Wednesday, December 31, 2008

Hoje vou estar aqui. Centro cultural de Aveiro. Mas também na Alfândega do Porto.






Por uma qualquer razão que eu não percebo muito bem, Aveiro é a minha cidade portuguesa preferida. Não é a primeira vez que o revelo, embora não me importassse muito de viver igualmente em Nova Iorque ou então Praga. Contudo, Aveiro tem qualquer coisa diferenciadora. Volto a dizer que não sei bem o que é, aliás, não sei de todo. O que eu sei, é que gosto de chegar à Aveiro, de ir à Praia da Barra, de beber uns copos na Praça do Peixe onde em tempos existiu um bar que se chamava " Luis-arma-Estrondo". Costumo dizer que se um dia for rico, gostava de comprar uma casa em frente à Praia da Barra. É possível que nunca a venha ter, é quase certo que nunca venha a ser rico, mas fica a intenção que é isso que agora importa. Mais do que em Nova Iorque ou Praga, eu gostava mesmo era de ter uma casa em frente à praia da barra em Aveiro. Com uma varanda ampla. Com calor lá fora e um dry martini com duas pedras de gelo.

Hoje é o último dia do ano e neste dia penso sempre na vida. Eu detesto pensar na vida e talvez por isso me recuse a conduzir durante largas horas. As longas distãncias faço-as invariavelmente de comboio ou outro meio que me possibilite ler ou escrever durante o caminho. Se eu estiver a conduzir e não puder fazer nenhuma destas duas coisas, acontece isto que está a acontecer hoje: penso na vida.

Acordei agora mesmo, é 1 da tarde na minha janela. Falta meio dia para 2009 e a minha cabeça só pensa naquilo que terei feito em 2008 e sobretudo naquilo que quero fazer em 2009.

Neste último dia, naquela tortuosa passagem da meia noite, estarei a fazer o que eu mais gosto nestas alturas, que é precisamente passar música e fazer a contagem dos últimos segundos. Com uma novidade, uma espécie de segredo para os visitantes deste blog: Pela primeira vez, esta contagem será feita para dois locais ao mesmo tempo. Isto é, farei a contagem ao vivo no Centro Cultural de Aveiro - onde estou a passar música até às 05 - mas também para a Alfandega do Porto, para onde me encaminharei depois dessa hora. O que importa mesmo, é que em qualquer um destes lugares, em qualquer uma das horas, em nenhum momento, eu pense na vida como sempre me acontece quando conduzo o meu carro por estradas que nunca terminam e onde nunca há ninguém para pedir informações ( nestas estradas , o gps nunca funciona) .

Mas pronto, o que resta dizer, é convidar todos a virem daí darem-me um abraço à meia noite e desejar obviamente um ano de 2009 que seja tão bom quanto o do Cristiano Ronaldo em 2007 e melhor do que o de Obama em 2008. Que todos vocês, durem mais que o Manuel de Oliveira.

Um grande ano de 2009. Se quiserem saber mais sobre qualquer uma destes estupendos acontecimentos, devem fazê-lo em: producoesestafermo.blogspot.com. Até já.

Sunday, December 28, 2008

Reveillon: então e se fossem todos, não digo dar uma volta ao bilhar grande, mas a Aveiro? Ou ao Porto?

Oiçam aqui porquê:



Leiam aqui porquê:

«É em Aveiro que as Produções Estafermo se aventuram pela primeira vez numa passagem de ano fora do Porto, e não nos parece que nos venhamos a arrepender disso, até porque os sinais de inquietude a esta hora são demasiado evidentes.

O centro cultural e de Congressos de Aveiro é o local escolhido e os dj's de serviço serão Dj Paulinho - uma referência musical para qualquer frequentador nocturno da noite de Aveiro - e Fernando Alvim - apresentador da prova oral da antena 3, do boa noite Alvim na SIC Radical, director da revista 365, da Speaky.tv e mais recentemente colaborador da Maxmen e autor do Livro "50 anos de carreira". Alvim irá trazer-nos o que há tanto reclamávamos: Uma festa de fim-de-ano onde nos apeteça beber, dançar e correr nus pela ruas de Aveiro.

Alvim promete por isso passar os temas proibidos pela ditadura das multidões, os permitidos pelas pistas de dança, os clássicos dos desenhos animados onde não faltará Dartacão e Abelha Maia, música russa - Alvim adora ouvir o Kalinka - e ainda dois temas que nunca podem faltar em qualquer uma das suas actuações: "Vinho verde" de Paulo Alexandre e Favas com Chouriço de José Cid.

O bar é aberto, há lounge café, há parque privativo, há show cooking e aconselha-se que o dress code seja formal, porque tudo o resto não o será.

É a passagem de ano de Aveiro e não tenham dúvidas de que não haverá nenhuma igual a esta. Mais informações pelo: 91 712 53 29 ou pelo email: passagem_ano_aveiro@sapo.pt

Portanto, em Aveiro há o Alvim:

(Clique aqui para ampliar)

E no Porto há a Rita:

(Clique aqui para ampliar)

Wednesday, December 24, 2008

Não há tempo para nada



Não há tempo para nada, estamos todos cheios de pressa, não há tempo para ler, nem telefonar a um amigo a perguntar só se está tudo bem. Como não há tempo, as pessoas por vezes ligam-se e dizem: Olha, só te liguei para te pedir um favor e depois de o fazerem, invariavelmente desligam prometendo que para a semana irão almoçar. E até iriam se houvesse tempo, mas não há, e assim não vão almoçar. As pessoas só têm tempo quando estão presas no trânsito ou numa situação em que são obrigadas a ter tempo, tipo presas no trânsito. Ou então à espera do autocarro. À espera da sua vez na consulta. À espera de ser atendido na fila longa. As pessoas têm tempo quando estão à espera. É um tempo forçado, como se fosse uma prisão domiciliária, uma liberdade condicional, mas é tempo. Se não houvesse filas de trânsito ou do talho, ninguém teria sequer este tempo, que não é bem aquele tempo no seu estado mais puro, como o tango do Gardel.




Às vezes ligam-me pessoas que parecem ter tempo para mim e interromperam o seu dia para me perguntar como é que eu estou - Que é feito de ti que nunca mais disseste nada? que me têm visto aqui e ali, que estou em grande. Perguntam-me se eu tenho falado com aquele amigo que ambos temos em comum - ainda andas com aquela? - se estou mesmo bem, se sempre me mudo, se é verdade o que lhes haviam dito, até que de repente, abruptamente me dizem: "olha que chegou a minha vez, estão a chamar o meu nome nas colunas! - que têm que entrar, mas que ligam mais tarde". As pessoas que dizem que ligam mais tarde quando ouvem o seu nome nas colunas são iguais às que dizem que para a semana iremos almoçar. Não vão almoçar. Não vão ligar mais tarde. Não vão mais nada.




As pessoas sem tempo não o procuram porque se habituaram a não o ter. E quando alguém se lhes abeira e anuncia que tem tempo para lhes dar, dizem que não têm tempo para isso. As pessoas sem tempo nenhum não têm afinidade com as pessoas que têm tempo para tudo e quando ambas se encontram trocam acusações várias que acabam enroladas pelo chão. As pessoas que têm tempo para tudo nem sempre são melhores que as pessoas que não têm tempo para nada. Apenas o fazem – que é possível fazer tempo – precisamente, quando ligam para mim.




Estas pessoas não têm tempo para isso, daí que em situações como esta, elas digam que estão a fazer tempo, quando só o estão a desperdiçar. Não há ninguém que consiga fazer tempo com alguém a quem só se ligou porque estava à espera. Só se faz tempo – e que belíssimo tempo se faz – com duas pessoas que o tenham. Basta uma pessoa não ter e temos o caldo entornado. Não pensem mais nisto que não vão a lado nenhum pois não é qualquer um que o faz. Lembrem-se que há quem o perca, que o passe tal qual um dealer de esquina do Bairro alto, que não esqueça uma parte, várias, que nunca tenha tido, que o ganhe mas dificilmente o faça. O que quer que seja dele. e também não tenho a certeza que se o possa fazer de um outro modo. Acho que o tempo não recua, só avança. Pode ir mais rápido ou devagar, mas avança sempre. O tempo não pára, mas nós sim.


P.S - O dono deste estabelecimento deseja a todos um bom Natal e tal tal tal.