Monday, March 31, 2008

3ª Edição do Freak show da Prova Oral em Coimbra. Dia 3 de Abril. 22 horas. Entrada Livre.












Depois do retumbante sucesso da primeira edição no Santiago Alquimista em Lisboa e da segunda na Tertúlia Castelense na Maia - com José Cid a sair literalmente em ombros - eis que está de volta o freak show numa imponente e avassaladora terceira edição, que desta vez se realiza em Coimbra. Na Discoteca Ar de Rato. Esta Quinta feira. Às 22 horas. Com entrada livre. Repito: Entrada Livre.





E assim, o que urge dizer é que não há memória de tão luxuoso cartaz para uma cerimónia destas. Para começar, teremos poesia com o célebre Sarapitolas que os amantes de Coimbra conhecem bem. Depois, o audaz faquir Stephano que desde novo deu uma nova utilidade às facas da cozinha. Também a pura e casta Lili que presenteará a assistência com uma inesquecível – digo eu, digo eu – sessão de striptease e os não menos incríveis beatsboxers que apesar de ainda não terem um nome totalmente definido - pronto, não há nome ainda! - são já considerados por muitos como a maior revelação de toda a ria de Aveiro. Segue-se Alexandrino com uma sessão de hipnose que nunca ninguém sabe bem o que será e, Rita Cardoso, vencedora da edição 2000 do Festival Termómetro, que traz temas novos para apresentar pela primeira vez ao vivo. A ela se seguirão exímios intérpretes do fado de Coimbra -silêncio agora por favor- que no final da sua actuação se cruzarão seguramente com o Encantador de Serpentes que subirá ao palco. Sim, leram bem, vou até escrever com letras grandes: ENCANTADOR DE SERPENTES. Finalmente, o promissor João Gentil fecha a edição do Freak show com uma actuação que se prevê histórica.





Estamos conversados portanto. Fazendo um resumo como nos fazia a professora primária para não nos esquecermos. Eis o que importa para já reter: 3ª Edição do Freak Show. Ar de Rato em Coimbra. 22 Horas. Entrada Livre. Avisem-se uns aos outros e cheguem cedo se quiserem ver isto nos lugares da frente. Eu serei o apresentador da cerimónia que posteriormente será difundida na Prova Oral. Acho que não preciso de dizer mais nada.

Saturday, March 29, 2008

David e Rita Red Shoes no Boa Noite Alvim



Esta semana no Boa Noite Alvim juntamos um actor anão e uma cantora que se agiganta a cada semana que passa. O anão só podia ser o David. Não é não que existam mais – existem pois – mas o David para além de manter relações de amizade com a grande maioria da equipa desta equipa e em particular com o lindíssimo apresentador deste programa que está igualmente a escrever este post, tem um humor muito – como direi – homicida. É mesmo isso quando David com a sua voz olha em volta e diz “Tenho fome!” é difícil não percebermos que temos que imediatamente lhe arranjar comida sob pena de algum de nós perder a vida. Este é David, o habitante mais conhecido do bairro alto, mas também actor, mas também bailarino, mas também anão, possivelmente, o anão com mais graça que conhecemos.

Depois, Rita Red Shoes. A artista de que se fala e se falará – a nosso ver – durante muitos anos mais, porque não nos parecer nada que vá ficar por aqui. Agora que decidiu erguer a cabeça por detrás das teclas onde se refugiava nas actuações de David Fonseca, ei-la em nome próprio, de pé, sem ser atrás daquele piano que foi escondendo o rosto de uma das mulheres mais bonitas do momento. Se não acreditam, vejam-na ao lado dos dois monstros que estão a acompanhá-la em estúdio. Rita lançou o seu primeiro disco.Chama-se “ Golden Era”

Saibam por isso que podem e devem fazer os vossos comentários a esta emissão e deixarem já perguntas para a próxima, que terá como convidados Rui Reininho e Beatriz Batarda. O primeiro, mítico vocalista dos GNR e a segunda, uma das maiores actrizes que este país alguma vez já teve. Aceitam-se perguntas pois e já agora se quiserem entrar em directo saibam que para o fazerem terão que ter uma simples webcam para interagirem connosco. Enviem os vossos dados ( Nome, idade e contacto) para: boanoitealvim@sic.pt e esperem pelo nosso contacto.

Este Domingo, a partir das 23 - já com com dias a saberem a Verão que isto da mudança da hora é coisa boa – não percam David e Rita Red Shoes no Boa Noite Alvim. Na Sic Radical.

Thursday, March 27, 2008

Ouvidos Moucos







Vou já dizendo para arrepiar caminho, que não tenho medo nenhum de morrer. Vamos cá ver: ter até tenho, porque morrer significa um apagar de luz que não estou preparado – nem nunca estarei, aqui vos digo –, mas o que eu tenho mesmo, é medo de fazer sofrer enquanto morro. Quando morremos há muitas pessoas que morrem connosco e é a pensar nelas que não quero. Não quero que pessoas que tanto gosto morram comigo por saberem que morri. Daí que quando me dizem "olha que a continuares assim, vais morrer sozinho!", eu invariavelmente suspiro como se fosse um sonho bom. E porquê? Porque não quero que na altura de morrer, ninguém esteja comigo.




Pelo contrário, faço questão que quando o pressentir tenha fôlego suficiente para dizer a quem está próximo "Olha, parece que estão ali a chamar-vos lá fora, se não se importam deixem-me agora um pouco sozinho que eu quero aqui fazer uma coisa que não podem ver!" e posto isto, aproveitando a ausência que sei ir ser curta, morro ali num instantinho. Assim, de repente. Sem sofrer nada e sem fazer sofrer. Como se saíssemos de manhã para comprar cigarros e não voltássemos. Ficávamos a meio do caminho entregues a um momento que deve ser nosso, apenas e só, nosso. Mas não é. E cada vez mais percebo que todos querem estar presentes na hora da nossa morte quando muitos deles o deveriam ter feito em vida. Dispenso pois os aplausos que saberei não ouvir – aplaudam-me agora – dispenso pois flores – dêem-me agora – poupem-me os elogios "Que era bom rapazinho! Que deixará saudades! – falem-me agora enquanto vos ouço pois quando estiver reduzido a cinzas não ouvirei patavina do que me dizem. Mas não. Pelo contrário, quando estamos a morrer – e eu espero estar muito longe disso – é usual dizerem "Ele está a morrer, não posso o deixar sozinho" -, quando afinal – para mim por exemplo – é tudo o que quero.




Por mais que nos custe, nos funerais as pessoas falam umas para as outras e não para quem morre, tal qual muitas mulheres se vestem umas para as outras e não para os homens. A morrer – e esse dia virá por mais que me custe – gostaria apenas de pedir um último desejo. O de estar vivo, apenas e só, para assistir à minha morte. Que mórbido, dirão! Pois que o seja, ora essa, mas quando vamos morrer somos pequeninos de novo e tal qual o aniversário de uma criança muito pequena tudo nos deverá ser permitido. E assim – pensando bem – é legitimo o que peço. Viver apenas o tempo suficiente para assistir à minha morte. O tempo suficiente para perceber quem me chora com igual intensidade à que eu chorei quando o Veloso falhou o penalty frente ao PSV Eindhoven. Só peço isto – respeitem-me pois- perceber quem ali foi e que eu já não via tanto tempo só para comentar em tom baixo "ainda ontem liguei àquele sacana para irmos para os copos para o Bairro e disse-me que estava cheio de trabalho e agora é isto, olha para ele ali como se não tivesse nada para fazer!" Quando morre alguém, de repente, as pessoas ficam sem nada para fazer. Daí que não vá a funerais ou que os evite a todo o custo porque quero chorar e rir com quem é vivo, fazer-lhe uma última homenagem todos os dias como se fosse o primeiro e não o último. Bater-lhe palmas em vida, dizer "És o maior! Gosto de conversar contigo pá!" na certeza de que a pessoa ouvirá o que lhe digo. De lhe telefonar a dizer "era só para saber se estavas bem, pois não tenho novidade alguma" de lhe escrever ou enviar uma mensagem revelando que a festa está boa "Mas que não é a mesma sem ti". Depois de morrer – e esse dia virá pois então – só ouvirei palavras e sentirei os gestos que me tenham sido dirigidos ainda em vida. A tudo o resto – só por perrice - faço questão de fazer ouvidos moucos.

Wednesday, March 26, 2008




Eram um dos sonhos da minha vida e finalmente aconteceu. Fui entrevistado para uma revista de moda interior. Chama-se Chick Intimate Cult e sabem que mais? Está bem feita. Tal qual a Isabel Figueira que aparece na capa.


ENTREVISTA FERNANDO ALVIM

Fernando Alvim, homem dos sete ofícios, genuíno entertainer

CK: Que relevância dás às peças de moda íntima na globalidade do teu vestuário e quais as tuas preferências a nível de modelagem, cores e materiais?
Alvim: Dou muita importância. Com verdade, visto-me melhor por dentro do que por fora. Não é de ânimo levo que muitos dizem que eu tenho um bonito interior. Os meus boxers são sempre escolhidos criteriosamente. Gosto de cores garridas e fluorescentes para ser visto no escuro, porque já fui confundido e isso trouxe-me dissabores. Uso boxers negros nos funerais - em sinal de luto profundo e brancos nos casamentos. Sou incapaz de usar a cor azul no fim-de-ano. Não entro nessas superstições e essa cor faz-me lembrar um clube qualquer da norte, não estou a ver bem qual.

CK: És o tipo de homem que compra o seu próprio vestuário, e em consequência também o teu próprio underwear?
A: Às vezes não. Gosto muito quando uma mulher me compra roupa interior a pensar em mim. Gosto que de perceber que ela esteve a pensar no meu corpo, a pensar nas medidas do meu corpo, para me dar aquela peça de vestuário. A pergunta impõe-se: Em que pensará um mulher quando escolhe uns boxers para mim?

CK: Que grau de influencia pensas que acabam por ter as mulheres na escolha do homem em termos de algo tão íntimo como o underwear?
A: Muita. toda. São basicamente as mulheres que escolhem a minha roupa interior. também gosto de roupa interior que roubam dos estendais da vizinhança. Acho muito giro e até romântico. Ainda outro dia percebi que andava há mais de um mês a usar uns boxers muito engraçados do meu vizinho da frente. Desafortunadamente, encontramo-nos num urinol próximo e fui apanhado. É claro que os devolvi.

CK: Quais as peças que consideras essenciais no guarda-roupa masculino?
A: Boxers, meias, uma sweat, uma t-shirt, uns ténis, uma casaco com estilo e uns jeans comprados na candonga, daquelas marcas porreiras tipo: Mike ou Elvis Strauss. São das minhas marcas favoritas.

CK: Como gostas de vê-las vestidas?
A: Não gosto, mas quando tem que ser prefiro que usem saias e vestidos. Caramba, será que as mulheres ainda não perceberam que por serem mulheres podem fazê-lo . Já pensaram na quantidade de homens que gostariam de usar um vestidinho ou uma saia cintada e não podem. Eu, por exemplo, gostava muito de, de vez em quando, usar um top justinho e chamar-me Isabel mas tenho medo que me gozem. As pessoas nestas coisas são muito ruins.

CK: E a nível de moda íntima, quais as tuas preferências a nível de modelos, cores, materiais?
A: Vejo tudo e quando não posso ver em directo, ponho a gravar. Tenho cassetes e cassetes só de moda íntima e também de anúncios. Um dos meus preferidos era com a Adriana Karembeu (n.r. na campanha da Wonderbra). Gosto tanto dela. Tem um par de olhos tão bonitos! A nível modelos gosto muito das brasileiras, mas também das checas e das polacas. E das finlandesas. E das portuguesas, sobretudo destas últimas. Gosto de cores suaves e discretas. Materiais gosto que sejam pouco resistentes, que sejam bons para facilmente rasgar.

CK: Finalmente, como te auto-defines?
A: Sou um ser maravilhoso, bonito, inteligente, sensível e com outras características que fazem de mim uma das pessoas mais singulares de todo o mundo. Já não é a primeira vez que besunto o espelho ao ver nele, reflectida a minha imagem.

Saturday, March 22, 2008

Juntos à noite


Existem dois propósitos para sair à noite: Deliberadamente para beber uns copos e outra para ver umas miúdas. Às vezes saímos com estas duas intenções mas é muito raro. As mulheres por exemplo são bem mais capazes de saírem umas com as outras na onda ' Party girl' mas com os homens é fácil perceber que não é assim. Para começar se nos juntamos muitos – e aqui leia-se uns 4 - é certinho que ficamos à porta. Depois, porque sabemos que não nos iremos divertir sem elas. Esperem lá, não é que não nos consigamos divertir apenas connosco – conseguimos pois – mas ninguém está a ver quatro rapazes a dizerem 'É a nossa festa! É a party boy, somos muito malucos!'. Desenganem-se, os homens não entram nesta. Se estamos 4 rapazes juntos, o mais provável é acabarmos num tasco a beber umas jolas ou então numa esplanada onde entra toda a gente. Aliás, se esta já era uma das grandes vantagens das esplanadas – o facto de entrar toda a gente porque o ar é de todos e não há porteiro – a estas veio juntar-se uma outra: nas esplanadas, não há inibição alguma de podermos fumar. De resto, antevejo que aquelas discotecas que possuem o espaço exterior apenas para o Verão, já decerto terão percebido que este local pode servir para a rapaziada da fumaça se entreter e olhar para a piscina.


De resto, as diferenças entre as mulheres e os homens a este nível são tão grandes que eu nem sei por onde começar. Mas porque sei que de mim esperam qualquer coisa – e não deviam - posso avançar que só as mulheres têm um hino para sair à noite quando estão juntas. Um hino, ouviram bem. E esse hino é a música das Amarguinhas. E sim, devem haver muitas mulheres a ler isto e a franzir o nariz enquanto dizem que eu não sei do que falo, mas eu estaria disposto a apostar com cada uma delas – e aposto aqui a uma sessão de sexo bem saboroso- que em algum momento na vossa vida, já se juntaram as 4, dentro de um carro, a cantarem esta música. E porquê? Porque apela à vossa essência, ora essa. Reparem na letra: 'Meninas hoje vamos sair, Just girls vai ser só curtir, Veste uma camisola amarela, Espera-me juntinho à janela!' Se virem bem, quando adaptada ao universo feminino, a coisa soa bem, agora se a mesma música for direccionada para o público masculino os contornos que poderá ganhar, são no mínimo esquisitos. Não custa nada fazer este exercício. Vamos pois a isto: Meninos hoje vamos sair ( em 33 anos de existência nunca ouvi homem algum a dizer tamanho dislate) Just Boys vai ser só curtir ( é impressão minha ou isto está perigosamente a descambar para o outro lado?) veste uma camisola amarela ( e pintar as unhas, não? E uma saia justa que ninguém nota? E uma camisola cor-de-rosinha não seria melhor ainda?) Espera-me juntinho à janela ( ahh? O quê? À Janela, mas por quem me tomam? ) E pronto, acho que não é preciso analisarmos mais.


Depois, mesmo ao sair, as raparigas fazem questão de ficar juntas a noite toda, enquanto que os homens – Deus nos livre – só ficamos juntos se estivermos acorrentados ou coisa assim. Isto é, eu não sei se isto será fácil de entender para muitos, mas se é verdade que as mulheres saem em grupo à noite para estarem juntas, nós saímos à noite em grupo para estarmos precisamente separados, porque sinceramente temos mais que fazer 'olha aquela ali!'. E tudo por uma questão de quase sobrevivência, porque enquanto 4 raparigas juntas a dançarem em cima de uma coluna constituem uma imagem bem atraente e gostosa, já 4 rapazes a fazerem o mesmo só podem estar muito perto de uma coma alcoólica. Daí que seja muito frequente que as raparigas dêem as mãos nas discotecas que estão muito cheias para não se perderem, enquanto será no mínimo bizarro vermos quatro matulões de mãozinha dada em igual situação, se é que me faço entender.


E só assim se percebe, que muitas sejam as mulheres que finda a noite, combinem entre si dormirem juntas e achem isso muito bom. Enquanto para um homem, combinarem dormir juntos no final da noite, só pode significar que estão numa despedida de solteiro, muito longe de casa.