Thursday, November 29, 2007

Um Natal porreiro, pá!



Antes que toda a gente fale no Natal eu vou já falando de forma a antecipar-me à rapaziada e prometo não escrever nem mais uma linha sobre isto até ao próximo. Houve um tempo em que não gostei do Natal não-sei-porquê. A data por um qualquer motivo deixava-me triste e não raras vezes recorria ao Xanax para atenuar a dor. Era o tempo em que só existiam 2 canais de televisão em Portugal e em que a prenda mais esperada por todos era a revelação por parte do director de programas da RTP que afinal o jogo de futebol entre o Benfica e o Sporting ira ser transmitido em directo naquilo que consideravam uma prenda de natal para todos os telespectadores. E era. Pelo meio a Serenella Andrade e a Valentina Torres, iam dando conta da programação que viria a seguir, acabando sempre com esta frase “A RTP deseja a todos Boas Festas!”

De resto, se querem saber nunca percebi esta esquizofrénica preocupação das pessoas em desejarem umas às outras “ Boas Festas” ou “ Feliz Natal”. Mas com o diabo, o que pode correr mal no dia de Natal? Falhar a luz? Queimar em demasia o leite-creme? A avó engasgar-se com uma noz? Sejamos francos, é só um dia, uma noite só, que às duas da manhã mais coisa menos coisa, já deve ter acabado para a grande maioria, porque mais uma vez alguém se enfrascou em demasia.

Agora, se me falarem sobre o “ Bom Ano!” aí, a história muda. Porque um ano são muitos dias, muitas semanas, muitas manhãs a correr os riscos inerentes ao trânsito, às vicissitudes do dia-a-dia. Pode-se ter um AVC a qualquer altura e cair redondo no chão. Ah pois! Aí sim, Medinho! Faz todo o sentido: alguém nos deseja bom ano e vos garanto que não o faz por umas horitas, por uma noite igual às outras mas sim 365 dias em que isto pode acontecer. Se bem, que na noite de Natal há pessoas que têm a mania de não chegarem ao ano novo, o que é desagradável - sobretudo se já tiverem comprado as passagens para ir a Times Square Garden ver os papelinhos a caír.

Onde íamos? Porque é que eu gosto do Natal agora, não é verdade? Não faço ideia, foi de repente, comecei a gostar. Acho que ficava triste porque me habituei a isso. Porque era parvo. Dizia para mim, “É Natal, está frio e está na mesmo na altura de ficar deprimido!” e ficava. Pensava nos pobrezinhos e dava esmolas a tudo que era gente bastando para isso que me estendessem a mão, o que muitas das vezes era apenas e só um cumprimento sem outra intenção. Não queria saber, ao estender da mão de alguém, olhava para um lado e para o outro e como se fosse comprar droga ou coisa assim, metia-lhe na mão uma nota de 500 escudos e apertando-a bem, dizia-lhe com voz afável “Toma, é para ti e para os teus! Que não te falte saúde!” o que deixava sempre baralhadas pessoas como o meu tio ou a minha a avó, que Deus a tenha! E o mesmo acontecia a quem estivesse no chão. Bastava estar alguém a apertar os sapatos que eu comovia-me e dava-lhe uma moedinha. À mínima rasteira num jogo de futebol, ao ver estendido na relva o jogador, chegava perto da rede e endereçava-lhe uma moeda gritando “ Levanta-te e caminha. Guarda esta moeda e que tenhas sorte!” - dizia, enquanto elementos da segurança já me levavam em braços para fora do estádio.

Agora não. Percebi que há pessoas que não gostam que eu tenha caridade por elas. Que recusam uma esmola dada com tão boas intenções. Percebi que há pessoas que não gostam de maravilhosos seres humanos como eu. A essas pessoas, desejo um péssimo Natal. Às outras, um Natal normalíssimo, não obrigatoriamente feliz.

Tuesday, November 27, 2007

Fátima Lopes, José Nunes e Manuel João Vieira no Boa Noite Alvim







De um lado Fátima Lopes, a apresentadora de televisão do outro José Nunes, o comentador desportivo. Ambos com um livro em mãos. Ela, sobre duas crianças que têm em comum serem filhas de pais divorciados. Ele, sobre Futebol e os meandros da bola. Pelo Meio, uma actuação musical de Manuel João, carismático líder dos Ena Pá 2000, fundador dos Irmãos Catita, artista multifacetado que em breve será convidado para uma conversa mais longa.

Posto isto, é o que sabe, uma apresentador extraordinário que por acaso até sou eu, bonito, charmoso, também um bocadito palerma, mas que dará o seu melhor na tentativa de aniquilar por completo a concorrência.

Os recados são os do costume, não percam e tal, vejam e avisem a família, participem por telefone (21 443 48 52) ou pelo blog, façam perguntas, comentários vários, não nos troquem por nada, não sejam assim que parece mal.

É hoje. É à noite. É a partir das 23 horas. É na SIC. A Radical. Boa Noite Alvim com Fátima Lopes, José Nunes e Manuel João Vieira.

Monday, November 26, 2007

Encontramo-nos à Porta


Desculpem lá…estou, quem fala? Estou? Sim, diga lá doutor que eu estou a escrever! Exactamente, pois com certeza, compre as acções e não se fala mais nisso. Da Edp? Oh homem, se vir que a coisa pode ser um bom investimento eu não vejo porque não haveremos nós de investir. Faça lá isso e depois diga-me qualquer coisa. Adeus adeus. Está bem, está certo. Adeus. Ora, eu peço desculpa por ter começado assim mas eu hoje nem sequer tive tempo para encurtar este texto. Com a vossa licença, vamos a isto.

Se há coisas que importam na noite é a moda, mas não necessariamente a moda têxtil. Falo da outra moda, a moda de um sítio, de uma palavra, um produto, de um acto, de uma forma de estar, de uma pessoa. E há pessoas que estão na moda e não são obrigatoriamente modelos nem estilistas. Por exemplo, a cerveja mini foi a grande moda deste verão, da mesma forma, que há uns anos atrás chegou a ser moda usar as botas Sendra e os isqueiros Zippo que colocam a um canto o infantil uso das sandálias crocks. E agora que me lembro, houve uma altura em que estava na moda fazer festas cujas receitas revertiam para a Abraço, lembram-se disto? Andávamos todos com os lacinhos ao peito e era bestial – nunca fui tão feliz!- porque era um tempo em que se bebia mais do que o costume porque era tudo pela solidariedade. “Então, vai mais um vodka maçã, olhe que já é o sexto? Venha ele e brindemos à Abraço, pois está claro!” E depois? Depois não sei o que se passou. Deixou de ser fashion, a Abraço deixou de ter tantos spots na televisão, a Margarida Martins colocou uma banda gástrica e apareceu a Sol, a Casa do Gil, a Margarida Pinto Correia com brincos de todas as cores, Timor Leste e o Luís Represas a cantar “Ai Timor, Ai Timor!” e mais recentemente a causa ambiental que tem na figura de Al Gore, uma espécie de novo papa, talvez mesmo, o Gandhi dos Glaciares e da Floresta Amazónica.

E agora – sim agora pergunto (gostava que me imaginassem de joelhos no chão, gritando para o céu como se tivesse acabado de perder um filho): Que é feito das festas de Espuma? Ah? O que terá acontecido a esse glamouroso ritual? Porque é que já não vejo cartazes brancos colados em árvores esguias anunciando uma festa de espuma como deve ser, das boas, daquelas onde tantos chegamos a perder amigos e familiares até aos dias de hoje. Só eu, perdi a minha prima Andreia na festa de espuma do Penha e o meu irmão Diogo na Monumental festa de Espuma da Kadoc. Venham para casa malandros. Mais. O que é feito do programa vibrações que nos mostrava discotecas em grande divertimento e onde aparecia invariavelmente um senhor de bigode a trincar com grande à vontade uma coxa de frango e um pedaço generoso de entrecosto? Onde estão todos? Quem terá acabado com a Happy Hour que tanta alegria trazia aos que conseguiam chegar primeiro ao balcão?

E aquele bar está na moda, e aquele sítio é muito fashion, e ali é que é bom, não não nada disso puto, quem está mais in agora é ali aquela esplanada, estás a ver? E onde é que vamos? E onde é que é bom? Liga para a tua amiga a ver como é aquilo está: Isso está em grande ou não? E quero ir para lá, vamos mas é para aquele que eu te disse. Para este. Para aquele. Vá, vamos decidir ou ainda acabamos a comer cachorros no Victor. Eu vou por ali. Eu ia pela outra hipótese. Vamos embora que me telefonou o meu primo a dizer que aquilo está impregnado de miúdas giras? Acho que são 7 mulheres para cada homem. A amiga dele diz que até são mais. Esse gajo está a mentir. E se não nos deixam entrar? E conheces o porteiro? E controlas a cena? Quem é que leva o carro? Quem é o condutor cool? Encontramo-nos à porta? Está combinado, não entra ninguém sem nos encontrarmos todos.

É à porta? Fica combinado, encontramo-nos à porta.

Thursday, November 22, 2007

As pessoas “está tudo bem?”





Há neste país um tipo de cidadãos que eu classifico de "pessoas está tudo bem?". As "pessoas está tudo bem?" não fazem o mínimo esforço para dizerem mais do que um "está tudo bem?" e sendo assim, vamos andando que o autocarro está quase a chegar e que entro às 8 e o tempo urge.


As "pessoas está tudo bem?" não sabem dizer mais do que isto. E quando saiem de casa, pressentindo a chave do vizinho de baixo a abrir a porta, fazem por demorar-se mais um pouco, para evitarem um desafortunado cruzamento que as obrigará a aplicarem a questão que já amplamente repetimos. Os "estátudobem?" não nasceram agora e com o evoluir dos tempos foram-se rendendo à civilização e aplicando outras técnicas que fazem com que o seu "está tudo bem?" possa querer dizer mais do que na realidade quer.
E não quer.


Ao telefone, as coisas complicam-se e "osestátudobem?", ao não preverem que do outro lado, alguém possa dizer que "está realmente tudo bem!", mostram-se aflitos e perguntam de novo como se outra pessoa tivesse problemas de audição "Espera lá, mas está mesmo tudo bem?" – chiça, que é chato! - E aí, se a resposta "Já te disse, está tudo bem!" não for suficientemente capaz, é natural que só desistam quando do outro lado da linha, ouvirem um sonoro, possante, um trovão daqueles que destroem telhados de igrejas, discurso na cerimónia de tomada de posse de um qualquer governo, algo que se lhes soe a "Juro por minha honra que cumprirei com lealdade as funções que me são confiadas" quando na verdade apenas ouvem do outro lado, alguém a dizer, já de dentes cerrados, "Está-tudo-bem-porra!"


Os "estátudobem?" não são más pessoas e garanto-vos que serão os primeiros a acudir-vos se perceberem que não está tudo bem ou talvez ainda pior "está tudo mais ou menos!". Alto, parem o mundo, que se fixe a escada e o degrau onde agora estão instalados e se indague tudo o que houver para saber, no sentido de perceber o que se passa, quem está doente, o que terá acontecido, quem é aquele que vai ali e "ó querida vai indo que eu já vou lá ter!", e "esta agora!" e "Mas que maçada!" e "Mas em que lhe posso ser útil, o que posso fazer por si?" e "Mas foi há muito tempo?" e "Como é que isso aconteceu?" e "Mas estavam a contar?" e "Foi de repente?" e "Já vou, já vou!" e "Não hesite em telefonar-me ou tocar-me à porta!" e "Não imagina como fico triste com esta notícia" e "pode contar comigo, bem sabe" e "Já vou, já vou, raisparta a mulher!"


Contudo, existe uma rivalidade ancestral entre os "estátudobem?" e os "Bomdia!" porque embora nem uns nem outros digam mais do que isto, a verdade é que os primeiros reclamam para si e passo a citar "Uma intrínseca humanidade e altruísmo de que são desprovidos os cidadãos Bomdia". E com verdade, parece-me ser justo dizer que alguém que me dedica um "Bom dia!" sem sequer me perguntar "Se está tudo bem?", é imensamente mais frio, insensível e até déspota do que uma pessoa que me oferece, como se me estendesse o peito, um prazeiroso e intenso "Está tudo bem?"

Tuesday, November 20, 2007

José Luís Peixoto, Carolina Salgado e Alexandre Valente no Boa Noite Alvim







































Leram bem, são estes os convidados do Boa Noite Alvim desta semana. José Luís Peixoto é escritor e acaba de publicar “Cal” um livro que reúne alguns contos, poemas e até uma peça de teatro, esta última baptizada de “ À Manhã” ( verdade, é assim que se escreve) e que foi estreada em Janeiro de 2006 no Teatro São Luiz em Lisboa.

Peixoto é um homem das letras que se junta no mesmo sofá com Carolina Salgado e Alexandre Valente, ambos ligados ao filme “ Corrupção”que está em exibição há pouco mais de uma semana e que conta nos papeis principais com Margarida Vila Nova e Nicolau Breyner. A primeira, é conhecida nacionalmente por ter sido a ex-companheira de Pinto da Costa e autora do livro “ Eu, carolina”.O segundo, por ser o produtor do filme que se baseou nesta obra. Ambos, preparados para responder a todas as questões que vos parecerem pertinentes e também aquelas que não vos parecerem nada pertinentes ou pouquíssimo ou quase nadinha pertinente.

Os contactos são estes: boanoitealvim@sic.pt ou Tel. 21 443 48 52 nunca esquecendo que há desde a passada semana, um prémio novo que visa estimular a vossa participação e que passa por oferecer uma garrafa de Jameson ( ah pois!) ao melhor comentário ou questão colocada no neste mesmo blog.

Podem sempre ligar para as linhas habituais ou se quiserem aparecer no estúdio para nos verem ao vivo, saibam que é em Paço D’arcos, estúdios Valentim de Carvalho bastando para isso que nos enviem um email a darem-nos conta disso mesmo: boanoitealvim@sic.pt. Devem estar lá por volta das 22.30. O programa começa às 23h, na SIC Radical. Até logo.