Tuesday, May 01, 2007

Boa Noite Alvim. Estreia hoje. 1 de Maio. 23 Horas. Sic Radical


E pronto, eis chegado o dia, é exactamente hoje, 1 de Maio do distinto ano de 2007 que se estreia o meu novo programa na Sic Radical. Chama-se Boa Noite Alvim, começa às 23 horas e dura até à meia-noite.

É justo que saibam que tudo começou a ser planeado em Outubro do ano passado - terá sido pela tardinha - mas a verdade é que cedo percebi que precisava de uma equipa que acreditasse na minha ideia. E encontrei. Várias pessoas. Pronto, algumas. Muitas delas ainda não conhecidas do grande público e que aqui irão ter a sua primeira aparição televisiva. Outras não. Eu serei o apresentador, o fiel depositário desta gente, voltam a tremer as pernas – não há maneira de me ver livre disto – mas sinto uma coisa boa, o inicio de tudo outra vez, fazer de novo, experimentar, ir por ali, edificar uma coisa que começou num papel de café, num dia aparentemente igual aos outros.

È hoje, às 23 horas na Sic Radical, a primeira série terá 12 emissões e é isso que importa agora saber. São 12 programas onde levaremos pessoas que gostam de falar abertamente e que têm algo para dizer. A primeira dúvida foi esta: Com 50 minutos de programa, levamos um ou dois convidados? Decidimos pela primeira hipótese, levaremos apenas um porque nos parece que assim a conversa poderá respirar melhor e que o convidado poderá sentir-se mais à vontade para dizer tudo o que pretendemos saber. O primeiro é o detective Mário Costa, um contador de histórias, um detective pouco convencional que não esconde como tudo se processa.

Hoje, às 23 horas, há uma equipa inteira que rói as unhas para que tudo corra conforme o planeado. Iremos por ali , gostaríamos que nos seguissem por esse caminho fora.
P.S - Já agora, se quiserem ligar para o programa e serem os primeiros participantes desta histórica emissão apontem o número. É este: 21 443 48 52.

Thursday, April 05, 2007

Festival Termómetro 2007: a grande final!

Então e se o Baptista Bastos, um destes dias, vos apanha desprevenidos na rua e pergunta «ouve lá, pá, onde é que estiveste na décima terceira final do Termómetro?». O que é que vocês vão responder? Que ficaram em casa a curtir as pantufas, a mantinha de xadrez sobre as pernas e o dvd de um filme manhoso?

Pois é, pois é, tudo isto quando poderiam, de peito inchado, responder «Baptista, pá, eu estive no local do acontecimento, vi tudo, lembro-me perfeitamente, estávamos a 7 de Abril de 2007, no Teatro Sá da Bandeira, e assistimos à actuação dos finalistas - os Zuul Nation, a Fábrica de Sonhos, os The Cynicals, os Musgo e os Lost Michi; e ainda, extra concurso, o convidado especialíssimo Legendary Tiger Man».

Sim, no dia 7 de Abril, se forem ao Teatro Sá da Bandeira, ficarão a saber, sem intermediários, sem diz-que-disse, qual o sucessor de bandas como Blind Zero, Bad Legacy, Silence 4, Feed, Big Fat Mamma, Slamo, Rita Cardoso, Stowaways, Alla Polacca, Sinapse, Mazgani e Yesterday.

Apareçam: vou gostar de vos ver lá.

Tuesday, March 13, 2007

Há dias assim!


Bem sei que tenho andado afastado mas há uma razão para isto. No espaço de uma semana começa a 13ª edição do Festival Termómetro e no início da próxima sai um novo número da Revista 365. Não tem sido fácil, primeiro conseguir apoios, depois seleccionar as bandas, falar com cada um dos locais onde se vão realizar as eliminatórias, falar com cada uma das bandas para perceber se podem ou não ir à eliminatória - que naquele dia não podem, que é melhor no outro! - muda-se, faz-se agora uma série de contactos para a imprensa e pede-se que divulguem - Vamos lá a ver, vamos lá a ver, dizem! - horas e horas a ouvir maquetas, horas e horas e perceber que em cada uma delas estão muito mais horas do que aquelas que estamos a despender agora. O cartaz, escolher a imagem - Joana Linda,temos que ter uma imagem, temos que ter uma imagem e podia ser algo na banheira, com espuma, com um termómetro, o que é que tu achas!? - fazer o press release e enviar a toda a imprensa - era muito bom que nesta primeira eliminatória conseguissem estar presentes, será que conseguem? - a dois dias, menos, a menos de um dia do festival e saber que amanhã, daqui a pouco pois, pelas 8 da manhã me levanto em direcção ao Porto para acompanhar na gráfica a saída dos cartazes, dos flyers, dos convites, dos bilhetes.

Não sei se hoje vou dormir, são 3.59, agora já 04.00, mas posso sempre fazê-lo no comboio. Parte do Oriente às 09.00, chega a Campanhã às 12.30. Logo para a gráfica, pausa para o almoço, uma Tertúlia/Workshop que versa sobre "O Género e o Humor" na Faculdade de Psicologia do Porto que acaba às 17 e sigo de novo para a gráfica pouco tempo antes de iniciar o programa de rádio às 19. Não é um dia normal, não é, mas poderia muito bem ser!

Eis o cartaz, num rigoroso exclusivo dos visitantes deste Blog.


A fotografia é de Joana Linda, o design de Alberto Quintas e este é o resultado do trabalho conjunto de uma equipa que terá dias iguais aos meus entre 14 de Março e 7 de Abril: Rossana Garcia, Dino Oliveira, Pedro Lourenço e Rodolfo Matos. Mais informações em: www.termometro-online.com.

Wednesday, January 31, 2007

Hoje é um dia muito bonito. Se ligarem a televisão, no canal 2, a partir das 8.30 - que é uma belíssima hora para acordar – poderão assistir à estupenda estreia de David. Uma série de desenhos animados onde aqui o rapaz é o principal narrador, juntamente com o pequenito David que impôs que o seu nome à produção portuguesa em detrimento do original, Billy. Para que saibam o David tem 4 anos e ainda não sabe ler e sendo assim, para que pudesse fazer as dobragens tinham que lhe ser ditadas cada uma das frases – eu assisti a isto. A produção a suar do outro lado do vidro que é assim uma espécie de aquário, a dizer: David, isto não vai custar nada! Grava mais um bocadinho que amanhã estarão cá os senhores da televisão! E não raras vezes, usavam-se técnicas ancestrais para que David gravasse mais um pouco. Rebuçados, chocolates, toda a espécie de sugus de fruta, enfim, um ver se te avias de oferendas que eram sempre olhadas com positivismo por parte de David.

As histórias desta série são muito engraçadas e se são crianças dos 2 aos 6 anos – eu pelo menos incluo-me nesta faixa etária – saibam que agora todos os dias, por volta desta hora - às 8.30 da manhã na RTP2- poderão ouvir-me a narrar cada uma destas histórias e imaginar o pequeno David a receber uma montanha de guloseimas por ter chegado ao fim de mais uma história.

Ficam só uns instantes para vocês. Olhem para isto:

Tuesday, January 30, 2007



E assim foi, vê-se alguém e dizemos para nós “É aquela, é aquela!” e no mesmo instante em que percebemos que é aquela, é aquela, a figura dela esvanece-se qual vidro embaciado em manhã de Inverno enganoso.

Tu és isso, vidro embaciado sim, outrora vapor, hoje manhã clara, tu és essa manhã em que fumamos à janela na esperança de te percebermos por entre aquela varanda, fixamente aquele estrado de praia, aquela luz que teima em ficar acesa quando todas as outras já se apagaram, tu és essa sim, a música que ouvimos no carro quando caminhamos para casa e nos cruzamos com outros condutores que caminham agora para os mesmos empregos. Liga os máximos para veres melhor, aumenta o volume dessa música para que não adormeças e escuta o que o dia te diz na claridade que te entra. Fecha o vidro, apaga o cigarro, concentra-te nessa estrada que te levará até casa, ouve-me a entrar por esses estores que repousam enganados, abraça-te aos cobertores como se fosse a mim e liga a televisão para que adormeças pensando que sou eu que te dou notícias frescas.

Esfrega os olhos, ajeita-te na cama, olha para esse retrato que insiste em fazer de conta que sou eu, lembra-te das pegadas húmidas que terei deixado naquela vez que entrei pelo quarto vindo do banho, remexendo as gavetas na esperança de que tu não acordes e denunciasses a minha presença. Dorme, não acordes ainda, deixa cá ver se fecho a porta de leve para só acordar os vizinhos. Bom dia como está?! - direi ao primeiro, Está um frio que não se aguenta - enquanto desço! - é mais um dia de trabalho! Que o que importa é saúde e até mais logo. Fecho a porta da entrada agora com força e sei que estarás por detrás da janela a adivinhares os meus passos. Ora o sinal do alarme - tic, tic – ora a porta a fechar – catapum – ora o motor que finge agora fazer-se morto apenas e só para o prazer da reanimação. A chave na ignição como se fosse uma bomba respiratória, tolhendo a boca do motor – brum brum – tentando outra vez – vrum vrum –nem um sinal de vida, mas já sem pronúncia do norte – vrum vrum e vamos a isto.


É de manhã, o trânsito é o que se sabe, parado nos semáforos apitam-me – smick smick! – no preciso instante em que muda a cor. Olho para o retrovisor e vejo-te a ti no meio de um autocarro cheio de pessoas exactamente iguais, iguais a ti. O motorista - olá como vai? – a senhora que se pendura a um dos ferros agarrando com muita força a mala que transporta - sou eu , sou eu dizes! – aquele miúdo , aquela mulher, aquele senhor, ticket ticket! – dizes brincando aos revisores – e de repente, uma paragem onde todos saem humilhando as outras saídas que esperavam ainda recebê-los.

Eis-me no carro a esta hora, a mesma música que ouviras no caminho para casa, o mesmo vidro embaciado, a mesma seiva que escorre agora por este vidro plano, o mesmo cigarro que apagaste, as mesmas notícias com as quais adormeceras. Eis-me – não finjas! a mesma foto que sabes não ser eu, o mesmo vulto que te trespassa, o mesmo jeito que te afaga e que agora caminha pelo mesma estrada que há pouco percorreras.

Eis-me de regresso a casa, metendo as chaves à porta – bom dia como vai, é a vida , é a vida, tem que ser ser! Tem que ser! – fazendo tudo para que não acordes, entrando devagarinho, devagarinho – shiuu! - não fazendo barulho algum - mesmo sabendo que no quarto onde te imagino, nessa cama que me aguarda, tu nunca estiveste, tal qual o vidro embaciado que agora é manhã clara.