
Não há país no mundo que tenha saudades como as nossas. Podem até ter saudades – não digo que não – mas como as nossas? Nem pensem nisso. As saudades de Portugal deveriam ser promovidas ao mesmo nível que o Eusébio, a Amália, Fátima e os Pasteis de Bélem e, só não o são, porque alguém passa demasiado tempo ao telefone a matar – precisamente - saudades. E como se matam? Saibam que não é nada fácil, mas já esteve pior quando a PT tinha o monópolio das comunicações e os impulsos caiam como tordos em dia bom de caça. E como doía. O contador na nossa frente, o auscultador na mão direita e moedas na esquerda e nós naturalmente inquietos, como se estivéssemos a poucos instantes de entrar numa prova de destreza física num qualquer concurso televisivo de então. Só que em vez de esperarmos por uma qualquer contagem, a prova – desculpem, a conversa – começava quando alguém dizia “ Estou sim”. E a partir daqui, acreditem, uma rua inteira ou um café apinhado de gente , ouvia a conversa toda -aos altos berros pois - por parecer estarmos a falar de um rés do chão para um distante sexto andar. E a primeira pergunta era sempre esta: Tu estás a ouvir-me bem? Ahh? Tu estás a ouvir-me bem? E se o barulho à nossa volta fosse muito -e era certinho que assim fosse- alguém dizer: Oh pessoal, pouco barulho, que este senhor está a falar para a Suiça! E ao diminuírem o volume, a nossa voz agigantava-se. “Tu estás bem? Os miúdos estão bem? Por aqui está tudo bem, sabes? Temos saudades tuas, ouviste? Isto está tudo na mesma, tudo na mesma, mas fazes falta aqui. Aqui o senhor Urubino, manda-te cumprimentos. Que tem saudades pá. Tu estás bem? E os miúdos? Os miúdos estão bem?
E assim era. O tempo passou, mas as saudades não. As saudades em Portugal continuam na mesma há tempo demais. Pode até mudar-se tudo, mas chegados às saudades percebemos que está tudo na mesma. E porquê? Porque em Portugal não há uma norma que regule o período do tempo a partir do qual, poderemos ter saudades legalmente. E o resultado está à vista de todos. Os portugueses são o único povo no mundo que sente saudades de ontem, que sente saudades até do que terá acontecido de manhã cedo, que sente saudades de há 5 minutos atrás. E por isso, ao ligarmos a televisão, é fácil percebermos que os programas exploram isso. E isto, não vê a A.S.A.E. e devia ver – não os programas é certo – mas os infractores deste lei que deveria existir. E ao mínimo sinal de saudosismo gratuito e não justificado com uns bons meses de distância, aplicava-se a lei e são 120 euros se faz favor. “ Ai que gosto de ti e estou cheio de saudades tuas, Catarina!” e interceptado o telefonema por um qualquer agente da autoridade, ouvia-se uma voz grave que lhe diria “ ouça lá jovem cidadão, temos aqui informações que esse “cheio de saudades” que agora utilizou, é referente à partida desta jovem há cerca de duas horas atrás.Acha isso bem? Tem por isso o direito de estar calado e vamos embora à minha frente cantando e rindo.
Por isso, só em Portugal se morre de saudades e a frase mais ouvida nos telefonemas dirigidos ao INEM é precisamente: “Estou a morrer de saudades, ai que não me aguento senhores!” E enquanto a ambulância não chega para seu socorro o português vai-se salvando, comendo em restaurantes portugueses de países distantes, telefonando a perguntar se os miúdos estão bem, ouvindo as novidades do Benfica, participando nos programas madrugadores da Rádio Renascença, abraçando os repórteres televisivos à entrada do estádio do Parque dos Príncipes.
E assim era. O tempo passou, mas as saudades não. As saudades em Portugal continuam na mesma há tempo demais. Pode até mudar-se tudo, mas chegados às saudades percebemos que está tudo na mesma. E porquê? Porque em Portugal não há uma norma que regule o período do tempo a partir do qual, poderemos ter saudades legalmente. E o resultado está à vista de todos. Os portugueses são o único povo no mundo que sente saudades de ontem, que sente saudades até do que terá acontecido de manhã cedo, que sente saudades de há 5 minutos atrás. E por isso, ao ligarmos a televisão, é fácil percebermos que os programas exploram isso. E isto, não vê a A.S.A.E. e devia ver – não os programas é certo – mas os infractores deste lei que deveria existir. E ao mínimo sinal de saudosismo gratuito e não justificado com uns bons meses de distância, aplicava-se a lei e são 120 euros se faz favor. “ Ai que gosto de ti e estou cheio de saudades tuas, Catarina!” e interceptado o telefonema por um qualquer agente da autoridade, ouvia-se uma voz grave que lhe diria “ ouça lá jovem cidadão, temos aqui informações que esse “cheio de saudades” que agora utilizou, é referente à partida desta jovem há cerca de duas horas atrás.Acha isso bem? Tem por isso o direito de estar calado e vamos embora à minha frente cantando e rindo.
Por isso, só em Portugal se morre de saudades e a frase mais ouvida nos telefonemas dirigidos ao INEM é precisamente: “Estou a morrer de saudades, ai que não me aguento senhores!” E enquanto a ambulância não chega para seu socorro o português vai-se salvando, comendo em restaurantes portugueses de países distantes, telefonando a perguntar se os miúdos estão bem, ouvindo as novidades do Benfica, participando nos programas madrugadores da Rádio Renascença, abraçando os repórteres televisivos à entrada do estádio do Parque dos Príncipes.

