção a É Como Diz o Outro) e por causa da cultura (idem com Pedro Paixão e José Luís Peixoto). Tudo (ou quase tudo) feito a partir do quarto de cama.

Parece brincadeira, mas não é: é um fenómeno destinado a marcar a TV convencional como a blogosfera marcou os jornais.