Thursday, January 26, 2006

Ben & Jerry’s do Chiado. Sexta-feira, 27 de Janeiro, entre as 17 e as 19. Convite Oficial




Os meus amigos bem me avisaram: "Alvim, olha que um dia destes ainda vais acabar a vender gelados!" e eu, tontito, respondia: "Vender Gelados! ora essa, isso nunca me vai acontecer e se acontecer terei sempre alguém entre tantos amigos, que me irá estender a mão! ouviram?" e depois disto, ria-me, feito parvinho!

Pois bem, meus amigos e amigas, isto, com verdade aconteceu. E vai ser já, agora, amanhã, Sexta-feira, 27 de Janeiro na Ben & Jerry’s do Chiado(Rua da Misericórdia, nº17)
entre as 17 e as 19 horas, nem mais. E o mais curioso é que as previsões confirmam-se: Não só irei vender gelados como precisarei de amigos e amigas para me estenderem a mão, que garanto-vos, eu devolvo o troco.

Agora mais a sério, faço este convite porque esta não é uma iniciativa normal. Porquê? Primeiro porque, já o disse, irei estar a vender gelados o que já de si não é muito habitual. Depois porque estarei ao lado do meu genial amigo Nuno Markl, que comigo fez a dupla mais bizarra que eu me lembro, precisamente, no Perfeito Anormal. E finalmente, porque as receitas das vendas destes gelados ( que são realmente muito bons! E falo mesmo a sério) serão revertidas totalmente para a Comunidade Vida e Paz, uma instituição de ajuda aos “sem abrigo” toxicodependentes.

Motivos mais do que suficientes para não nos deixarem ali sozinhos a comer gelados com a testa. Estamos lá entre as 17 e as 19 horas, Ben & Jerrys's do Chiado (Rua da Misericórdia, nº17). Estamos combinados?

Wednesday, January 18, 2006

Benfica


Nunca sei como será ser de outro clube que não o Benfica e também não quero. É uma ignorância boa, esta, a de não querer saber, a de recusar logo à partida o conhecimento de algo que não nos importa. Só me interessa o Benfica, confesso, e logo à partida é fácil perceber pela fria análise morfológica do nome, que o clube que amo, é uma instuição que pratica o bem, que pede, rogando, para que fique: Bem! Fica! E o bem, como se ouvindo, fica mesmo, e com ele, como se uma mágica terra se elevasse, ficam não todos os benfiquistas, mas sim, todos os benfiquenses.

Existe um “ismo” no Benfica de uma magnitude rara, que não se confunde nem se imiscui com outros ismos mesquinhos que outrora serviram doutrinas, reformas várias e pessoas poderosas. O Benfiquismo é um “ismo” dos bons, que se impõe, precisamente, não se impondo, que se percebe justamente ao não se perceber, e que mesmo não se vendo, se sente e sofre como se de um amor carnal de tratasse.

Quando se grita pelo Benfica é como se gritássemos em tenra idade pela nossa mãe mesmo sabendo que está ali tão perto, pela libertina vontade de gritar pelo que nos pertence, para que saiba que não somos de nenhum outro, para que fique claro que lhe dedicamos a rouquidão que se esmorece na nossa voz.

Sou do Benfica desde que me lembro e não tenho memória curta. É nela que cabem mil imagens que correm de calções agora mesmo. Lembro-me do Néné, ali vai ele, do número 7, calções brancos, por vezes com risco ao meio, chuteiras novas, o filho bem comportado que qualquer mãe gostaria de ter tido. Do Carlos Manuel, dos livres do Carlos Manuel, da garra do Carlos Manuel quando pegava a bola a meio campo e durante metros a levava com ele, como se fosse um gigante, altíssimo, como se a levasse para casa, imponente, quebrando a barreira do som com a velocidade que lhe imprimia. E o inferno era aquilo, o inicio da corrida, a multidão a levantar-se, ninguém quieto por um instante que fosse “oh senhor, sente-se lá para eu ver”, todos a falar com as mãos, a dizer “passa a bola” e “vamos vamos” “ é agora, é agora” “ força, força” ao qual se seguia, não raras vezes, um ciclópico “aaaaahhhhhh” num imenso coro de vozes, invariavelmente seguido de palmas e um sincrónico bater de pé, ou em outros casos menos felizes, apenas um bater de pé e nomes impronunciáveis.

Acho que já disse que sou do Benfica e nunca é demais dizê-lo, como daquelas vezes em que não nos cansamos de dizer “amo-te” a uma pessoa, mesmo que esta já o saiba há muito. Porque nos dá gosto dizer “Benfica” como se fosse um “Amo-te” repetido até à exaustão. Porque ser do Benfica é dizer “Amo-te” muitas vezes. Porque é o amor que nos une e nos cega e nos faz dizer que não, não é penalty quando todos sabemos que foi, ali, à nossa frente, “com o diabo” dizemos, mesmo não o querendo admitir, “não é, não é” sabendo que estamos a mentir. Porque o amor vê mãos onde não existem, este amor de que vos falo e escrevo agora, vê faltas que nunca foram cometidas, foras de jogo, cartões que ficaram por mostrar, culpas que nunca a nossa, mas também vê o resto, os equipamentos, os jogadores a beijar a camisola como se fosse um país, o ritual da águia que dá a volta ao estádio em busca de novos perdedores, desculpem, predadores, ainda o estádio, o velho e o novo, o luxo das cadeiras de agora e o glória das outras, o Eusébio, o Chalana, o Diamantino, o Veloso e a luz intensa que nos olha a todos. A luz, estranha luz esta, o hino do piçarra, a vaidade com que o canta, as bandeiras a agitarem vitoriosas, os golos, aquele e mais o outro que ainda hoje recordamos, as jogadas sinfónicas, os maestros de então, os golos, chegar muito cedo para ficar horas seguidas a olhar o relvado, os golos, as horas que passamos a entoar cânticos, a discutir os jornais, a falar sobre o Benfica, a telefonar para os amigos de outros clubes para lhes fazer inveja com os nossos resultados, a esperar sempre, os golos, os 5 minutos à Benfica, este inferno bom, o nosso, igual a nenhum outro, este Benfica, este estado de alma, este amor rouco que não nos cansamos de repetir mil vezes.


Esta é a minha participação para o livro "Ser Benfiquista"/Prime Books

Wednesday, January 11, 2006

Que mundo é este?



Descobri por acaso um mundo novo. Foi assim de repente, não posso precisar com exactidão que horas seriam, ainda era cedo, pouco passava das 11 da noite. A novidade estava num mail daqueles que apetece apagar sem ver, cheirou-me a vendas, tresandava a “ O meu endereço está metido numa enorme mailing list” e desconfiado, como se ao abrir pudesse apanhar uma qualquer virose, percebi que tinha encontrado uma coisa de que sempre gostara e que nunca havia investigado. Desta vez, perdi algum tempo, e fui em busca do que se faz nesta espécie de artesanato moderno. Vale a pena visitar este blog e os endereços que aqui se recomendam. Se souberem de coisas destas, não necessariamente iguais, avisem-me que eu agradeço-vos. Gostava de encontrar algo de parecido no domínio das Sweat/T-Shirts. Por agora, fica o endereço da minha tardia descoberta:

http://mundodomuchi.blogspot.com/

Saturday, January 07, 2006

Será impressão minha?


Não é por nada, mas de cada vez que imagino o negócio, os milhares de euros que terão envolvido o Lisboa-Dakar para que este viesse pelo nosso país, para que este partisse quase sem chegar, para esta autêntica visita de médico, serei só eu , ou invariavelmente, de cada vez que referem o evento, seja na rádio ou na televisão me parece ouvir sempre:

E em 2006, vem aí mais uma edição do “Lisboa Dá cá!

Tuesday, January 03, 2006

31


Acontece-me com frequência, quando faço anos não raras vezes insisto em não assumir a idade que acabo de atingir durante os 3 meses que seguem. Não é coisa que se explique facilmente mas a verdade é esta e devo admiti-la ( os blogs servem para isto e sobretudo para colocarem os seus autores vestidos de coelhinhos tristes), onde ia eu? Exacto, dizia: Por exemplo, lembro-me bem que quando fiz 24 anos, andava armado ao pingarelho a dizer que só tinha23, já quando fiz 28, até Outubro, parecia-me que me travava a língua. Palavra, em resposta à pergunta “ Que idade tens?” eu respondia – “23 meu!” e assim sucessivamente. Agora, o mais problemático em é quando deixamos anos com números redondos, e aqui meus amigos, não existam dúvidas, os mais difíceis de assumir são os 21 anos e os 31 anos. É que não há maneira, custa muito, Que idade tens? 30 e fala-se sobre isto e aquilo, tu já não és nenhum rapazinho! Tu deves ter... e antes que acabem nós completamos. 30 – tenho 30 anos. E a verdade é que não tenho, fiz exactamente há 8 meses 31 anos e acreditam que ainda digo 30?

E o mesmo acontece com os anos que passam, é impressão minha ou ainda nos custa a admitir que deixamos 2005? Confessem, basta preencherem um cheque com mão lesta e chegando à inscrição da data temos que aplicar travões com abs na caneta para não escrevermos o ano velho.

Com sinceridade, para todos os efeitos, até ao final de Janeiro, eu ainda estou em 2005.