Monday, April 07, 2008

Tudo na vida tem um preço


Se há coisas em que eu não gosto de pensar é na vida que tenho. E talvez por isso, faço tudo o que está ao meu alcance para me manter ocupado e assim não pensar na vida. Eu gosto da vida que tenho – é verdade que sim – mas queixo-me sempre de qualquer coisa, como quem vai ao médico e não sabe muito bem o que é que tem: "mas dói-lhe aonde?" pergunta-nos. E nós lá vamos dizendo "oh senhor doutor, eu não sei onde é que me dói, mas dói-me o que é quer que eu lhe diga? E de facto, não é preciso dizer mais nada, há coisas que não se explicam e a vida pode ser uma delas. De qualquer forma são 70 euros pela consulta. Obrigado e volte sempre.





Às vezes sou apanhado a pensar na vida. Outras, por uma operação stop. E de todas as vezes que fui mandado parar por uma autoridade, foi porque estava a pensar na vida. "Com que então passou um vermelho!?" e eu encolhendo os ombros lá me vou lamentando "oh senhor guarda, desculpe, estava a pensar na vida!" como se isso fosse justificação para o que quer que fosse. E é. Pois que outra forma encontram para justificar que alguém que está na pole position de um semáforo, não tenha ainda percebido que está verde. É óbvio, que está a pensar na vida. Apita-se, buzina-se duas ou três e quando finalmente o conseguimos passar pela direita, abrimos o vidro do nosso lado e perguntamos em tom irritado: "Oh homem, você está a pensar na vida?. Ao que ele, se for honesto, responderá : "Estou".





Por isso existem muitas pessoas que gostam de falar da vida dos outros. E poucas da vida que têm. E porquê? Está bom de ver. Porque é muito mais fácil pensar na vida do vizinho em frente do que da vida que temos, porque isso implica, já decerto adivinharam: pensar na vida. Exactamente. E pensar na vida dos outros não é pensar na vida. Devem pensar que eu estou doido – talvez, talvez – mas esperem lá, a expressão pensar na vida, só é preocupante, só verdadeiramente destabilizadora, quando é a nossa vida, quando este pensar é apenas e só sobre a nossa vida. Querem mais? Não ouço? Mais? Pois muito bem, vamos a isto. Mesmo quando estamos a pensar em outras pessoas é sempre, em função da nossa vida que o estamos a pensar. A mãe quando pensa na vida do filho e diz" Aquele rapaz anda magro, não se alimenta bem, é um doidivanas". Ela preocupa-se por ele – é claro – mas preocupa-se porque isso, esse facto, o facto do estupor do miúdo não comer como deve ser, interferir com ela, a inquietar, lhe dar cabo da vida e a fazer fumar dois maços por dia quando devia ser só um. E logo agora que o tabaco aumentou.



De resto quando associamos a vida a uma figura da família, fazemo-lo à madrasta. E não deve ser por acaso. Daí as pessoas desde sempre dizerem que a vida é madrasta. As pessoas não dizem a vida é mãe, é pai, é tio, é bisavó, não senhor, não dizem nada disso, o que dizem, e isso sim eu já ouvi, é que a vida é madrasta. E isso não me parece que seja coisa boa, pois eu tenho boa memória e sei muito bem o que é que a madrasta fez à gata borralheira, que mais tarde, ser viria a revelar a cinderela. E não, não é à toa que associam a "vida" à mais velha profissão do mundo, dizendo à boca cheia – se calhar esta expressão pode ser mal entendida – que a vida é uma prostituta. Bom, não será bem assim. Na verdade, o que se diz, normalmente quando estamos chateados, é: a prostituta da vida! Como quem quer dizer, a vida leva-nos dinheiro por este serviço que é viver. A vida deixa-se usar quando nós pensávamos que éramos nós que a usávamos. Ela é que se serve de nós. Ela. E nós ainda por cima – palermas – pagamos. Daí muitas pessoas dizerem que tudo na vida tem um preço. Pois claro que tem. E sabem que mais, não é barato.

Saturday, April 05, 2008

Beatriz Batarda e Rui Reinho no Boa Noite Alvim. Domingo. 23 horas. Sic Radical


Está agitada a vida de Rui Reininho nos últimos meses, e mesmo assim – perante a insistência – aceitou o convite para ir ao boa noite Alvim. E foi. A conversa fala sobre a vida que leva desde há uns meses mas também a outra que sempre o caracterizou. Fala-se sobre os GNR, sobre o concerto que aí vem no dia 18 de Abril no Pavilhão Atlântico e também sobre mulheres.

Porque falamos nisso, eis que vos revelamos a outra convidada. Beatriz Batarda, para muitos a melhor actriz portuguesa da actualidade e para o apresentador que agora vos escreve, a Isabelle Huppert portuguesa.

Beatriz – supostamente Bia para os amigos – fala sobre a forma como leva a representação a sério, sobre o seu casamento, as suas filhas, o seu marido ao qual gosta de chamar Senhor Bernardo e da forma como se preocupa com a vigarice. Tudo menos a vigarice. E sabem que mais, não nos pareceu nada que tivesse a representar em algum momento.

Posto isto, ficamos à espera dos vossos comentários. Se gostaram ou não, se houve alguma pergunta que ficou por favor – ficam sempre – se houve um momento em particular que gostariam de ter sido melhor esclarecidos. Podem também mandar sugestões, presuntos e palpites para o Euro milhões, mas ficávamos mais agradecidos que nos sugerissem perguntas ou mesmo situações para os dois convidados que se seguem: Telma Monteiro – a judoca que falhou a primeira chamada neste programa – e Pedro Paixão, o escritor que agora regressa com um novo livro com 3 vezes mais páginas que o emblemático "Noiva Judia". Queremos perguntas boas, óptimas, extraordinárias. A melhor ganha um livrinho do autor autografado pelo próprio. Querem mais do que isto? Vá lá, deixem-se disso.

Thursday, April 03, 2008

Adenda importantíssima ao Freak Show: o Hotel



Para aqueles que morem longe de Coimbra e não queiram fazer a viagem de regresso na mesma noite, informamos que nos – e vos – apoia o Hotel Dona Inês: há preços especiais para o Freak Show. Para mais detalhes, o telefone do Hotel (sim, com h grande porque o Dona Inês é um senhor Hotel: ora vejam lá no site) é o 239 855 800 e o mail é reservas@hotel-dona-ines.pt. Isto é para acabar de vez com as desculpas.

Hoje sinto-me Freak



Ok, não é só hoje, mas mais hoje que nos outros dias. Uma metamorfose que tem vindo a operar cá dentro, silenciosa, quase discreta, e que – sinto-o, oh, como o sinto – logo à noite atingirá a plenitude. E não vai ser só comigo, mas com todos os que se atreverem, a partir das 22 horas, a rumar à discoteca Ar de Rato, em Coimbra, hoje transformada em meca dos Freaks, para a Terceira Edição do Freak Show da Prova Oral. Vão ser uma série de valentes pontapés naquele sítio sensível da normalidade quotidiana: ouviremos os versos neo (mas muito neo mesmo) românticos do mestre Sarapitolas; os engolimentos peculiares do faquir Stephano; a casta Lili mostrando o seio branco, leitoso – tão casto, tão branco e tão leitoso, que ainda tem intacto o picotado da abertura –; os fabulosos beatsboxers da Ria de Aveiro; Alexandrino hipnotizando inclusive as tábuas do soalho (versão dentro-de-portas das pedras da calçada), um espectáculo de Rita Cardoso, vencedora da edição 2000 do Festival Termómetro (que promete novos temas); um grupo de fados de Coimbra que fará derramar saudosas lágrimas à assistência, incluindo os porteiros que, extremosos, procurarão ombro amigo; e, logo após, a entrada de encantadoras e encantadas serpentes. A coisa termina com a actuação de João Gentil – que é para ninguém sair de lá a sentir que «faltou qualquer coisa». É hoje e de entrada livre. Depois só para o ano. Agora esqueçam-se. Depois queixem-se.