
Antes que toda a gente fale no Natal eu vou já falando de forma a antecipar-me à rapaziada e prometo não escrever nem mais uma linha sobre isto até ao próximo. Houve um tempo em que não gostei do Natal não-sei-porquê. A data por um qualquer motivo deixava-me triste e não raras vezes recorria ao Xanax para atenuar a dor. Era o tempo em que só existiam 2 canais de televisão em Portugal e em que a prenda mais esperada por todos era a revelação por parte do director de programas da RTP que afinal o jogo de futebol entre o Benfica e o Sporting ira ser transmitido em directo naquilo que consideravam uma prenda de natal para todos os telespectadores. E era. Pelo meio a Serenella Andrade e a Valentina Torres, iam dando conta da programação que viria a seguir, acabando sempre com esta frase “A RTP deseja a todos Boas Festas!”
De resto, se querem saber nunca percebi esta esquizofrénica preocupação das pessoas em desejarem umas às outras “ Boas Festas” ou “ Feliz Natal”. Mas com o diabo, o que pode correr mal no dia de Natal? Falhar a luz? Queimar em demasia o leite-creme? A avó engasgar-se com uma noz? Sejamos francos, é só um dia, uma noite só, que às duas da manhã mais coisa menos coisa, já deve ter acabado para a grande maioria, porque mais uma vez alguém se enfrascou em demasia.
Agora, se me falarem sobre o “ Bom Ano!” aí, a história muda. Porque um ano são muitos dias, muitas semanas, muitas manhãs a correr os riscos inerentes ao trânsito, às vicissitudes do dia-a-dia. Pode-se ter um AVC a qualquer altura e cair redondo no chão. Ah pois! Aí sim, Medinho! Faz todo o sentido: alguém nos deseja bom ano e vos garanto que não o faz por umas horitas, por uma noite igual às outras mas sim 365 dias em que isto pode acontecer. Se bem, que na noite de Natal há pessoas que têm a mania de não chegarem ao ano novo, o que é desagradável - sobretudo se já tiverem comprado as passagens para ir a Times Square Garden ver os papelinhos a caír.
Onde íamos? Porque é que eu gosto do Natal agora, não é verdade? Não faço ideia, foi de repente, comecei a gostar. Acho que ficava triste porque me habituei a isso. Porque era parvo. Dizia para mim, “É Natal, está frio e está na mesmo na altura de ficar deprimido!” e ficava. Pensava nos pobrezinhos e dava esmolas a tudo que era gente bastando para isso que me estendessem a mão, o que muitas das vezes era apenas e só um cumprimento sem outra intenção. Não queria saber, ao estender da mão de alguém, olhava para um lado e para o outro e como se fosse comprar droga ou coisa assim, metia-lhe na mão uma nota de 500 escudos e apertando-a bem, dizia-lhe com voz afável “Toma, é para ti e para os teus! Que não te falte saúde!” o que deixava sempre baralhadas pessoas como o meu tio ou a minha a avó, que Deus a tenha! E o mesmo acontecia a quem estivesse no chão. Bastava estar alguém a apertar os sapatos que eu comovia-me e dava-lhe uma moedinha. À mínima rasteira num jogo de futebol, ao ver estendido na relva o jogador, chegava perto da rede e endereçava-lhe uma moeda gritando “ Levanta-te e caminha. Guarda esta moeda e que tenhas sorte!” - dizia, enquanto elementos da segurança já me levavam em braços para fora do estádio.
Agora não. Percebi que há pessoas que não gostam que eu tenha caridade por elas. Que recusam uma esmola dada com tão boas intenções. Percebi que há pessoas que não gostam de maravilhosos seres humanos como eu. A essas pessoas, desejo um péssimo Natal. Às outras, um Natal normalíssimo, não obrigatoriamente feliz.
De resto, se querem saber nunca percebi esta esquizofrénica preocupação das pessoas em desejarem umas às outras “ Boas Festas” ou “ Feliz Natal”. Mas com o diabo, o que pode correr mal no dia de Natal? Falhar a luz? Queimar em demasia o leite-creme? A avó engasgar-se com uma noz? Sejamos francos, é só um dia, uma noite só, que às duas da manhã mais coisa menos coisa, já deve ter acabado para a grande maioria, porque mais uma vez alguém se enfrascou em demasia.
Agora, se me falarem sobre o “ Bom Ano!” aí, a história muda. Porque um ano são muitos dias, muitas semanas, muitas manhãs a correr os riscos inerentes ao trânsito, às vicissitudes do dia-a-dia. Pode-se ter um AVC a qualquer altura e cair redondo no chão. Ah pois! Aí sim, Medinho! Faz todo o sentido: alguém nos deseja bom ano e vos garanto que não o faz por umas horitas, por uma noite igual às outras mas sim 365 dias em que isto pode acontecer. Se bem, que na noite de Natal há pessoas que têm a mania de não chegarem ao ano novo, o que é desagradável - sobretudo se já tiverem comprado as passagens para ir a Times Square Garden ver os papelinhos a caír.
Onde íamos? Porque é que eu gosto do Natal agora, não é verdade? Não faço ideia, foi de repente, comecei a gostar. Acho que ficava triste porque me habituei a isso. Porque era parvo. Dizia para mim, “É Natal, está frio e está na mesmo na altura de ficar deprimido!” e ficava. Pensava nos pobrezinhos e dava esmolas a tudo que era gente bastando para isso que me estendessem a mão, o que muitas das vezes era apenas e só um cumprimento sem outra intenção. Não queria saber, ao estender da mão de alguém, olhava para um lado e para o outro e como se fosse comprar droga ou coisa assim, metia-lhe na mão uma nota de 500 escudos e apertando-a bem, dizia-lhe com voz afável “Toma, é para ti e para os teus! Que não te falte saúde!” o que deixava sempre baralhadas pessoas como o meu tio ou a minha a avó, que Deus a tenha! E o mesmo acontecia a quem estivesse no chão. Bastava estar alguém a apertar os sapatos que eu comovia-me e dava-lhe uma moedinha. À mínima rasteira num jogo de futebol, ao ver estendido na relva o jogador, chegava perto da rede e endereçava-lhe uma moeda gritando “ Levanta-te e caminha. Guarda esta moeda e que tenhas sorte!” - dizia, enquanto elementos da segurança já me levavam em braços para fora do estádio.
Agora não. Percebi que há pessoas que não gostam que eu tenha caridade por elas. Que recusam uma esmola dada com tão boas intenções. Percebi que há pessoas que não gostam de maravilhosos seres humanos como eu. A essas pessoas, desejo um péssimo Natal. Às outras, um Natal normalíssimo, não obrigatoriamente feliz.






