Friday, February 06, 2009

Este Sábado na Fnac do Norteshopping. Eu, o livro e Álvaro Costa.






É a minha primeira apresentação no Porto e é no Sábado. Este sábado. Às 17 horas. Onde? Na Fnac do Norteshopping. Se calhar não é muito original - talvez, não sei - mas o que sei é que é lá e que lá existem livros meus cheirarem a novo, acabadinhos de sair da gráfica que imprimiu esta segunda edição, que agora celebro com mais este lançamento. E não estarei sozinho. Comigo Álvaro Costa, o grande Álvaro Costa, o inacreditável Álvaro Costa porque há pessoas que cujo nome terá que ser sempre adjectivado antes. E é este o caso. O famoso Álvaro Costa irá contar as suas histórias, que ninguém sabe contar como ele e o dia em que conheceu o autor deste livro, que agora vos escreve.



É pois meu dever comunicar a todos que ficarei bastante feliz se me aparecerem este sábado na fnac do norteshopping e me abraçarem com tremenda força. Venham e tragam as vossas famílias e não se esqueçam de praticar terrorismo cultural, que basicamente consiste em algo como: Colocar um disco do Tony carreira na secção de música clássica, um livro do Herberto Helder na secção de culinária, um filme do Fellini na secção comédia e já agora o meu, no top da fnac se não se importam.

Wednesday, February 04, 2009

A verdade da inocência


Tenho saudades de quando era inocente e a minha cara o revelava em cada gesto. Lembro-me bem de os adultos falarem de coisas à minha frente a pensar que eu era inocente e que eu não as entenderia. E eu debaixo da mesa a ouvir aquilo tudo e a questionar-me se eles estariam bem da cabeça. Eu debaixo da mesa a compreender tudo o que diziam enquanto brincava com os legos, e a perceber que supostamente não deveria estar a entender nada, como se tivesse a ver um filme que não era para a minha idade. Mas estava, embora muitas das vezes com alguma interferência ou com pouca rede, como regularmente acontece em algumas partes da auto-estrada.

O nosso sistema jurídico defende que até provas em contrário, somos todos inocentes, mas a sociedade fora dos tribunais, a da rua e dos jornais, advoga para si que até provas em contrário, somos todos culpados. E porquê? Porque a inocência não vende. Mas a culpa sim.

E sabem que mais? Somos todos culpados por isto e devíamos ir todos presos para aprendermos. Mas não vamos, porque nos declaramos inocentes, como se fossemos pequeninos e não entendêssemos nada do que dizem à nossa volta. Mas entendemos sim e é fácil perceber que a capa de um jornal que declara em letras garrafais que um homem ou uma mulher igual a nós é “Culpado” é muito mais conclusivo do que a mesma capa, com o mesmo homem ou a mesma mulher igual a nós, com as letras grandes a dizer “ Inocente”. A culpa não deixa dúvidas, mas a inocência levanta-as. A culpa é irredutível, a inocência é um processo que nunca está acabado. A capa de um jornal com alguém a declarar-se inocente será sempre olhada com desconfiança como quem diz “ Deve ser inocente, deve!?”, enquanto esse mesmo alguém declarado culpado não suscita a mínima incerteza. Sendo culpado, acabou-se. Sendo inocente, isso é o que se vai ver ainda. Porque a inocência é difícil de provar – tem que haver provas cabais disso, temos que jurar a pés juntos e com as mãos sem fazer figas, prometer por tudo o que é mais sagrado como quando fazíamos quando éramos mais pequenos e nos questionavam se estaríamos a falar verdade “ Juras pela tua mãe que não contas a ninguém ? E nós jurávamos. "Juras por tudo o que é mais sagrado?" E nós jurávamos para saber o segredo que depois contaríamos a outros, fazendo-os jurar do mesmo modo. A culpa não é no entanto assim. Se uma vez é culpado, é para sempre culpado. Mesmo que tenho sido sempre inocente.

Monday, February 02, 2009

Entrevista ao Portal Lisboa (www.portallisboa.net)


Portal Lisboa esteve à conversa com Fernando Alvim, a coisa até que não correu mal. A determinada altura ameaçou abandonar o estúO dio como o Santana Lopes, mas acabou por ficar em troca de um tosta mista e uma meia de leite.



PL - O Fernando Alvim lançou recentemente um livro. De que se trata? Como nasceu a ideia?

FA - A ideia nasceu da vontade de escrever e ter uma casa com aquecimento central.

PL - Porquê 50 anos de carreira?

FA - Porque é cedo demais para assumir o meu centenário e não estou neste momento interessado em combater o Manuel de oliveira.

PL – Acredita que pode vender mais que o Gonçalo Amaral? Para quando o Nobel?

FA - Acredito sim e aposto que eventualmente o meu livro possa ter pessoas que saibam ler. O meu livro não fala sobre qualquer crime. O meu livro é o crime.

PL - O livro é definido, no seu site pessoal, como “um livro golorioso, um hino à palermice, uma obra indispensável”. O que é isso de um livro glorioso e ao mesmo tempo um hino à palermice, é sobre o Benfica, é isso?

FA - Bem, eu vou fazer de conta que nem ouvi isto porque quer-me parecer que estarão a vilipendiar a imagem do Sport Lisboa & Benfica. Vou fazer como o Santana Lopes e saio do estúdio. Mas que afronta esta? Quero falar imediatamente com o seu director, mas onde é que ele está? Quem é este individuo? Tragam-me por favor uma tosta mista e uma meia de leite.

PL – Apresenta, neste momento, o “Boa Noite Alvim” na SIC Radical. Prefere fazer televisão, rádio ou escrever? O que dá menos trabalho?

FA - Não, o que me dá mais prazer. E a esse nível, continuo a preferir o sexo. Contudo, de vez em quando, também me dá bastante prazer fazer rádio e televisão e escrever, mas não é bem a mesma coisa. Arfo e tal, mas são coisas diferentes. Ao contrário do sexo, depois da rádio, não costumo ir fumar um cigarro à janela.

PL – O Alvim também é DJ, sabemos que a noite é um mundo complicado. Desde que é DJ considera-se um ícone sexual?

FA - Sim, claramente, mas já o era, antes mesmo de ser DJ. Certamente, que não duvidarão que a estátua do Cutileiro no parque Eduardo Sétimo é obviamente em minha homenagem. Que me parece justíssima.

PL- É verdade que se levanta às seis da manhã para fazer o Prova Oral na Antena 3? Quer explicar aos nossos leitores como consegue?

FA - Sim, levanto-me às 6, mas só para a ouvir, visto a emissão que se passa às 6 é a retransmissão da emissão feita em directo às 7 da tarde do dia anterior. Às vezes chego a ir para a rádio às 6 da manhã convencido que a irei fazer, mas chegado lá impedem de exercer o minha actividade e mandam-me para casa dormir que bem preciso.

PL – Quer falar um pouco sobre a sua revista 365?

FA - Está tudo neste site: ww.revista365.com. É uma revista muito bonita que fez com que eu nunca me metesse na droga e me impediu de ver os programas da Teresa Guilherme. É uma revista que qualquer um pode assinar e o senhor jornalista tem aqui uma proposta para ser assinante que eu lhe vou entregar em mão agora mesmo. Ora aqui está? Prefere pagar em dinheiro ou cheque? Sim sim, vamos a uma caixa Multibanco mais próxima? Não tem qualquer problema. As senhoras que vendem ursitos nas bombas de gasolina ensinaram-me isto.

PL – Num questionário daqueles estranhos, se lhe perguntassem a profissão o que responderia?

FA -Cidadão 102 44 230. Arquivo nacional de Lisboa.

PL – Falando de coisas sérias, o que acha da cultura em Portugal?

FA - Então não me tinha dito que íamos falar de coisas sérias, mas está a brincar comigo? Quer falar de coisas sérias ou não? Se sim, faça-me então uma pergunta séria.

PL – Estamos a começar 2009, quer deixar uma mensagem aos seus fãs?

FA - Não, porque pura e simplesmente não os tenho. Eu não sou o Tony Carreira, nem o Micael, eu não sou amigo da Popota. Sinceramente, não sei quem são os meus fãs. Onde é que eles estão? Onde é que eles estão?

GUERRILHA DV | Realização Digital Independente. Workshop na Restart.










A pedido dos meus amigos da Restart, onde em breve irei dar um workshop de rádio, eis que divulgo o workshop Guerilha Dv que ali será feito nos dias 7, 8, 14, 15, 21 e 22 deste mês. Eis o que se pode ler acerca da coisa. Para todos os interessados, aqui vai:






OBJECTIVOS



Formação inicial em produção/realização de baixo custo em formato miniDV. Os formandos serão dotados das bases elementares de linguagem, escrita para audiovisual, optimização na operação da sua câmara mini DV, iluminação, e montagem, através da aplicação prática de conhecimentos.Cada formando terá a oportunidade de escrever, filmar e montar uma curta até 5min, individualmente ou em dupla se preferir






OBJECTIVOSEstudantes de artes, jovens realizadores, artistas plásticos, e jovens em geral que tenham um interesse especial por desenvolver capacidades de produção e criação em regime autónomo, livre do constrangimento dos grandes circuitos de produção.






CONTEÚDOS SESSÕES1ª sessão: Fases de projecto, breves noções de pré-produção e produção.Promoção e Distribuição (canais, web e festivais).Noções elementares de linguagem audiovisual (movimento, cena, plano, composição, gramática, continuidade).Desenvolvimento dos projectos guerrilha.2ª sessão:Argumento e Planificação.Início da preparação e pré-produção dos projectos.DV (Digital Vídeo).Câmara miniDV (possibilidades e optimização).3ª sessão:Produção (gravações) – grupo a.4ª sessão:Produção (gravações) – grupo b.5ª e 6ª sessão:Montagem e pós-produção.Upload dos trabalhos no SapoVídeos.




FORMADOR Gonçalo Luz Realizador, formado em cinema na Escola Superior de Teatro e Cinema de Lisboa, complementa os seus estudos na área do vídeo na ETIC (Lisboa). Segue para Nova York onde estuda na escola de actores Lee Strasberg Theatre Institute, participando desde então nas mais variadas acções de formação na área dos audiovisuais. Vencedor de vários prémios com trabalhos de produção independente em mini DV tais como “Innocent When you Dream”, “em Fátima rezei por ti”, “How I Feel”, Gonçalo Luz tem vindo a desenvolver o seu trabalho nas mais variadas áreas entre o vídeo e o cinema, passando pela publicidade. Membro do Actors Center (Roma) como realizador e formador de Realização na Restart.




LINKSvideos.sapo.pt/restartwww.youtube.com/guerrilhadvhttp://www.goncaloluz.com/HORÁRIO10:00 - 13:00 / 14:00 - 17:00 (36 horas)
VAGAS14 Participantes(mínimo 8)






informações Telefone 21.8923570e-mail info@restart.pthttp://www.restart.pt/

Sunday, February 01, 2009


Isto de sair à noite só ao fim-de-semana, é como andar de carro só aos domingos. Vai-se para a estrada - é certo – mas depois falta aquela elasticidade do pára arranca da semana. E a noite é mesmo isto. Tem que se andar sempre, de preferência todos os dias, e habituar-nos ao trânsito. E como em tudo, há um trânsito incomodativo e outro que não. E chegados aqui, é justo dizer que sair ao sábado é a mesma coisa que sair de casa à hora de ponta. Isto é, estamos em casa a ver as notícias, na televisão a dizerem-nos " olhe, que não vá para a segunda circular que está um sarilho que ninguém se entende, atenção à VCI que o trânsito não se aguenta", e nós o que é que fazemos? Vamos por ali dentro como se aquilo – talvez por nos pressentir ou coisa assim - mudasse entretanto. Mas não, não há santo que nos valha. E o tráfego é tanto que não se chega a lado nenhum: nem ao emprego a horas, nem ao bar, nem à outra rapariga, nem a ninguém, ouviram? Quando a confusão é muita, a poluição é geralmente insuportável, excepto quando nos apanhamos em festas em cujos motores estão já com o sistema híbrido e eléctrico devidamente instalados. Daí que sair a um Sábado é como fazer compras no último dia do Natal: pode-se sair-se, mas não é seguramente o melhor dia. E qual é? – perguntam. E eu respondo sem peias, cheguem-se aqui: Todos os outros! Num célebre livro, o afamado escritor George Orwell escreveu um dia uma frase que encaixa aqui como uma luva: No mundo somos todos iguais, mas há uns que são mais iguais do que outros".






Ora pegando nisto, e adaptando-o aos dias da semana, é fácil perceber que há dias mais iguais que outros. Mas os que não são – e são esses que verdadeiramente nos interessam – são para mim aqueles que deixam respirar as pessoas tal qual um bom design de interiores. E às vezes, há dias em que não se respira em determinados locais, que por vezes, se afiguram aos sábados que eu não gosto. Se bem que agora que penso nisto, gosto de pessoas que por vezes nos deixam sem respirar, mas isso agora não dá jeito nenhum para o estou a tentar apresentar.






Ora, onde ia eu? Exactamente, se querem saber, as pessoas são iguais aos dias que saem e não me venham cá dizer que as pessoas que saem à segunda são iguais às de quarta? Nada mais errado, odeiam-se, juro-vos. As de terça iguais às de Quinta? Ui, não as juntem num jantar. As de Sexta iguais às de sábado? Nem se podem ver. Daí que do mesmo modo que muitos dizem que vai ali um condutor de domingo ou tirou a carta com as farinhas Amparo, eu digo logo " vai ali um que aposto que sai às terças! olha, aquela ali, tem mesmo carinha de quem sai às Quintas! Aquele tem cara de segunda feira, o outro de Sexta, e andamos assim. E a verdade é esta, com a noite percebe-se logo quem sai e quem não sai e em que dia é. Aliás se me permitem – dá licença, dá licença - o problema é que isto de sair a um determinado dia, torna-se um vício. E os que saem regularmente a um dia, não saem num outro o que muito bem explicar aquelas pessoas que quando saem à noite vêem sempre as mesmas pessoas. Pudera, saem sempre ao mesmo dia. E depois quando tentam um outro, já não se adaptam. Eu, por mim, sou das quintas-feiras e não quero conversa com a rapaziada dos sábados. O pessoal das segundas e das sextas ainda posso trocar algumas impressões. Agora, o resto, não fazem parte do meu grupo. Eu sou das quintas e isto não é para todos. ( foto de Scott James Prebble)