Monday, November 10, 2008

A final do "Quentes e Boas". Terça-feira. Dia 11 de Novembro. Blues Café em Lisboa.




Esta Terça, às 18 horas, no Blues Café em Lisboa, chega ao fim a primeira edição de Quentes e boas, que durante practicamente um ano - pronto, um bocadinho menos - desafiou todos a participarem com o envio de um pequeno filme que bebesse inspiração no imaginário das páginas amarelas e pudesse assim conquistar um dos 3 prémios nos valores de : 15.000, 10.000 e 5000 euros.



As participações estão disponíveis para visualização no site: http://www.quenteseboas.pt/ e na Terça-feira, a partir das 18.00 horas serão divulgados os vencedores.
Todos os participantes ou simpatizantes da iniciativa estão convidados a aparecer, para saberem antes de todos os outros quem venceu, e já agora, para entrarem naquilo que poderá ser o primeiro magusto urbano da história. Será em pleno Blues Café. E como se isto não bastasse, a isto se junta o assinalável facto de, pela primeira vez, eu ir passar música ao final da tarde.

E Será bem bonito. Esta Terça. Dia 11 de Novembro. Os vencedores. O Magusto. A Jeropiga. A festa de final do "Quentes e boas" no Blues Café em Lisboa.

Thursday, November 06, 2008

30 Anos de casamento


Há dias, numa viagem de comboio, folheando a minha agenda, reparei no caos geográfico das minhas deslocações nos últimos meses: “tenho mais quilómetros que um volkswagen dos anos 70”, murmurei (a rapariga que ia sentada no banco da frente, levantou os olhos do livro e olhou-me desconfiada).

De facto, mal paro em casa. Vazo os treze quilos de publicidade da caixa do correio, rego as plantas, trato dalguns assuntos pendentes e pronto, há que renovar o stock de roupa da mochila – boxers do pluto, t-shirts dos teletubbies, pijama do Marilyn Manson – e ala que se faz tarde.

Ora, nesse dia, tocou-me uma espécie de nostalgia por uma rotina que nunca tive: imaginei-me, inclusive, com 30 anos de casamento! Vi-me a acordar à hora certa no leito conjugal, a dar o primeiro chocho da manhã ao meu amor, a entrar na cozinha para o pequeno-almoço (de lágrimas nos olhos por causa de um pêlo que tentara, sem sucesso, arrancar do nariz), a dar o segundo chocho e a sair para o trabalho onde, salvo o almoço e umas idas ao snack do rés-do-chão para um piropo à empregada, um croquete e uma bica, passaria as oito horas da praxe. Seguir-se-ia o regresso a casa, um beliscão na nádega do meu amor e terceiro chocho do dia com a pergunta “o que é o jantar hoje?”, embora, às quartas, fosse invariavelmente coxas de frango com puré. Após refeição, seria só vestir os pijamas, ver a telenovela, o programa do Malato e cama (eu a vir do WC, olhos rasos de água, exibindo, orgulhoso, na pinça, o pêlo do nariz que finalmente conseguira arrancar). Deitados, já com a luz apagada, daríamos então o último chocho, este com alguma insinuação de língua, mas nada de especial, porque sexo só na segunda sexta-feira de cada mês (não somos nenhumas máquinas sexuais).

Manhã seguinte, despertador, eu a ir para o primeiro chocho do dia, mas agora a minha esposa tinha uns olhos enormes. “Porque tens esses olhos enormes?”; responde-me que “é para te ver melhor”. “Então e essa boca enorme?”: mostra, os dentes afiados, medonhos: “é para te comer”, e lança-se a mim, comigo a tentar fugir, “Não! Não! Não! Não!”.

“Acorde!, hei, acorde!”: a rapariga que ia sentada no banco da frente levantara-se e sacudia-me. “Isso é que foi um pesadelo, hum? Desatou para aí a gritar um não-não-não que metia dó”.

Voltei a pegar na agenda: Famalicão, Porto, Lisboa, Santarém, Bragança... O caos geográfico das minha deslocações era real. Felizmente. Quanto à nostalgia pela falta de rotina: tinha-se esfumado.

Um sócio dos bons


O sonho de qualquer pessoa minimamente ambiciosa é ter um bar. Reparem que ninguém sonha em ter uma discoteca. As pessoas querem ter um bar. E depois daí, logo se vê. Parece até que existe uma ordem natural para este tipo de coisas: primeiro um bar, depois uma discoteca e logo a seguir falência e fuga para o Brasil com o dinheiro todo do sócio. Não há negócio onde os sócios fujam tanto para o Brasil como nestas coisas da indústria nocturna. Normalmente os bares correm bem, mas as discotecas raríssimamente. E correndo bem ou mal, há sempre alguém que foge para o Brasil com a massa.


E depois há as pessoas conhecidas, os famosos ou simplesmente, os amigos da "Maya". Que a exemplo de todas as pessoas que sempre sonharam ter um bar, com o advento da popularidade, pensam que só isso basta para fazerem um negócio lucrativo, dizer que o bar é meu e tal, impressionar duas ou 3 miúdas mais sensíveis e posto isto, ir aparecendo de vez em quando. Se virem bem, exceptuando um caso ou outro, isto dá sempre asneira. Não só a nível nacional, como também a nível internacional. Lembrem-se do Planet Hollywood que juntava o Stallone e o Bruce Willis e digam lá se eu não tenho razão. É muito bonito e tal, o bar é do Figo, o Figo é o maior e tem uma mulher muito gira, eu vou ao bar do Figo que é bem bonito mas o Figo que é suposto estar lá, está ou não está? Ah? Não está, não senhor. E nem uma, nem duas, nem tantas outras vezes, até se perceber que aquilo tem tanto de bar de Figo como da muralha da China (e juro que não estou aqui a fazer qualquer gracinha com o nome do sócio).

Depois, conheço o caso de um indivíduo muito popular que também tinha o sonho de ter um bar. Esse cidadão muito conhecido juntou-se a outro igualmente muito afamado e juntos decidiram fazer um bar muito lindo como se fosse um negócio de família. O bar era (é) no Porto, mas um dos sócios, trabalhava em Lisboa e raras eram as vezes que aparecia no bar muito lindo . A pouco e pouco os dois sócios deixaram de se falar e de cada vez que o rapaz muito famoso lhe pedia contas ou lhe perguntava como estava o bar, a resposta era sempre fria e tão distante que ultrapassava em muito os 300 quilómetros que já os separavam . Ambos tinham 50 % do negócio, mas na verdade, fora do papel, o sócio do Porto é que mandava, porque ele é que ali estava ali fisicamente e o outro se quisesse saber como estava o negócio que viesse cá vê-lo, ora essa. E o ambiente de irmandade que até então caracterizava a ligação de ambos começou a azedar-se para grande contentamento do sócio do Porto que viu o outro afastar-se como sempre havia planeado, desistir dele, do negócio, de dar ideias, mesmo sabendo que legalmente ainda a ele está ligado com os tais 50%. E não quer nada. Pelo contrário, quer livrar-se daquilo o quanto antes, como se tivesse vergonha.

E enquanto desiste do seu bar com que sempre sonhara mas cujo sócio se havia revelado uma opção errada, percebeu que o que lhe tinha acontecido, fora no fundo, o que já terá acontecido a tantos outros. Que a sua fama não fora suficiente para manter o negócio à distância e controlar a ganância desmesurada do seu sócio, com quem havia partilhado o seu plano. Que a fama de nada vale se não soubermos estar lá. Que esta história, que este rapazinho de Lisboa, sou eu. Pois pois. E que o meu sócio afamado, neste momento, deve estar a tentar arranjar outros sócios iguaizinhos a mim. Dos bons, portanto!