Wednesday, April 30, 2008

O controlador da noite








Existe uma espécie de fixação por parte das pessoas que vivem da noite em controlar a noite. Daí que a pergunta mais ouvida entre seguranças e donos de discotecas seja precisamente o clássico :' Está tudo sob controle pá?' ao que não raras vezes é respondido 'Está tudo sob controle chefe!'. Daí que não seja de todo aceitável que o controle possa estar mais ou menos - ou está ou não está! - mais ou menos é que não. E Porquê? Porque se está mais ou menos é quase certo que vai haver sarilhos e se isso é verdade eu vou andando que não me pagam para isto.





Afinal não era nada, peço desculpa. Estávamos pois a falar dos controladores, não é? Pois é. E a grande maioria deles foram descobertos no engate, precisamente quando estavam a controlar uma jovem rapariga. OU duas. Ou até três, não posso agora precisar. A verdade é esta, quantos de nós não temos amigos que passam a vida no controle? Digam-me, vá lá. Quantos de nós já não, eventualmente, exercemos esta nobre actividade? Vá, deixem-se disso, é óbvio que já todos nós vimos e todos nós já o fizemos sobretudo a partir do momento em que comentamos a quem está ao nosso lado o que se vai passando, como se ali estivéssemos com um par de binóculos: 'Olha, chegou aquela miúda da outra semana com uma amiga nova. E cortou o cabelo. Está mais gira. Espera lá, quem é aquele mânfio que agora se encostou a ela, estás a ver isto? Olha, para ela a dar-lhe conversa. E está a achar graça pelos vistos. Isto só a mim, isto só a mim!' - e enquanto diz isto o controlador passa logo ao ataque, insinuando-se como se fosse dominar um touro bravo numa arena e mostrando, de peito inchado, quem é que domina. Ou controla,pronto.





Ora, quase sempre os controladores da noite começaram por ser óptimos controladores de raparigas e essa é a ordem natural das coisas. De vez em quando, inverte-se este processo, mas os resultados não são tão positivos porque tresanda a jogos de influência e poder e quase sempre ouvem-se comentários tipo: 'Aquele gajo só anda com aquela, porque é dono da Discoteca X! ou porque tem o carro y, ou porque, e chamo a vossa atenção: Porque controla a noite!

Daí que seja muito costume, que todas as cidades e zonas de diversão nocturna saibam quem está a controlar a noite, embora normalmente quem não está, diga invariavelmente que os que estão, só estão por dois motivos: Ou porque andam metidos na Droga - porque não se explica tamanha ascensão em tão curto espaço de tempo - ou porque andam a enganar tudo e todos e devem dinheiro a toda a gente e fogem aos impostos e os seguranças são todos ilegais e não têm licença e as mulheres que lá andam são todas umas rameiras, umas galdérias e, toda a gente sabe que o dono já esteve preso e que agora tem a mania que controla mas não controla nada e que tem a cabeça a prémio e que no passado fez isto e aquilo e quem controla sou eu.

Contudo, por mais detractores que possam ter, a verdade é que os verdadeiros controladores da noite, os que estão assumidamente no controle, os que sonham com cenários da máfia calabresa com os seus adversários ajoelhados a seus pés pedindo perdão e enaltecendo as suas singulares qualidades ' Padrino, vi sono maggiori di marco bellini', os que controlam tudo e não apenas uma parte, os que agorinha mesmo estão a controlar esta página e a dizer ' Quem é este gajo?' pois bem a esses, aos controladores da noite, gostava de frontalmente, olhos nos olhos, lhes dizer uma coisa: Muito obrigado por me lerem e voltem sempre e agora se não se importam vou-me por a andar devagarinho, que gosto muito do vosso trabalho, que são sem dúvidas os maiores, não, não pensem que tenho qualquer receio, foi um prazer já disse, que belíssimo trabalho têm feito, são os maiores já tinha dito? voltem sempre, voltem sempre, são muito bem vindos!'

Thursday, April 24, 2008

O Benfica é o PSD do Futebol




























Ainda não percebi muito bem se sou de direita ou de esquerda, a ultrapassar sou de esquerda, a escrever de direita e em determinados domínios sou aquilo a se pode chamar um centrista em potência. De resto, fico irritado quando dizem que alguém que é do centro é tendencialmente de direita embora se saiba que existem muitas pessoas que advogam para si, o centro esquerda. Mas que diacho, o centro é o centro e não tem que ter nenhum declive, como se fosse uma daquelas mesas de madeira cochas onde invariavelmente temos que colocar um talo de papel para as nivelar. E a ser assim, porque raio não tem a direita, uma direita-esquerda e direita-direita e, a esquerda, uma esquerda-direita e uma esquerda esquerda? Não tem. E em vez disso, existe uma extrema direita e uma extrema esquerda que ninguém entende muito bem. Porque é que é extrema? O que é isso de ir à extremidade mais longínqua da esquerda ou da direita? Será que depois de ultrapassarmos cada um desses extremos caímos numa espécie de abismo político? Será isso? E se sim, haverá aí abismo de esquerda e abismo de direita?

Não sei, admito. Mas o que sei, é que Portugal é um país tendencialmente de direita e preferencialmente do Benfica. Nem mais. Daí que me pareça legitimo dizer que o PSD é o Benfica da Política ou se quiserem, se acharem que fica mais bonito para as frases da semana, O Benfica é o PSD do Futebol. Isto é, têm tudo para ganhar e depois não ganham. Isto é, têm toda a gente do lado deles como se estivessem sempre a jogar em casa e comportam-se como se tivessem a jogar no estádio do panathinaikos . E não estão. E as pessoas fartam-se. E deixam de ir ver os jogos. E de votar. E às vezes – só por perrice – votam nos outros como protesto, da mesma forma que às vezes queremos que o Benfica perca só para o treinador ir embora de vez. E vai mesmo. E com eles muitos adeptos que entretanto perderam o hábito de ir ver a bola, de levar o cachecol encarnado e de saber de cor o hino cantado pelo Paulo de Carvalho. Quem não se lembra? Se não se importam vou cantar, com a vossa licença aqui vai disto: “Paz Pão povo e liberdade, todos sempre unidos no caminho da verdade!” Vá todos juntos, vamos lá dar essas mãos, toca a afinar essas gargantas, vamos vamos: “Paz Pão povo e liberdade, todos sempre unidos no caminho da verdade!” e agora se me permitem, deixem-me cantar sozinho esta bonita passagem com o timbre da Dulce Pontes na Ovibeja “ Tens a liberdade, dá a mão ao teu irmão, pelo bem da nossa gente, construindo sempre em frente”.

Se me vissem agora – vos juro - veriam que na minha face escorrem lágrimas de saudade destes tempos. Dos mesmos, em que o Benfica ganhava campeonatos e que o 11 no totobola ainda dava um dinheiraço. De resto, o PSD tem o seu Eusébio e ele é Francisco Sá Carneiro e quando um Benfiquista diz integralmente que é do Sport Lisboa e Benfica eu, não sei porquê, imagino um qualquer militante, a dizer que é do PPD/PSD. Os verdadeiros sociais democratas deviam dizer sempre PPD/ PSD porque isso é chamar “Papá” em linguagem politica. Dizer só PSD é chamar apenas “Pai” sem o mimo e a inegável ternura que tem um “papá”. Daí que o Benfica, este Benfica, me faça lembrar o PSD. Mas a instituição fundada a 28 de Fevereiro de 1904, o Sport Lisboa e Benfica, me lembre o PPD/PSD. O do Eusébio. O do Francisco Sá carneiro.

Thursday, April 17, 2008

Como conquistar Carla Bruni para Portugal?

Nunca como agora, a França foi tão falada na imprensa mundial e Portugal deveria tirar daqui as devidas ilações. E não tira. A razão de tudo isto tem um nome, com verdade dois, que são exactamente: Carla Bruni. E sendo assim, não percebo o que anda a fazer a rapaziada do ICEP que a meu ver anda a perder tempo com painéis gigantes a promover outros nomes. Não é que não sejam bons e importantes, mas com franqueza, Portugal precisa é de Carla Bruni. E já que temos fama de bons casamenteiros, o que temos que fazer é atrair esta jovem para o nosso pais o quanto antes, de preferência, amanhã pela fresquinha. O que está a acontecer, é simples de explicar: Carla Bruni é a nova princesa do povo e não deve ser por acaso que as suas aparições são muitas vezes comparadas às de jacqueline kennedy, a antiga primeira dama dos Estados Unidos e ainda hoje uma referência para muitos.



Isto não vai ser fácil – não vai – mas é preciso um plano e eu estou aqui a desenhá-lo com parcimónia. Como conquistar Carla Bruni para Portugal? Ora bem, muito facilmente, contratando-a para tudo e todos, de forma a que esta passe a maior do seu tempo no nosso país e o mínimo com Sárközy . "Utópico!" – dirão alguns, " Brilhante! – dirão outros, " Mais, mais, não pares agora!" – dirá a minha namorada, mas a verdade é que isto custará menos que qualquer campanha promocional do nosso país em Badajoz. E o que me leva a dizer isto é saber que Carla Bruni gosta de moda e de música, e seguramente nada se importará em fazer umas 50 campanhas publicitárias, 250 passagens de modelos e 65 concertos no nosso país. O que fazendo bem as contas, dá exactamente 365 dias por ano, o tempo ideal para não lhe restar nenhum para conviver com o presidente francês. E é aqui que vocês dizem "Longe da vista, longe do coração, não é?" Pois é exactamente isso. Portugal tem imensa coisa onde pode utilizar Carla Bruni e de tanto nos visitar, a imprensa mundial começará a coçar o nariz com indisfarçável inquietude. "Anda ali coisa!" – dirão. E pelo sim pelo não, cabe-nos a nós alimentar isso. Ah pois anda e o resto é connosco. Para começar Bruni deverá ser utilizada em tudo o que são produtos que usem a palavra Portugal : Feno de Portugal, TAP Air Portugal e até Quinzinho Portugal onde esta poderia muito bem aparecer aparecer num dos seus videoclips a trincar maças, por exemplo. Depois, em vez de trazermos a Linda Evangelista que acabou com mais de metade do stock de vinho do porto numa das ultimas edições do Portugal Fashion, convidávamos Bruni a desfilar com aquele vestido de diamantes da Fátima Lopes e depois era só colocá-la no cartaz dos principais festivais portugueses a tocar viola como ela gosta e de preferência com altas individualidades do nosso país a assistir na primeira fila. De preferência muito emocionados. De preferência, cirurgicamente encostados a ela, para as fotografias da imprensa especializada. E posto isto, não duvidem, não é necessário sequer colocar Carla Bruni a dar aulas de francês. Venderemos as fotos às revistas internacionais e o nosso país será mais falado do que na Expo e no Euro. E isto vos garanto, irá sair-nos imensamente mais barato do que mil campanhas na rádio e na televisão.

Ana Lourenço e Nuno Crato no Boa Noite Alvim




Hoje a partir das 13, entro em cena para mais uma edição do Boa Noite aAlvim que terá como convidados Nuno Crato e Ana Lourenço. Esta emissão será posteriormente difundida no próximo Domingo, mas hoje, hoje Quinta e não Domingo, às 13 de hoje e não às de Domingo, podem entrar em directo e fazer perguntas a ambos.

Nuno Crato é um nome maior da ciência e a mim ninguém me tira a ideia de que sabe tudo sobre tudo, pelo que lhe devem perguntar exactamente o que vos apetecer e desafiá-lo a responder a uma pergunta para a qual pensam que - nem ele - conseguirá uma resposta.

Quanto a Ana Lourenço, é uma das mais destacadas pivots da Sic Notícias e por ela, sobretudo por ela, aqui o escriba acompanha a informação nocturna deste canal com grande assiduidade. Ana Lourenço tem uma beleza tranquila e é uma das pessoas mais simpáticas e acessíveis que eu conheço. Para além disso, adora cavalos e era a pivot de serviço no famoso programa em que Santana Lopes abandonou o estúdio. Como é que alguém teve coragem para a deixar sozinha? Como é que alguém se atreveu?


Ora, para um e para outro, saibam que podem ligar entre as 13 e as 14 horas de hoje, bastando para isso que nos enviem um email para : boanoitealvim@sic.pt com o vosso nome, idade, profissão e contacto. Podem igualmente sugerir uma pertinente pergunta para lhes ser colocada. No próximo Domingo, às 23 horas,na Sic Radical, poderão ver o resultado.


Wednesday, April 16, 2008

Adivinhem quem voltou?



Depois de uma primeira edição em Valongo eis que volto a fazer stand up comedy. Desta vez será em Seia, no decorrer do 3ª festival Internacional de Artes do Palco e Stand up Comedy de Seia e ao contrário, da primeira vez, não estarei sozinho, o que com verdade só me traz vantagens. Primeiro, porque não estarei tanto tempo em palco para cansar as pessoas e depois porque quando estas começaram a arremessar pastéis de nata e toda a espécie de citrinos, já eu estarei entregue à luxúria e ao prazer do meu banho de sais no quarto de hotel.



E assim, para além de mim, nesta noite o destaque vai claramente para Eduardo Madeira que promete – ele sim – dar por bem empregue a vossa presença. O programa do festival está todo aqui: www.casadaculturadeseia.com. Era giro bom que me fossem ver, porque é sempre giro assistirem a desgraças ao vivo. Subo ao palco às 21.45, menos uma, nos Açores.

Thursday, April 10, 2008

Então e agora?



Há um jogo no relacionamento entre um homem e uma mulher, mas isto custa muito a admitir e se disserem que eu escrevi, pois saibam que eu direi que não, não senhor, que nunca escrevi tal coisa e que quem o diz é que está a mentir e deveria ser julgado por calúnia grave. Estamos combinados em relação a isto? Sigamos então em frente que o tempo urge.

O jogo começa quando ainda nem sequer nos conhecemos. O simples facto de irmos sempre ao mesmo café só para a ver, já pode significar que a coisa começou. E se depois de semanas em que os olhares se trocaram timidamente, se existe uma – uma semana apenas - em que um dos dois se ausentou, é muito raro que isso tenha sido por acaso. A ausência quer aqui dizer alguma coisa. Por favor, tenha a bondade: "Ora bem, neste caso o que eu quero dizer é que se me ausentei, posso querer dizer que não tenho mais interesse nenhum naquele ser vivo ou pelo contrário, posso apenas querer marcar a minha ausência para fazer sentir a minha falta, querer entender até que ponto a outra pessoa se preocupará com isso. E agora vou-me embora que tenho mais que fazer”. E quando isto acontece, qual a melhor forma de reagir? Enviar uma mensagem? Escrever uma carta? Fazer uma declaração de amor no passeio cá de baixo? Telefonar com voz de abandono? Atirarmo-nos de um sexto andar maneirinho? Não e não e não e não e não. Por incrível que vos pareça, o que terão que fazer não é absolutamente nada. Nada, ouviram bem? Nada.Por mais que vos custe – e eu sei que custa – pelas almas, não mexam uma palha.Nada de sms lamechas a dizer que “ai que me fazes tanta falta”, nada de telefonemas a perguntar “Então não vens?”. E se assim fizerem, ironicamente, trocam de posição. Isto é, se até agora eram vocês supostamente que esperavam ansiosos uma resposta dela, agora é a vez dela, se começar a confundir com a sua própria táctica. Perguntará: Mas espera lá, será que aquele estafermo nem sequer deu pela minha falta? Será que não sou importante o suficiente para ele? Será que tem outra? Será que os saldos da zara já começaram?




E esta é a insofismável verdade. Hoje somos nós, amanhã será a outra pessoa. Hoje a outra pessoa, amanhã nós. E andamos nisto como se não tivéssemos mais nadinha que fazer. E a dada altura, parece mesmo que não.

Daí que inventei uma táctica que baptizei merecidamente com o meu nome e que rapidamente resolve este impasse: A “táctica Alvim”. A táctica Alvim, é como se fosse uma receita da Maria de Lurdes Modesto mas sem coentros. Ora, vamos isto. Acção. Existe alguém na nossa vida que nós gostamos. Essa pessoa, no entanto, gosta um pouco de nós mas precisa de algo que a faça pensar mais. E assim, o primeiro passo é ficarmos 3 semanas sem lhe fazer chamadas e muito menos enviar ou responder a sms. Nada. Depois, deixamos passar a primeira semana até que ela comece a ficar intrigada “Aquele palerma, dantes liga-me todos os dias e agora não me liga um só” – (reparem que dantes como lhe ligávamos a toda a hora, isso nunca lhe importava. Porque era algo adquirido, instituído até). Depois, deixem passar a segunda semana, até que esta pense “Deve estar chateado com alguma coisa ou arranjou outra, o sacana do rapaz?”. E no final da terceira semana, pegam no telemóvel, ligam para ela e quando esta atender, devem dizer-lhe em tom altivo e presunçoso: “Então, estavas a pensar em mim? - Ao que ela – se tudo correr bem e se tiver um mínimo de personalidade responderá um – mais do que esperado – Não! Aí, nesse exacto momento, devem dizer-lhe “espera então só um bocadinho!” e desligando imediatamente a chamada, contam até dez devagarinho e voltam a ligar. Se ela atender, apenas perguntem: “Então, e agora?

Monday, April 07, 2008

É triste perceber que desde que rebentou o escândalo de pedofilia na Casa Pia, nunca mais alguma previsão meteorológica incluiu "Chuva miudinha".




Tudo na vida tem um preço


Se há coisas em que eu não gosto de pensar é na vida que tenho. E talvez por isso, faço tudo o que está ao meu alcance para me manter ocupado e assim não pensar na vida. Eu gosto da vida que tenho – é verdade que sim – mas queixo-me sempre de qualquer coisa, como quem vai ao médico e não sabe muito bem o que é que tem: "mas dói-lhe aonde?" pergunta-nos. E nós lá vamos dizendo "oh senhor doutor, eu não sei onde é que me dói, mas dói-me o que é quer que eu lhe diga? E de facto, não é preciso dizer mais nada, há coisas que não se explicam e a vida pode ser uma delas. De qualquer forma são 70 euros pela consulta. Obrigado e volte sempre.





Às vezes sou apanhado a pensar na vida. Outras, por uma operação stop. E de todas as vezes que fui mandado parar por uma autoridade, foi porque estava a pensar na vida. "Com que então passou um vermelho!?" e eu encolhendo os ombros lá me vou lamentando "oh senhor guarda, desculpe, estava a pensar na vida!" como se isso fosse justificação para o que quer que fosse. E é. Pois que outra forma encontram para justificar que alguém que está na pole position de um semáforo, não tenha ainda percebido que está verde. É óbvio, que está a pensar na vida. Apita-se, buzina-se duas ou três e quando finalmente o conseguimos passar pela direita, abrimos o vidro do nosso lado e perguntamos em tom irritado: "Oh homem, você está a pensar na vida?. Ao que ele, se for honesto, responderá : "Estou".





Por isso existem muitas pessoas que gostam de falar da vida dos outros. E poucas da vida que têm. E porquê? Está bom de ver. Porque é muito mais fácil pensar na vida do vizinho em frente do que da vida que temos, porque isso implica, já decerto adivinharam: pensar na vida. Exactamente. E pensar na vida dos outros não é pensar na vida. Devem pensar que eu estou doido – talvez, talvez – mas esperem lá, a expressão pensar na vida, só é preocupante, só verdadeiramente destabilizadora, quando é a nossa vida, quando este pensar é apenas e só sobre a nossa vida. Querem mais? Não ouço? Mais? Pois muito bem, vamos a isto. Mesmo quando estamos a pensar em outras pessoas é sempre, em função da nossa vida que o estamos a pensar. A mãe quando pensa na vida do filho e diz" Aquele rapaz anda magro, não se alimenta bem, é um doidivanas". Ela preocupa-se por ele – é claro – mas preocupa-se porque isso, esse facto, o facto do estupor do miúdo não comer como deve ser, interferir com ela, a inquietar, lhe dar cabo da vida e a fazer fumar dois maços por dia quando devia ser só um. E logo agora que o tabaco aumentou.



De resto quando associamos a vida a uma figura da família, fazemo-lo à madrasta. E não deve ser por acaso. Daí as pessoas desde sempre dizerem que a vida é madrasta. As pessoas não dizem a vida é mãe, é pai, é tio, é bisavó, não senhor, não dizem nada disso, o que dizem, e isso sim eu já ouvi, é que a vida é madrasta. E isso não me parece que seja coisa boa, pois eu tenho boa memória e sei muito bem o que é que a madrasta fez à gata borralheira, que mais tarde, ser viria a revelar a cinderela. E não, não é à toa que associam a "vida" à mais velha profissão do mundo, dizendo à boca cheia – se calhar esta expressão pode ser mal entendida – que a vida é uma prostituta. Bom, não será bem assim. Na verdade, o que se diz, normalmente quando estamos chateados, é: a prostituta da vida! Como quem quer dizer, a vida leva-nos dinheiro por este serviço que é viver. A vida deixa-se usar quando nós pensávamos que éramos nós que a usávamos. Ela é que se serve de nós. Ela. E nós ainda por cima – palermas – pagamos. Daí muitas pessoas dizerem que tudo na vida tem um preço. Pois claro que tem. E sabem que mais, não é barato.

Saturday, April 05, 2008

Beatriz Batarda e Rui Reinho no Boa Noite Alvim. Domingo. 23 horas. Sic Radical


Está agitada a vida de Rui Reininho nos últimos meses, e mesmo assim – perante a insistência – aceitou o convite para ir ao boa noite Alvim. E foi. A conversa fala sobre a vida que leva desde há uns meses mas também a outra que sempre o caracterizou. Fala-se sobre os GNR, sobre o concerto que aí vem no dia 18 de Abril no Pavilhão Atlântico e também sobre mulheres.

Porque falamos nisso, eis que vos revelamos a outra convidada. Beatriz Batarda, para muitos a melhor actriz portuguesa da actualidade e para o apresentador que agora vos escreve, a Isabelle Huppert portuguesa.

Beatriz – supostamente Bia para os amigos – fala sobre a forma como leva a representação a sério, sobre o seu casamento, as suas filhas, o seu marido ao qual gosta de chamar Senhor Bernardo e da forma como se preocupa com a vigarice. Tudo menos a vigarice. E sabem que mais, não nos pareceu nada que tivesse a representar em algum momento.

Posto isto, ficamos à espera dos vossos comentários. Se gostaram ou não, se houve alguma pergunta que ficou por favor – ficam sempre – se houve um momento em particular que gostariam de ter sido melhor esclarecidos. Podem também mandar sugestões, presuntos e palpites para o Euro milhões, mas ficávamos mais agradecidos que nos sugerissem perguntas ou mesmo situações para os dois convidados que se seguem: Telma Monteiro – a judoca que falhou a primeira chamada neste programa – e Pedro Paixão, o escritor que agora regressa com um novo livro com 3 vezes mais páginas que o emblemático "Noiva Judia". Queremos perguntas boas, óptimas, extraordinárias. A melhor ganha um livrinho do autor autografado pelo próprio. Querem mais do que isto? Vá lá, deixem-se disso.

Thursday, April 03, 2008

Adenda importantíssima ao Freak Show: o Hotel



Para aqueles que morem longe de Coimbra e não queiram fazer a viagem de regresso na mesma noite, informamos que nos – e vos – apoia o Hotel Dona Inês: há preços especiais para o Freak Show. Para mais detalhes, o telefone do Hotel (sim, com h grande porque o Dona Inês é um senhor Hotel: ora vejam lá no site) é o 239 855 800 e o mail é reservas@hotel-dona-ines.pt. Isto é para acabar de vez com as desculpas.

Hoje sinto-me Freak



Ok, não é só hoje, mas mais hoje que nos outros dias. Uma metamorfose que tem vindo a operar cá dentro, silenciosa, quase discreta, e que – sinto-o, oh, como o sinto – logo à noite atingirá a plenitude. E não vai ser só comigo, mas com todos os que se atreverem, a partir das 22 horas, a rumar à discoteca Ar de Rato, em Coimbra, hoje transformada em meca dos Freaks, para a Terceira Edição do Freak Show da Prova Oral. Vão ser uma série de valentes pontapés naquele sítio sensível da normalidade quotidiana: ouviremos os versos neo (mas muito neo mesmo) românticos do mestre Sarapitolas; os engolimentos peculiares do faquir Stephano; a casta Lili mostrando o seio branco, leitoso – tão casto, tão branco e tão leitoso, que ainda tem intacto o picotado da abertura –; os fabulosos beatsboxers da Ria de Aveiro; Alexandrino hipnotizando inclusive as tábuas do soalho (versão dentro-de-portas das pedras da calçada), um espectáculo de Rita Cardoso, vencedora da edição 2000 do Festival Termómetro (que promete novos temas); um grupo de fados de Coimbra que fará derramar saudosas lágrimas à assistência, incluindo os porteiros que, extremosos, procurarão ombro amigo; e, logo após, a entrada de encantadoras e encantadas serpentes. A coisa termina com a actuação de João Gentil – que é para ninguém sair de lá a sentir que «faltou qualquer coisa». É hoje e de entrada livre. Depois só para o ano. Agora esqueçam-se. Depois queixem-se.