Monday, July 07, 2008



Há duas críticas comuns que são faladas por quem sai à noite. A primeira e mais usual é referente ao facto de nos parecerem sempre as mesmas pessoas. A segunda - e isto para uma certa geração à qual eu pertenço - de que existe um excesso de miúdos a frequentá-la. Vamos por partes:

Em relação à primeira, a verdade é que são sempre as mesmas pessoas, porque eu já inclusivamente mudei de cidade, do Porto para Lisboa, e vos garanto que são as mesmas. Ainda outro dia por exemplo, estava no Bairro Alto e vi um amigo meu de longa data com a ex-mulher de um futebolista qualquer. Movido por uma inquietante curiosidade liguei-lhe para casa dele precisamente a informar a mulher disto mesmo e sabem o que esta me disse? Disse-me ela que não, que não podia ser, que ainda há 5 minutos atrás ele lhe tinha ligado de uma esplanada em Matosinhos a dizer que aquilo estava animado e que se calhar não ia dormir a casa. E através disto, percebendo eu que era mesmo o meu amigo que ali estava, à minha frente, no Bairro Alto, pode-se por aqui comprovar que um ser humano pode estar em duas cidades como Lisboa e no Porto, à mesmíssima hora.

E mais. Há medida que a noite avança é cada vez mais frequente que as pessoas desabafem a dada altura que tudo lhes parece igual e que lhes apetecia uma garrafa de água das pedras que não se estão a sentir muito bem. É sobretudo na noite que os homens e as mulheres são mais iguais, como se tivessem com uma daquelas batas aos quadradinhos que davam nos colégios dos meninos ricos, de forma a que, precisamente, se pudessem corrigir as desigualdades sociais que muitas das vezes se verificavam na roupa que usavam. À noite, ricos e pobres têm sempre dinheiro para beber uma cerveja e só se percebe a tal diferença social quando um deles pede um whisky velho e o outro começa a dizer que se esqueceu do dinheiro em casa mas que para a semana paga.


Quanto aos miúdos, nada a fazer. A noite será sempre dominada por eles no geral e por elas, em particular. O problema da noite com os miúdos é só um: Não têm dinheiro. E o problema dos adultos com os miúdos é terem dinheiro mas não serem já miúdos. Para um miúdo é muito raro sair à noite e não se divertir muito com poucas cervejas, mas para um adulto, são poucos os sítios onde se divertem e muitos os whiskies necessários para o conseguirem. Daí que os adultos falem tanto dos miúdos como se nunca tivessem saído à noite com a idade deles, do mesmo modo, que às vezes parece que os nossos pais nunca foram filhos, pois caso contrário, ao saber o que é estar deste lado, perceberiam que é mais o que natural não ir dormir a casa sem avisar ou chegar a casa com uma honrosa embriaguez.


Daí que seja verdade que à noite são sempre as mesmas pessoas (não esqueçam o caso do meu amigo de longa data) mas totalmente falso que exista um excesso de miúdos a frequentá-la. Os miúdos são sempre em igual número e vão-se revezando. Nós é que crescemos, deixando de ser miúdos para agora os ter, não na noite, mas se tudo correr como o previsto, na cama do hospital.

Thursday, July 03, 2008

É hoje, É hoje no Maxime em Lisboa. Sem Playback.


Tirem do armário as sabrinas, os macacões azul-piscina, o casaco brilhante... Não, não é uma cena dos anos 80...não vamos para o arraial mas sim para a discoteca. O som “cool” made in Portugal para mostrar que a canção portuguesa não é só festival.


No início da década de 80 as ondas hertzianas traziam até nós os primeiros acordes da Pop que se fazia “no estrangeiro”, ao mesmo tempo nascia o rock português e o festival RTP da canção era instituição nacional acima de qualquer suspeita. Por essa altura, um dos mais prolíferos compositores e letristas portugueses escrevia algumas das canções que viriam a definir o imaginário da canção ligeira portuguesa dos anos 80.


Tendo concluído a licenciatura em Medicina, na Universidade de Coimbra, Carlos Paião cedo abandonou a carreira por amor à música, nas palavras do cantor “prefiro ser um bom músico, ao invés de ser um mau médico”. Dono de um humor inteligente, ainda hoje actual, tornou-se o cérebro e a mão por detrás do repertório de figuras eminentes do entretenimento nacional, chegando a escrever por exemplo para Amália Rodrigues, conhecida apreciadora das suas letras.Sem promover um saudosismo bucólico ou nostálgico da memória de Carlos Paião, Sem Playback quer relembrar e dar a conhecer às gerações mais novas um pouco da obra deste artista que, durante a sua curta carreira compôs mais de 500 canções.


Sem playback é um concurso / espectáculo musical em que 8 concorrentes / cantores interpretarão outras tantas canções de Paião. A originalidade e criatividade serão os critérios preponderantes para a avaliação das interpretações. Uma banda suporte assegurará ao vivo a base instrumental, trabalhando novos arranjos, trazendo para a actualidade a riqueza e diversidade do repertório do autor.


A música salta depois para a pista de dança, onde um colectivo de Djs vai redescobrir e desenterrar outros tesouros da canção ligeira portuguesa das últimas décadas.O espectáculo realizar-se-á no dia 3 de Julho de 2008 no Cabaret Maxime em Lisboa.
A entrada custa 5 euros. Isto é organizado pelos alunos da Restart. O apresentador escolhido foi aqui o rapaz. Venham daí!

Toda a gente viu!




Existe um hábito em Portugal - e presumo que em todo o mundo também - de dizer que toda a gente viu, como se esta expressão, pudesse por si só, ser suficiente para justificar uma qualquer acção ou acontecimento. E quando me dizem “Toda a gente viu” é certinho que eu pergunte: Quem é toda a gente?

E aí, quem quer que seja, reage normalmente com espanto e uma espécie de indignação falsa para ganhar tempo para a resposta. Quem é toda a gente? – pergunta, como se tivesse ouvido mal. Quem é toda gente? Repete de novo, enquanto processa uma resposta válida. E quando o tempo se esgotou e se ouve o silvo metálico da verdade, afinal é só um ou dois. Ou só um. Ou não é nenhum mas é como se fosse toda a gente.


E aí, deito as mãos ao cachimbo, faço arder bem as folhas de tabaco e pergunto no meio do nevoeiro: “Mas espere lá, toda a gente viu? Ou “ Toda a gente sabe?”. É que embora as duas afirmações comecem de forma idêntica usam verbos diferentes. E isso muda tudo. Porque ninguém me garante que algo que "toda a gente sabe, toda a gente viu".Se é que me faço entender. Isto é, há muita coisa que se sabe a partir de informações de gente que não viu, que só sabe. E isto é um problema.

Mas esperem. Mesmo que toda a gente tenha visto, isso não quer dizer que seja verdade o que viram ou que não sejam necessárias provas daquilo que afirmam. Reparem no exemplo: O Mantorras vai isolado na grande área, ao perceber que o guarda redes sai aos seus pés, Mantorras agita a bola para a direita fugindo ao embate com aquele bruta-montes e depois desfere um poderoso remate,que escandalosamente bate na trave ( meninas, não é no poste, é na trave), na parte interior da trave, nos gémeos da trave e embate caprichosamente na linha do golo. Evidentemente, que toda a gente no estádio grita "Golo!" e "Viva o Benfica" e "O mantorras é o maior" e, quando o árbitro diz que afinal a bola não entrou, dizem logo que a sua mãe trabalha numa actividade ao ar livre e isenta de impostos. Que foi golo e que toda a gente viu! Que é uma vergonha e que toda a gente viu, que toda a gente fala e toda a gente sabe que foi golo sim senhor! Que a bola bateu para lá da linha.Que é golo e que é do Benfica!

E chegados a casa, ao ver o Domingo Desportivo – que embora não exista há mais de 10 anos eu gosto de continuar a chamar Domingo Desportivo - percebemos que o árbitro estava cobertinho de razão quando vemos a repetição mais do que uma vez, ainda tentando negar aquilo que vemos mas percebendo que a bola não entrou não senhor e que afinal o que toda a gente viu não era verdade.

Tuesday, July 01, 2008

14ª Festival Termómetro. De 25 a 18 de Outubro. Inscrições Abertas.




14ª Festival Termómetro. De 25 de Setembro a 18 de Outubro. Inscrições Abertas.

Estão abertas as inscrições para a 14ªedição do Festival Termómetro que este ano se realiza entre os dias 25 de Setembro e 18 de Outubro. Todas as bandas ou artistas, nacionais ou estrangeiros, com ou sem discos editados, poderão participar, devendo para isso fazer chegar o quanto antes uma maquete com 3 temas originais para:

Festival Termómetro
Apartado 15154
1074-004 Lisboa


Para acelerar o processo, basta que a banda ou artista nos indique o seu endereço no myspace e uma declaração que afirme a sua vontade de participar. De uma forma ou de outra ( maquete ou via myspace) é obrigatório que anexem uma foto e biografia actualizada da formação. Os resultados serão divulgados a 15 de Setembro em ww.termometro-online.com, o site oficial.



Eis as bandas que venceram cada uma das edições do Festival Termómetro, com excepção do ano 2001, onde tirámos uma licença sabática. Desde 1994


1994 BLIND ZERO (Site Oficial / Wikipedia) 1995 BAD LEGACY 1996 SILENCE FOUR (Wikipedia)1997 FEED (Site Oficial) 1998 BIG FAT MAMMA (Wikipedia)1999 SLAMO (MySpace) 2000 RITA CARDOSO2002 STOWAWAYS (MySpace) 2003 ALLA POLACCA (Site Oficial / MySpace) 2004 SINAPSE2005 MAZGANI (Site Oficial / MySpace) 2006 YESTERDAY2007 FÁBRICA DE SONHOS


Até 2005 o Festival denominou-se “Termómetro Unplugged” mas, com a abolição da clausula que obrigava a utilização de instrumentos acústicos, passou a chamar-se “Termómetro” . Uma nova denominação que significa que todos, sem excepção, poderão participar com os seus projectos, não havendo assim nenhuma restrição ou condionamento.Eis também, algumas das bandas mais significativas que por aqui passaram:Ornatos Violeta (Wikipedia / Site Oficial / MySpace)Alucina Eugénio Terrakota (MySpace / Site Oficial / Wikipedia) Sloppy Joe (Site Oficial / MySpace) Astonishing Urbana Fall e Olive Tree (MySpace)


Assim, pede-se a todos que nos ajudem na divulgação do presente bem como no reencaminhamento desta notícia a todos os que achem que podem estar interessados.


Para outras informações, contactar o 91 440 41 58 ou em http://www.termometro-online.com/.