Friday, May 29, 2009

Sara, vem cá que eu não te Aleixo!




Sara, vem cá que eu não te Aleixo!

Tem em cena uma peça no Teatro da Trindade que se chama " A ronda" e neste Verão vai estar a dar aulas de representação numa colónia de férias, para miúdos entre os 8 e os 16. É da Madeira, mas não se lembra de ter ido à discoteca fórmula 1. Gosta de bebidas afrodisíacas mas nunca perde o controle. Sara Aleixo gosta mais de sexo do que chocolate. Nós também.




Entras numa nova peça que se chama " A ronda" no Teatro da Trindade onde fazes de prostituta, verdade?


Sim, é verdade. E é uma prostituta que me esta a dar muito gozo interpretar.


Às vezes os actores levam tão a sério os papeis que fazem, que trazem a personagem para a vida real. Não tens medo disso?



(risos) Não, claro que não ( risos). A partir do momento em que entro em cena, sou uma prostituta, mas quando saio já sou uma outra cidadã.



Mas sabes ao menos os preços praticados por estas mulheres que exercem tão nobre actividade isenta de impostos?

Não, mas se bem te lembras, quando foste ver a leucádia ( personagem representada por Sara) ela diz:"Um tipo como tu, não precisa de pagar para estar comigo". Conclusão: É preciso saber em relação aos impostos. E elas é que são espertas.....( risos)


lAlguma vez foste a um encontro às cegas, o chamado “blind date”?

Por acaso não.


Não acredito. E nunca tiveste nenhum amigo com o qual te respondias sem saber quem era?

Não, normalmente gosto de saber o que vou saborear....há que jogar pelo seguro.

E alguma proposta indecente?

És tramado. Com conhecidos ou desconhecidos? Ora bem, com pessoas minhas conhecidas tive algumas propostas indecentes, mas com desconhecidos ninguém se atreveu até agora... ( risos)
Sejamos sinceros, mais depressa irias para a cama com dois homens ou com duas mulheres?
Sinceramente, gostava de um dia experimentar as duas situações, acho que é um fetiche de qualquer um. Vais me dizer que tu não? ( risos)

Vou. E digo-te mais. Acho que as mulheres acabam por ser muito mais bissexuais que os homens. Há muitos homens heterosexuais, muitos homens homosexuais, mas poucos homens bisexuais. E com as mulheres não me parece que isto seja assim. Não concordas?

Sim,vês como sabes. Mas porquê? Porque muitos homens, muitas das vezes, têm vergonha do o assumir.

Bem, eu não tenho vergonha nenhuma, mas não assumo, porque nunca fui para a cama com nenhum homem. Agora, dizem-me que quem experimenta não quer outra coisa. Bem, tu podes elucidar-me sobre isto. Qual a diferença entre ir para a cama com um homem e com uma mulher?

Para te ser sincera, não sei o que é estar com uma mulher,mas nunca se sabe o dia de amanhã. Já a minha avó dizia: "nunca digas nunca Sara! Nunca digas nunca!" ( risos)


( entrevista a Sara Aleixo continua na edição deste mês da Maxmen que acaba de sair. E ainda Mira maxmen com Tânia Mendonça, na primeira fotografia)

Tuesday, May 26, 2009

Emídio Rangel e Frederico Duarte Carvalho, hoje, no Boa Noite Alvim


























Começam hoje as gravações do Boa Noite Alvim (versão doméstica). A partir da minha casa na Costa da Caparica, a Speaky.tv começará a gravar a nova série, com dois convidados inquietantes: Emídio Rangel e Frederico Duarte Carvalho.





O primeiro foi fundador da TSF, director da Sic e da Rtp e é considerado por muitos como um dos maiores líderes de sempre da comunicação, por muitos apelidado como o "Mourinho" da Televisão. Rangel é temido basicamente por todos os outros directores e aqui vai mostrar o que pensa da televisão actual e o que prevê que aconteça num futuro não muito distante.


Quanto ao segundo convidado, trata-se de Frederico Duarte Carvalho, jornalista e candidato ao Parlamento Europeu pelo Partido Popular Monárquico. Ora, Frederico não irá a minha casa falar sobre a sua candidatura, mas sim, sobre as milhentas teses conspirativas que defende com unhas e dentes sobre acontecimentos como: O homem na lua, o 11 de setembro, o desaparecimento da Maddie e muitos outros. Frederico, tem uma versão fundamentada sobre cada um deles.


Quero pois com isto dizer, que podem e devem enviar por aqui as vossas perguntas, comentários, teses várias, para que hoje à noite, possamos contar com a vossa efusiva participação. Como justo prémio para os que estão tentados a fazê-lo, aqui ficam, em exclusivo e pela primeira vez, algumas fotos dos cenários da Speaky.tv na minha casa da Caparica. Eis o ínicio de tudo. Os cenários são da extraordinária Ana Sofia Gonçalves (http://www.anasofiagoncalves.com)

Amor Esturricado






Chegou o verão e as pessoas falam mais sobre o amor. Os corpos estão mais descobertos – é certo - mas a alma também usa saia curta. E anda tudo a queixar-se do mesmo, que não há mulheres de jeito, que não há homens de jeito, que só nós é que somos perfeitos. Que pena não nos podermos casar connosco e dizer o nosso nome duas vezes na igreja. Declararem-nos marido e mulher num só e à frente de todos, na altura em que usualmente se diz " Pode beijar a noiva!" , nós com grande destreza física, beijaríamos os nossos braços, as nossas mãos, o nosso peito. Que pena não nos podermos beijar a nós próprios e não conseguirmos também aqui ser independentes. O único consolo, é sabermos que não há contorcionista que o consiga, por mais que se esforce e se dobre. O que nos leva a concluir que um beijo destes – dos que agora falamos - tem que ser a dois. O que obviamente é uma chatice.



Anda tudo a queixar-se do que poderia ter sido, quando em muitas das vezes pode ser ainda. Escreve-se demasiado. Fala-se demasiado e faz-se pouco pelo amor. Os grandes romancistas sabem exactamente do que falo. E não deve ser por acaso, que na sua grande maioria – sobretudo os melhores – foram pessoas que não se safavam nada bem neste domínio. Veja-se por exemplo o Pessoa, as cartas a Ophelia são muito bonitas sim, mas se em vez de escrever tanto a expressar o quanto gostava de estar com ela, estivesse de facto com ela, as coisas teriam sido muito diferentes. Ou então não, já nem sei. O amor pode ser uma coisa muito desgastante, tal como quando partimos para uma longa caminhada, em plena uma da tarde de um verão quente, e percebemos que as sapatilhas vão cedendo ao asfalto que escalda.


O amor é como uma qualquer refeição: se estiver demasiado ao lume, pode queimar-se. Daí que quando se parta para uma coisa destas, se use inicialmente o lume em valores muito próximos do máximo e depois, em quase todas as receitas, se aconselhe a colocar em lume brando. Embora eu não concorde, eu sei que é assim. Daí que muitas das relações se salvem por isto, por na verdade, terem percebido que não podiam estar sempre submetidas a altas temperaturas. E assim, se safam. Ou se adiam. De tal modo que com o tempo, depois do lume brando, há relações que se encontram a alourar, que é – como toda a gente sabe – o que lhe dá o verdadeiro gosto, o sabor que só o tempo sabemos poder dar. Mas há quem não o faça e normalmente esturrique o amor. Precisamente, porque não lhe terá sentido o cheiro a queimado.

Sunday, May 24, 2009

Viva o Surf. Abaixo o detergente!






Não faço surf, não tenho muitos amigos praticantes, mas vivo em cima de duas lojas de surf na Costa da Caparica e habituei-me a admirar a modalidade e quem a pratica. E a verdade, é que estas duas coisas estão a ser atacadas desde esta manhã, por todo o lado, com letras grandes e à vista de todos.



A palavra "Surf" que até então era a denominação única para uma modalidade desportiva, é desde agora, também - e até me custa dizer - é - olhem bem para isto! - é nome de uma nova marca de detergente líquido que promete a todos uma explosão perfumada.



Eu não sei o que faria se fosse surfista, mas o que eu sei enquanto admirador, é que isto indigna-me e não tem nada a ver comigo. Era a mesma coisa que "Futebol" passasse a ser uma marca de restaurador capilar ou "amo-te" uma cadeia de bares espalhados pelo país ( bom, isso já existe!).



E depois é a infelicidade da associação da marca surf ao tipo de produto. Um detergente por muito que queira fazer-nos crer no contrário, antes de limpar, suja. Ou junta-se ao lamaçal já existente. E o surf quer-me parecer que sempre lutou pela não destruição das ondas, da costa, da imagem de um modo de vida que sabemos estar inerente a quem o pratica.



Surf, nome de detergente liquido ( mesmo que muito perfumado) é o maior insulto e ultraje que esta modalidade teve em Portugal. Como forma de protesto, vou lavar o chão da cozinha agora mesmo, com Sonasol oxigénio activo.


Tuesday, May 19, 2009

Um outro eu



Há um outro eu em cada um de nós que pode ser melhor ou pior quando estamos com pessoas. Quando somos pequenos, os nossos pais avisam-nos disso e apertando-nos os cordões, ajeitando-nos o cabelo, vão-nos preparando para o que aí vem: " olha que tens que te portar bem, que hoje vamos ter visitas!". E posto isto, arrumávamos o quarto, fazíamos os deveres e vestíamos a nossa melhor roupa, na esperança que a filha do casal tivesse a nossa idade e gostasse de jogar ao quarto escuro. Mas disto não falo agora. Falo sim, da transformação das pessoas quando estão juntas e quando se separam. Mais do que isto. Falo da transformação das pessoas quando estão com os outros e quando estão connosco.

É uma diferença grande que se acentua quando nós a presenciamos. E nessas alturas, ficamos com vontade que aquelas pessoas fossem sempre assim, tão amáveis, prestáveis, alegres, contadoras de histórias, solidárias, interessadas em tudo aquilo que dizemos, que fazemos, disponíveis em absoluto para o que for necessário, a tudo dispostas para melhorar o nosso dia.
Quando estamos com outros pessoas, só queremos mostrar o bom que temos, como se fossemos um daqueles feirantes de microfone de lapela a vender qualidades em cima de um camião de caixa aberta: Olhem como sou generoso! Quem quer comprar? Olhem que engraçado que sou! Quem dá mais? Olhem que habilidades eu faço. Quem me quer?



Daí que eu defenda que devíamos viver, como se passássemos a vida a ser visitados por pessoas a quem deveríamos dar o melhor de nós, isto é, exactamente aos que vivem connosco. A ideia é revolucionária – bem sei - mas não tenho dúvidas que serei recordado depois disto, como o Lévi-Strauss português e todos me aplaudirão à minha passagem. E assim, a partir de hoje, de cada vez que alguém dos nossos chegar a casa vindo do trabalho, haverá confetis e serpentinas pelo ar e bolinhos de bacalhau e croquetes na mesa. Haverá música, haverá vinho nos copos e a festa será tanta, que todos seguirão o nosso exemplo e todos perceberão cada festa da vizinhança, do mesmo modo que usualmente entendemos o ranger das camas em cima do nosso quarto. E assim, quando a meio da tarde, percebermos que no segundo esquerdo do nosso prédio, por ali vai uma celebração muito semelhante às imortais noites da Motown, é quase certo que deve ter chegado o filho da escola, ou a mãe do emprego, ou o pai da vizinha da frente. E assim, estranhamente, a festa só terminará quando chegarem os outros, os que não conhecemos tão bem, melhor, os que só conhecemos o bom, precisamente os que nos visitam, interessados em apenas conhecer essa parte.

Tuesday, May 12, 2009

Maldita Testosterona!


Todos os compêndios são bem claros quanto a isto: Apesar de ser encontrada em ambos os sexos, em média, o organismo de um adulto do sexo masculino produz cerca de vinte a trinta vezes mais a quantidade de testosterona que o organismo de um adulto do sexo feminino. E isto, explica muita coisa. As mulheres queixam-se com o período e a incomodidade que muitas vezes este lhes provoca como se isso fosse uma grande coisa. Pois bem, está na altura de os homens se lamentarem de forma chorosa, da sua maldita testosterona.

São 30 vezes mais, 30 vezes mais vontade, 30 vezes mais impaciência, 30 vezes mais a falar sobre isso. E assim não admira, que os homens tendencialmente pensem mais em sexo do que as mulheres. Pudera, então com estes níveis de testosterona elevadíssimos, que culpa temos nós? Vá lá, digam-me – e agora escrevo só para as mulheres – o que podemos nós fazer para combater tamanha maldição que nos persegue, desde o dia em que nascemos? Se querem saber, a conclusão a que chego, é que todos nós temos que carregar a nossa cruz. E se a das mulheres será o período, a dos homens é sem qualquer dúvida, o excesso de testosterona.

De tal modo, que muitos foram os homens que se deixaram trair por isto e acabaram literalmente sem cabeça. A história está cheia de episódios destes. E isto acontecia com tamanha frequência, que é daí que vem a expressão " Aquela mulher é de perder a cabeça!". Porque de facto não eram poucos os homens que a perdiam, ao serem traídos pela sua testosterona e ao caírem nas ciladas de exércitos inimigos, que usavam as mulheres para os atraírem, sabendo que o homem se gostar de uma mulher e tiver vontade de estar com ela, não deixará nunca de o tentar fazer. E aqui o que mais me entristece, é que eram outros homens, também eles com níveis altíssimos de testosterona, a fazê-lo, traidores de um raio!

Daí que a vontade dos homens quando querem estar com uma mulher seja obrigatoriamente diferente da vontade de uma mulher em estar com um homem. Existirão muitas mulheres a abanar a cabeça neste parágrafo e a dizer que não, que não, mas vos garanto, que salvo raríssimas excepções, isto é verdade. Não é que vocês não tenham vontade – têm pois – mas mais facilmente um homem que está no Algarve diz " preciso de ver-te hoje" e mete-se no carro e acelera até Bragança, do que uma mulher em igualíssima situação. E o problema é que elas sabem disto. Olhem o Pinto da Costa: mas alguém dúvida que o homem foi traído pela sua testosterona? Que outra razão encontram, para explicar que um homem se tenha deixado levar daquela maneira por aquela jovem? Só esta. E elas sabem-no. Possivelmente, 30 vezes mais do que nós.

Monday, May 11, 2009

Mu Faz 5 anos



Na edição comemorativa dos 5 anos do Jornal Universitário Mu, eu sou - excepcionalmente - o tirano director que o dirige. Tudo pode ser visto em: http://www.mundouniversitario.pt/.

Thursday, May 07, 2009

Um dia quase perfeito



Fiz anos este Domingo e de novo senti o que já venho a suspeitar há algum tempo. O nosso dia de anos está cada vez mais parecido com o Natal. E foram muitas as sms que terei recebido que me lembraram isso. De tal modo, que recebi uma que dizia precisamente: " Feliz Natal e Bom ano novo!".





Irritam-me as mensagens tipo. As pessoas tipo. As empresas tipo. Os comportamentos tipo. Um bom tipo. Um mau tipo. O próprio Fiat tipo. Por mim, prefiro mil vezes uma mensagem que diga simplesmente " Parabéns!" a uma tipificada como: " Espero que este dia seja passado com aqueles que mais amas, na companhia dos teus verdadeiros amigos, e que este dia se repita por muitos e longos anos!" . Não sei explicar-vos, mas explico. Há aqui qualquer coisa de plástico. Ou de cimento armado. Ou tijolo casquinha. É duro perceber que já teremos lido isto em alguma parte. E já lemos. Possivelmente mais do que uma vez. Possivelmente até da mesma pessoa que no ano anterior, nos terá enviado uma mensagem exactamente igual a esta. Por mim, é preferível darem-me um par de meias todos os natais. Essas sempre aquecem.




Aliás de entre todas as mensagens que se enviam em datas como esta, a que terei recebido mais vezes, a recordista de sempre, a rainha das mensagens, a Vanessa Fernandes das sms’s, é sem qualquer pestanejar , a lendária mensagem de natal, a vossa atenção por favor para o festim de risadas que aí vem, o clássico dos clássicos que é: "Boas Festas?! Nós queremos é festas pelo corpo todo!:)".E assim, quando a recebo, possivelmente pela quadragésima quinta vez, é tal o riso que me provoca, que me atiro imediatamente ao chão e bato freneticamente com os pés e as mãos como se tivesse a fazer 100 metros mariposa. Ainda agora por exemplo, quando estava a escrever esta mesma piada, aconteceu-me outra vez e fui às lágrimas. Se não se importam, vou buscar lenços de papel que eu já não aguento emoções destas.




Fiz anos e neste dia há uma espécie de imunidade parlamentar que nos é dada. Isto é, podemos dizer e fazer o que quisermos, sem que nos julguem por isso. E assim, este é o dia perfeito para fazer as pazes com alguém ou, com a quantidade de sms recebidas, recuperar contactos que se encontravam perdidos há muito. Há pessoas que só nos ligam nestas alturas e ainda bem. São pessoas que existem só nestas duas ocasiões e eu não as censuro. Até porque essa é a diferença. E assim, é fácil percebermos que só há duas categorias de pessoas: as que existem durante estes dois dias e as que existem durante todo o ano. Eu gosto particularmente destas últimas.

Saturday, May 02, 2009

http://videos.sapo.pt/metropolitana

A poucas horas do evento, aqui fica o endereço, para que possam assistir em directo a tamanho acontecimento. Hoje o concerto é só para a net mas amanhã podem ir ver-me à sala principal do Centro Cultural de Belém. É às 17.

Friday, May 01, 2009

Hoje a entrevista no JN. Amanhã o acontecimento em directo na net.


Como surgiu a proposta para narrares um concerto de música clássica?

Foi por telefone. uma tarde igual às outras e acontece-me isto. Fiquei muito comovido e sei agora o que deveriam sentir as pessoas a quem o Jorge Gabriel ligava a dizer que tinham ganho a Roda dos Milhões. Foi igual.

Perspectivas-te enquanto a pessoa com o perfil mais adequado para desempenhar esta tarefa?

Obviamente que sim e depois disto espero cantar no São Carlos. Ou no Olympia. Ou no Cinebolso, ainda não decidi.

De que forma olhas para esta iniciativa inédita?

Acho que é inédita e é uma boa tentativa de aproximar outros públicos que me parecem andar um tanto arredados destes domínios musicais. Não percebo é porque me convidaram a mim, quando podiam ter convidado o Chalana ou o Paulo Futre, mas pronto.

Narrar um concerto da Orquestra Metropolitana de Lisboa no CCB é um desafio aliciante para ti?

É, porque há sempre a possibilidade de nos enganarmos a meio e ser uma bronca à moda antiga. Para além disso é uma oportunidade única de eu vestir uma indumentária muito parecida com um animal que goza de fortíssima popularidade em terras gélidas.

A tua vida também se reveste de laivos de pantomima?

Para começar, metade das pessoas que estão a ler esta entrevista não imagina o que quer dizer "Laivos de pantomina". E eu - que também não sabia antes de ir ver ao dicionário - posso agora afirmar que a minha vida tem sim, tem laivos de pantomina. O dicionário da Porto Editora pode ajudar muitos dos leitores.

Consideras este género musical algo elitista e dirigido a um nicho?

Acho que é um género que se terá fechado muito sobre si próprio durante imenso tempo, mas que agora demonstra uma franca abertura, como é disso exemplo esta iniciativa. A formação dos portugueses a nível de música clássica deve-se unicamente à banda sonora usada no Boletim Metereológico. Por isso, parece-me lógico que mais do que agradecer a Mozart, Beethoven ou Schubert, os portugueses devem agradecer a Anthímio de Azevedo.

Esta é uma forma de se democratizar um estilo de cunho erudito?

É uma das formas. A outra era ir de porta em porta, como se fossem recitar as janeiras ou dar aquela revistinha, a Despertar. Isso era uma forma de democratizar também muito bonita.

As novas tecnologias devem estar ao serviço de um ampliar de públicos, do ponto de vista de incitar e quase lançar o repto a uma adesão mais massificada à música clássica?

Sim, não tenho dúvidas. A internet veio democratizar isto tudo e daí sofrer tantas resistências nos regimes ainda ditaturiais. Há muito gente que quer ver muita coisa, mas não quer levantar-se do sofá. A internet vai ao sofá, exactamente como a montanha foi a Maomé.

No fundo é o que preconizas com a Speaky TV: levar ao maior número de pessoas projectos culturais mais alternativos...

Sim e não. Vamos cá ver, quero obviamente dar cobertura a eventos mais alternativos que a televisão convencional não liga nenhuma, mas também quero cobrir grandes eventos populares. Não coloco de parte fazer a transmissão em directo da final do campeonato nacional de matraquilhos. Ou a primeira eliminatória do torneio de sueca, no café piolho. A speaky não vai olhar para o umbigo, nem ser uma televisão online para os amigos, a speaky.tv será de todos.

Que balanço fazes até agora deste projecto de televisão online? Está a superar, ou a defraudar expectativas?

Nem superou, nem defraudou. E porquê? Porque ainda não começou e só começará a 20 de Maio. Tudo o que fizemos até agora, foram algumas experiências com directos de iniciativas nossas. Os monstros do ano ( www.monstrosdoano.com) tiveram uma assistência em directo de 38.628 pessoas e o Festival da Canção Alternativo (www.festivaldacancaoalternativo.com) teve 11.000. Eu acho que são números avassaladores para uma televisão online que ainda nem sequer começou. Não tenho dúvidas que este será o quinto canal. Ou o sexto.

Como avalias o resultado do Festival da Canção Alternativo?

Uma loucura. Possivelmente o evento mais bem sucedido que terei feito nos últimos tempos. Bons apresentadores, óptimos concorrentes, um vencedor de grande potencial: os Homens da luta. Dia 16 de Maio, vamos estar de olhos postos no festival da Eurovisão para convidar os seus vencedores a competirem connosco. Só se o aceitarem poderão ser Campeões do Mundo, se declinarem, seremos nós, por falta de comparência.

Passar de um registo mais kitsch, para um erudito é uma mudança significativa... És eclético na óptica das tuas preferências musicais?

Sou exigente sim e as minhas preferências musicais vão desde o Sakamoto aos Dead Keneddys, querem maior antagonismo do que este?. Não gosto de ouvir música só por ouvir. Do mesmo modo, que não gosto de ir ao cinema só por ir ao cinema. Nem namorar por namorar. Não gosto de perder o meu tempo com coisas más, embora muitas das vezes seja forçado, a experienciá-las.

A música clássica faz parte da tua "playlist" em casa?

Não e sim. Não, porque não tenho propriamente cd's de compositores de música clássica. Agora que penso nisto, por acaso até tenho uma colecção de uns cds que foram oferecidos por uma revista, mas não os ouço, para minha grande vergonha. Contudo, gosto imenso de bandas sonoras de filmes, que como se sabe, usam imensa - e são francamente divulgadores - da música clássica. Eu próprio gostava de ser Maestro, mas da equipa de voleibol feminina da Suécia, isso sim.