Tuesday, July 18, 2006

E vão cinco!




Começa a ser demais, em 16 anos de vida como motard já me subtraíram 5 motas e a última foi ontem, uma novinha Honda Hornet Laranja, igual a esta aqui ao lado, Matricula: 01 – AJ – 55, que havia estacionado na estação Oriente, no espaço reservado para o efeito, a pouco mais de 20 metros da esquadra da polícia. Bonito, não é?

Pois bem, deve haver poucas pessoas em Portugal que neste espaço de tempo se possam orgulhar de tamanho feito e eu orgulho-me disto porque acredito que quando nos roubam qualquer coisa é porque sabem que o produto em questão é bom, da mesma forma que desde sempre cresci a ouvir dizer que quando nos imitam isso tem que ser obrigatoriamente um elogio, pois se entende que essa é uma forma do suposto imitador dizer que gosta de nós ao ponto de querer fazer igualzinho ou parecido.

E a verdade é que as coisas não correram bem desde o início, quando a minha primeira mota foi levada para parte incerta com apenas 15 dias de utilização. Lembro-me que nessa altura tinha ido para a Ribeira do Porto com a minha namorada de então e bastaram 2 horas de poemas à beira rio para que percebesse que a poesia pode ser efémera. E foi. Um mês depois, perante a loucura que se apoderava de mim fui obrigado a comprar outra exactamente igual de forma a preservar a minha sanidade mental com os resultados que se conhecem. Essa foi até hoje a mota que terá durado mais tempo e nunca alvo de qualquer atentado aos bons costumes. E assim, quando chegou a altura de querer mudar, optei por oferecê-la a um Camera-man da Tvi que ainda hoje me felicita pelo acto.

Adiante. A minha segunda mota foi uma xt 350, cor preta e azul, que durou pouco mais de dois anos e que conseguiu nesse período engripar duas vezes por culpa aqui do escriba. Essa mota foi importante, porque marcou a minha transição de cidade, foi com ela que fiz a auto-estrada entre o Porto e Lisboa e com a qual cheguei a transportar, imagine-se, um aspirador de dimensões consideráveis.

A XT 350 revelava-se um espanto de resistência mas perante a ambição de querer um pouco mais, resolvi remetê-la para o Porto onde residem os meus progenitores e adquirir uma espantosa Xt 600, que só de a pensar, me deixa invariavelmente com os olhos aquosos ( se me permitem vou ali buscar lenços!) . E se a até aqui, os problemas ao nível de usurpamento indevido foram quase inexistentes, a partir daqui tudo se complicou e numa bela manhã , sem que tivesse cometido qualquer crime ( isto faz lembrar Kafka) , ao dirigir-me para o sítio onde a havia estacionado na noite anterior, percebi que já só ali jazia a sua alma. O mesmo sítio, onde na mesma noite já pernoitaria uma Transalp comprada em tempo recorde e cujos consumos eram tão elevados que andar de carro se tornava sempre mais apetecível. Gostei da transalp, mas ao cair por duas vezes com ela percebi que era muito difícil livrar-me do seu peso caso não tivesse auxílio imediato por parte das pessoas que tivessem nas imediações do acidente. Felizmente foi o que aconteceu das duas vezes, o que me fez suspirar de alívio mas criar com ela uma espécie de medo que não é muito abonatório neste tipo de relação. Uma relação que terminou já mais tarde quando consegui gripar a mota e perante um arranjo estimado em 900 contos decidi, com uma certa nostalgia, comprar uma xt 600 muito parecida com a que me haviam usurpado, ao mesmo tempo que comprava em primeira mão, um modelo novo da Honda que me era vendida sob a promessa de ser a oitava maravilha da natureza. E assim, como se fosse um novo rico, num curto espaço de tempo, aqui o rapaz ficaria com 3 motas ao mesmo tempo. Uma no Porto e duas em Lisboa. A XT 600 e a tal promessa da Honda – não digo o nome porque posso muito bem ter tido azar e ser de facto um excelente modelo – isto em Lisboa, e no Porto , a já referida XT 350.

Perante os números, decidi ofertar esta última ( a Xt 350) a um bom amigo meu que ainda hoje a usa e escreve sobre cinema como ninguém.

Uma semana depois, ainda os dois modelos não estavam separados e já a Xt 600 era vítima de um furto exactamente igual a todos os outros, na pacatez da noite, à porta da minha casa, sem deixar quaisquer vestígios e nem sequer uma carta de despedida.

Foi duro, sobretudo perceber que havia ficado com a outra mota – o tal modelo que me escuso a mencionar o nome – e que seria posteriormente trocada por uma apaixonante Hornet 600 que se revelaria desde o início como a melhor das motas que alguma vez havia adquirido. A mesma mota com a qual tive o acidente há um mês e meio atrás e que depois de reparada – tinha regressado nesta semana- foi levada pelo vento. A mesma mota que assim se junta à XT 50, à Transalp e às duas Xt 600.


Nota: A Transalp e uma das Xt 600 viriam a aparecer posteriormente. A primeira depois de um anúncio na Rádio Comercial no dia a seguir ao seu desaparecimento, onde um ouvinte denunciou o seu paradeiro. A segunda, duas semanas depois, na esquadra de policia da Reboleira, com um aspecto singular: a roda da frente estava presa com um cadeado/alarme que não era meu. Não acham espantoso?

Monday, June 19, 2006


E de repente a minha vida muda. Saio de casa, faço uma ultima chamada a dizer que estou neste momento a sair. Está sol, o calor faz-me negligenciar o uso de luvas. Estou neste momento a sair – repito – são talvez 10.30, talvez mais até. E uns minutos depois (não mais do que 3, 4) estou estendido na relva quente da Avenida Calouste Gulbenkian com gente a olhar para mim como se tivesse acabado de nascer.

Dizem: “ Ele está a respirar,. Ele está a respirar!” e eu confirmo, vociferam “ ninguém toca no puto, ninguém toca no puto!” e eu encolho mesmo a tempo de entrar nesta ambulância que agora se dirige ao hospital São José. O condutor reconhece-me, o colega também e ambos fazem que eu perceba que não é assim tão grave. Já dentro do hospital enquanto recebo visitas há uma frase que todos repetem “ podia ter sido muito pior!” e não sei porquê assalta-me um pensamento que me diz que “ também podia ter sido muito melhor”

Pensando que não, é aborrecido ter um acidente. Palavra, é chato. Porque com sinceridade, se eu soubesse antecipadamente que ia ter um acidente, as coisas teriam sido diferentes. Tinha preparado tudo com antecedência, adiantava alguns trabalhos, avisa a minha entidade patronal que me iria ausentar durante algum tempo, ia comprando alguns analgésicos e todo o tipo de ligaduras, podia ver logo um ou outro hospital que gostasse mais e posto isto, e então sim, só agora sim, estendia-me ao comprido na relva árida da Calouste Gulbenkian.

Assim, não foi. Há um dedo partido e 11 pontos no Joelho direito que confirmam a má sorte de não ter sido avisado. 4 dias no hospital, dois sem telemóveis, 3 sem televisão no quarto. Um antro de dor à minha volta que me faz entender que a minha, a dor que sinto, é infinitamente menor à que me rodeia. Sofre-se aqui como nunca antes havia experimentado e à noite, quando as luzes se apagam há um grito que percorre o corredor como se andasse e batesse nas portas. É um grito que representa vários, talvez sejam muitos gritos num só, mas este arrepia, este grito arrepia porque representa a dor que ali vai e que aquela pessoa, ao contrário de muitos outros, preferiu não silenciar. Aquele homem ou aquela mulher, quis que soubéssemos que o seu sofrimento era tão maior que aquele corredor.

E depois disto, quando finalmente saímos, nos libertamos do soro e encontramos o dia claro, sentimos algo de muito parecido com alguém que acaba de sair de um estabelecimento prisional depois de uma pena que cumpriu. Advinho, que será algo de muito semelhante embora não seja obrigatório que quem sai de uma prisão tenha que necessariamente se apresentar de braço ao peito.

Adiante, só o simples facto de passar a ter uma só mão para escrever fez com que a preguiça se apoderasse de mim e me fizesse, por manifesto amuanço, não escrever uma linha durante este tempo.

Estou de volta, regressei, ando cheio de ideias, este acidente pode até ter sido uma coisa boa ( “Podia ter sido Pior!”) , estamos a meio do ano, estamos a meio do jogo, há uma segunda parte para dar a volta a isto. E eu, preparo-me para entrar de novo em campo.

P.s – Está em preparação o novo número da revista 365 ( www.revista365.com) que sairá no final de Julho. Pela primeira vez, a revista sairá em formato de livro de Bolso, inspirando-se em absoluto na lendária revista Gina. Se ainda não a conhecem, deveriam, se ainda não são assinantes, deveriam também, se nunca divulgaram esta estupenda publicação junto dos vossos, é obvio que deveriam fazê-lo. E mais não digo. Querem que eu repita o endereço do site?! Está bem: www.revista365.com.

Wednesday, May 10, 2006

Elogio do Amor


"Há coisas que não são para se perceberem. Esta é uma delas.Tenho uma coisa para dizer e não sei como hei-de dizê-la. Muito do que se segue pode ser, por isso, incompreensível. A culpa é minha. O que for incompreensível não é mesmo para se perceber.
Não é por falta de clareza. Serei muito claro. Eu próprio percebo pouco do que tenho para dizer. Mas tenho de dizê-lo. O que quero é fazer o elogio do amor puro. Parece-me que já ninguém se apaixona de verdade. Já ninguém quer viver um amor impossível. Já ninguém aceita amar sem uma razão.
Hoje as pessoas apaixonam-se por uma questão de prática. Porque dá jeito. Porque são colegas e estão ali mesmo ao lado. Porque se dão bem e não se chateiam muito. Porque faz sentido. Porque é mais barato, por causa da casa. Por causa da cama. Por causa das cuecas e das calças e das contas da lavandaria.
Hoje em dia as pessoas fazem contratos pré-nupciais, discutem tudo de antemão, fazem planos e é mínima merdinha entram logo em "diálogo". O amor passou a ser passível de ser combinado. Os amantes tornaram-se sócios. Reúnem-se, discutem problemas, tomam decisões.
O amor transformou-se numa variante psico-sócio-bio-ecológica de camaradagem. A paixão, que devia ser desmedida, é na medida do possível. O amor tornou-se uma questão prática.
O resultado é que as pessoas, em vez de se apaixonarem de verdade, ficam "praticamente" apaixonadas.
Eu quero fazer o elogio do amor puro, do amor cego, do amor estúpido, do amor doente, do único amor verdadeiro que há, estou farto de conversas, farto de compreensões, farto de conveniências de serviço.
Nunca vi namorados tão embrutecidos, tão cobardes e tão comodistas como os de hoje. Incapazes de um gesto largo, de correr um risco, de um rasgo de ousadia, são uma raça de telefoneiros e capangas de cantina, malta do "tá bem, tudo bem", tomadores de bicas, alcançadores de compromissos, banançides, borra-botas, matadores do romance, romanticidas.
Já ninguém se apaixona? Já ninguém aceita a paixão pura, a saudade sem fim, a tristeza, o desequilíbrio, o medo, o custo, o amor, a doença que é como um cancro a comer-nos o coração e que nos canta no peito ao mesmo tempo?
O amor é uma coisa, a vida é outra.
O amor não é para ser uma ajudinha. Não é para ser o alívio, o repouso, o intervalo, a pancadinha nas costas, a pausa que refresca, o pronto-socorro da tortuosa estrada da vida, o nosso "dá lá um jeitinho sentimental".
Odeio esta mania contemporânea por sopas e descanso. Odeio os novos casalinhos.
Para onde quer que se olhe, já não se vê romance, gritaria, maluquice, facada, abraços, flores. O amor fechou a loja. Foi trespassada ao pessoal da pantufa e da serenidade.
Amor é amor. É essa beleza. É esse perigo.
O nosso amor não é para nos compreender, não é para nos ajudar, não é para nos fazer felizes. Tanto pode como não pode. Tanto faz. é uma questão de azar.
O nosso amor não é para nos amar, para nos levar de repente ao céu, a tempo ainda de apanhar um bocadinho de inferno aberto. O amor é uma coisa, a vida é outra.
A vida às vezes mata o amor. A "vidinha" é uma convivência assassina.
O amor puro não é um meio, não é um fim, não é um princípio, não é um destino. O amor puro é uma condição. Tem tanto a ver com a vida de cada um como o clima.
O amor não se percebe. Não é para perceber. O amor é um estado de quem se sente.
O amor é a nossa alma. É a nossa alma a desatar. A desatar a correr atrás do que não sabe, não apanha, não larga, não compreende.
O amor é uma verdade. É por isso que a ilusão é necessýria. A ilusão é bonita, não faz mal. Que se invente e minta e sonhe o que quiser.
O amor é uma coisa, a vida é outra.
A realidade pode matar, o amor é mais bonito que a vida. A vida que se lixe. Num momento, num olhar, o coração apanha-se para sempre. Ama-se alguém. Por muito longe, por muito difícil, por muito desesperadamente. O coração guarda o que se nos escapa das mãos. E durante o dia e durante a vida, quando não esta lá quem se ama, não é ela que nos acompanha - é o nosso amor, o amor que se lhe tem.
Não é para perceber. É sinal de amor puro não se perceber, amar e não se ter, querer e não guardar a esperança, doer sem ficar magoado, viver sozinho, triste, mas mais acompanhado de quem vive feliz.
Não se pode ceder. Não se pode resistir.
A vida é uma coisa, o amor é outra.
A vida dura a Vida inteira, o amor não.
Só um mundo de amor pode durar a vida inteira. E valê-la também."



Miguel Esteves Cardoso in Expresso

Monday, May 08, 2006

A melhor canção de sempre




Jeff Buckley - Forget Her

while the city's busy sleeping
all your troubles lie awake
i walk the streets to stop my weeping
but she'll never change her ways

don't fool yourself
she was heartache from the moment that you met her
my heart feels so still
as i try to find the will to forget her somehow
oh i think i've forgotten her now

her love is a rose dead and dying
dropping her petals and man i know
all full of wine the world before her
but sober with no place to go

don't fool yourself
she was heartache from the moment that you met her
my heart is frozen still
as i try to find the will to forget her somehow
she's somewhere out there now

oh my tears fall down as i tried to forget
the love was a joke from the day that we met
all of the words all of her men
all of my pain when i think back to when
remember her hair as it shone in the sun
it was there on the bed when i knew what she'd done
tell yourself over and over you wont ever need her again

don't fool yourself
she was heartache from the moment that you met her
oh my heart is frozen still
as i try to find the will to forget her somehow
she's out there somewhere now

oh
she was heartache from the day that i first met her
my heart is frozen still
as i try to find the will to forget you somehow
cause i know you're somewhere out there right now

Tops!



Sempre gostei de tops ( também desses que as mulheres usam habitualmente quando o tempo aquece) mas igualmente dos outros. Da imensidade de tops que existem para reunir as escolhas de várias pessoas ou só de uma, em relação a tudo ou quase.As melhores canções de sempre, os melhores filmes de sempre, os melhores livros de sempre, as coisas mais irritantes de sempre, os melhores programas de sempre, a cena mais escaldante de sempre e nunca mais agora saímos daqui. Top que é top, tem que acabar invariavelmente com " de sempre!"

E assim, o que proponho esta semana é fazermos aqui o top das coisas mais irritantes de sempre. Antes mesmo de divulgar a minha lista definitiva, avanço com as 4 primeiras:

1 - Chegar a uma bomba de gasolina pronto para abastecer o veículo. Sair do bólide, tirar a mangueira, a tampa do depósito e quando finalmente estamos prontos a accionar o mecanismo, uma voz surge das colunas e diz: Bomba nº2, lamentamos mas essa bomba encontra-se em pré-pagamento. Primeiro , somos tratados como uma bomba ( apetece pergunta se nuclear ou daquelas para a asma?) depois, como podemos nós advinhar qual a quantidade de gasolina que precisamos para atestar o depósito antes mesmo de o fazermos.

2 - O barulho de uma folha de papel a ser vincada.

3 - O som da bateria de um telemóvel quando assinala que está quase a acabar.

4 - Chegar ao multibanco e perceber que a pessoa que está à nossa frente está a pagar por ali, tudo e mais alguma coisa: Água, luz, telefone, transferência para a filha que está no Canadá, eu sei lá agora! .Normalmente, esta gente, chega 30 segundos antes de nós.