Thursday, February 28, 2008

Os miúdos estão bem?


Não há país no mundo que tenha saudades como as nossas. Podem até ter saudades – não digo que não – mas como as nossas? Nem pensem nisso. As saudades de Portugal deveriam ser promovidas ao mesmo nível que o Eusébio, a Amália, Fátima e os Pasteis de Bélem e, só não o são, porque alguém passa demasiado tempo ao telefone a matar – precisamente - saudades. E como se matam? Saibam que não é nada fácil, mas já esteve pior quando a PT tinha o monópolio das comunicações e os impulsos caiam como tordos em dia bom de caça. E como doía. O contador na nossa frente, o auscultador na mão direita e moedas na esquerda e nós naturalmente inquietos, como se estivéssemos a poucos instantes de entrar numa prova de destreza física num qualquer concurso televisivo de então. Só que em vez de esperarmos por uma qualquer contagem, a prova – desculpem, a conversa – começava quando alguém dizia “ Estou sim”. E a partir daqui, acreditem, uma rua inteira ou um café apinhado de gente , ouvia a conversa toda -aos altos berros pois - por parecer estarmos a falar de um rés do chão para um distante sexto andar. E a primeira pergunta era sempre esta: Tu estás a ouvir-me bem? Ahh? Tu estás a ouvir-me bem? E se o barulho à nossa volta fosse muito -e era certinho que assim fosse- alguém dizer: Oh pessoal, pouco barulho, que este senhor está a falar para a Suiça! E ao diminuírem o volume, a nossa voz agigantava-se. “Tu estás bem? Os miúdos estão bem? Por aqui está tudo bem, sabes? Temos saudades tuas, ouviste? Isto está tudo na mesma, tudo na mesma, mas fazes falta aqui. Aqui o senhor Urubino, manda-te cumprimentos. Que tem saudades pá. Tu estás bem? E os miúdos? Os miúdos estão bem?


E assim era. O tempo passou, mas as saudades não. As saudades em Portugal continuam na mesma há tempo demais. Pode até mudar-se tudo, mas chegados às saudades percebemos que está tudo na mesma. E porquê? Porque em Portugal não há uma norma que regule o período do tempo a partir do qual, poderemos ter saudades legalmente. E o resultado está à vista de todos. Os portugueses são o único povo no mundo que sente saudades de ontem, que sente saudades até do que terá acontecido de manhã cedo, que sente saudades de há 5 minutos atrás. E por isso, ao ligarmos a televisão, é fácil percebermos que os programas exploram isso. E isto, não vê a A.S.A.E. e devia ver – não os programas é certo – mas os infractores deste lei que deveria existir. E ao mínimo sinal de saudosismo gratuito e não justificado com uns bons meses de distância, aplicava-se a lei e são 120 euros se faz favor. “ Ai que gosto de ti e estou cheio de saudades tuas, Catarina!” e interceptado o telefonema por um qualquer agente da autoridade, ouvia-se uma voz grave que lhe diria “ ouça lá jovem cidadão, temos aqui informações que esse “cheio de saudades” que agora utilizou, é referente à partida desta jovem há cerca de duas horas atrás.Acha isso bem? Tem por isso o direito de estar calado e vamos embora à minha frente cantando e rindo.

Por isso, só em Portugal se morre de saudades e a frase mais ouvida nos telefonemas dirigidos ao INEM é precisamente: “Estou a morrer de saudades, ai que não me aguento senhores!” E enquanto a ambulância não chega para seu socorro o português vai-se salvando, comendo em restaurantes portugueses de países distantes, telefonando a perguntar se os miúdos estão bem, ouvindo as novidades do Benfica, participando nos programas madrugadores da Rádio Renascença, abraçando os repórteres televisivos à entrada do estádio do Parque dos Príncipes.

Tuesday, February 26, 2008

boanoitealvim.blogspot.com. Já faltou mais!












A pouco mais de uma semana de estrear a nova série do Boa Noite Alvim – Domingo.9 de Março. 23.00 horas.Sic Radical. - saibam que o blog do programa está renovado e aparentemente foi tomado de assalto por pessoas estranhas que insistem em dizer que sou eu que apareço nesta foto com ar de lobisomem.

Sendo obviamente isto uma calúnia, gostaria de contar com o vosso apoio e sobretudo com as vossas visitas. Este é o endereço: Boanoitealvim.blogspot.com

Monday, February 25, 2008

Uma semana em grande



É certo que numa só semana, aqui o rapaz, apareceu na revista única do Expresso, no Correio da Manhã e no Diário de Noticias. Mas o que talvez não saibam – e isto é que é assinalável – é que fui igualmente entrevistado para o jornal “ O Interior” da Guarda. Por saber que de entre estes meios acima referidos, este é possivelmente o menos conhecido, acho justo aqui publicar na íntegra a entrevista. Já agora fica aqui o site: http://www.ointerior.pt/.

P – Esta é a segunda vez que participa num Baile de Finalistas na Guarda. Paga para vir cá?
R – Claro. E de cada vez que passo musica, o preço é cada vez maior.

P – Em que é que acha que a sua música vai contribuir para melhorar esta festa?
R – Tem poderes terapêuticos. Ainda outro dia uma senhora, ali para os lados de Condeixa-à-Nova, que sofria de varizes, deixou de as ter numa final da minha actuação e agora anda para aí aos saltos e dizem-me que é uma fortíssimo candidata a vencer a maratona das amendoeiras em flor.

P – Considera-se já um ícone dos bailes de finalistas?
R – Considero pois. Gostava inclusivamente que me fosse construída uma estátua na vossa praça principal em minha homenagem. Uma coisa granítica, que não cedesse à erosão do tempo.

P – Alguma vez sonhou em ser eleito o “rei” do baile?
R – Sim, mas gostava mais de ser o rei da Mealhada, peço desculpa. Mas depois, do baile. É curioso fazerem-me esta pergunta, porque gostava muito de ser rei, mas de outras coisas. O rei dos frangos, por exemplo. O rei dos móveis. O rei dos vidros. O rei da pescadinha de rabo– na –boca e claro, o rei do baile. Sonho muito com isso.

P – Quando foi finalista quantas “tampas” levou para conseguir levar alguém ao baile?
R – Eu tenho outra estratégia. Nunca levo ninguém, prefiro trazer. É arriscado – eu sei – mas tenho tido sorte. Da última vez, estou em crer que terei saído em grande. Gosto muito das mulheres da Guarda porque são exactamente como a cidade que as acolhe. Aparentemente frias, mas extraordinariamente – como direi – extraordinariamente, quentes.

P – E neste baile espera trazer alguém do baile? Quantas?
R – Vamos cá ver, eu não quero trazer ninguém do baile. Eu quero é levar. Será que me estou a contradizer? Neste momento estou indeciso entre levar a princesa Stéphanie do Mónaco ou a Agustina Bessa Luís. Ainda estou indeciso. Até para mim será uma surpresa.


P – Sabe dançar a valsa? Quantas vezes pisou o seu par quando foi finalista?
R – Sei sim, mas que conversa é esta. Gosto muito de dançar a valsa de Viana. Do castelo, que todos sabem ser a melhor. Sou um exímio dançarino e não raras vezes aplaudem-me de pé quando não há cadeiras na sala. Fico sempre muito comovido.

P – Gosta da Guarda?
R – Gosto. Gosto muito. Vejo a Guarda como o filho que nunca tive. Melhor ainda: a Guarda é aquele filho que sempre planeei ter mas que percebo que não posso, por ser infértil. A Guarda não tem culpa. Eu, sim.

P – Há mais algum motivo para vir cá para além do excelente ar que a “cidade mais alta” oferece?
R – Há. Uma rapariga. É sempre a mesma, que eu nestas coisas não troco. Gosto dela. É gira e séria. Pessoa de boas famílias. A distância nem sempre separa as pessoas, às vezes divide, chega para muito longe, suprime, mas separar, nunca. Ao contrário dos outros relacionamentos, quanto mais não nos vemos, melhor fica o nosso relacionamento. Às vezes telefona-me passado dois meses e eu digo pousando a mão no cinto: “ Mau!”. Numa relação ideal, as pessoas só devem falar de seis em seis meses. É o que fazemos e não queremos outra coisa.

P – Ambiciona fazer mais alguma coisa na vida para além de passar “som” para estudantes de liceu?
R – Não. Ambiciono é fazer menos. Dedicar-me à apicultura ou então ao aeromodelismo. Gostava de passar os meus dias a completar puzzles ou fazer legos da playmobil. Mas não há maneira de as pessoas entenderem isto e obrigam-me a trabalhar. E olhem que não é pouco.

P – Que conselhos úteis daria aos finalistas para sábado?
R – Se não estiverem a gostar, bebam um copo. Se ainda assim a música não estiver a ser do vosso agrado, bebam outro. E assim sucessivamente, até chegarem ao ponto exacto, em que vão gostar daquilo que estão a ouvir. Garanto-vos que isto resulta. À vossa!

P – É preciso beber assim tanto para gostar da sua música?
R – É. Quanto mais melhor. Podem beber menos, mas vão também gostar menos. E eu quero que gostem muito, mas muito. Logo, penso que já terão percebido.

P – E não se estará a esquecer de recomendar nada para os mais desatentos?
R – Sim, devem levar-me oferendas. Presuntos, toda a espécie de cheques visados, queijos da serra, boxers e todos os números da “Playboy” onde possa aparecer eventualmente a Maitê Proença.

Sunday, February 24, 2008

Beatriz Batarda! Beatriz Batarda! Beatriz Batarda!





Está a acabar-se mais uma semana e teria sido mais uma igual a tantas outras, caso não tivesse conhecido Beatriz Batarda. Ali estava ela, ao meu lado - a dois passos - e eu como se já a conhecesse há muito tempo vou-me direitinho a ela e digo-lhe com o finíssimo propósito de levar um par de galhetas “ Beatriz, tu és a Julia Roberts Portuguesa!”. Foi por pouco. Beatriz Batarda, olha para mim com aquela cara de quem diz cá dentro “ Sacana!” e logo a seguir, percebendo o que me poderia acontecer, digo as palavras salvadoras “ Nada disso, tu és a Isabelle Huppert de Portugal, é o que tu és”.


Tudo isto, numa noite em que pude assistir ao documentário sobre ela, realizado por Rui Pedro Tendinha. Chama-se “ Beatriz Batarda, Beatriz Batarda” e nele diz-se aquilo que já muitos perceberam. Que Beatriz é a actriz. Que a Beatriz Batarda merecia um título de documentário ainda superior. Por mim, chamar-se-ia “ Beatriz Batarda! Beatriz Batarda! Beatriz Batarda!”

Friday, February 22, 2008

Esta semana vejam quem é o convidado especial dos Incorrigiveis

Pergunta proíbida para curiosos


Quero falar contigo? – diz-me. E eu, do outro lado, pergunto-lhe: Ai sim, sobre o quê? Ao que ela me responde “ É uma coisa importante, mas agora não posso falar. Ligo-te amanhã”. E pronto, bastou isto para me deixar inquieto e com vontade de lhe meter as mãos ao pescoço enquanto lhe digo “ ai agora vais dizer, ai agora vais dizer!” e ela roxa “ ai agora vais dizer” e a língua já de fora “ ai agora vais dizer” e as pernas dela a contorcerem-se como se fossem lenços brancos em sinal de rendição “ ai vais falar, vais” e a vizinhança a vir à janela “ Deixe a miúda senhor! Largue a rapariga que é muito nova”. E eu que sou bom rapaz e nestas coisas um coração mole, lá a largo ao seu destino na promessa de que me ligue o quanto antes para me dizer o que queria. Aliás, mandasse eu nisto – e já estive mais longe – e todas e quaisquer pessoas que despertassem a curiosidade de alguém desta forma, seriam detidas para interrogações e obrigadas a dizerem tudo aquilo que iam dizer mas que por um qualquer motivo não o fizeram.


Para mim, se começam têm que acabar. E não me venham cá com histórias de que “ me arrependi do que ia a dizer” que eu não me conformo. Está dito, está dito, depois de começar não há forma de voltar atrás. Por isso, o único modo que eu tolero para voltar atrás é precisamente nem sequer começar. Por isso não comecem, se não querem acabar. Seria a mesma coisa que eu dizer que vos iria aqui revelar um grande segredo e a meio do texto, só porque me apetece, anunciar que afinal me tinha arrependido e já nada iria dizer. Ora essa, aposto que não seriam poucos aqueles que me quereriam deitar ao mão ao pescoço. E eu não gosto disso, excepto em raríssimas situações de que me escuso agora a falar.


Adiante. Todos nós, quer queiramos ou não, somos muito curiosos e isto vem desde o ancestral olhar pelo buraco da fechadura. E não me venham agora dizer que nunca o fizeram porque eu sei que sim. Senão vejamos, quem nunca olhou pelo buraco da fechadura da porta de casa, para ver quem acaba de entrar na casa do vizinho da frente? Quem nunca, de forma sorrateira, tirou as medidas à prima, acabadinha de sair do duche? Quem nunca espreitou pelos buracos das persianas para perceber o que se estava a passar na rua aquelas horas?

Eu sei que custa a aceitar – custa pois - mas entre todas as perguntas que não se podem fazer a alguém curioso como eu – e eu sou mesmo muito curioso - há uma que me merece particular destaque. É a chamada pergunta proibida para curiosos. Mas é a pergunta. A pergunta, ouviram bem? A questão que todos parariam tudo o que estavam a fazer, para ouvirem a resposta. Ai que agora não, que estou muito ocupado e tal, mas que ao ouvirem-na – a pergunta pois - perceberiam que nada seria mais importante do que ouvir a resposta. E eu poderia dá-la já aqui. Dizer qual era a pergunta. E aposto, aposto com todos, que de um lado ao outro do país diriam que eu teria razão. Que esta é sem dúvida a pergunta a que ninguém fica indiferente. Que é muito bem visto, sim senhor. E que mesmo aqueles que anunciam sem qualquer pudor, que não se deixam mover pela curiosidade, cederiam à quase humilhação, de rogarem que eu aqui a revelasse. Mas porque eu acho que a redacção do metro, precisa de um dia animado e diferente de todos os outros, proponho que escrevam para editorial@metroportugal.com e lhes peçam a resposta. Nesta caso, a pergunta. A esta altura, já todos a saberão. Excepto, vocês. Não acham isto curioso?

Friday, February 15, 2008

Para mim, o Amor é como a caligrafia dos médicos. Não entendo Nada.

Quantos são? Quantos são?







Ao contrário do que toda a gente possa pensar, eu tenho uma opinião diferente acerca da violência na noite do Porto. Sinceramente, acho que há pouca. E se dúvidas houvessem – e não há – as últimas semanas vieram devolver uma preocupante pasmaceira que me leva a ter que intervir neste sentido, explicando sociologicamente o que pretendo dizer. Talvez por isso, gostaria que me tratassem a partir de hoje, como o António Barreto da Copo fonia.

Ora, analisando o comportamento do homem do norte – e eu sou um deles – quero que saibam que o portuense está para Portugal como o país basco está para Espanha. Isto é, é melhor não armarem sarilho connosco se não querem meter-se em trabalhos. E assim, quando há uma qualquer escaramuça há sempre alguém que diz 'Eh pá, não te metas comigo que eu sou do norte!' como quem diz 'É melhor estares quieto, que eu sou cinturão negro e faço-te já uma revienga!'. Na Espanha, experimentem lá ver como o resto dos espanhóis entende a rapaziada do País basco. Pois é, exactamente igual. Só que em vez de dizerem isto, rematam com expressões como 'Que te doy una hostia' ou ' Conho, que te parto la cara !'
De resto, se reparem bem, foi exactamente por causa disto que Francisco Assis, ex-candidato à presidência da Câmara Municipal do Porto não ganhou as eleições contra Rui Rio. E porquê? Porque foi – e peço já desculpa – foi um morcão! Passo a explicar: um qualquer político que publicamente seja agredido por um popular em frente à televisão, só se for muito tenrinho é que não ganha as eleições, porque é mais do que natural que as pessoas se solidarizem com ele, que tenham pena, que reprovem o que foi feito e que quase como compensação, lhe dêem um voto como que a pedir desculpa por aquilo que lhe aconteceu. E o que lhe aconteceu foi mau demais e Assis, se não fosse do norte, limpava as eleições. Reparem bem, em 1986, quando Mário Soares disputava a segunda volta das eleições presidenciais com Freitas do Amaral, foi agredido na Marinha Grande por alguém que lhe deu uma chapada na cara. E sabem que mais? Um mês depois foi ele que ganhou as eleições, embora seja Freitas do Amaral que tenha uma casa com piscina. Ora, sendo assim, como se explica, que Assis tenha perdido? Fácil, por ser do norte. Isto é, Assis quando leva a primeira murraça tinha que se ter ido a ele caramba, mesmo que levasse mais – e era o mais certo – Assis tinha que fazer peito e dizer dois ou 3 palavrões daqueles de encher a boca – mesmo que a coisa fosse encenada um bocadinho – só para a televisão dizia: ' olha que eu sou muito grande, faço e aconteço!' e ao mesmo tempo ia arrepiando caminho como quem não quer a coisa – sem ninguém ver. Do mesmo modo, que é impensável que um treinador à Porto, não diga logo dois ou palavrões quando a equipa falha um lance e se levante no imediato, a fazer muitos gestos feios como se o índice Nasdaq tivesse voltado a entrar em queda. Se virem bem, não deve ser à toa que muitos diziam que o Camacho – sim, o treinador do Benfica – era um bom treinador para o Porto. E sabem porque é que não resulta? Porque não treina o Porto, pois se o fizesse, não tenham dúvidas que obteria melhores resultados do que o Jesualdo.

E isto para chegar onde? Para chegar a lado exactamente nenhum. E isto para dizer o quê? Para não dizer absolutamente nada. Mas no entanto, não se metam. Que não se metam comigo que eu sou do Norte. Quantos são, quantos são?

Thursday, February 14, 2008

É meu!







De entre todos os sentimentos que existem, o pior de todos é – e peço já desculpa aos outros – o sentimento de posse. As pessoas gostam de ter, de dizer que é meu e de preferência pagarem a pronto. Portugal não gosta de alugar. Se tiver dinheiro, o português compra, mesmo que para isso tenha que fazer mais um esforço para pagar um empréstimo a 30 anos e no fim dizer que: "É meu!". Recebe-se alguém em casa, vai-se mostrando as divisões e a primeira pergunta que nos fazem é: "Mas isto é teu?" E com a tristeza de um pescador que vem do mar sem nada na rede, encolhemos os ombros e dizemos: "Antes fosse, mas não. É alugada!".




Os portugueses gostam de dizer "É meu!" e quem alugar ou comprar a leasing - um carro por exemplo - é olhado com desconfiança e até, deixem cá ver, menosprezo. A vizinha do lado comenta com a outra no parapeito da varanda: "Já viu o carro novo do vizinho da frente que chegou esta semana? e mesmo que não o saiba, esta, de forma viperina vai dizendo: "Pois, pois, deve ter sido comprado a leasing. E assim também eu!" Como se a leasing fosse batota.
De resto, ao mínimo sinal de rápida ascensão financeira, é incontornável que o empresário que teve sorte com o negócio que criou e que à custa disso já comprou uma vivenda e mudou de carro duas vezes este ano, está - pois com certeza! - "Está mas é metido na droga!". A casa dele tem piscina! - Isso é droga! – Comprou agora um barco! – Droga é o que é! – Foi de férias com a família para os Alpes! – Não tenha dúvidas que é droga!




Por isso, se isto neste plano é assim, imaginem quando o sentimento de posse se alastra ao foro sentimental. É pior ainda. Com uma vantagem. Se rapidamente conquistarmos alguém ou dermos mostras de que temos cada vez mais casos bem-sucedidos "aquele ali anda sempre com mulheres bonitas!" serão poucos aqueles que dirão, que "andamos metidos na droga". E isso é bom. Se bem que para mim, se eu andasse metido com a Charlize Theron, bem que me podiam chamar o " Pablo Escobar de Campolide" que eu não me importaria. Mas adiante.




O sentimento de posse manifesta-se quando acabamos uma relação – reparem que fomos até nós que o fizemos – e passado uns tempos, quando a vemos com outro, não sei porquê, mas ficamos com um formigueiro nos pés que deus me livre. Na verdade, aqui entre nós – e agora baixe o jornal que esse senhor do lado está a ler isto – o que nos agradaria, era ver aquela palerma que nós deixámos – nós, ouviram bem? - aos rebolões pela rua, moribunda, chorando pelos cantos a clamar o nosso regresso. E o que é que acontece? Exactamente o contrário. Está tão melhor do que nunca que até parece que lhe demos saúde. E demos. E assim, quando alguém nos diz :" olha, ontem encontrei a tua ex-namorada ás compras no chiado?, à nossa imediata pergunta de " Como é que ela está?" nada melhor do que nos responderem:" Tão diferente que não imaginas. Mais gordita, mal tratada, uma sombra daquilo que era no teu tempo! E por mais que nos custe reconhecer – e custa - ficamos contentes ao ouvir isto como se disséssemos "Safei-me de um bom estafermo!". O sentimento de posse é isto. É mau. Mete vergonha. Devia ser banido, mas existe. Mas ao contrário do que acontecia até aqui – e isto é pior ainda - poucos são aqueles que ao saberem-no, dizem : "É meu!"

Wednesday, February 13, 2008

Boa Noite Alvim. Terceira Série. 9 de Março. Sic Radical.





É oficial. Dia 9 de Março, às 23.15, a Sic Radical estreia a 3ª série do Boa Noite Alvim. E voltamos ao mesmo. As reuniões tardias. Toda a gente a dizer “ espera lá, tive uma ideia”. Mas quem é que convidamos? O que fazer desta vez? O Moreira devia fazer entrevistas. O cenário podia muito bem ser mudado. Pedro santo com o seu mau feitio. Gervásio passa aí a garrafa de Jameson. Queres ver que não temos gelo. Que rubricas devem continuar? Quem sai? Quem entra? Já alguém ligou ao Quadros? O costa santos disse alguma coisa? O gimba escreveu-me hoje a dizer que está connosco. Alguém tocou à porta, vejam lá se não é o luís. Esperem lá que tive uma ideia. Mas o programa vai ser em que horário? Era giro se fosse à segunda. Eu apostava no Domingo. Alguém comprou tabaco? Isto vai ser ao Domingo. Às 23.15 mas ainda não sei a que outros dias irá repetir. Deviamos mudar o cenário, não? Quem é que convidamos para a primeira emissão? O avô cantigas? A Simone? Deixem-se disso, podíamos levar a Ana Malhoa isso é que era. E na mesma emissão, convidávamos o Pedro Mexia. Era perfeito. Achas que o Mexia aceita? Não sei, eu falo com ele. Pessoal, vamos embora que eu tenho que ir dormir. Já viram como ficou a casa, não já? É o costume.

E será mesmo, a partir de 9 de Março, na Sic Radical, a minha casa voltará a estar muito desarrumada. Exactamente, como eu gosto.

Friday, February 08, 2008

O momento principal - Viva Odete Santos!

Há uns anos atrás editei um livro "No dia em que fugimos, tu não estavas em casa" da Quasi Edições, com algumas das histórias que fui escrevendo para mulheres que me induziram a isso. Se não tivessem existido estas mulheres, estas histórias também nunca teriam sido escritas. E uma delas, foi para meu grande espanto, lida com soberba mestria pela ex-deputada Odete Santos.
É no programa de Maria de Vasconcelos que tudo irá acontecer. Amanhã, por volta das 11, no Rádio Clube Português.

Viva Odete Santos!





Está aqui registado.

A Folia dos Foliões






De todas as épocas festivas que ocorrem em Portugal, a que eu mais gosto é, sem dúvida, o Carnaval. Rimou e é bem verdade. Gosto do Carnaval porque chove sempre ao contrário do Natal onde por vezes só faz frio e da Páscoa onde muitos portugueses aproveitam a ocasião para rumarem ao Algarve apanhar uma corzinha, ou – não raras vezes – um escaldão por demasiada exposição ao sol. Falam-me no Natal e eu penso imediatamente em Paz e Amor. Falam-me da Páscoa e eu penso no quanto já fui feliz numa férias desportivas quando era mais garoto. Falam-me no Carnaval – e aí não tenham dúvidas – aí eu penso, no Brasil.

Daí que sejam muitos aqueles que revelem que o Carnaval em Portugal é único. E eu concordo. E sabem porquê? Porque não existe, ora essa. Se ainda não perceberam, o Carnaval em Portugal é o nosso monstro do Lago Ness. Isto é, as pessoas dizem que viram, que é ali o Carnaval, que era muito grande, que muita gente viu, que tinha uns dentes enormes e uns olhos esbugalhados, mas quando nos aproximamos do local onde nos dizem ter sido visto, a água não mexe.

Contudo, o que eu gosto mais no Carnaval são os foliões, uns malandros que mal se apanham com um disfarce começam a fazer das suas, fazendo-me por vezes lembrar a Picolé, que tantas diabruras fez na Praça da Alegria. Ai que saudades, meu Deus, que saudades. Mas íamos nos foliões e chegados aqui, é justo dizer que o momento mais alto de “folia” para um “folião” é justamente quando aparece uma câmara de televisão em directo para o telejornal. É como se fosse uma espécie de sirene dos bombeiros a anunciar um incêndio. Um folião pode até estar muito em baixo “ A mulher enganou-o! A vida está cara!” mas vê à frente uma câmara de televisão e é como se tivesse acabado de ser golo do Benfica – e logo de makukula – com o estádio todo em pé.

O folião grita, corre, salta, gesticula, fala ao telemóvel “ Liga a televisão a ver se não me vês! Liga a televisão a ver se não me vês!” e comporta-se como se de repente, tivesse caído numa festa de espuma. De resto, só nesta altura é que são usadas as palavras “ “folia” e “foliões” porque com verdade, se fossem usadas numa outra época, soariam com arrepiante estranheza. Reparem só: Estamos aqui, em casa na Seia de Natal da família Mateus em Vizela e vai aqui uma grande folia, como poderão comprovar as imagens Manuela Moura Guedes! – Não soa bem, pois não? Claro que não. Agora vejam lá esta abertura do noticiário: - “Boa tarde, o Carnaval chegou e um pouco por todo o país, os foliões saíram à rua para momentos de grande folia” E agora, bom não é? Pois claro que sim. E isto leva-me a uma conclusão: Não existissem foliões e não existiria Carnaval. Não houvesse Carnaval e não haveria foliões. E aqui entre nós, parecem-me duas tão boas ideias, que nem sei qual devo escolher.