Saturday, August 31, 2013

É verdade, rentrée nova, livro novo

E já podem lançar-se a ele. Ora espreitem aqui.

“Mente-me só se for verdade” é o novo livro de Fernando Alvim. Antes dele, foram publicados “ no dia em que fugimos tu não estavas em casa”, “ 50 anos de carreira”, “ Não atires pedras a estranhos porque pode ser o teu pai” e “Não és tu sou eu”, este último totalmente dedicado a um dos temas mais recorrentes do autor: o amor.

De resto, Alvim que se assume impunemente como o júlio Iglésias da literatura, é igualmente a única pessoa no mundo que não tem a intenção de um dia lançar um romance. O que não dizer que não o faça, pode fazê-lo, mas não é de todo esse o seu maior objectivo. A razão principal é a de não ter tempo e de ter chegado à conclusão de quem muito escreve sobre amor pouco o faz. E o amor mais do que falado, segundo o autor, deve ser feito.

Quer isto dizer que o novo livro não é um romance embora o título possa indiciá-lo. A sua escolha não foi inocente e “Mente-me só se for verdade” é um livro que antes de tudo é um livro que rejeita qualquer rótulo, não é um romance, não é um policial, não é um livro de aventuras, não é sequer um livro de crónicas ( embora obviamente toda a gente vá dizer isso). Segundo o seu autor, é um livro de coração aberto (não é um romance), ao pé da boca (não é um romance), que fala sobre a vida e temas tão mundanos como o dia mundial do mosquito, a conflituosa relação com candeeiros, a solução para a paz mundial e o amor que dizem ser o mais importante de tudo. E o autor deste livro concorda.

“Mente-me só se for verdade” é o quinto livro de Fernando Alvim. Não é um romance, é um livro que não acaba na última página nem começa na primeira. É um livro para se ir lendo e revisitando tal qual uma pessoa de quem se gosta.

A partir de hoje, à venda, em qualquer sítio de jeito. Ou no site da editora Cego Surdo e Mudo, que num instante vos chegar o livro a casa devidamente autografado. Ou através do e-mail: cegosurdoemudo.pm@gmail.com

Nota: capa deste novo livro e fotografias do seu autor no site do mesmo, para autorizado download aqui: www.fernandoalvim.com





Friday, August 30, 2013

Enquanto o livro novo não vos chega às mãos...

Sim, brevemente haverá livro novo. Enquanto ele não vem, recordemos alguns dos textos do último, Não és tu, sou eu, em destaque na Cego, Surdo e Mudo.


OBJECTIVO: ZERO

Um estudo recente revela que, em cada dois casamentos, um resulta em divórcio – e isso faz-me pensar que o problema aqui não é o divórcio mas justamente o casamento. O divórcio não tem culpa alguma, nunca em séculos e séculos de existência, antes e depois de Cristo, um divórcio provocou um casamento, mas foram já várias vezes que assistimos um casamento a dar num divórcio.

Daí que as conclusões sejam óbvias: o grande problema dos casamentos é o facto de as pessoas ficarem juntas. Eu sou a favor de que se deva realizar o ritual: a mãe deve chorar na igreja, os amigos devem acabar com as gravatas enroladas na cabeça, a menina das alianças deve obviamente perder as alianças, mas finda a cerimónia cada um deve ir para o seu lado. A começar pela noite de núpcias, que já deve ser feita em casas separadas. Até porque depois de um dia como este, parece-me francamente desumano que se institua que alguém deverá fazer uma outra coisa que não seja dormir profundamente.

As pessoas devem ficar juntas – isso sim – quando estão separadas, que é para isso que servem os namoros, que é para isso que serve a clássica desculpa das raparigas que dizem à mãe que vão dormir a casa da melhor amiga, quando vêm mas é estar connosco. Mães por favor, não desmaiem agora. Se virem bem, no tempo do Ultramar, as pessoas não se separavam quando viviam distantes, mas sim quando voltavam a viver juntas. Era ou não era?

Dizem que a distância separa as pessoas – nada mais errado; é precisamente o contrário. Se tentarem ficar longe um do outro, vos asseguro que tudo correrá de forma harmoniosa.

Por isso, parece-me que com este meu método, com esta visionária forma de agir, Portugal pode reduzir a 0%, ou muito perto disso, o número de divórcios. Aliás, se as pessoas optarem mesmo por não se casarem, asseguro-vos que mesmo o número de casamentos terá este impressionante valor que pode servir de exemplo a outros países. Apesar de desconfiar que em outras sociedades menos organizadas e perfeitas do que a nossa, mesmo com 0% de casamentos possa existir 50% de divórcios.

Thursday, August 29, 2013

Parece mentira...

O meu novo livro já existe - fisicamente falando - e brevemente chegará às lojas. Pormenores acerca do lançamento seguirão dentro de momentos.  

Crédito da capa: www.patriciafurtado.net

Saibam tudo sobre as campanhas e novos lançamentos da Cego Surdo e Mudo aqui.

Atenção nabos, atenção nabos: vem aí a segunda edição do torneio de Golfe para nabos

Depois do imensurável sucesso do ano passado, o torneio de golf para nabos está de volta ao local que o celebrizou. Tróia volta pois a receber todos os nabos que comprovadamente não percebam nada de golfe – condição essencial - mas queiram no entanto aprender.

Assim, a participação é absolutamente gratuita, mas contudo, apenas poderemos aceitar 6 inscrições, de 6 pares (não têm que ser casalinhos, podem ser dois rapazes, duas raparigas, o que quiserem) até ao dia 10 de Setembro. O que terão que fazer é um pequeno texto onde nos convençam que vocês são claramente os participantes ideais para tamanho e grandioso evento. A exemplo do ano passado, o discurso usado deverá ser o mais parecido possível à altíssima burguesia e a fotografia que terão que enviar em anexo também. As 6 melhores mensagens (texto e foto) que recebermos serão depois reveladas aqui mesmo, e ganharão o acesso a um fim-de-semana maravilhoso em Tróia com: jantar, alojamento, festa no sábado à noite e gins Hendricks em permanente actualização (o Hendricks é nosso parceiro este ano).

Para além dos 6 pares escolhidos através deste passatempo, irão juntar-se como é hábito figuras mediáticas que reconhecidamente reconheçam o seu grau zero de conhecimento em golfe. E se no ano passado, tínhamos Dalila do Carmo e Ana Luísa Barbosa, já este ano temos por enquanto confirmadas as presenças de: Catarina Wallenstein, Manuel João vieira, João Moreira (Bruno Aleixo) e Rita Camarneiro. Para além disso, a vencedora do ano passado junta-se aos participantes com a sua coroa dourada, e mais 5 pares residentes em Tróia irão também participar.

Pronto, não percam mais tempo, enviem mensagem com texto e foto para: alvim.passatempos@gmail.com até 10 de Setembro. Os resultados serão divulgados dia 12. A organização deseja boa sorte a todos os nabos. Fiquem com o cartaz deste ano.    


Festival Materiais Diversos

12-28 Setembro 2013

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Festival Alfama-te

13 de Setembro
Link do evento aqui.

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Wednesday, August 28, 2013

Grande Festival de Comédia - O Humorista

com
João Cunha
e o artista de variedades mexicano
El Iguana

Culturbica
(R. do Almada 36, entre o Elevador da Bica e o Miradouro de Sta. Catarina)
Lembrança: 5 rosinhas

Sinopse: Já eleito pela crítica como o melhor festival de comédia da Bica, o Grande Festival de Comédia, O Humorista, será uma noite de comédia com João Cunha e o seu convidado mexicano El Iguana. A única certeza é que ninguém imagina o que vai acontecer!

PONTE PARTY PEOPLE 2013 - 13 de Setembro em Braga

confirmados!

Acompanhem tudo aqui.

Música e teatro em setembro no Teatro do Bairro

O espetáculo “Tertúlia dos 40”, em que os jornalistas Carlos Daniel, João Ricardo Pateiro e o produtor Filipe Fonseca recordam os anos 80, cantando, contando histórias e interagindo com os espectadores; o festival MOV’es – Movimentos da Economia Social; a peça de teatro “Bartleby – Um experimento de Melville”; a festa de abertura do Queer Lisboa 17 e os quartos de final do Campeonato Nacional Beatbox 2013 são alguns dos destaques do programa de setembro no Teatro do Bairro.

Programa completo aqui.

3ª Edição do Flea Market

31 de Agosto | Oliveira de Frades
Uma organização do projecto Começardozero


Tuesday, August 27, 2013

180 Creative Lab

Setembro | Guimarães

De 16 a 22 de Setembro Guimarães recebe a primeira edição do 180 Creative Lab, uma semana de laboratório e experimentação na área das Artes Média: Video, Música, Design e ilustração. Toda a informação aqui.

Monday, August 26, 2013

Um adeus para sempre

E de repente o adeus acabou. A culpa foi do até já, do até logo e do até amanhã e pronto algumas novas tecnologias. Já ninguém diz adeus, e quando o dizem - os que o dizem - já não é do mesmo modo. Um adeus dos bons tem de ser dito com dor, de preferência crónica, como quando chorávamos em pequenos por alguma coisa que nos diziam ser má e depois nos diziam que afinal não era nada má, que era tudo falso, que não era preciso ter medo apenas para que acabássemos de chorar. E o resultado é que chorávamos ainda mais. E de facto, um adeus dos bons, dos sentidos, tem de ser uma choradeira. De preferência para dentro. Não há nada mais comovente do que ver alguém a tentar disfarçar que está a chorar para dentro. Para mim, é mais comovente ainda do que chorar para fora, porque há todo um esforço do canal lacrimal que não existe no outro. Chorar para fora está ao alcance de todos, agora para dentro, a remoer como se fosse no estômago, isso só está ao alcance de alguns. E o adeus também. Mas tanto lhe fizeram e maltrataram e vulgarizaram que o único adeus decente e digno, é agora o último. Porque só esse não é substituível por até já, até logo, até amanhã. Porque um adeus, quando é dos últimos, é como se sabe um adeus até sempre.

Fernando Alvim
Publicado originalmente no jornal i
[Fotografia de Tatiana Antonuk]

Friday, August 23, 2013

Colóquio Anual de Gaps

Dia 31 de Agosto de 2013
Fundação Lapa do Lobo
[Rua de Santa Catarina, nº 30,
3525-625 Lapa do Lobo]


O Colóquio Anual de Gaps é um evento criado para dar mais conforto aos Gaps (e aos respetivos pais) no momento em que a decisão de partir for tomada. Assim, este colóquio terá de tudo um pouco e será organizado em três partes distintas: a conferência propriamente dita, o almoço-convívio para todos os participantes e por fim um espaço dedicado a alguns workshops de aprendizagem.

Monday, August 19, 2013

A vida tem valor acrescentado

Ando entretido com esta coisa das chamadas de valor acrescentado, de tal modo que dou por mim a ligar para todas as que me aparecem. E acreditem que me parecem poucas, que deveria haver mais. E porquê? Porque as televisões apostam só nos programas de entretenimento, quando deveriam apostar em todos os outros. Ouçam, eu vejo nisto um potencial tão grande, que acho honestamente que os telejornais deveriam também começar a interromper as notícias e a mostrarem como se faz. Clara de Sousa, Judite, José Alberto Carvalho, prestem atenção por favor. Mas com perguntas fáceis mas que ainda assim revelassem um pouco do conhecimento da actualidade. Vejam lá se isto não é uma ideia vencedora. Uma coisa gira tipo: acha que na Síria todos se irão matar uns aos outros? Ligue já 760 200 500. No Egipto, acha possível que se mate mais umas centenas ainda esta semana? Ligue já o 760 200 900. Vejo o Nuno Eiró a fazer isto na perfeição e a aparecer muito bem disposto na Praça Tahrir e a dar prémios enquanto foge como pode dos bombardeamentos e balas furtivas. O euromilhões já era, isso não dá dinheiro algum e só sai aos outros. E um boletim não faz companhia alguma, ao menos numa chamada falam connosco, tudo bem que é gravado, mas não duvidem que consegui fazer amizade com uma linha e já combinamos sair juntos esta semana. Por isso, quando me dizem que Portugal precisa de um valor acrescentado, não tenho dúvidas que é a esta linha que se referem. A linha preferida do Maradona, o 760 200 900. A resolução do mundo está a 60 cêntimos. E olhem que isto não está fácil. Para vencer no mundo é preciso ter sorte ou ser amigo do Lorenzo Carvalho. E há quem não tenha nem uma coisa nem outra. E quando assim é, o melhor que temos a fazer, é pegar nas nossas economias e apostar num número certo. E esse número começa sempre por 760. É tão bom que estou a pensar em investir tudo o que tenho nisto. É uma pena ter tão pouco.

Fernando Alvim
Publicado originalmente no jornal i
[Fotografia de Lisa Kereszi]

Sunday, August 18, 2013

Douro: a reportagem do intrépido repórter

Depois de uma semana intensa como mete-discos, o repórter Alvim decidiu refugiar-se no Douro para preparar a próxima época. Não é a primeira vez, não será a última, mas desta vez perdeu festa do peso, porque justamente nesse dia, no dia 14, fazia pela vida a muitos quilómetros daqui. Vim no dia a seguir com a pouca roupa que já me restava mas com a certeza de que tudo se resolveria com um Omo e um ferro de engomar (o que viria mais tarde a verificar-se). Mas passemos a factos que interessam:

1 – O Douro é lindo. É um facto, não conheço nenhum local que me deixe mais deslumbrado que o Douro. Minto com os dentes todos, gosto também muito de Innsbruck e Praga, mas em Portugal, com a boquinha aberta de espanto, o Douro. 

2 – As férias da minha infância foram sempre aqui pelo que é óbvio que sinto uma ligação emocional com o local. Pareço aquelas mães que começam as frases com “Não é por ser meu filho mas é muito inteligente o meu Chiquinho” Uma vez perguntei a um reconhecido sommelier, se existia este corporativismo na escolha dos vinhos que gostamos. Isto é, se interferia na nossa escolha o facto de sermos daquela região. Para que me entendam, se o facto de sermos da bairrada nos faz querer vinho da bairrada, se o facto de sermos do Alentejo nos faz querer vinho do Alentejo. O sommelier abanou com a cabeça de forma afirmativa e percebi assim porque gosto tanto dos brancos do Douro. Em particular – e se me permitem – o maravilhoso vila real. 

3 – A minha amiga Alice. Por duas vezes fui jantar com a minha amiga Alice do restaurante jéréré. É um clássico que dura há anos e que não dispenso. Gosto da comida do Douro in, do doc, mas nenhum destes tem a Alice e a comida da Alice (recomenda-se o bacalhau com broa) e isso faz toda a diferença. Pergunto-lhe: Alice tens vinhos de outras regiões e ela responde-me:” Muito pouco! Então eu sou do Douro, achas que não ia ajudar os que são meus? É claro que eu vou ajudar os que são meus Nandinho!”. A resposta da Alice faz-me pensar se Portugal não deveria pensar assim também no seu todo. Então se podemos comer as laranjas feitas cá, porque diacho vamos nós comprar de outros? Eu sei que é um corporativismo e que isso nunca soa bem, mas neste caso, parece-me que será este o caminho. 

4 – Já passaram por mim 5 lanchas. Em pouco mais de 20 minutos já passaram por mim 5 lanchas, aqui onde me encontro, na varanda do quarto 223. O Churchill tinha uma varanda também no arquipélago da Madeira onde fumava os seus charutos. Eu tenho esta varanda no Douro onde bebo um delicioso chá com gelo. O cenário repete-se: as lanchas são conduzidas por um homem e na parte da frente há raparigas deitadas, em bikini, a fazerem-se ao sol. Não vi um único homem em idêntica situação, sempre raparigas. E depois queixam-se que os homens são isto e aquilo, que injustas são. Passou agora mesmo , neste preciso instante, uma lancha só com dois ocupantes. Ora respondam-me lá: Onde está a mulher? Exactamente. Onde está o homem? Adivinharam. Mas só dois o que com franqueza dá ideia que ele é o taxista. Com mais mulheres à frente, sempre se pode confundir com um condutor de transportes públicos ou um casanova que fará amor com todas elas quando parar o motor. De uma forma ou de outra, tratamos bem as nossas mulheres e é bom que assim seja. Porquê? Porque se está tudo bem com a vida da nossa mulher, com a nossa vida está também tudo bem. E o contrário, pode não ser verdade. A marta Gautier diz isto no espectáculo dela e concordo. Às vezes quando a nossa vida está muito bem, a nossa mulher começa a fazer perguntas. É claro que ela quer que a nossa vida esteja bem, mas muito bem, muito bem, pode levantar perniciosas desconfianças. 
5 – A animação do Douro. Adoro as pessoas daqui, de tal modo, que me apetece abraça-las a todas, mas tenho vindo a verificar que quando chega a altura de dançar e dar uns pulos, as pessoas se acanham e não participam tanto como deveriam. Eu sei que é por timidez – é sempre por timidez - e não é só aqui – não é não - mas para um artista que está no palco é o diabo. De resto, para além da zona principal onde há imensos restaurantes e cafés e bares, o que honestamente se deve fazer é visitar umas quase diárias festas populares nas zonas circundantes. E acreditem que há uma todos os dias. E se souberem esperar, garanto que irão ouvir o querido mês de Agosto do Dino Meira. 

6 – Não se percebe como é que o Douro ainda não tem o seu festival do vinho do porto. Em vez disso, tem o da francesinha. O professor Marcelo devia ter uma explicação para isto.

7 – Um gin no Douro In. Desde o tempo do lendário Meireles, o Douro In continua a ser o melhor espaço para beber um gin. É um clássico que o vosso repórter não dispensa e que repetiu ao longo dos dias. Em algumas ocasiões, mais do que uma vez tamanha era a proximidade do hotel.

8 – Hotel Régua Douro. Se há coisas que existem no Douro são óptimos hotéis, quase todos eles da outra margem do rio onde me encontro. O Aquapura e o Vintage House Hotel são claramente as grandes vedetas mas outros há que são igualmente recomendáveis. Se me permitem , a quinta de Santo António onde há alguns anos organizei uma mítica festa rural é um deles. Da festa, lembro-me que o hino oficial da mesma era o tema Scatman John de Scatman e ainda hoje não percebo porquê, mas sempre que ouça falar em festa rural é Ski-Ba-Bop-Ba-Dop-Bop que eu ouço. Contudo, o vosso repórter escolheu a outra margem e está instalado no Hotel Régua Douro que tem a piscina mais luminosa que eu conheço, bons quartos e uma vista quase tão boa como aquele marmanjo que adormeceu quando colocava mel na Bo Derek. O vosso repórter, despede-se com amizade desde o quarto 223, do Douro para o mundo.

Lisbon Week 2013 a chegar!

de 21 a 28 de Setembro de 2013

A segunda edição do Lisbon Week chega de 21 a 28 de Setembro. Uma vez mais, Lisboa transforma-se numa plataforma de descobertas, com uma programação cultural que fará encontros únicos entre as Artes e o Património da cidade, do Marquês ao Rio. A Caixa Geral de Depósitos é o patrocinador oficial do evento, realizado em co-produção com a Câmara Municipal de Lisboa.

De Sábado a Sábado, o Lisbon Week vai explorar edifícios com séculos de história, revelar obras de artistas nacionais, e montar concertos e palestras em locais inesperados. Da História à Arte, passando pela Gastronomia e pela Música, várias temáticas foram desenhadas para reflectir um novo olhar sobre a cidade.

Do alto do Parque Eduardo VII ao rio Tejo, tendo como epicentro a Rua das Portas de Santo Antão, o público vai ser convidado a re-descobrir Lisboa, numa partilha de experiências sem precedentes. Haverá três pontos informativos para as diferentes partidas dos passeios Lisbon Week: o percurso Verde, que percorre o Corredor Verde de Monsanto, tem início no Jardim Amália, em pleno coração do Parque Eduardo VII; a viagem pela Arte, feita no autocarro Lisbon Week/CGD, começa na intersecção entre o Parque Eduardo VII e o Marquês de Pombal; já as visitas guiadas da História, que vão desvendar os segredos da Rua das Portas de Santo Antão e arredores, partem do Lounge Lisbon Week/CGD. Este local será o ponto de encontro oficial do evento, funcionando também como espaço lúdico e de interacção entre organização e visitantes. 

À semelhança do que aconteceu o ano passado, a maioria dos eventos são de acesso livre. As reservas para as visitas guiadas, concertos e palestras poderão ser feitas através do número de telefone 1820.

Friday, August 16, 2013

O livro novo está para breve

Sim, brevemente haverá livro novo. Enquanto ele não vem, recordemos alguns dos textos do último, Não és tu, sou eu, em destaque na Cego, Surdo e Mudo.


PAIXÃO EM TEMPOS DE CÓLERA

Chegou a hora de falar de paixão e deixar de bajular o amor. Se me permitem - e com verdade não está aqui ninguém que me impeça - tem que ser feita justiça em relação à paixão. Mas uma justiça de milícia popular, com archotes e enxadas na mão, uma justiça que nos ponha roucos, de cara ruborizada, com as veias dilatadas como nos discursos de tomada de posse do Valentim Loureiro. Por mim, corta-se já uma estrada, uma avenida central, a pista do Jamor.

Por mim é já hoje, um buzinão na ponte, nas portagens, uma greve geral, o que for, mas assim é que não pode continuar. E digo-vos já porquê, deixem-me só beber um copo de água. A paixão tem sido de forma sistemática, ao longo dos anos, de forma quase velhaca, prejudicada pela equipa de arbitragem. Não há jogo nenhum, em que o amor não seja levado mais a sério do que a paixão. E eu não posso concordar com isto. E não me venham aqui os amorosos do costume dizer que a paixão é a primeira fase e que depois se desenvolve o amor e tal e coiso, que é algo progressivo e que assim é que bonito. O tanas, é que é bonito. A paixão pode durar uma vida. A paixão mete o amor num chinelo e levanta um estádio inteiro com uma jogada de génio. O amor quando muito passa a bola, mas não faz aquela jogada que leva as pessoas ao estádio. O amor é Moutinho, a paixão é Hulk. A paixão é o toque de calcanhar do Madjer, o amor é um remate certeiro mas só isso. As pessoas festejam o golo, mas o da paixão, o da paixão é outra coisa. O da paixão é marcado no último minuto, é o penalty que nos leva à final do campeonato europeu quando já todos roíamos as unhas. A paixão rói as unhas, o amor passa a vida a tratá-las para não partirem. E esta é a principal diferença, a paixão não tem tempo para pedicura. A paixão tem pressa e corre para apanhar o autocarro. O amor espera que venha outro. A paixão não é nada disto, é outra gente.

Ouçam, a paixão não faz fretes, ninguém quando está apaixonado liga para a outra pessoa porque tem que ser. Na paixão não tem que ser, é. Já o amor é o que se sabe, uma folha de cálculo, organizadinho, com a camisa aos quadradinhos, risquinho ao meio no cabelo, um exemplo para a família, bravo, bravo! Pois a paixão também o pode ser. E está na altura de não a subestimarmos mais. Alguém que diga que está apaixonado por outra, não pode ser tratado como se fosse um amante. A paixão pode também nunca morrer, pode ser para sempre, sem precisar dessa coisa do amor. A paixão é independente, é música alternativa. O amor é hit parade, é sucesso na rádio cidade. O amor dificilmente viverá sem a paixão e não me venham dizer que o contrário também é verdade, porque pode muito bem ser e daria cabo de toda esta minha tese que conclui precisamente agora.

Monday, August 12, 2013

Marco Chagas é Deus

Tem-se falado tão pouco no Verão e no calor que se faz sentir que me vejo obrigado a intervir e a escrever sobre isto. As previsões de Gaspar falharam mas as meteorológicas também. Não temos Gaspar, mas temos Verão. É bom quando se falha assim. É bom falhar como se vê. As televisões estão cheias de programas com cantores românticos e senhoras já com alguma idade a aplaudirem muito. Os cantores românticos trazem sempre uns casacos que me parecem muito quentes. Fazem-me lembrar os bancários e o uso obrigatório de gravata. Por mim tirava-a. Por mim, os cantores românticos podiam cantar com uma T-shirt de manga curta.

O romantismo não se vê pelo tamanho das mangas, a respeitabilidade não se adquire no nó da gravata. As pessoas andam mais felizes, disso não tenho dúvidas, e sei porque o fazem. Por causa da volta a Portugal e do Marco Chagas. Eu acho que Marco Chagas é Deus e cada comentário seu é por mim entendido como uma passagem bíblica. Se um dia me converter a qualquer religião, será à de Marco Chagas. Marco Chagas sabe do que fala, é ponderado, é certeiro, analisa bem o que vê e é visionário quando por antecipação nos avisa do que irá acontecer. E acontece. E ele salva-nos. Se Marco Chagas tivesse no governo, já estaríamos na retoma e não tenho dúvidas que seríamos entendidos pelo mundo como uma economia emergente e promissora.

Com Marco Chagas no governo, Portugal não só iria no pelotão da frente como seríamos a frente, ganharíamos o prémio da montanha, seríamos camisola amarela. Com Marco Chagas ganharíamos a Volta a Portugal, mas sobretudo daríamos a volta a Portugal, que é do que precisamos. Daí que nas próximas eleições, no meu boletim de voto, acrescentarei aos nomes ali existentes não o habitual manguito mas uma cruz com nome associado: obviamente Marco Chagas.

Fernando Alvim
Publicado originalmente no jornal i
[Imagem retirada daqui]

Setembro é o mês daquela canção do Vítor Espadinha...

... e é também o mês do Indie Music Fest


Tudo sobre este festival aqui.

Friday, August 09, 2013

Do outro lado do mar / Porto – Nagasáqui

João Garcia continua a campanha de crowdfunding do seu projecto. Já ultrapassou, com a ajuda de muitos, a barreira dos 50% do financiamento. Como dizia aquele anúncio, falta só mais um bocadinho. Passem por aqui para saber tudo - e façam parte deste magnífico projecto.

“Do outro lado do mar / Porto - Nagasaki, imagens comuns” é uma exposição de fotografias, texto e vídeo que pretende dar reciprocamente a conhecer um pouco de uma cidade à sua gémea, através de um olhar atento, respeitoso e, necessariamente, subjectivo.

Uma série de paisagens do quotidiano mostra as cidades com respeito pela vida tal como é - feia e luminosa, simples e complexa, misterios e banal. A fotografia desempenha aqui o papel da récita à maneira antiga, ir e voltar para contar, e tenta oferecer o espaço de liberdade necessário para um diálogo entre as imagens e quem as vê, entre o acontecido e o imaginado. Entre os dois lados do mar.

Wednesday, August 07, 2013

Eu, o especialista

A Notícias Magazine deu o mote: «No verão, os corpos aquecem. E toda a gente sabe que não só por causa do sol. Na estação do calor, o sexo e o desejo estão em época alta. Porquê?» E, vai daí, foram perguntar a quem sabe - sendo eu, como é do conhecimento geral, cada vez mais um conselheiro sexual, uma referência para a sociedade portuguesa, para os palops, para o mundo. Eis as minhas sapientes respostas:

O verão leva homens e mulheres a ficarem mais quentes (sexualmente falando, claro)?
Sim, mas um bom filme também, uma boa conversa, um bom convite, umas pernas com movimentos pouco ortodoxos debaixo da mesa, enfim, há uma serie de coisas que levam a que homens e mulheres do mundo fiquem mais quentes. O fogo é uma coisa que faz isso em qualquer em qualquer estação do ano. A inquisição usava-o muito, infelizmente muita das vezes de uma forma exagerada.

E porque é que isso acontece?
Porque está calor e os corpos ficam mais descobertos. É apenas isso, porque se no inverno andássemos todos de roupa interior como se vê na praia, é óbvio que seria igualzinha. Já dizia a minha avozinha e com razão “ coração que não vê, coração que não sente”. E com o desejo, também é assim. O órgão principal é que muda. Justamente umas boas artérias abaixo.

A ti acontece-te?
Sim, é estranho, mas acontece-me a mim também. Ainda hoje foi ao hospital dos anjos por causa disso. Disseram-me que era do verão e vim para casa.

É do sol e da luz, que nos põe mais bem dispostos?
A mim, basta uma saia curtinha. Mas o sol e a luz podem ajudar sim.

É de andarmos mais despidos? 
Também. Mas se me aparecesse no verão, a Charlize Theron com um garrote e umas botas da tropa e uma meias daquelas grossas que se usam na serra nevada eu nem vos digo o que faria. Mas tirava-lhe as meias, seguramente.

É de estarmos de férias e logo menos stressados?
As mim as férias stressam-me sempre. Para mim é igual, com ou sem férias, com stress ou sem stress. Sou uma pessoa coerente durante o ano inteiro. Agora no verão a programação na televisão é piorzinha, bebem-se mais uns copos, há sempre remodelações ministeriais e as pessoas celebram este tipo de coisas, se é que me faço entender.

E o calor não pode ser um «entrave»?
Sim, e quando assim é, chama-se os bombeiros. Uma vez tive a corporação de bombeiros de Sintra em minha casa enquanto eu e a minha mulher fazíamos amor, porque estava justamente um calor insuportável e de vez em quando iam mandando água. Quero aqui aproveitar para lhes enviar um abraço e que nunca esquecerei as palavras de força e as palmas que me dirigiram.

Um amor de verão é necessariamente passageiro?
Pode ser, se andarmos muito de transportes públicos. Mas podemos apaixonar-nos por quem nem sequer os use. Um amor de verão não fica a dever nada a um de inverno. Olha-se para o verão como se fosse a cigarra e o inverno a formiga. Eu recuso-me a aceitar esta ideia, o inverno pode ser bem mandrião e irresponsável.

Algum amor de verão (teu ou alheio) que valha a pena contar?
Tive uma paixão por uma miúda espanhola quando tinha 12 anos. Chamava-se Maria, foi com ela que aprendi a dizer “no me quites” e “ te echo de menos”.

«Que se lixe as cinquenta sombras de grey, só o Alvim me deixa molhadinha». Queres comentar?
Nenhuma mulher no seu perfeito juízo diria isso. Até porque é perfeitamente possível a uma mulher estar a fazer amor comigo e a ler ao mesmo tempo. Ainda outro dia, enquanto ali estávamos, dei por mim a ler também e ia chegando ao fim do terceiro capítulo.

Livros para o verão, mais vale sexys?
Coisas doces sem açúcar do Manuel Luís Goucha. Ou então: O Segundo Sexo, de Simone de Beauvoir.

No É a vida Alvim, fala-se de sexo todo o ano, ou especialmente no verão?
Mais do que falar, faz-se sexo durante todo o ano. O sexo para ser bem falado, tem que ser feito. E quando mais se fala, menos se faz. É uma verdade transversal e que aprendi com a vida.


Monday, August 05, 2013

O mundo pode esperar

Hoje sonhei que tinha ficado sozinho no mundo. E que de repente as lojas, as ruas, os estádios - mesmo em dias de jogos grandes - tinham ficado desertos. E assim, como sempre acontece, todos os semáforos ficaram intermitentes e os meus passos, que outrora foram mais uns no meio de tantos, ganharam um eco próprio de um homem que se prepara para dançar sevilhanas. Gostava pois que me imaginassem a descer a Avenida da Liberdade a ouvir unicamente os meus passos e a dança das folhas nos ramos das árvores. E olhar para tudo, como se a festa tivesse acabado e só restassem os copos espalhados pelo chão.

E perguntar-me: para onde terão ido todos? Porque raio me deixaram aqui sozinho? Ligo a televisão e não está ninguém a cantar, nem a dançar, nem a chorar por a vida ter sido madrasta. Ligo o rádio e nem uma música, nem uma voz a dizer as horas. Os jornais, um aglomerado de folhas em branco, sem títulos sensacionalistas e sem fotos que reconstituem crimes hediondos. Não se passava nada no mundo, como se de repente todos tivessem ido de férias e desligado os telemóveis. Tudo bem que ouço os meus passos a descer a Avenida da Liberdade - é muito agradável, muito prazeroso, sim - mas não ver uma saia curta o dia todo nem ver ninguém muito indignado a dizer que tudo isto é uma vergonha e que assim não pode ser faz- -me crer que nunca me adaptaria a uma ilha deserta. Assim, no meu sonho, também eu acabei por abandonar o mundo e ir ao vosso encontro.

Fernando Alvim
Publicado originalmente no jornal i
[Fotogradia de Claudine Doury]