
De resto, é muito usual ouvir dizer-se: “Aquela ali, está toda estragadinha. E sabes de que é? ( ouve-se: Não sei, não sei!). Olha, é de tanto sair à noite!”, enquanto ninguém faz semelhante comentário para os diurnos. Repare-se se isto faz algum sentido “ Já viste aquele, como está acabado. Sabes de que é? Sabes? ( ouve-se: Não sei, não sei!) Olha, é de tanto sair de dia. Sabes como é, sol, mar, ar puro, isso sabe tudo muito bem, mas a factura é muito elevada! Ainda por cima faz ginástica, não abusa dos sais, não fuma e não bebe e depois admira-se estar nesta desgraça. Uma vergonha!”. Convenhamos, faz isto algum sentido? ( ouve-se: Não sei não sei!). Ora essa, é claro que não faz.
Vamos cá ver, cheguem-se a mim rapazes e raparigas, vou-vos falar dessa coisa que se chama “ A verdade” ( gostava que agora me imaginassem enrolado num lençol branco, as mãos estendidas em direcção à luz do sol e com um pose muito parecida à de Moisés antes de separar as águas). Acreditando que me estão a imaginar deste modo – e porque haveria de duvidar disso - vamos a isto. A verdade é esta: ninguém sai à noite para ter saúde e definitivamente só há uma saúde que a noite protege e estimula: A mental. Tudo o resto, é para esquecer. A começar pelas pessoas que só fumam quando saem à noite. Que só bebem quando saem à noite. Que só votam no PP quando saem à noite. Que só se vestem assim quando saem à noite. E que só encontram aquele quando saem à noite. Aliás, eu acredito que existam pessoas que na verdade só vivam à noite. E que de dia morrem. E a comprová-lo, estão aqueles que depois de saírem à noite, se questionados sobre como estão, afirmam peremptoriamente que: estão a morrer. É ou é verdade? E sabem porquê ( de novo a resposta que me persegue: Não sei não sei!”). Porque estão mesmo, caramba! A noite devia ter um cartaz que diria: Sair à noite, pode matar. E contudo, até já houve. Só que, em vez de entenderem isto, muitos foram os bandidos que viram neste cartaz um “se” onde ele não existia. Os bandidos leram: “Se sair à noite, pode matar!” e foi o rebuliço que se viu.
A noite mata, é verdade. Mas o dia também. E se virmos as estatísticas, facilmente percebemos que ainda assim, morrem mais pessoas durante o dia do que à noite. Neste momento, posso assegurar-vos que estarão duas pessoas de dia a morrer e só uma de noite. Ou só metade de uma, pronto. Não tenham dúvidas. Isto é como andar de carro e de avião. As pessoas têm muito medo de andar de avião porque podem morrer mas onde se morre à séria, é cá em baixo. Porque lá em cima ninguém morre. Mas sim depois. Depois de morrermos – aí sim, supostamente – subimos. De resto, não deve ser por acaso que o avião é considerado o transporte mais seguro do mundo. E porquê? ( a voz: não sei, não sei!) Ora essa, porque andar de avião é exactamente igualmente à noite. Isto é, porque embora possa parecer mais perigoso, é na verdade muito menos mortal. Que estar cá em baixo. Que viver de dia.












