Reparem só nesta genialidade trazido a nós, pobres leigos, na arte de fazer videoclips, pelo grande David!
Monday, October 09, 2006
Wednesday, October 04, 2006

Ando com a leve impressão de que a tristeza é muito mais unificadora do que a alegria, pois será bem mais fácil juntar toda a família num funeral do que numa data festiva como a noite de Natal.
Monday, October 02, 2006

quantas vezes te inventei
ao pé das
águas do lago e
imaginei que me empurravas
ladeira abaixo para
enfim
morrer de amor
Valter Hugo Mãe/"O Resto da minha Alegria"
Thursday, September 28, 2006
Erotismo versus Pornografia

Sou um fervoroso contestatário do Erotismo. Mandasse eu nisto, e já deve faltar pouco, e o erotismo seria banido de todo o lado. Não quer isto dizer que seja adepto da Pornografia – não sou – mas entre o Erotismo e a Pornografia não tenho dúvidas que gosto mais da segunda opção. O erotismo não me convence e nunca esquecerei alguns filmes que depois de me entusiasmarem me deixavam invariavelmente angustiado. A típica cena, sempre a mesma coisa: Os dois encontram-se, ajeitam-se, sentam-se no sofá, na televisão nada de jeito, amarrotam-se, as mãos dele, as pernas dela, os dois a procurarem o comando da televisão para a desligar e encontrando-o, ele olha para ela como se a perfurasse e desliga o televisor. As vozes são agora mais sussurrantes, não importa se os dois amantes ouvem o que estao a dizer, susurram e isso basta-lhes. Passa um carro ao longe, talvez nem tanto assim, mas ali, mais perto, lá em baixo na rua, ouve-se o barulho de uma porta a fechar-se com uma pancada seca, de alguém que acaba de chegar a casa e advinhamos a largar a mala e pendurar o casaco. Os dois, agora a olharem-se um no outro como se nunca se tivessem visto e se interrogassem a cada movimento. A mão dele na mão dela – eu no sofá a ver isto e a dizer queres ver que é agora, tu queres ver que é agora!– ela com a mão na camisa dele que vai puxando para si – tu queres ver, tu queres ver – a tirar os botões um a um – é agora , só pode ser agora – ele cada vez mais sôfrego , repetindo os gestos dela como se a imitasse – é agora, é agora – e no exacto momento em que tudo está a postos para um momento bem bonito de sexo saboroso, o realizador decidi mudar o plano brindando-nos normalmente com uma série de imagens paisagisticas muitas das vezes complementados por belíssimos temas do Mike Oldfield.
Bonito, não é?
Os adeptos do erotismo dirão que sim e eu respeito, mas o erotismo para mim é como entrarmos na cozinha, sentirmos o delicioso cheiro que vem de um dos tachos que estão ao lume e quando já mordemos os lábios na ânsia de provarmos o manjar, dizerem-nos que não, que o que ali está é só para vermos.
Com a pornografia , as coisas são diferentes e as conversas mais francas. Por exemplo, num filme erótico, quando o casal está no carro na esperança que ela ou ele a convide a subir é natural que se ouça algo como: “Queres subir e ir beber qualquer coisa? Sei lá, ver um filme, ouvir o novo album dos Sigur Rós? Enquanto num filme porno, na mesmíssima situação, a sinceridade chega ser comovedora como balas certeiras no peito: “ Como é, vamos lá em cima tirar esta roupa? E se subissemos a escada e descessemos um pelo outro?
Como é fácil de perceber, a segunda situação é mais franca porque escuta o pulsar dos corpos e não o esconde, nâo faz rodeios, não anda para ali com rodriguinhos, com isto e aquilo, entrega-se, rende-se, procura poupar em palavras aquilo que gasta em actos, que diz exactamente aquilo que está a sentir remetendo o erotismo para os filmes e não para vida real que é a nossa.
Tuesday, September 19, 2006
Essa coisa chamada Silêncio

Quando decidi criar este blog prometi desde logo que só escreveria quando tivesse algo para dizer e assim fiz. Durante este dois meses não tive grande coisa para dizer porque aconteceram coisas demais para ter tempo de aqui as revelar.
Contudo , ao contrário do que se pensa, não estive parado durante este tempo e todos os dias, num outro blog escrevo diariamente sobre o tema que se propõe : provaoral.blogspot.com. É este o nome do programa de rádio, onde me podem encontrar de segunda a sexta entre as 19 e as 20 na Antena 3.
E é sobre rádio que vos quero falar, da paixão que esta forma de comunicar exerce sobre mim e que tem vindo a perder alguma da influência que já chegou a ter há anos atrás. Não é que agora não tenha - é claro que ainda tem - mas com o aparecimento da televisão e o seu lógico desdobramento em canais de cabo, noto que a rádio é uma espécie de parente pobre . É comum ouvir-se falar sobre o bichinho da rádio e quando questionados sobre qual o meio que preferimos. Rádio ou Televisão? Quem começou na rádio, invariavelmente não esconde a sua preferência pela primeira, o que não quer dizer que não se goste de fazer televisão.
Eu gosto de ambas - admito, mas a rádio ... a rádio é de facto diferente. Desde os 13 anos que faço ráio e não queiram saber o quanto ainda me dá prazer falar todos os dias para pessoas que não vejo mas que advinho do outro lado. Como serão ? - pergunto-me. Onde estarão elas a ouvir-me agora?
Na maior parte das vezes, não sei porquê, imagino-os os ouvintes na estrada, a conduzirem um carro ou apenas e só a viajar no carro numa daqueles estradas dos filmes do Lynch enquanto me ouvem e de preferência se riem com aquilo que digo. Gosto de acreditar que de vez em quando tenho piada. De resto, melhor do que ter piada ou não , é perceber quando a tivemos ou não e percebermos que quando deixarmos de conseguir fazer esta avaliação, estamos a um passo da decadência.
Mas não é disso que quero falar, gostava de destacar a impressão que me faz o silêncio. Palavra. Se há coisas que não suporto , uma delas é o silencio da rádio ou mesmo o silêncio numa mesa de jantar por exemplo. E no entanto, até gosto de estar calado muitas das vezes, mas se estou numa emissão de rádio ou num jantar com outras pessoas, se momentaneamente todas se calam, garanto-vos que eu sou o primeiro a quebrá-lo, a quebrar o silêncio, fazendo com que à custa disto já tenha dito os maiores disparates da história- desculpas dirão!. Mas acreditem que falo a verdade, basta que surja o silêncio e digo algo como: " Esperem lá, outro dia contaram-me uma história - e neste momento eu não sei o que vou dizer - uma história incrível, digo - claramente em busca de algo - eu sinceramente não sei quem é que me contou mas acho que ... acho - estou a tentar ganhar tempo à procura de alguma coisa - e aí , como que por magia, lembro-de de uma história qualquer que por me milagre me assalta e que normalmente não tem grande nexo ou com frequência é um perfeito disparate.
Na rádio, as coisas agravam-se ainda mais e não são poucas as vezes que abro o microfone sem ter mínima noção do que irei dizer mas sempre, sempre, com a esperança que algo surgirá no segundo depois de ter pensado nisso. E felizmente, surge mesmo.
Acho que já o perceberam, incomoda-me o silêncio. Como já muitos o disseram, por vezes o silêncio pode ser ensurdecedor e eu mastigo, eu trinco o silêncio antes que este me liquide. E no entanto, quando vou ao cinema gosto de ficar em silêncio, e no entanto, quando vos escrevo não gosto sequer de estar a ouvir música, e no entanto, se vamos com aquela pessoa, gosto de muitas das vezes ficar em silêncio sem que isso magoe, sem que isso incomode, como se fossem muitas palavras, como se aqui o silêncio fosse apaziguador e provasse, ao não causar estranheza ou qualquer desconforto, que a relação faz-se de silêncios destes. E era tudo.
Subscribe to:
Posts (Atom)