As pessoas que saem à noite, sabem que existem dois tipos de noite: a que começa com um jantar e a que começa sem jantar. São duas coisas completamente diferentes e este facto – a presença ou a falta desta refeição – condiciona tudo o resto. Até por uma questão de estratégia e planeamento. Quem vai a um jantar, sabe que à partida, a probabilidade de se desgraçar naquela noite é muito superior. E quem não o faz, é – salvo raríssimas excepções – por medo disto. É o que vos digo. Um jantar é um perigo. Eu tenho mais medo de ir a um jantar destes, do que atravessar o Irão abraçado ao Salmon rushdie. Aliás, não é por acaso que quando encontramos alguém à noite que nos pareça demasiado animado, se lhe perguntamos: “ Vens de onde?”, é certinho que nos responderá: “ Sabes como é, vim de um jantar!”. E posto isto, não há nada a fazer. Encolhem-se os ombros e dá-se um abraço de compreensão, como quem diz “ pronto, está tudo perdido!”. E a maioria das vezes, está mesmo.
E do mesmo modo que digo isto, também afirmo que uma noite histórica, não acaba sem o pequeno-almoço. Aliás se dúvidas houvesse sobre isto – que não há - as refeições mais importantes para qualquer pessoa que perceba de nutrição nocturna, são justamente o jantar e o pequeno-almoço. As pessoas que saem à noite, não ligam rigorosamente nada ao almoço. E porquê? Porque estão a dormir evidentemente. E tal como eu saberão que não há nada melhor do que comer depois de um banho na praia ou tomar um pequeno-almoço depois de uma noite de copos. Se querem saber, gosto tanto dos dois, que já não é a primeira vez que vou para a praia dormir, depois de uma noite de copos. Poupa-se em hotel, ganha-se em bronze e podemos sempre tomar o pequeno-almoço depois de ir tomar banho. E isto sim, é perfeito.
(foto de alex gaidouk)

























