
Se há coisas que as mulheres detestam são homens ciumentos, “ Eu não suporto ciúmes!”- dizem, e com verdade, sem que seja uma coisa assumida, há uma espécie de movimento antihomensciumentos de forma a inibir qualquer aproximação ou reprodução de homens como eu, que aqui o assumo, sou ciumento-compulsivo. Muito prazer!
Ora, os ciúmes são exactamente como o conflito Israelo-árabe, é uma coisa que existe, é muito aborrecido e não há solução à vista. Nesta intifada emocional, é justo dizer que ao contrário do que os modernos psicanalistas afirmam, esta coisa dos ciúmes não tem nada a ver com a insegurança: eu sou muito seguro, ouviram? uso sempre cinto, não passo o vermelho, se há uma fuga de gás vou logo abrir a janela, tenho o bilhete de identidade em dia, sou o cidadão 102 44 230 do arquivo nacional de Lisboa, tenho seguro de vida e também contra todos os riscos e ainda assim, insistem em dizer que isto é insegurança. Insegurança? Pois que o seja, mas prefiro assim a ser um tenrinho gozado em silêncio pelo vizinho da frente. O que querem que faça? Que ao meu lado se atirem à minha mulher e que eu diga algo como “ É muito apetecível não é? Como eu o compreendo, olhe fique aqui com o meu número de telemóvel que quando este relacionamento acabar eu logo lhe ligo para o avisar, está bem? Ou então outra hipótese. Estamos a passear na rua, há um carro que se aproxima e vendo-a afastada de mim, um homem vocifera algo como “ Se eu tivesse contigo, até gritavas pela tua mãe!” e eu, palerma, respondo algo como: “ Seu mal educado, pois fique a saber que não lhe adiantava de nada, que a mãe é surda como uma porta! - Aliás reparem que uso do pronome possessivo “ “minha” não é aqui usado de forma leviana, antes pelo contrário, é com aquele sentimento de posse, do “é meu e não quero saber!”, do “ Ela só gosta de mim e eu dela e o mundo pode muito bem acabar amanhã!” e eu bem sei que isto ainda me torna mais detestável. Estou mesmo a ver duas mulheres a falarem sobre isto:
- Sabes, o meu marido é muito ciumento?
- Verdade? Ohh, que maçada.
- Mas o pior não é isso – diz. Ele é ciumento compulsivo
- ohhh que horror! - diz a amiga e enquanto grita “ acudam, acudam! - histérica, atira-se da primeira janela que encontrar aberta.
Sim, sou um homem ciumento, mas não faço perseguições de carro, nem estou à porta de casa a ver a que horas ela chega, nem faço chantagens de nível algum. Gosto de fazer apenas duas perguntinhas: Onde estás? Estás com quem? E convenhamos: Quantos de nós somos adeptos fervorosos destas duas questões? Liga-se para casa dela e pergunta-se: Onde estás? E o contentamento cresce à medida que a nossa pergunta vai sendo respondida de forma precisa e com uma honestidade militante: - Olha, agora estou no corredor! Neste momento entrei na sala de jantar e se não te importas vou tomar banho que acabo de acordar, estás a ouvir a água a correr, meu amor? É bom não é? - É bom sim e melhor ainda quando nos diz com quem está e percebemos que não há perigo algum quando nos diz que está sozinha “ Estou sozinha!” ou melhor ainda com os pais “ Estou com os meus pais!” E aqui, há uma questão fundamental que distingue o homem que não tem ciúmes daquele que é ciumento compulsivo. O primeiro diz “ Está bem, está bem, vou indo!” o segundo jamais deixará de perguntar “ Posso falar com eles?”
Ora, os ciúmes são exactamente como o conflito Israelo-árabe, é uma coisa que existe, é muito aborrecido e não há solução à vista. Nesta intifada emocional, é justo dizer que ao contrário do que os modernos psicanalistas afirmam, esta coisa dos ciúmes não tem nada a ver com a insegurança: eu sou muito seguro, ouviram? uso sempre cinto, não passo o vermelho, se há uma fuga de gás vou logo abrir a janela, tenho o bilhete de identidade em dia, sou o cidadão 102 44 230 do arquivo nacional de Lisboa, tenho seguro de vida e também contra todos os riscos e ainda assim, insistem em dizer que isto é insegurança. Insegurança? Pois que o seja, mas prefiro assim a ser um tenrinho gozado em silêncio pelo vizinho da frente. O que querem que faça? Que ao meu lado se atirem à minha mulher e que eu diga algo como “ É muito apetecível não é? Como eu o compreendo, olhe fique aqui com o meu número de telemóvel que quando este relacionamento acabar eu logo lhe ligo para o avisar, está bem? Ou então outra hipótese. Estamos a passear na rua, há um carro que se aproxima e vendo-a afastada de mim, um homem vocifera algo como “ Se eu tivesse contigo, até gritavas pela tua mãe!” e eu, palerma, respondo algo como: “ Seu mal educado, pois fique a saber que não lhe adiantava de nada, que a mãe é surda como uma porta! - Aliás reparem que uso do pronome possessivo “ “minha” não é aqui usado de forma leviana, antes pelo contrário, é com aquele sentimento de posse, do “é meu e não quero saber!”, do “ Ela só gosta de mim e eu dela e o mundo pode muito bem acabar amanhã!” e eu bem sei que isto ainda me torna mais detestável. Estou mesmo a ver duas mulheres a falarem sobre isto:
- Sabes, o meu marido é muito ciumento?
- Verdade? Ohh, que maçada.
- Mas o pior não é isso – diz. Ele é ciumento compulsivo
- ohhh que horror! - diz a amiga e enquanto grita “ acudam, acudam! - histérica, atira-se da primeira janela que encontrar aberta.
Sim, sou um homem ciumento, mas não faço perseguições de carro, nem estou à porta de casa a ver a que horas ela chega, nem faço chantagens de nível algum. Gosto de fazer apenas duas perguntinhas: Onde estás? Estás com quem? E convenhamos: Quantos de nós somos adeptos fervorosos destas duas questões? Liga-se para casa dela e pergunta-se: Onde estás? E o contentamento cresce à medida que a nossa pergunta vai sendo respondida de forma precisa e com uma honestidade militante: - Olha, agora estou no corredor! Neste momento entrei na sala de jantar e se não te importas vou tomar banho que acabo de acordar, estás a ouvir a água a correr, meu amor? É bom não é? - É bom sim e melhor ainda quando nos diz com quem está e percebemos que não há perigo algum quando nos diz que está sozinha “ Estou sozinha!” ou melhor ainda com os pais “ Estou com os meus pais!” E aqui, há uma questão fundamental que distingue o homem que não tem ciúmes daquele que é ciumento compulsivo. O primeiro diz “ Está bem, está bem, vou indo!” o segundo jamais deixará de perguntar “ Posso falar com eles?”

