Tuesday, June 30, 2009

Reles Imitação!




Anda tudo a imitar toda a gente e o mundo transformou-se num imenso karaoke onde vamos imitando os que mais apreciamos. O preço da originalidade é muito elevado e demora muito, enquanto reciclar o que já está feito, é mais imediato, não demora nada. A rádio infelizmente percebeu isso e já são poucas as estações que não vou atrás do que lhes é imposto pela tirânica ditadura das charts mundiais. Se a editora diz que aquele é o primeiro tema a passar do álbum do artista, então vamos todos passar aquele tema como se não houvesse mais nenhum em todo o álbum e como se nós não pudéssemos ter uma opinião, um gosto musical divergente. Como cordeiros, portanto.


Anda tudo a imitar toda a gente e ninguém faz caso disso. Pelo contrário, aplaudem. “ Que bela imitação!” – dizem-nos. “ Que igual é ao original, que maravilha!”. E se os pobres imitadores desde logo o revelam, eu não me importo. Pior é quando não o fazem, quando imitam e chamam a si uma originalidade que não é sua. Dizem-me que uma imitação é sempre uma homenagem a quem está a ser imitado. Pois bem, eu acho um ultraje, um roubo, uma tristeza tão grande que a ser chorada, transbordaria o Douro e o Tejo juntos.


O problema é que mal nascemos, nos ensinam a imitar comportamentos, gestos, palavras, hábitos e quando damos por nós, antes mesmo de imitarmos a Shakira ou o Ricky Martin no café ao fundo da rua – até aí tudo bem! - estamos a imitar os nossos pais e a desde logo, aceitar uma originalidade que não é nossa. Daí tanto se perguntar a quem é que sai determinado filho mal ele nasça. A quem é igual, o miúdo? Perguntam-nos. E o contentamento cresce à medida que alguém: É igualzinho ao pai!. Se um dia tiver um filho, eu não quero que o meu filho seja igual a mim, que alguém o livre disso. Quero – isso sim – que seja inteligente como a mãe e bonito como a mãe. Agora, igual a mim? Deus o salve que eu não posso.


O mundo anda a imitar-se em demasia e tudo me parece mais igual. A tal ponto, que há já pessoas a imitarem outras, que por sua vez já estão – também elas – a imitar alguém. O próprio mundo deve estar de certezinha a imitar um outro planeta que acabou mal. O que me leva a concluir que todos nós, somos o produto acabado de uma série de imitações e que só alguns conseguimos escapar. A diferença é que há alguns que fazem alguma coisa por ser originais. E outros que nunca passarão de uma reles imitação.

Sunday, June 28, 2009

8000 pessoas viram em directo a conferência

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Foi na passada Quinta-feira que tudo aconteceu, em directo do meu quarto, na minha Casa da Caparica. Terá sido uma das mais singulares conferências de imprensa para apresentação de um novo canal de televisão, mas valeu a pena pela grande elevação com que terminou. Eis os últimos 5 minutos. Eu e Lydie quase fizemos esquecer John Lennon e Yoko Ono.

Segunda Rui Rio. Terça Manuel João Vieira.








Não tenhamos dúvidas que irei ter um ínicio de semana auspicioso. Já amanhã, viajo para o Porto, para entrevistar Rui Rio, o presidente da câmara da cidade, onde morei 24 anos. Será na Prova Oral, na Antena 3. Podem e devem fazer perguntas ao senhor presidente, através do blog da programa: www.rtp.pt/provaoral.




Na Terça feira, sigo em frente com o programa " 5 para a meia noite" que apresento a este dia ( nos outros são Filomena Cautela, Nilton, Pedro Fernandes e Luis Filipe Borges) com Manuel João Vieira, o lendário e imortal cabecilha dos Ena Pá 2000, Irmãos Catita e um sem número de projectos de perder a conta.




Manuel é uma criança das grandes, cheia de talento e contra o teleponto, de tal modo, que me parece o mais genial e exímio executante da imprevisibilidade. A título de exemplo, numa edição recente da Time Out foi-lhe perguntado que ideia tinha para que Lisboa ficasse mais bonita e manuel respondeu deste modo : Colocava um espelho gigante a meio do Rio tejo, apenas para a cidade se contemplar todos os dias e perceber como é já tão bonita. Não é lindo isto?




Pois bem, se quiserem participar em algum destes programas podem e devem fazê-lo, mas em relação a este último, acrescento uma novidade: quem quiser entrar em directo no programa, poderá fazê-lo sim, mas somente via skype. A ideia é darmos a imagem de todos e aproveitarmos os múltiplos e insondáveis recursos da internet. Se no programa o apresentador dá a cara, porque não mostrarmos também a cara de quem nos vê. O que tentarei implementar é este conceito e não tenho dúvidas que será muito mais divertido e interessante para quem vê. Apenas terão que fazer uma pergunta ao Manuel João ou comentar o tema do semana que é: Heroificar.




Para os interessados em entrar em directo ou mesmo assistir ao programa na terça-feira à noite, em directo da Valentim de Carvalho em Paço D'arcos, aqui fica aqui o email da minha equipa produção: alvim.producao@gmail.com. Fico pois à espera da vossa sempre valiosa participação.








Saturday, June 27, 2009

Portugal é o mais bonito!




Portugal não perde grande tempo ao espelho porque não se acha muito bonito. Não é que não goste de si – gosta – mas não se acha suficientemente especial e incomoda-o a ideia de que estejam lá fora à sua espera. Portugal, por ser um homem tradicional, não gosta que esperem por ele. Prefere ser ele a esperar como sempre lhe ensinaram. Até que ela desça. Até que ela saia. Por isso mesmo, quanto Portugal chega atrasado, são raras as vezes a que isso se fique a dever a uma contemplação demorada do seu reflexo, mas sim, porque queremos fazer sempre mais uma última coisa antes de sairmos. Se calhar, Portugal devia ser mais vaidoso, ficar mais tempo ao espelho, cuidar da pele com um bom hidratante, ajeitar o cabelo e os colarinhos da camisa. Mas não. Portugal quer sempre fazer só mais uma coisa. E isso atrasa-o, mesmo que chegue adiantado.

E sendo assim, há outros países que o fazem, aproveitando a timidez e a falta de auto-estima de outros como o nosso. Espanha e Itália são disso o melhor exemplo, de tal modo, que até a máfia parece uma coisa bonita. Espanha vende força, com a história das ganas, a fúria espanhola, a impaciência dos filmes do Almodôvar, a intensidade com que vivem e falam do que lhes acontece ou terá acontecido. Espanha tem sempre histórias, nunca pára de falar, está sempre com pressa de contar ainda mais uma ideia que acabaram de ter. E como se isso não bastasse, a isso lhe juntam a mulher espanhola, o salero ou lá o que é, a forma decidida como elas caminham nas férias de praia como se tivessem a ir para o emprego ou sair à noite. Desde o ar com que se vestem à atitude que transportam, Espanha não deixa nada em casa. E a Itália, também não. Só que em vez de se esquecerem dos homens e apostarem tudo nas mulheres como fez Espanha, Itália decidiu apostar nelas, mas sobretudo neles – imagem só! - e fazer dos italianos, a melhor campanha de marketing pessoal que alguma teremos assistido. Rapazes, perguntem às raparigas, quais os homens que elas gostam mais? Raparigas, se agora vocês que estão agora a ler isto, digam-me se não é verdade que os homens italianos padecem desta fama? Aliás, a fama é tanta, que nem percebo como é que o George Clooney e o Jonny Depp não são italianos, porque isso – quase aposto – seria perfeito para elas.

Daí que Portugal tenha que apostar mais em si. No homem português, que é o mais charmoso e desenrascado, na mulher portuguesa que é a mais bonita e modernaça, das nossas crianças que são as mais inteligentes e promissoras e da nossa terceira idade que é a mais divertida e bem resolvida. Portugal já devia estar a colocar outdoors em todo o lado com estas imagens e perceber de uma vez, que teremos que ser os melhores relações públicas de nós próprios. De tal forma, que quando algo acontecer de mal no nosso país, devíamos encará-lo como um assunto nosso, do foro interno, que ninguém precisa de saber. Portugal, precisa de combinar estratégias e treinar à porta fechada. Só assim, começará a ganhar jogos.

Friday, June 26, 2009

Boa Noite Alvim com Emídio Rangel


Rangel chama traidor a Nuno Santos, diz que Manuela Moura Guedes não pode fazer televisão por questões estéticas, ataca a sic, não poupa Balsemão e não fecha a porta à TVI. Tudo isto no boa noite alvim, primeira edição, na www.speaky.tv.

Tuesday, June 23, 2009

Bibá Pita hoje no "5 para a meia noite" na Rtp2. À 00.10 ( mais coisa menos coisa)






É hoje que tudo começa para mim. O programa " 5 para a meia noite" que ontem começou e do qual fazem parte Filomena cautela, Nilton, Pedro Fernandes e Luís Filipe Borges, tem hoje a sua edição com este rapaz. E assim, a primeira convidada, é Biba Pitá na semana em que o verbo escolhido é vagabundear.



Biba, com a qual já realizei uma festa da jameson de boa memória para os que marcaram presença, é aquilo que se chama uma mulher furacão: uma energia inesgotável, 5 filhos e uma vida que deveria ter mais de 24 horas por dia.



É sobre isto que irá falar mas não só, também do livro que agora edita sobre a sua filha Madalena que sofre de Trissomia 21 e sobre tua a vida que está por detrás das suas aparições públicas.



Pelo meio, teremos igualmente a estreia de " É como diz o outro" a rúbrica de Frederico Pombares e Henrique dias, as inquitantes respostas do Sebastião e grande rival do " senhor do Adeus" por Nuno Costa Santos.



É hoje à noite, por volta da 00.10 ( mais coisa menos coisa) . Deixem aqui os vossos comentários ou perguntas, que mais tarde, se forem realmente pertinentes, serão revelados no programa.Até logo.

Sunday, June 21, 2009

Melhor do que nunca!



Não é à toa que muitas pessoas dizem que determinado estabelecimento nocturno é a sua segunda casa. Em muitos casos, atendendo às horas que ali passam, eu acho que será a primeira. A tal ponto, que outro dia disse a uma amiga minha " Olha, como tu estás! Vai para tua casa! E dito isto, aquela mulher, meteu-se no carro e foi para o Twins.


Não sei se já existe – se calhar já – mas eu acho que as discotecas deviam ter quartos para todos os clientes que os solicitassem, e ao final da noite, quando pagássemos a conta, deviam perguntar-nos. " Vai querer tomar pequeno almoço no quarto?". Nos outros países já se percebeu isto, e a quantidade de hotéis que têm uma discoteca decente e para todos no seu interior é imensa. Em Portugal convencionou-se que as discotecas de hotéis são só para os clientes e uma ou outra amante. E o resultado, é no mínimo inquietante. As discotecas de hotéis fecharam-se tanto sobre si mesmas, que lhes aconteceram a elas o mesmo que aconteceu às pessoas que se isolaram de todas as outras: sem que notassem, tornaram-se antiquadas. E só por isso continuam a oferecer tremoços e amendoins a quem pede uma imperial, como se aquilo fosse uma casa de putas. Nunca percebi esta relação entre tremoços e prostituição, mas ela existe e não há nada que a possa disfarçar. Não quer dizer que quem peça imperial e tremoços seja um profissional do sexo – pode não ser – mas que tem tudo para uma carreira de sucesso, disso não tenhamos dúvidas.


Mas onde é que íamos? Exactamente, falávamos de uma outra actividade, de um outro relacionamento: o de alguém que trabalha na noite e a casa que representa ou já terá representado. Se ainda representa, é habitual que use com frequência " A minha casa" isto e aquilo. Se já representou, é certinho que irá dizer, ajeitando os colarinhos: "Eu fiz aquela casa!". Na noite, ninguém passa por uma casa bem sucedida sem a ter feito. Tijolo a tijolo, acartando cimento, debitando adjectivos pouco ortodoxos de cima do andaime. Quando saíram, imediatamente a seguir, aquilo caiu a pique. Não terá sido em consequência de um ciclo que sabemos ser frequente neste domínio, mas apenas e só, pela sua saída. E até é compreensível. De uma forma ou de outra, todos gostamos de fazer falta e imaginar que o mundo sem nós, seria uma desgraça. Já nem digo o mundo. Pode ser uma casa, que não resista à nossa saída. Pode ser uma mulher, que não resista à separação. Eu por exemplo, adorava encontrar-me com uma ex-namorada minha e perceber que esta chorava pelos cantos, arrastando-se como podia, desgraçada da vida, chorando cada vez mais e pedindo - melhor ainda! - implorando que eu regressasse para junto dela, pois caso contrário admitiria matar-se. Mas em vez disso, o que acontece invariavelmente, é encontrar-me com elas passado algum tempo e perceber que não só já arranjaram outro, como estão arreliantemente, melhores do que nunca.

Friday, June 19, 2009

1ª CORRIDA DE SALTOS ALTOS EM PORTUGAL

É este Domingo e se não tiverem na praia a apanharem escaldões, não encontro melhor iniciativa do que esta, para saírem de casa. Trata-se pois, da primeira corrida de saltos altos que terá cobertura absoluta da speaky.tv, com uma equipa - como se costuma dizer - vastíssima, que dará ao pormenor todos os elementos necessários. As imagens em cima são de uma iniciativa similar num outro país. Segue o press release da coisa. Será o jovem rapaz que vos escreve, que irá dar a partida para isto. É impressão minha ou isto vai ser uma loucura?

1ª CORRIDA DE SALTOS ALTOS EM PORTUGAL

Depois de anos a andar de saltos altos pelas ruas de Lisboa repletas de calçadas, liberte-se do stress do dia a dia, orgulhe-se da sua silhueta, traga os seus sapatos altos favoritos e venha correr connosco. Convidamos todas as mulheres portuguesas a participar na 1ª Corrida de Saltos Altos a decorrer em Alcântara, no Passeio Marítimo de Lisboa (entre o Café In e o Piazza Di Mare), dia 21 de Junho, pelas 16h.

Para concorrer pode inscrever através do site www.lipton.pt/linea ou no próprio dia, no local, e trazer um par de sapatos altos. As primeiras 3 mulheres a cortarem a meta irão subir ao pódio da 1ª Corrida de Saltos Altos e receberão cartões de débito de diferentes valores para poderem gastar onde e como quiserem. A grande vencedora receberá um cartão de débito no valor de 1.000 euros, a segunda classificada 500 euros e a que chegar em terceiro lugar terá 250 euros para gastar.

Thursday, June 18, 2009

Uma semana e tanto























A próxima semana, será intensa para esta rapaz que agora vos escreve. Para além do lançamento da revista 365 que surge agora em formato livro de bolso, com uma tiragem 5 vezes superior à anterior (15.000 exemplares) e com distribuição gratuita ( http://www.revista365.com/- a gerência agradece se a assinarem). Estreio-me na RTP2 com um novo programa, do qual fazem igualmente parte Filomena Cautela, Nilton, Pedro Fernandes e Luís Filipe Borges. O programa chama-se “5 para a meia-noite” e com verdade ( neste caso mentira) é emitido todos os dias à meia noite e meia, o que é desde logo um bom indiciador. Todos os dias, há um apresentador diferente e a mim calharam-me as Terças que eu gosto muito. Na próxima semana, dia 22, o tema do programa será vagabundear e a minha convidada será a muito simpática Biba Pita. A grande novidade é que se quiserem marcar presença na assistência – o que seria muito agradável – poderão fazê-lo facilmente consegui-lo, bastando para isso que enviem um mail para: joão.oliveira@videomedia.tv e aguardem pela confirmação. Para saberem mais, eis o endereço oficial do que vos falo: www.rtp.pt/5meianoite/.


Entretanto na mesma semana em que me estreio na RTP2, será finalmente inaugurada a Speaky.tv, o canal online que dirijo e do qual fazem parte nomes como: Nuno Markl, Rui Pedro Tendinha, Inês Castel Branco, Nuno Costa Santos, Pedro Santo, Raquel Bulha e Quintino Aires,Pedro Mouzinho, Nuno Calado,Henrique Dias e Frederico Pombares , Manuel João Vieira, Joaquim Paulo, Raquel Ochoa, Nuno Reis, Inês Menezes, Pedro Paixão, José Luís Peixoto, Gimba,Nelson Ferreira, Bfacahada, Rui Kalda, Nuno Amado, Miguel Ferreira, Rita Rolex, Pedro Ramos, Rui Portulez, Raquel Mourão Lopes, Daniel Belo, Eduardo Brito, Luís Veríssimo, Dino Oliveira, Rossana Garcia, Luís Sousa, Luís Cardoso, Há que dizê-lo, Carla Isidoro, João Quadros, e eu, que farei de dois programas, o Boa Noite Alvim, agora em dose dupla. Primeiros convidados das duas primeiras semanas: Emídio Rangel, Ana Malhoa, Frederico Duarte Carvalho, Marinho Pinto e Alexandra Solnado bem como “ Cinema Pára isso!”, magazine de cinema que me junta de novo a markl e tendinha e conta com o argumento de Nuno Amado e Rui Kalda. O primeiro convidado é Salavisa, que ganhou recentemente uma palma de ouro em Cannes. Mais informações a partir de 25 de Junho, aqui: www.speaky.tv.

Monday, June 15, 2009

Só o fim é inevitável


Voltamos ao início, ando fixado nesta coisa e não me custa iniciar. Custa-me é acabar. Iniciar é um instantinho, duas de conversa, o encanto da descoberta, a primeira vez de tudo, todas as coisas são maravilhosas e o mundo é azul e aqui o temos. Agora acabar? Acabar é outra coisa. Acabar arrasta-se, o início não. Não há inicio nenhum que se arraste, quando muito, as negociações que levam a que algo principie podem levar algum tempo, mas o inicio em si não se arrasta. Começa e pronto. E não há acabar e pronto.

Já acabei algumas vezes e já acabaram comigo outras tantas. Não é uma coisa que me orgulhe - não é - mas aqui admito que o que me acontece é o mesmo que frequentemente sinto quando necessito de dar condolências a alguém: não sei o que dizer. Sinto muito, fico triste por isso, mas tudo o que eu posso fazer é, por mais que eu não queira, dar-lhe um abraço sem dizer nada. O que se diz a alguém que acabou de perder um parente muito próximo? Sinto muito, é isso? As minhas condolências? Era um bom homem e que Deus o guarde? Não creio. Tudo tresanda a frases feitas, como as sms repetidas no Natal e de aniversário.

Com os relacionamentos, a situação agrava-se porque não se pode acabar com um abraço, embora isso pareça muito bonito. Até porque já ninguém acredita naquela coisa do “ Não foste tu, fui eu! ,sendo quase certo que deve haver ali alguém no meio , embora não seja fácil admiti-lo. Ninguém gosta de saber que há uma outra pessoa. É melhor percebermos que algo se esgotou por si só, sem a ajuda de ninguém. Mas o problema, é que quando algo começa a esgotar-se, muitas das vezes torna possível a entrada desse alguém. E esse alguém é o início do fim.

E assim sendo, resta-nos comunicar isso mesmo e aqui é que começam os trabalhos . Vamos cá ver, segundo as normas instituídas, pelo livro, devemos convocar um encontro com a outra pessoa e pessoalmente, olhos olhos, dizer que tudo - e peço desculpa que vou ali buscar um copo de água - que tudo acabou. Quem está a ler isto, dirá: É assim mesmo, isso é ser um homenzinho!!” Está bem, eu compreendo. Mas também é preciso ter uma grande frieza, diria que quase germânica, para dizer a uma pessoa de quem já gostamos tanto e que, possivelmente ainda gosta de nós, que nós já não gostamos dela. Ainda por cima por cima à frente dela.

E assim, se por um qualquer motivo não o conseguimos e escrevemos ou telefonamos a comunicar, é certinho que nos irão dizer: Nem foste capaz de me dizer isso na cara! Como se isso fosse uma coisa má e um acto tremendamente cobarde.
Pois bem, eu acho o contrário. E se poder evitar ter uma pessoa triste à minha frente e fazê-la chorar, se puder evitar os elogios de conveniência e a discussão do costume, se poder evitar levar com uma garrafa de vidro ou um tiro no pé, se puder evitá-lo, então faço-o. Porque o fim em si, é absolutamente inevitável.

Tuesday, June 09, 2009

Um mero arranjador!



Já nada dura para sempre, nem o amor como sempre me ensinaram. Até o amor se tornou descartável . Até o amor farta, cansa, entendia, comos aqueles amantes que fartaram de se amar tanto, tanto. Tudo acaba e as histórias de amor deixaram de ter só um inicio, um principio que nunca se lhes acabaria. As melhores histórias de amor são as que nunca acabam, como naqueles filmes em que não existe um fim explicito, em que espectador constrói o final que deseja, o final que lhe parece mais adequado. O amor deixou de ser um filme destes e passou a ter um argumento igual a tudo, com principio, meio e fim. Os mais velhos dizem que as novas gerações não têm princípios, mas isso é de longe, o que agora mais há. Nos dias actuais, há mais princípios do que nunca, mas também há mais finais .E isso é que preocupa. As gerações anteriores nunca experimentaram tantos finais como esta, mas as coisas, dantes, também não acabavam tão depressa. Duravam mais. Uma semana tinha mais que 7 dias, havia semanas que chegavam a durar um mês e tardes - que aqui vos juro - chegavam a durar 3 dias. E quando uma coisa parecia acabar, chamava-se alguém para a arranjar e dar-lhe uma nova vida.

Hoje em dia, substitui-se, já não se arranja. A máquina de lavar avaria-se, compra-se uma nova. A empresa vai à falência, abre-se uma outra. A relação entre os dois piora, muda-se para uma nova. Acabou-se a paciência, acabaram-se os arranjadores que romanticamente arranjavam, para os substituídores que maquinalmente os substituem. Lembro-me bem de ver anúncios de arranjos em que anunciava em letras grandes: Arranja-se tudo!. Em relação a substituídores, não me recordo de alguma vez ter visto " Substitui-se tudo!" . A vantagem dos arranjadores sobre os substituidores é de tal modo, que as próprios expressões dão vantagem aos primeiros. É disso exemplo a mítica expressão: " Mas que belo arranjo!" que com sinceridade não existe para quem substitui. Porque não pode.


Arranjar o que quer que seja, implica resistência ao fim. Enquanto substituir, é a sua absoluta aceitação. Substituir é aceitar o fim, sem pestanejar. Arranjar é espernear furiosamente para poder vir à tona da água . E salvar-se. Substituir é pouco mais do que isso, mas arranjar não se esgota porque precisamente se arranja, desde o emprego para a prima, uns trocos para sair à noite, a máquina de lavar que de novo avariou. Daí que se um dia me perguntarem o que eu sou, direi o que agora sabem: Que não sou mais do que um mero arranjador!

Sunday, June 07, 2009

O Grito de Michelle brito





Há um grito português a invadir o mundo. Só quem ainda não o tenho ouvido, pode duvidar disto. É um grito que vem do fundo, possivelmente da alma, mas na realidade do court. O mundo pasma. O mundo ri-se alarve com um nervoso miudinho de quem já o terá entendido e o teme. E tens razões para isso. Michelle Brito, a tenista portuguesa do momento, é a nova Padeirinha de Aljubarrota.


E Portugal precisava de uma coisa destas, porque andávamos há demasiado tempo a engolir em seco. E o facto de o grito de Michelle ser muito parecido com uma sirene dos bombeiros avariada, é bem ilustrativo da emergência deste berro e da condição precária que terá herdado. Ainda assim, nenhuma outra tenista se terá aproximado, mesmo na intimidade, mesmo em noite inspirada, de um grito tão poderoso quanto este. Tenistas como Mónica Selles que também se celebrizou por isso e mais recentemente Sharapova, que o faz para alimentar prazeres solitários de adolescentes, não chegam aos calcanhares da nossa miúda, e muito menos, aos decibéis que esta consegue atingir.

Michelle representa por isso uma nova esperança para Portugal, mas sobretudo para a ópera, sendo apontada por muitos como a nova Maria Callas do ténis, do mesmo modo que Jorge Jesus é, como o próprio afirmou, a Paula Rego do Futebol. Daí que não será de estranhar que os habituais espectadores do São Carlos comecem a trocar o conforto das cadeiras do salão, pelo tom áspero e rude que se ganha quando se dorme ao relento, e que existe nas cadeiras do jamor. E assim, será natural percebermos que os fãs de Puccini se renderão cada vez mais a Michelle, e que do mesmo modo em que vão ao scala ver "La bohéme", estarão batidos no Rolland Garros para ver o récita de Michelle frente a Serena Williams.

Michelle era o grito que faltava a Portugal, mas que já não falta, porque a temos a ela. E todos sem excepção, deveríamos gritar como esta, do mesmo modo que colocamos as bandeiras nas varandas em sinal de união e não porque foi o scolari coisíssima nenhuma. Este grito é superior a mil bandeiras nas varandas, porque é mais do que pano, é voz, é garganta, é fúria e vontade de vencer desde o fundo do campo. E talvez por isso, este grito, o singular grito de Michelle deveria ser igualmente unificador e imitado por todos em situações que se vissem. De tal forma, que acho que o mesmo deveria ser adoptado por outras figuras em situações de esforço: Cristiano Ronaldo nas suas arrancadas, José Mourinho nos seus protestos, Marisa nos seus concertos. O grito de Michelle será mais forte que o silvo de aço da pá da padeirinha.