Thursday, February 28, 2008

Os miúdos estão bem?


Não há país no mundo que tenha saudades como as nossas. Podem até ter saudades – não digo que não – mas como as nossas? Nem pensem nisso. As saudades de Portugal deveriam ser promovidas ao mesmo nível que o Eusébio, a Amália, Fátima e os Pasteis de Bélem e, só não o são, porque alguém passa demasiado tempo ao telefone a matar – precisamente - saudades. E como se matam? Saibam que não é nada fácil, mas já esteve pior quando a PT tinha o monópolio das comunicações e os impulsos caiam como tordos em dia bom de caça. E como doía. O contador na nossa frente, o auscultador na mão direita e moedas na esquerda e nós naturalmente inquietos, como se estivéssemos a poucos instantes de entrar numa prova de destreza física num qualquer concurso televisivo de então. Só que em vez de esperarmos por uma qualquer contagem, a prova – desculpem, a conversa – começava quando alguém dizia “ Estou sim”. E a partir daqui, acreditem, uma rua inteira ou um café apinhado de gente , ouvia a conversa toda -aos altos berros pois - por parecer estarmos a falar de um rés do chão para um distante sexto andar. E a primeira pergunta era sempre esta: Tu estás a ouvir-me bem? Ahh? Tu estás a ouvir-me bem? E se o barulho à nossa volta fosse muito -e era certinho que assim fosse- alguém dizer: Oh pessoal, pouco barulho, que este senhor está a falar para a Suiça! E ao diminuírem o volume, a nossa voz agigantava-se. “Tu estás bem? Os miúdos estão bem? Por aqui está tudo bem, sabes? Temos saudades tuas, ouviste? Isto está tudo na mesma, tudo na mesma, mas fazes falta aqui. Aqui o senhor Urubino, manda-te cumprimentos. Que tem saudades pá. Tu estás bem? E os miúdos? Os miúdos estão bem?


E assim era. O tempo passou, mas as saudades não. As saudades em Portugal continuam na mesma há tempo demais. Pode até mudar-se tudo, mas chegados às saudades percebemos que está tudo na mesma. E porquê? Porque em Portugal não há uma norma que regule o período do tempo a partir do qual, poderemos ter saudades legalmente. E o resultado está à vista de todos. Os portugueses são o único povo no mundo que sente saudades de ontem, que sente saudades até do que terá acontecido de manhã cedo, que sente saudades de há 5 minutos atrás. E por isso, ao ligarmos a televisão, é fácil percebermos que os programas exploram isso. E isto, não vê a A.S.A.E. e devia ver – não os programas é certo – mas os infractores deste lei que deveria existir. E ao mínimo sinal de saudosismo gratuito e não justificado com uns bons meses de distância, aplicava-se a lei e são 120 euros se faz favor. “ Ai que gosto de ti e estou cheio de saudades tuas, Catarina!” e interceptado o telefonema por um qualquer agente da autoridade, ouvia-se uma voz grave que lhe diria “ ouça lá jovem cidadão, temos aqui informações que esse “cheio de saudades” que agora utilizou, é referente à partida desta jovem há cerca de duas horas atrás.Acha isso bem? Tem por isso o direito de estar calado e vamos embora à minha frente cantando e rindo.

Por isso, só em Portugal se morre de saudades e a frase mais ouvida nos telefonemas dirigidos ao INEM é precisamente: “Estou a morrer de saudades, ai que não me aguento senhores!” E enquanto a ambulância não chega para seu socorro o português vai-se salvando, comendo em restaurantes portugueses de países distantes, telefonando a perguntar se os miúdos estão bem, ouvindo as novidades do Benfica, participando nos programas madrugadores da Rádio Renascença, abraçando os repórteres televisivos à entrada do estádio do Parque dos Príncipes.

Tuesday, February 26, 2008

boanoitealvim.blogspot.com. Já faltou mais!












A pouco mais de uma semana de estrear a nova série do Boa Noite Alvim – Domingo.9 de Março. 23.00 horas.Sic Radical. - saibam que o blog do programa está renovado e aparentemente foi tomado de assalto por pessoas estranhas que insistem em dizer que sou eu que apareço nesta foto com ar de lobisomem.

Sendo obviamente isto uma calúnia, gostaria de contar com o vosso apoio e sobretudo com as vossas visitas. Este é o endereço: Boanoitealvim.blogspot.com

Monday, February 25, 2008

Uma semana em grande



É certo que numa só semana, aqui o rapaz, apareceu na revista única do Expresso, no Correio da Manhã e no Diário de Noticias. Mas o que talvez não saibam – e isto é que é assinalável – é que fui igualmente entrevistado para o jornal “ O Interior” da Guarda. Por saber que de entre estes meios acima referidos, este é possivelmente o menos conhecido, acho justo aqui publicar na íntegra a entrevista. Já agora fica aqui o site: http://www.ointerior.pt/.

P – Esta é a segunda vez que participa num Baile de Finalistas na Guarda. Paga para vir cá?
R – Claro. E de cada vez que passo musica, o preço é cada vez maior.

P – Em que é que acha que a sua música vai contribuir para melhorar esta festa?
R – Tem poderes terapêuticos. Ainda outro dia uma senhora, ali para os lados de Condeixa-à-Nova, que sofria de varizes, deixou de as ter numa final da minha actuação e agora anda para aí aos saltos e dizem-me que é uma fortíssimo candidata a vencer a maratona das amendoeiras em flor.

P – Considera-se já um ícone dos bailes de finalistas?
R – Considero pois. Gostava inclusivamente que me fosse construída uma estátua na vossa praça principal em minha homenagem. Uma coisa granítica, que não cedesse à erosão do tempo.

P – Alguma vez sonhou em ser eleito o “rei” do baile?
R – Sim, mas gostava mais de ser o rei da Mealhada, peço desculpa. Mas depois, do baile. É curioso fazerem-me esta pergunta, porque gostava muito de ser rei, mas de outras coisas. O rei dos frangos, por exemplo. O rei dos móveis. O rei dos vidros. O rei da pescadinha de rabo– na –boca e claro, o rei do baile. Sonho muito com isso.

P – Quando foi finalista quantas “tampas” levou para conseguir levar alguém ao baile?
R – Eu tenho outra estratégia. Nunca levo ninguém, prefiro trazer. É arriscado – eu sei – mas tenho tido sorte. Da última vez, estou em crer que terei saído em grande. Gosto muito das mulheres da Guarda porque são exactamente como a cidade que as acolhe. Aparentemente frias, mas extraordinariamente – como direi – extraordinariamente, quentes.

P – E neste baile espera trazer alguém do baile? Quantas?
R – Vamos cá ver, eu não quero trazer ninguém do baile. Eu quero é levar. Será que me estou a contradizer? Neste momento estou indeciso entre levar a princesa Stéphanie do Mónaco ou a Agustina Bessa Luís. Ainda estou indeciso. Até para mim será uma surpresa.


P – Sabe dançar a valsa? Quantas vezes pisou o seu par quando foi finalista?
R – Sei sim, mas que conversa é esta. Gosto muito de dançar a valsa de Viana. Do castelo, que todos sabem ser a melhor. Sou um exímio dançarino e não raras vezes aplaudem-me de pé quando não há cadeiras na sala. Fico sempre muito comovido.

P – Gosta da Guarda?
R – Gosto. Gosto muito. Vejo a Guarda como o filho que nunca tive. Melhor ainda: a Guarda é aquele filho que sempre planeei ter mas que percebo que não posso, por ser infértil. A Guarda não tem culpa. Eu, sim.

P – Há mais algum motivo para vir cá para além do excelente ar que a “cidade mais alta” oferece?
R – Há. Uma rapariga. É sempre a mesma, que eu nestas coisas não troco. Gosto dela. É gira e séria. Pessoa de boas famílias. A distância nem sempre separa as pessoas, às vezes divide, chega para muito longe, suprime, mas separar, nunca. Ao contrário dos outros relacionamentos, quanto mais não nos vemos, melhor fica o nosso relacionamento. Às vezes telefona-me passado dois meses e eu digo pousando a mão no cinto: “ Mau!”. Numa relação ideal, as pessoas só devem falar de seis em seis meses. É o que fazemos e não queremos outra coisa.

P – Ambiciona fazer mais alguma coisa na vida para além de passar “som” para estudantes de liceu?
R – Não. Ambiciono é fazer menos. Dedicar-me à apicultura ou então ao aeromodelismo. Gostava de passar os meus dias a completar puzzles ou fazer legos da playmobil. Mas não há maneira de as pessoas entenderem isto e obrigam-me a trabalhar. E olhem que não é pouco.

P – Que conselhos úteis daria aos finalistas para sábado?
R – Se não estiverem a gostar, bebam um copo. Se ainda assim a música não estiver a ser do vosso agrado, bebam outro. E assim sucessivamente, até chegarem ao ponto exacto, em que vão gostar daquilo que estão a ouvir. Garanto-vos que isto resulta. À vossa!

P – É preciso beber assim tanto para gostar da sua música?
R – É. Quanto mais melhor. Podem beber menos, mas vão também gostar menos. E eu quero que gostem muito, mas muito. Logo, penso que já terão percebido.

P – E não se estará a esquecer de recomendar nada para os mais desatentos?
R – Sim, devem levar-me oferendas. Presuntos, toda a espécie de cheques visados, queijos da serra, boxers e todos os números da “Playboy” onde possa aparecer eventualmente a Maitê Proença.

Sunday, February 24, 2008

Beatriz Batarda! Beatriz Batarda! Beatriz Batarda!





Está a acabar-se mais uma semana e teria sido mais uma igual a tantas outras, caso não tivesse conhecido Beatriz Batarda. Ali estava ela, ao meu lado - a dois passos - e eu como se já a conhecesse há muito tempo vou-me direitinho a ela e digo-lhe com o finíssimo propósito de levar um par de galhetas “ Beatriz, tu és a Julia Roberts Portuguesa!”. Foi por pouco. Beatriz Batarda, olha para mim com aquela cara de quem diz cá dentro “ Sacana!” e logo a seguir, percebendo o que me poderia acontecer, digo as palavras salvadoras “ Nada disso, tu és a Isabelle Huppert de Portugal, é o que tu és”.


Tudo isto, numa noite em que pude assistir ao documentário sobre ela, realizado por Rui Pedro Tendinha. Chama-se “ Beatriz Batarda, Beatriz Batarda” e nele diz-se aquilo que já muitos perceberam. Que Beatriz é a actriz. Que a Beatriz Batarda merecia um título de documentário ainda superior. Por mim, chamar-se-ia “ Beatriz Batarda! Beatriz Batarda! Beatriz Batarda!”