
Anda tudo a imitar toda a gente e ninguém faz caso disso. Pelo contrário, aplaudem. “ Que bela imitação!” – dizem-nos. “ Que igual é ao original, que maravilha!”. E se os pobres imitadores desde logo o revelam, eu não me importo. Pior é quando não o fazem, quando imitam e chamam a si uma originalidade que não é sua. Dizem-me que uma imitação é sempre uma homenagem a quem está a ser imitado. Pois bem, eu acho um ultraje, um roubo, uma tristeza tão grande que a ser chorada, transbordaria o Douro e o Tejo juntos.
O problema é que mal nascemos, nos ensinam a imitar comportamentos, gestos, palavras, hábitos e quando damos por nós, antes mesmo de imitarmos a Shakira ou o Ricky Martin no café ao fundo da rua – até aí tudo bem! - estamos a imitar os nossos pais e a desde logo, aceitar uma originalidade que não é nossa. Daí tanto se perguntar a quem é que sai determinado filho mal ele nasça. A quem é igual, o miúdo? Perguntam-nos. E o contentamento cresce à medida que alguém: É igualzinho ao pai!. Se um dia tiver um filho, eu não quero que o meu filho seja igual a mim, que alguém o livre disso. Quero – isso sim – que seja inteligente como a mãe e bonito como a mãe. Agora, igual a mim? Deus o salve que eu não posso.
O mundo anda a imitar-se em demasia e tudo me parece mais igual. A tal ponto, que há já pessoas a imitarem outras, que por sua vez já estão – também elas – a imitar alguém. O próprio mundo deve estar de certezinha a imitar um outro planeta que acabou mal. O que me leva a concluir que todos nós, somos o produto acabado de uma série de imitações e que só alguns conseguimos escapar. A diferença é que há alguns que fazem alguma coisa por ser originais. E outros que nunca passarão de uma reles imitação.






