Thursday, January 15, 2009

Será isto Bruno Aleixo?

Nota: A não perder, entrevista de Bruno Aleixo, esta Quarta-feira,dia 21 de Janeiro, no Pessoal e Transmissível de Carlos Vaz Marques.

Wednesday, January 14, 2009

Ui ca medo!





Está na moda ter medo, é fashion, nas ruas de nova Iorque não se fala em outra coisa. As pessoas têm medo de tudo, aposto que haverá alguém, neste preciso momento a ter medo deste artigo, a atirar o jornal ao chão e a correr pelas ruas da cidade aos gritos. O medo tornou-se uma marca mais poderosa do que a chanel e em nome dele praticam-se as maiores atrocidades, como se este fosse um novo Deus. As pessoas têm medo e eu não as censuro porque também o tenho. Mas não tenho medo de tudo. O mundo ocidental está a ser derrotado por isto, por este medo doentio, como se tivesse uma arma apontada à cabeça. As pessoas têm medo de falar, de escrever, de dizer o que pensam por temerem perder o emprego, os amigos, a mulher e os filhos e sobretudo a vida que têm ou pensam ter. Daí que seja comum que as pessoas que não têm uma vida, não tenham medo de nada, porque não há nada a perder. Quando se perde a vida, a nossa vida, ficamos com uma coragem de Rambo à nossa volta e com a faca na boca, deslizando pela cerrada vegetação, estamos dispostos a honrar a vida que nos tiraram, subtraindo a vida de outros, como se isso devolvesse a nossa.

Engano. A vida que nos é tirada não nos é devolvida deste modo, mas exactamente de forma oposta. É ao darmos a vida a outros, que ganhamos de novo a nossa. Mas não é fácil perceber isto, porque existe essa coisa a que chamamos vingança. As pessoas passam a vida a vingar-se da vida que têm ou da vida não têm, já não sei bem. Mas o que sei, é que se não houvesse vingança, não nos mataríamos tanto, inclusivamente, a nós próprios.

Mas calma lá, eu não estou aqui a citar a bíblia nem coisa parecida, não é nada disso. Eu não estou a afirmar que devemos dar a nossa vida pela dos outros, mas sim, e repito-o: a dizer que devemos dar novas vidas para além da nossa. Só isso. E não é pouco, bem sei.

Mas existe o medo – oh o medo, deus credo! – e é esse barulho que ouvimos a altas horas da madrugada na cozinha, que nos impede de sair do quarto quando é quase certo que foi um tacho mal posto, que terá caído sem que ninguém lhe tocasse. O mundo tem que sair do quarto sem medo e sem perguntar se "Está aí alguém?" porque se estiver alguém, esse alguém nunca irá responder com o tal medo que nos permite localizá-lo e fazer-nos disparar com o medo que trazemos. Porque é isto que aprendi nos filmes de acção. Porque o Rambo nunca pergunta se está aí alguém? Porque não está ninguém. Porque tudo não passa de um tacho mal posto no armário da cozinha.

Thursday, January 08, 2009

A ditadura da Felicidade



Hoje toda a gente quer ser muito feliz, não exactamente no dia em que estão a ler isto, mas possivelmente em todos os outros. As pessoas querem ser felizes todos os dias e ficam tristes se não o conseguirem. Há pessoas que só não são felizes por causa disto. Por não serem felizes de segunda a domingo. Daí que a felicidade devia adoptar o sistema há muito implementado na mulher-a-dias. Este conceito é vencedor, porque parte do princípio – para mim certo – que não podemos ter uma mulher todos os dias. Que já nos basta alguns. E que deveríamos agraciar o senhor por causa disso. E Deus sabe o quanto eu lhe agradeço. É ou não é verdade, senhor?

Pois é claro que sim. A felicidade também deveria ser entendida de igual modo. Como felicidade a dias. Ou num sistema dia sim dia não, ou tipo só ao fim-de-semana que é mais barato. Ou então de vez em quando e não se fala mais nisto. Mas a verdade, é que não é assim e todos os dias precisamente, somos pressionados a sermos muito felizes. É só olharem para o lado e perceberem o sorriso estampado no rosto de quem dá a cara por um qualquer anúncio. E reparem que quem vos escreve – olá como está, muito prazer - é precisamente alguém que ainda recentemente dava a cara por um desses anúncios- sim, sou o Vobis - onde aparecia com esse tal sorriso e ainda dois voluptuosos cornichos a ornamentar-lhe a testa. Daí que tenha legitimidade para agora escrever sobre isto, mas a verdade é que me custa que em todo o lado, todos me sorriam como se eu fosse uma criança que ainda não percebeu que isto não é assim tão bom. Querem um exemplo: O sorriso da marta da OK Teleseguro. Tudo bem que passou de telefonista para – ao que parece no último anúncio – chefe de divisão lá do Call Center, mas com verdade, digam-me: Que razões haverá para sorrir quando ligamos para um serviço destes? Olá Marta, estou aqui no meio da A5, bati com o carro com toda a força contra um poste de alta tensão e gostaria que me viessem aqui buscar com urgência. Até porque acho que devo ter facturado uma ou outra perna. E dito isto, imagino logo o sorriso da Marta do outro lado enquanto : Eh Eh, pois com certeza seu doidivanas, vai já par aí o nosso melhor bólide. Eh eh, tem bastante graça, não tem?

Não, não tem. Daí que não existam assim tantas razões para sorrir. Não é preciso sorrir Marta. A Marta não é o Jorge Gabriel, ninguém lhe acaba de trazer bolinhos regionais. Marta, para mim basta dizer-me que a assistência vai a caminho. Que está tudo bem. Mesmo sabendo que terá sido esse sorriso para o Chefe que a terá levada a essa promoção na empresa.

Wednesday, January 07, 2009

Are You Ready? de Solange Ribeiro


E pronto, mais um livro e mais um prefácio. Desta vez, é um livro que fala abertamente sobre o marketing com a asssinatura da belíssima Solange Ribeira. Chama-se " Are you o ready?". Eis o prefácio aqui do rapaz:

As pessoas pensam que escrever um prefácio é uma coisa muito fácil, chega-se aqui, dois ou 3 elogios de conveniência, que isto e aquilo, que nunca vi nada assim e pardais ao ninho e já está. E não é assim. Um prefácio é a cozinha de um restaurante, e por isso mesmo, tem que estar impecável. De tal forma que apeteça comer a seguir, o que neste caso particular, pode muito bem fazê-lo, desde que os funcionários da segurança do estabelecimento onde está a pensar em adquirir este precioso documento, não vejam. Aliás, se tiverem algum problema, não hesitem em exibir esta autorização que aqui deixo impressa : 'Para os devidos efeitos, o prefaciador desta obra dá autorização para que o prefácio seja comido pelo presente leitor. Obrigado'.

Antes pois de saciar o apetite, e se quiser, pode já ir comendo o primeiro parágrafo, mas entretanto, quero que saiba que Solange Ribeiro é para mim, justamente, a Vanessa Fernandes do marketing. Uma mulher habituada a vencer, com uma capacidade de resistência fora de normal e que esteve igualmente para ir aos jogos olímpicos de Pequim, como vencedora de um concurso de frases de uma conhecida marca de chocolates. A frase de Solange era muito bonita e certeira e foi por um triz que não conseguiu ganhar o prémio, visto ter ficado em 43ºlugar.

Solange Ribeiro é aquilo que a minha vizinha de baixo costuma apelidar de uma mulher 'Jeitosa' e a sua capacidade de produção é de tal modo extraordinária - sobretudo quando vem com uma saia justinha que eu gosto muito - que chego a ficar horas a fio a vê-la a produzir. E é um gosto. Solange Ribeiro sabe do que fala e este livro é a prova disso. Uma obra tão completa, que a li com a mesma sofreguidão que uma criança lambe o tacho onde a mãe fez o bolo e leva uma ' galheta' a seguir porque devia estar quieto. Este livro é por isso uma espécie de novo Pantagruel para os aficionados e se me permitem o Kamasutra do Marketing, visto nele serem defendidas muitas posições, alguma delas, pouquíssimo ortodoxas e por isso mesmo, muitíssimo saborosas.

É por isso um livro que se lê muito bem a qualquer hora do dia e também em qualquer lado. E não é pesado como o do Miguel Sousa Tavares, que anda aí a deixar muita gente corcunda e a ter que usar emplastro leão de forma regular. Pelo contrário, este livro, a ser usado, deve ser de forma vertical, exactamente, como a sua autora.


O livro, que é este aqui – por favor não o comam ainda! - é uma ferramenta de trabalho tão útil que não faltarei à verdade, se vos aqui revelar que não acredito, que depois dele as coisas continuem na mesma. Existirá pois o período antes deste livro e depois deste livro. E aqui entre nós, a melhor forma de assegurar o seu futuro, é pegar nesta obra – Que bonita que é! - e juntamente com o seu cartão de crédito, estender a mão à caixa de serviço com se estivesse num encontro do Igreja Universal de Deus e adquiri-la sem pestanejar. Não se esqueça de pedir recibo por causa da A.S.A.E. Não se esqueça de quem lhe recomendou este livro. Não se esqueça de pagar a luz. Lembre-se sempre deste nome maior que agora lhe chega às mãos: Solange Ribeiro.

Monday, January 05, 2009

O que é que está a dar?




De cada vez que saio à noite, há imensa gente que me pergunta: O que é que está a dar? E normalmente, quando o fazem eu tento reproduzir o que me dizem as pessoas que sabem o que é que está a dar. Eu desconfio sempre de coisas que estão a dar desde que vi um senhor munido de um microfone ao peito : era como se fosse uma harmónica igualzinha à do Bob Dylan mas o senhor era mais entroncado e não cantava o "Like a rolling stone". O senhor dava. Dava canetas e ia dizendo " chegue-se aqui, aqui não se paga nada, se não acredita, venha e comprove com os seus próprios olhos". E os meus olhos comprovavam o que dizia. O senhor dava canetas de borla, o senhor dava relógios e quando já muitos pensavam que o senhor estaria a cumprir uma estranha promessa onde não poderia receber dinheiro de ninguém, o senhor, este senhor de microfone ao peito, beneficiando do entusiasmo dos que o rodeavam convencidos de que aquilo que iria licitar a seguir também iria oferecer, vendia para espanto de todos – agora sim – vendia por bom preço, um que não valeria nem metade desse valor.


Daí que desconfie de coisas que estão a dar. As coisas que estão a dar são como as caixas Multibanco, aparentemente estão a dar-nos dinheiro, mas na realidade estão a tirar. Mas isto não quer dizer que eu não vá aos sítios que estão a dar. É óbvio que vou, mas quando o faço, tenho a mesmo atitude de alguém que vai no metro em hora de ponta: tenho atenção à carteira.




É muito raro que os sítios que estão a dar não se aproveitem indecentemente disso e aqui para nós, eu acho que fazem bem. E explico porquê. Porque os sítios que estão a dar, foram eleitos democraticamente. Isto é, existem outros locais. E se as pessoas pagam 5 euros por uma água de luso, é porque querem e porque sabem que não estão só a pagar uma água de luso, mas também a vista que é tão bonita e aquela loira que há tanto não víamos. É claro que é um abuso? – É sim senhor – É claro que é um roubo? – É sim senhor, agarra que é ladrão! - mas é o preço a pagar para estar num sitio que está a dar. Agora, quando existe uma situação de monopólio, a minha opinião é diferente. E obviamente falo das estações de serviço, dos preços praticados nos aeroportos, nos hotéis e nos comboios por exemplo. Isto é, vou à estação de serviço da Mealhada e como bom cidadão português que sou, deito a mão a umas enternecedoras sandes de leitão e quando vou a pagar: são 6 euros e verde código verde se faz favor. Pois bem e aqui o que é que eu faço? Vou à mercearia do lado que será mais em conta? Ou verde código verde? Pois não me resta outra possibilidade do que marcar os algarismos, que são obviamente a minha data de nascimento. E com um café a 1 euro no bar do comboio também? A não ser que salte fora em andamento sim. E 3 euros por 15 minutos de Internet num hotel igualmente? A não ser que vá de táxi ao centro da cidade às 3 da manhã onde possivelmente o cibercafé já estará fechado, sim. E um cházinho de menta a 2 euros e meio no café do aeroporto já na zona posterior ao ckeck in? Pois não é coisa que se escape, porque ninguém quer descalçar-se outra vez que o chão está frio. Isto sim, revolta-me e faz-me salivar da boca. Agora, os sítios que estão dar? Esses, vou precisamente enquanto estão a dar. E há muita gente à porta e raparigas muito perfumadas e um porteiro muito concentrado a dizer que aquele senhor pode entrar mas aquele outro já não poderá entrar. Com pessoas muito bem vestidas, com música na batida certa, com todos os ecrãs ligados na fashion tv, com toda a gente a fazer o que deveriam reservar para uma instituição humanitária: a dar. Eles sim.